Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Carta aberta à Diretoria do Santa Cruz

Publicamos com atraso, por falta de disponibilidade de tempo, carta enviada à nossa redação pelo grupo de internautas Por um Santa melhor. O momento é oportuno para reflexões e esta carta contribui para um debate que já está trinta anos atrasado. Carta aberta aos membros da diretoria e instâncias superiores, e à comunidade de torcedores do Santa Cruz Futebol Clube Prezados senhores, é com grande pesar que nos vemos obrigados a enviar esta correspondência. Nós, grupo de torcedores preocupados com a situação do clube que tanto amamos, vimos com absoluta revolta a eliminação do plantel tricolor da Copa do Nordeste, sob condições que poderiam, sob nossa ótica, ser evitadas. Para aumentar nossa indignação, vemos também o início de nossa participação no Campeonato Pernambucano de 2013 e, a médio prazo, na Série C do Campeonato Brasileiro deste mesmo ano, sem as medidas que julgamos necessárias para a correção de curso. Tal situação vem se tornando uma constante desde o final do ano passado, e, em nossa opinião, se continuarmos assim, o Santa Cruz terá um futuro sombrio. Isso, se tivermos um futuro além dos verbetes de enciclopédia. Este é o sinal de alerta que nós, uma parcela significativa de torcedores preocupados e, no caso de muitos de nós, cumpridores de nossos deveres enquanto sócios, estamos dando, não só à diretoria, mas também à massa coral. No entanto, não podemos excluir também uma parcela significativa de nossa torcida que, por falta de condições financeiras (somos um clube de caráter popular, lembrem-se) ou de paciência com a sequência de resultados negativos ou percepção de inépcia por parte dos dirigentes, não são associados ao clube. O Santa Cruz, aliás, transcendeu a condição de clube privado para configurar-se como verdadeira instituição de interesse público, afetando a vida de milhões de pernambucanos ou de apoiadores de outros estados, identificados com nossa história. O Santa é grande demais para falhar. Não podemos permitir que isso ocorra. É especialmente temerária a baixa qualidade técnica de nosso plantel, composta por jogadores de baixo nível e que outrora estiveram em campeonatos, ainda que no exterior, com qualidade inferior a dos estaduais do Nordeste brasileiro. Outros sequer tiveram oportunidades nas pequenas equipes das quais anteriormente faziam parte, que dirá em grandes clubes do cenário nacional e internacional. No entanto, temos de ver com bons olhos a postura que nosso atual técnico adota dentro de campo, uma verdadeira quebra de paradigmas...

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Onde vive a democracia

Onde vive a democracia

A imagem no canto superior direito do site indica que chegou o período de eleições no Santa Cruz e com ele, além do debate sadio e necessário, infelizmente, virá também a briga de foices entre as chapas e a discussão desqualificada em nossa seção de comentários. Não só de bons pensamentos e boas ideias vivem os homens, menos ainda os torcedores, mais sujeitos aos desenfreados arroubos que movem as paixões. Nem a filosofia ou a consciência moral e social foi capaz de nos livrar, ao longo da história humana, de instintos primitivos que geram violência, ainda que restrita ao universo das palavras. Não é demais lembrar que o verbo, inúmeras vezes, tem ação mais devastadora que a força do braço. Não é de hoje que reluto em escrever alguma coisa sobre o Santa Cruz. Essa falta de estímulo tem-se estendido além do normal e não dá sinais de refresco. Ainda mais quando percebo que, com raras e boas exceções, parte de nossos leitores, e os torcedores de uma maneira geral, não enxergam um palmo além das quatro linhas. Não que o futebol não seja importante, longe disso, refiro-me ao que está por trás e lhe dá sustentação. A nossa visão precisa ser mais ampla do que apenas a de vinte e dois marmanjos correndo atrás de uma bola em busca de um gol. Por isso, desestimulado, considero inútil escrever sobre gestão, negócio, responsabilidades e impedimentos dos principais cargos diretivos do clube, processo eleitoral transparente, estatuto, Conselho Deliberativo, Comissão Patrimonial — essa coisa esdrúxula que divide o Santa Cruz em duas entidades distintas — ou ainda discutir o que é necessário fazer hoje para que possamos ser novamente grandiosos amanhã. A verdade, se querem saber, na maioria das vezes, somos iguais aos torcedores pés-de-rádio, que costumeiramente criticamos; a diferença é que utilizamos outra forma de comunicação para dizer as mesmíssimas coisas. A sensação de não ter vontade de escrever é estranha para mim, que vi alguns de nossos colaboradores legitimamente descerem do barco ou, no mínimo, perder temporariamente o estímulo. Desde que criei o blog, no final de 2006, nunca havia perdido o pique, o embalo, a disposição nessa magnitude. O que leio, ouço ou vejo não me tem atraído a atenção. Além do mais, odeio patrulhamento e o blog se transforma, a cada dia, numa bizarra caça às bruxas. Prefiro discutir ideias, exigir eleições imaculadas como regra básica da...

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Enquete

Enquete

Qual o seu voto para presidente do Santa Cruz? Joaquim Bezerra (51%, 139 Votos) Antônio Luiz Neto (39%, 107 Votos) Indecisos (5%, 13 Votos) Brancos e nulos (4%, 12 Votos) Total de votos: 271  Carregando...

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Expectativa

Expectativa

Estive sem motivação para ir ontem ao Arruda, mas cedi aos apelos de Artur Perrusi. Não seria possível a minha ausência em jogo tão decisivo, disse ele. Que eu fosse então por uma boa conversa, por nossa amizade e, suprema apelação, pelo caldinho do Bar do Bonitão. Não cria na vitória, faltava-me expectativa. No Santa de hoje, mais que futebol, falta vontade de vencer. Não há torcida que empurre um time sem coração, ainda mais eu, que não costumo despender a minha energia em vão. Expectativa. Mais cedo encontrei na fila de um caixa eletrônico um tricolor. Há, entre quem usa nossas cores, uma sensação aparente de que estamos todos no mesmo barco. Não é bem assim. Percebi rapidamente que estávamos em lados opostos no campo das ideias. Para ele, era preciso confiar; para mim, apenas torcer. Confiar é outro papo, requer algum grau de esperança baseada em retrospecto positivo, numa evolução visível. Confiança, justamente o que me falta. Se muito, persiste o insofrimento, porquanto a ansiedade é a expectativa da dúvida e o momento atual, infelizmente, não deixa margem a incertezas. A base, o passado recente representado por nossa campanha na Série C. O passado aponta para a frente e, para o futuro, a meteorologia prevê dias nublados e nuvens de chuva. No mais puro breu, não enxergo um palmo à frente do nariz, devo dizer. Apesar da falta de chutes a gol, depois de um bom primeiro tempo, o time desmoronou. Há quem enxergue culpa em Chicão, que, ensanguentado, agarrou o adversário pela camisa e esfregou sangue em sua cara. Talvez tenham razão. Faltou-lhe, é verdade, inteligência emocional, pois se outra fosse a sua reação, o Santa voltaria ao segundo tempo com vantagem numérica. Ainda sim, não vou queimá-lo em praça pública. É difícil não perder o controle diante de tamanha agressão. Aos nossos tranquilos torcedores, serenos, como o orvalho da noite e seguros, como uma rocha, mas que ocasionalmente costumam atacar a moral alheia com a agressividade de um cão, desafio a atirar a primeira pedra aquele que mantiver os nervos de aço em semelhante situação. Já arranquei com o carro sob a mira de um revólver, coisa, para mim, inimaginável até então. Nem tudo, caros leitores, é passível de racionalização. A culpa está em outra parte. Está na comissão técnica, que desmantelou o time no intervalo e durante todo o campeonato, e adentra o gabinete...

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O ópio do futebol

O ópio do futebol

Passou da hora de publicar um novo artigo, mas, mais de uma vez, não me animei a escrever coisa alguma. Revolvi aqui e acolá, saiu alguma coisa mequetrefe, porém, por sorte, depois de pronto, pingou um e outro artigos e retirei o meu, o mais desimportante. Demorei a escrever, fi-lo por dever de ofício, por falta de opção, já que, em circunstâncias como essa, pesa-me a obrigação de manter o blog atualizado, apesar dos pesares. Não sei o que me dá, talvez seja tudo, talvez não seja nada e nem mesmo tenha a ver com a situação atual do time na Série C. Não há abatimento, nem frustração, tampouco desesperança, pois o time bicampeão pernambucano nunca me deslumbrou e quando não há deslumbramento, pouco se espera e quase não se sofre. Sob o efeito peculiar dessa anestesia geral, resta-me a possibilidade do inefável cansaço — passageiro, espero eu. Também não descarto que começo a enxergar o futebol como um extraterrestre que, caso aqui chegasse, não compreenderia tamanho alvoroço em redor de uma bola. Igualmente, principia a ocupar-me a estranheza do sofrimento que causam onze marmanjos a preencher o campo de jogo, pois se não fosse o envoltório de pele de cobra coral que lhes cobrem os corpos durante as partidas, seria eu completamente à prova de dor. Assim, concluo que o que me prende ao time que se aventura nesta Série C é, e sempre foi, tão-somente a camisa, símbolo de identidade social. E já que comecei a escrever sem vontade, serei franco. Não tenho lá muito a virtude de esperar com calma o que tarda, nem tampouco me animo a apontar e a reapontar os erros desse time, da comissão técnica, do presidente. Creio até que os comentários dos nossos leitores tenham-me influenciado a ponto de não tolerar sequer ler ou ouvir o nome de Zé Teodoro e seus derivativos, apelidos denotativos de um sentido pejorativo. Em tudo há limites, menos aqui, neste canto do mundo, onde reina a censura áspera. Entediado, tornei-me intolerante à intolerância, assim como ao elogio fácil e desmedido, por isso, torço com grande fervor para que, seja lá qual o for o desfecho do Santa Cruz nesta Série C, Zé Teodoro vá para bem longe do Arruda. Quem sabe isso nos trará de volta um pouco da sanidade que perdemos. Aqui só se fala de futebol, bem sei, mas há outras vertentes desse...

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