Volúpia coral

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Dimas Lins
 
Nunca pensei que ficaria feliz com a ineficiência da justiça. Mas ontem, fiquei. Explico-me. Estava duplamente emputecido por ter que comparecer a uma audiência judicial, como testemunha, por conta da minha condição de auditor. Duplamente, porque a audiência se daria numa sexta-feira e no dia do jogo do Santa Cruz contra o CRB. Ao chegar lá, soube que, há um mês, a audiência havia sido adiada para o final do ano e, mesmo não tendo sido informado pela justiça, o que me fez perder tempo indo ao fórum, fiquei feliz. Afinal, por causa disso, fiquei com o resto do dia livre.
 
Perto das 17 horas, já em casa, liguei para Leonardo Jr. e disse que estava de saída para o Arruda.
 
– Já?!
– E apôis!
 
Diálogo cheio de conteúdo, dirijo-me ao templo sagrado do futebol coral. Foi bom chegar cedo. Dessa forma, pude assistir à apresentação dos novos uniformes do Santa Cruz para a temporada 2007 e digo que a diretoria acertou em cheio. São muito bonitos e sem muito “pra quê isso?”. Saíram os desenhos estrambóticos dos uniformes anteriores e prevaleceu o visual limpo das camisas tradicionais corais. Uma beleza! Entre 20 e 30 dias, os uniformes estarão disponíveis para venda ao torcedor. Na dúvida sobre qual é o mais bonito, acho que vou comprar os três.
 
Satisfeito, me dirigi ao bar da piscina. Fui o primeiro a chegar e me deparei com uma novidade. Por causa da chuva no jogo passado, muitos torcedores deram no pé sem pagar a conta e, por isso, o sistema de pagamento do bar mudou. E mudou para pior. Virou um pague e pegue. A cada cerveja que você fosse beber, teria que ir lá buscar. Mas, digo que, infelizmente, o procedimento preventivo foi um mal necessário. Afinal, o cara é tricolor e vai embora do bar do clube sem pagar, é dose pra leoa.
 
Aos poucos, foi chegando o pessoal e o bar ficando lotado. Apesar do clima de otimismo e descontração, a certa altura, Samarone não se conteve: “cerveja em lata é foda!”. Pois é. Mas uma medida em dias de jogos para evitar problemas. O risco da violência afetando a vida da gente onde menos se espera. Muitas cervejas depois, chega a hora de ir ao estádio.
 
À entrada, muita gente e um pouco de dificuldade, já que o sistema de sócios ainda não estava funcionando a plenos pulmões (leia o comunicado oficial do clube). Do lado de dentro, um bom público marcou o segundo jogo do Mais Querido no Arruda. Em campo, o novo uniforme branco dava o ar de sua graça e provocava elogios nas sociais. Fui para o mesmo lugar de sempre, me posicionei próximo à galega, a gasoseira, e retomei os trabalhos etílicos.
 
Partida iniciada e, apesar dos gols, o Santa não me agradava, principalmente no segundo tempo. Ainda assim, não há o que falar de Charles Muniz. O técnico fez a leitura correta do jogo e fez boas substituições. No campo, Marquinhos Catarinense, Piauí e Amaral faziam uma grande partida. Amaral, apesar das limitações, não deu espaços aos adversários. Ao contrário, ainda que tenha jogado uma partida melhor que as anteriores, César Baiano não fazia bem a cobertura na lateral, quando Russo ia ao ataque. Aliás, foi por ali que saiu o gol de empate do CRB. Alan, mais uma vez, não me agradou e torço para que Hugo retome a posição. E, apesar de admirar o esforço de Adauto, acho que o futebol dele não passará do que vimos até agora. Carlinhos entrou no jogo e, mesmo com pouco tempo em campo, mostrou alguma habilidade. Jairo, apesar do gol, destoou. Aí, aproveito para abrir alguns parágrafos para divagar.
 

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Gigi Souza, exemplo de volúpia coral

Fiquei confuso com a análise de Muniz sobre Jairo, após o jogo. O técnico, confesso, me deixou com a sensação de não estar falando coisa com coisa, quando disse que “por ser um jogador agudo, a volúpia de Jairo prejudicou o seu futebol”. Fiquei, com meus botões, pensando que danado aquilo significava. No bar, mais tarde, ainda discuti com Perrusi sobre o assunto. Abro um parêntese para dizer que, depois de tomar Frevo à noite toda, estranhei quando tomei o primeiro gole de Bohemia (quero meu paladar de volta!). Fecho o parêntese. Tentávamos, Perrusi e eu, encaixar o prazer sexual e luxúria, significado usual de volúpia, a uma partida de futebol. Mas ao acordar hoje pela manhã, tudo se esclareceu. Provavelmente, após o efeito do álcool. Finalmente, consegui interpretar o letrado Muniz. E olha, não falo isso em tom de ironia, acho mesmo que o técnico foi preciso em sua análise. E a confusão se deu por ignorância deste que vos escreve. E eu, com minha cabeça poluída, já estava achando que Jairo andava pensando em Gigi Souza, a representante coral da Musa do Brasileirão 2006.

 
Muniz disse que, pelo fato de Jairo ser agudo, aí no sentido de vigoroso, veemente e cheio de energia, sua volúpia, que eu interpreto como o desejo do jogador pela bola, prejudicou-o. Em outras palavras, o jogador foi fominha e queria a bola só para ele. Marcelo Ramos viu a mesma coisa e reclamou. Nós, das sociais, também. Tomara que o garoto não se deixe impressionar pelas coisas ocorridas em torno de si, durante a semana.
 
Mas aproveito esta história sem pé nem cabeça, para dar uma outra conotação à frase de Muniz. Na minha análise, apesar do jogo fraco, a volúpia tomou conta de todo o time e não apenas de Jairo. Mas aqui não me refiro ao individualismo, mas ao tesão em ganhar um jogo de futebol. Não há críticas em minhas palavras, apenas elogios. Os jogadores jogam com prazer e vontade, honrando a camisa coral. O futebol apresentado, é bem verdade, deixa ainda a desejar, como dirá mais à frente Leonardo Jr., pois a vitória de ontem não pode ter o dom de iludir. O time tem que evoluir muito ainda para merecer uma vaga para a Série A.
 
Ainda assim, estou otimista e, como disse anteriormente, quero ser campeão e, pela volúpia dos jogadores em campo, acho que eles também.
 

Uma visão diferente
 

Edição: Dimas Lins

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Leonardo Jr.
 
Amigos torcedores do Mais Querido,

 

É claro que uma vitória como a de ontem, uma goleada dentro de casa, nos enche de orgulho e de esperança. O Time fez um bom primeiro tempo, algumas peças vêm se destacando e melhorando a cada jogo (ver Piauí jogar me enche os olhos, temos o melhor lateral de PE).

 

Mas não estou aqui para falar das flores. Alguns podem achar que eu estou ficando maluco (e talvez esteja), mas quero fazer algumas observações, que julgo importante serem feitas no momento da vitória, pois depois que o time perde, a paulada é generalizada. Não se trata de crítica ranzinza e sem objetivo. Todos queremos ver o Santa cada vez mais forte, e esse também é o objetivo deste que vos escreve.

 

Na minha modesta opinião, ainda há alguns aspectos onde temos que melhorar bastante para os próximos jogos. Alguns argumentam que "esse é o nível da série B" e que "não vamos encontrar times muito melhores do que enfrentamos no Arruda até agora". Eu não caio nessa. Acho que vamos pegar pedreiras pela frente, e se pudermos corrigir as falhas do time, entraremos muito mais preparados para encará-las.

 

Acredito que pelo menos dois jogadores ainda estão destoando do time. Alan é um zagueiro pesado, que não me transmite nenhuma confiança. É batido com facilidade, e precisa de uma cobertura intensiva da cabeça de área. Aliás, esse é outro ponto que me preocupa. O Gol do CRB ontem foi justamente uma falha de cobertura da proteção de zaga, que não cobriu uma subida do lateral Russo, e deixou Alan mano a mano com o jogador do CRB que fez o cruzamento sem maiores dificuldades. Acho que nossos volantes estão mal posicionados. César Baiano ainda não mostrou a que veio (ontem ele fez a sua melhor atuação pelo Santa, mas ainda é muito pouco). Amaral é um brigador. Um carregador de piano que corre o tempo todo. Faz o seu e não adianta esperar muito mais dele.

 

Para a proteção, ainda temos o Wendell para testar. O Romeu está voltando de contusão e aqui abro um parêntese (Como a maior parte da torcida, desaprovei o futebol apresentando por ele no Pernambucano. Mas informações de dentro do clube, dizem que o atleta jogou o Pernambucano com cerca de 5 kg abaixo do seu peso ideal. Isso significa menos potência muscular, menos explosão… Por isso acho que ele deve ser novamente observado, já que agora está na sua “condição ideal”.). Para a zaga realmente não sei o que pode acontecer. Não sei se Hugo está preparado para ser titular. Adriano ainda volta de contusão. Sidraílson não nos dá confiança. E contratamos Dudu (Quem?).

 

E ainda defendo que Charles mude o esquema para o jogo com o Fortaleza. Mas isso eu deixo para o nosso "especialista tático" Artur Perrusi analisar.

 

Caro Leitor, não entenda como pessimismo ou crítica destrutiva. São opiniões de um torcedor coral que quer ver o time "voando" na série B e retornando ao lugar que é nosso, por grandeza e por tradição.

 

Rumo à série A!
Estradar

7 comentários

  1. Cláudio Machado
    1

    Esse comentário do Charles Muniz me convenceu que ele é o técnico certo para o Santa. Peço apenas que ele continue ganhando e depois do jogo pode falar o que bem quiser. PQ, como dizia Nelson Rodrigues: “futebol é resultado, o resto é crônica esportiva”.

    Sobre as palavras do Dimas sobre a cerveja frevo, isso é um consolo para mim! É uma merda total acompanhar os jogos do Santa pela Internet, mas pelo menos bebo minha bohêmia e minha Antártica Original sossegado…

  2. Nada a acrescentar aos textos.

    Com base no que vi em campo e no apanhado das “resenhas” escalaria (olha a pretensão!) este time:

    Gottardi, Russo, Marcelo, Hugo, Piaui, Amaral, Leandro (ou Wendell), Carlinhos, Marquinhos Catarina, Marcelo Ramos e Miro Bahia.

    Sendo o Pastor adepto do “em time que está ganhando não se mexe”, vou esperar sentado, pois provavelmente nunca verei essa escalação em campo.

    Dimas, encher a lata com Frevo e depois tentar entender as análises de Muniz pode dar congestão. Pare de reclamar do patrocinador e tente limpar seu “paladar” bebendo vários tipos de cerveja no dia seguinte. É um santo remédio.

    Saudações tricolores!

    PS: Por que Marco Antônio improvisado se temos Carlinhos e Jairo?

    Por que nosso goleiro é tão ruim na reposição de bola?

    PS2: Acho que Jairo está sendo afetado pelas “peruas” da nossa imprensa. Se notícias a respeito de transferência para “grandes clubes” mexem até com jogadores tarimbados, imaginem com um jovem de 19 anos e poucos meses de profissionalização. Tá na hora da diretoria fazer uma “blindagem” em torno dele, como a que foi feita com Rosembrick em 2005.

  3. Fabiano Pinheiro
    3

    O time jogou pra Carai sexta. Mas nosso torcedor é pessimista que só a gota. Tudo bem! É a síndrome das sociais.
    Podemos melhorar? Claro, sempre se pode e se vai melhorar. Temos Miro Bahia voltando e Carlinhos Paraíba pra assumir o lugar de Marco Antonio. Amaral tem sido um dos melhores do time. Forte na marcação como Augusto Recife, porém com melhor passe. Mas como ele veio da Cabense, fica gente com vergonha de elogiar.
    Cezar marca bem, mas na saída não tem um bom passe. Paciência, nada é perfeito. Se há falhas na marcação, é bom lembrar que estamos só no terceiro jogo com esse time. A cada partida – com um maior entrosamento – há a tendência dos volantes encaixarem melhor o seu posicionamento.
    Meu filhinho, querer achar um time pronto, isso só acontece na Ilha da fantasia.
    Mas vejo um erro em manter Alan, deixando Hugo, que tá pronto sim pra jogar (o menino já demonstrou que tem personalidade), no banco.
    Mas com Hugo ou alan o time está no caminho certo, e o caminho de todo torcedor coral é pela avenida beberibe ou outro que leve ao arruda para apoiar a raça desse grupo vitorioso.

  4. Fabiano falou tudo: essa “síndrome das sociais” é lasca!!!! Tomara que Hugo entre, Miro Bahia volte logo e aí o Santa engrena de vez.

    P.S.: Dimas, essa Gigi é uma tri-loucura!

  5. Arnildo Ananias de Oliveira
    5

    Costumo visitar todos os sites/blogs vinculados direta ou indiretamente ao nosso SCFC, embora raríssimas vezes externe minhas opiniões.

    Entretanto, não entendo o PORQUE da torcida do Santa Cruz visitar tão pouco este site (ou, pelo menos, comentar tão pouco neste SITE)que é, sem dúvidas, um dos MAIS QUALIFICADOS veículo de divulgação do “Mais Querido”.

    Não entendo tb porque o único site com o nome do Clube (aliás este deveria ser “reservado” pro site oficial do Clube) vive em permanente estado de “manutenção”.

  6. Arnildo,

    Obrigado pelos elogios ao Torcedor Coral. A quantidade de acesso deste blog é pequena, se comparado ao nosso Blog do Santinha, até porque temos apenas alguns meses de existência. Mas o número de acesso vem aumentando mensalmente. O Blog do Santinha, do qual sou apenas um colaborador, só tem um grande número de acessos por causa da qualidade de seus textos e dedicação de seus editores. Quem sabe um dia, a gente não chega lá?

    Quanto ao site oficial do clube, ele não está em manutenção permanente, pois simplesmente não existe mais. Entretanto, o domínio na internet está registrado pelo pessoal da Coralnet (o registro foi feito para garantir que ninguém alheio ao clube registrasse o domínio), que se comprometeu a repassar ao clube tão logo aja condições e o desejo de implantar o site oficial.

    No mais, amigos Fabiano e Anízio, permitam-me discordar um pouquinho sobre esta coisa de síndrome das sociais. Fala-se muito disso, sobre a falta de participação nos jogos e seu negativismo exacerbado. Não acho. Ela é participativa e atuante no jogo. Ao menos sempre vejo isso quando estou lá. Os gritos que às vezes saem das sociais para o técnico, dos quais eu acho que não acrescenta em nada, ocorrem pela proximidade. Imagino que, se o banco de reservas ficasse próximo a arquibancada, aconteceria o mesmo. Aí seria a síndrome da arquibancada. Acho, inclusive, que as socias é o reduto de quem não abandona o clube, pois me cansei de ir para jogos com o estádio vazio e apenas com algum público lá, independente dos resultados.

    Quanto ao time, mostrou raça e vontade, mas não jogou bolca contra o CRB. O segundo tempo então fomos pressionados o tempo todo. Talvez por ter feito o resultado no primeiro tempo, mas não acho que foi por isso. Estamos no caminho certo, acho que a diretoria acertou na política de contratações e que temos tudo para engrenar.
    Temos apenas que ter em mente as dificuldades que virão pela frente e continuar progredindo. Pois esse é o caminho para a Série A.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  7. Marcelo Beltrão
    7

    Alguém daqui vai à Fortaleza ? Estarei lá ! Quem quiser combinar alguma farra por lá, é só me ligar: 9927.6753. Vou chacoalhar meu bandeirão na cara da câmera da sportv. Um abraço à todos .

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