Cobra venenosa

Cobra venenosa

“Não consigo entender como o Santa Cruz está na Quarta Divisão. (…) Fico com inveja dos clubes que têm as coisas acertadinhas.“ Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, em evento comemorativo do centenário do Corinthians, citando o Santa Cruz como exemplo negativo e cobrando mais profissionalismo dos clubes...

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O que é um time grande?

O que é um time grande?

Marcos Siqueira Quem já teve a oportunidade de participar de competições nos jogos escolares ou universitários, na quadra ou nas arquibancadas, pode sentir o que é dar a alma por um resultado. Quem já disputou uma simples pelada entre times de bairros, sabe da ansiedade e da adrenalina que rolava nesses momentos. Hoje, a torcida do Santa Cruz vive um momento de euforia após vencer dois jogos. Um em casa, contra um time do interior do RN, aonde os jogadores vão ao campo a pé ou em suas bicicletas.  Outra vitória em Maceió, para uma equipe rebaixada à segunda divisão do campeonato alagoano e formada pela equipe base do Murici Futebol Clube. A expectativa é que domingo tenhamos 60 mil torcedores apoiando o time no Arruda. Outro dia, meu filho me perguntou o que é, de fato, um time grande? Sem medo de errar, comecei a explicar que hoje, diferentemente da época em que o futebol não era assim tão profissional, duas coisas eram fundamentais para um time ser considerado grande: uma torcida numerosa e o direito de participar. Claro que imediatamente pensamos no nosso Santinha. A torcida, essa impressionante massa coral, há muito já virou caso de imprensa. E nacional. Contrariando todas as estatísticas de institutos de pesquisa que parecem não querer enxergar a realidade mais óbvia possível, a torcida do Santa Cruz insiste em se manter com uma das maiores médias de público do Brasil. Sobre esse fenômeno, poderemos falar um pouco mais em comentários futuros. Já o direito de participar, por mais esdrúxulo que possa parecer, esse não tem nada a ver com o futebol no seu sentido mais romântico de qualidade e amor à camisa. – “É que agora as coisas são diferentes, meu filho”, comentei com uma pontinha de tristeza. O futebol se tornou um negócio.  Business intelligence, como se fala mais ao norte do Ceará. – E como é isso? Simples. Junte a emissora de TV, os fornecedores de produtos mais importantes, o poder público estabelecido (legal ou ilegalmente) e defina quem deve participar do jogo. Como jogo, entenda-se o campeonato nacional, mantido financeiramente por estas partes. E para participar, aí não tem jeito: ou tem a grana, ou está fora. Eles fazem o campeonato, dividem o dinheiro, dão alegria às suas torcidas que aumentam em todo o território brasileiro e seguem irradiando a sensação de que tudo se resolve apenas no “bom...

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Entrevista: Rivaldo

Entrevista: Rivaldo

Tem gente que torce o nariz para as redes sociais, mas elas mostram a cada dia a sua força. Pode-se dizer que elas têm as mais variadas utilidades, mas a que considero mais vantajosa é a sua capacidade de aproximar pessoas. Um exemplo disso foi o acerto desta entrevista com Rivaldo, o craque brasileiro que tem o início de sua carreira atrelado ao Santa Cruz, embora tenha começado, de fato, no Paulista em 1989. Nosso contato com Rivaldo se deu através do Twitter, uma rede social que funciona como microblogging, onde cada comentário do usuário é limitado por 140 caracteres. Atencioso e acessível, Rivaldo não demorou a responder o nosso contato. Rivaldo Vitor Borba Ferreira, homem de muita fé, é pernambucano, nascido na cidade de Paulista e vem de uma família de tricolores, o que certamente contribuiu para levá-lo para o Santa Cruz em 1991, como jogador profissional. Jogou em diversos clubes brasileiros e do exterior, entre eles o Milan e Barcelona. Ganhou fama internacional, foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA em 1999 e foi campeão do mundo pelo Brasil na Copa de 2002. Rivaldo voltou à cena coral ao publicar em seu blog um desabafo onde pedia desculpas à torcida do Santa Cruz por não ter fechado uma parceria com o Mogi Mirim, clube do qual é presidente, para cessão de jogadores sem custos ao time coral. Rivaldo, em seu texto, informa que, apesar de ter deixado duas pessoas (Leto e Luiz Simplício, ambos ex-jogares tricolores) para tratar da questão com o presidente FBC, não recebeu nenhum retorno sobre a proposta. Na proximidade de mais uma Copa do Mundo de futebol, o Torcedor Coral aproveitou a oportunidade para conversar com Rivaldo, 38 anos, sobre seleção brasileira, sua vida no Uzbequistão e, é claro, sobre o Santa Cruz. Por e-mail, Rivaldo nos concedeu a seguinte entrevista direto de Tashkent, Uzbesquistão, onde não descarta a possibilidade de fazer um jogo de despedida no Arruda nem, de um dia, ser presidente coral. Torcedor Coral – Como era a sua vida no início da carreira profissional? Rivaldo ― Era difícil como qualquer outra pessoa sem dinheiro, passei por muita dificuldade, muita luta. TC – Como foi a sua passagem pelo Santa Cruz? Rivaldo ― Para mim era um sonho jogar no santa cruz, sempre sonhei em ser profissional do santa e nada mais. Tudo no começo é muito difícil,...

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Um papo por e-mail

Um papo por e-mail

Nessa fase de bola parada, decidi voltar a um passado recente para não deixar passar em branco uma boa conversa que tive por e-mail  (foram 15 e-mails no total) com um ex-Diretor de Futebol coral. Em verdade, pretendia escrever um artigo à época, mas o momento decisivo do Santa Cruz na Copa do Brasil e nas semifinais do campeonato pernambucano não me deixou mudar o foco. Por isso, retomo agora a questão para, com a devida autorização do missivista, tornar pública parte da nossa conversa. A vitória do Santa Cruz sobre o Botafogo por 3 a 2 no Engenhão pela Copa do Brasil nos deu a esperança – ainda que parcialmente desfeita nos jogos seguintes – de uma temporada de melhor sorte. Ela também serviu para trazer de volta à cena coral Luiz Antônio Ruas Capella, primeiro Diretor de Futebol da era FBC. Freqüentador assíduo do Torcedor Coral desde a época de diretor, Capella me enviou um e-mail entusiasmado no qual comentava a vitória coral. “Fiquei pensando se escreveria algumas linhas sobre a vitória contra o Botafogo e não me contive”, disse ele em seu e-mail. “Primeiro, dei um pulo no blog para ver se havia algum artigo seu por lá; como ainda não tinha, resolvi escrever por aqui mesmo”, completou. Capella elogiou a postura do time em campo e o fato do Santa não ter se intimidado com a boa fase do Botafogo. “Foi a melhor partida do Santa que vi nos últimos anos”, afirmou. Também elogiou o trabalho de Dado Cavalcanti e de Raimundo Queiroz e acredita que eles estão no caminho certo, por isso, tem a melhor expectativa possível para a Série D. Capella, que costuma em seus e-mails se referir ao Santa Cruz como “nosso Santinha”, diz que aprendeu a gostar do clube e, mesmo de longe, costuma acompanhar o time em sua jornada esportiva. Sobre o final do campeonato pernambucano, considerou normal a queda de rendimento da equipe. Segundo ele, os altos e baixos fazem parte, pois ainda falta muito para que o Santa tenha uma grande estrutura e o futuro será melhor a partir do momento que tivermos um CT próprio, pois não dá para ficar esperando sempre acabar um campeonato e montar um time para o outro. Também enfatizou que é preciso fazer dinheiro com jogadores da base, pois nenhum clube sobrevive apenas com arrecadação das mensalidades de sócios ou com a...

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A coisa excetuada

Pretendia tratar de um assunto diferente. Minha idéia inicial era publicar hoje um artigo sobre um ex-diretor coral, com passagem recente pelo clube, que me deixou uma boa impressão como pessoa e como profissional, mas a decisão do campeonato pernambucano de ontem me fez adiar os planos. Mesmo assim, deixo claro que não pretendo falar do jogo ou dos times especificamente. Deixo, como sempre fiz, nossos adversários para lá, quer seja por suas vitórias, quer seja por suas derrotas, pois o que me interessa e o que me diz respeito é o Santa Cruz. O título conquistado ontem por um de nossos rivais é mais um capítulo da nova ordem do futebol brasileiro, iniciada na segunda parte da década de 80. Capítulo este que prefiro chamar de regime de exceção, onde os privilégios são para poucos e a míngua, para muitos. Em outras palavras, uma minoria se dá bem em detrimento da maioria. Assim, inverte-se a lógica e a exceção torna-se a regra. Para os que ainda não me compreendem, falo das prerrogativas e dos privilégios que dão o direito a um punhado de clubes de participar de um campeonato de futebol em condições de excepcional desigualdade, onde o acesso ao dinheiro gordo faz toda a diferença e enterra o brioso, mas utópico e ingênuo princípio do esporte, onde o importante é competir. Esta diferença torna-se ainda mais gritante em Pernambuco e em Goiás – o Atlético-GO é, ao meu ver, a exceção temporária ao regime de exceção, pois a fonte de seus recursos não tem o caráter permanente, como aquela garantida religiosamente pelo Clube dos 13 – onde há apenas um clube que goza de tais privilégios. No âmbito local, chamo este regime de exceção de a coisa excetuada, por razões óbvias. Essa condição privilegiada vem, aos poucos e silenciosamente, enfraquecendo o nosso campeonato e levando clubes tradicionais, como Náutico e Santa Cruz, à morte lenta e gradual, pois se perde a possibilidade de competir em condições de igualdade, não pelo merecimento alheio, mas pelos privilégios concedidos por uma entidade elitária, a partir de sua associação com uma rede de TV. Mais do que isso, toda essa conjuntura asfixiante conta com a conivência ou, no mínimo, com a omissão do poder público, que deveria zelar pelo principal esporte do país, e da CBF, mais preocupada com os milhões gerados pela seleção brasileira do que com as mazelas do...

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