Jogo decisivo, pedi licença a Maria Luíza, minha filhinha de 15 dias de nascida, e fui ao Arruda. Como Belchior, andava mais angustiado que o goleiro na hora do gol, por isso, fui praticamente forçado por mim mesmo a ir ao estádio. Fui bem ao estilo vai-e-volta, mas fui. Quando Malu estiver um pouquinho mais velha, entenderá as razões do pai.

Ainda pela manhã, fui comprar o ingresso e, pela primeira vez, vi a camisa do time fabricada pela Champs. Achei um desrespeito o desenho do escudo. A Champs transformou o maior símbolo do clube em preto, cinza e vermelho. Além de horrível, a mudança fere o estatuto e descaracteriza o escudo do Santa Cruz. Talvez o cinza seja para combinar com essa gestão que só faz trapalhada. Não bastasse levar o Santa tão baixo, eles também mudaram nossas cores. Não compro essa camisa por nada nesse mundo. E sugiro um boicote até que consertem aquela coisa medonha.

Já à tarde, na entrada das sociais, encontrei Maneca otimista, por causa do último jogo em Caruaru. As campanhas de 2006, 2007 e 2008 do Mais Querido são obstáculos para que eu mantenha a esperança em fogo alto. Mas a avaliação de Maneca não foi apenas o sinal de um desejo acima da razão. Ele esteve em Caruaru e viu um time brigador, apesar de suas limitações.

Como combinado, encontrei Artur no estádio. Horas antes, por telefone, nosso nobre psiquiatra dava sinais de ansiedade em estado latente. Artur chegou a propor luto no blog, caso o Santa não se classificasse para a próxima fase e arrematou dizendo que não teria mais condições de escrever qualquer coisa sobre o Santinha, em circunstâncias tão tenebrosas. Sugeri que ele tomasse algum de seus preparos especiais, como Rivotril com coca-cola ou cana com gás.

Quando o jogo começou, achei o Santa voluntarioso, mas apenas isso. Perdemos uma enormidade de gols no primeiro tempo embaixo da barra e também passamos de levar alguns quase nas mesmas condições. Acredito que a nossa defesa é a pior de toda a terceirona. Mesmo assim, o placar moral do primeiro tempo seria 15 a 10. Mas bola que não entra não vale nada. Nesse contexto, vi que nosso time continua uma grande bosta. O Campinense também me pareceu outra bosta, mas era uma bosta mais organizada do que a nossa. Série C é assim mesmo, tudo é uma bosta só.

O segundo tempo continuou ruim e, por um momento, o resultado de Mossoró nos deixou preocupados. Como bem disseram Artur e Geó, o Central é mesmo uma filial da coisa. Só dá raiva. Custava perder só de um a zero? Não. Tinha que ser de uma forma que nos deixasse com a pulga atrás da orelha. A patativa já vai tarde. No final, deixamos de ganhar por dois pênaltis não marcados pelo Juiz: um no primeiro tempo, em cima de Patrick, e outro no segundo, em cima de Edmundo. Os juízes da Série C também são outras bostas. A terceira divisão definitivamente não cheira bem.

Quando a partida terminou, não me senti aliviado pela classificação. Fiquei com a velha sensação que só temos a torcida e nada mais. Artur também não me pareceu aliviado. Ficou de escrever uma ode ao palavrão, narrando seus sentimentos durante a partida. Disse ele que começaria o texto mais ou menos assim (em expressão mais direta, evidentemente): “tiramos uma das extensões finais, móvel e articulada da mão do orifício da extremidade inferior do intestino grosso, por onde são expelidos os excrementos”. Tomara que ele escreva. Às vezes, só soltando os bichos para agüentar o Santinha na terceirona. Além do mais, este não é um blog de freiras, nem de barbies ou suzies.

Voltei para casa dizendo a minha filhinha que vencemos por cinco a zero. Desde que ela nasceu, qualquer gol será do Santa e venceremos todas as partidas, seja quais forem os resultados. Será assim até que o seu amor pelo clube se torne incondicional. Como o meu por ela.