Nirvana

buda

Perdemos. Mesmo assim, mantive a serenidade. Está certo que não saí cantando hosanas nas alturas, mas também não amaldiçoei a vida tanto quanto era o meu jeito de sempre falar. Também não entrei em depressão, nem morri de raiva ou descontei a minha frustração num cachorro de rua.  Desde ontem, tenho estado com a agradável sensação que nada irá me tirar o equilíbrio.

De cara, descarto a possibilidade de contentamento com o futebol apresentado no segundo tempo da partida. Reconheço, é claro, o esforço do time, mas a minha paz de espírito nada tem a ver com as palmas da torcida aos jogadores no final do jogo.

A princípio, essa serenidade de ânimo pode parecer estranha, já que, como qualquer torcedor de futebol, sou suscetível à paixão. Dito assim, difícil é a explicação da calmaria depois de uma derrota por 3 a 1.

No início, tal qual Siddhartha Gautama, fundador do Budismo, pensei ter atingido o Nirvana. A confusão foi natural, porque imaginei ter alcançado a extinção definitiva do meu sofrimento como tricolor por meio da supressão da consciência individual.

Pensando melhor, percebi que assim não sucedeu, porque a supressão da consciência individual pressupõe a superação ao apego e eu continuo muito apegado ao Santa Cruz. A consciência nada mais é do que um conjunto de idéias, atitudes e crenças e a sua extinção é também a extinção da paixão, já que o apego não passa de uma ligação afetuosa. Enfim, não há compatibilidade entre a paixão de um torcedor de futebol, especialmente de um torcedor coral, com a libertação da consciência.

Descartada essa hipótese, cheguei a uma conclusão mais simples e racional: acostumei-me à dor. Foram tantos os revezes nos últimos anos que me restou apenas acionar um mecanismo de autodefesa. Meu cérebro, acredito eu, deve ter despejado toneladas de endorfina na tentativa de preservar a minha própria existência como tricolor. Só assim é possível suportar o insuportável. Talvez esse seja o estágio máximo de consciência que um tricolor possa alcançar. A analgesia é o nosso Nirvana.

Seja lá como for, continuo de pé. Faço mais. Sacudo a poeira e dou a volta por cima. Afinal, outros jogos virão. E com eles, novas alegrias e frustrações. Será assim até o fim dos tempos ou enquanto houver uma bola rolando no planeta.

Consciente das nossas limitações, sigo em frente.

Estradar

20 comentários

  1. E assim vamos virando mais uma pagina(campeonato pernambucano)agora é pensar na serie D e no NIRVANA!
    Pra frente tricolor!!

  2. Haha! Boa essa, Editor-Mor. Outra forma de deslocar ou sublimar o sofrimento é a utilização do cilício. Mortificação e penitência ajudariam a apaziguar a dor e o sofrimento de um tricolor. Mas o problema é que tem que entrar na Opus Dei.

    Ratzinger deu de presente um cilício de arame fino eriçado de pontas ao Reverendo Tsé-Tsé. Caso queira, peço emprestado. Penso, inclusive, em utilizá-lo depois das aulas de sociologia. Com cilício, aguento qualquer aluno.

    Há boatos que Géo tem um cilício soviético. Foi usado nos grandes expurgos.

  3. Bosquímano
    3

    Aos navegantes, aqui da terra de la Opus Dei, posso conseguir cilício pra quem queira. Basta pagar uma pequena quantia, é claro. Posso até conseguir, para os mais fervorosos, cilício autografado pelo próprio Javier Echavarría, ou por Ratzinger.

    Garanto que o cilício da Opus é muito melhor, e mais adequado para o sofrimento causado pelo time do Santo Nome, que o cilício soviético dos comunistas anti-cristaos.

    Afinal, todo nos encontraremos no paraíso.

  4. Artur Perrusi
    4

    Cilício autografado por Ratzinger? Topo na hora! É o cilício torquemada! Nirvana, na certa! Endorfina direto na veia!

    Há boatos de que o cilício soviético de Géo tem ainda gotas de sangue de Trotski, Kamanev e Bukharin. Parece que foi usado por Mao e Enver Hoxha. Géo marretou do cofre-forte de Fidel quando esteve em Cuba. Deu de presente ao Editor-Mor que, com isso, curte um Nirvana (a banda de rock, claro) e segue firme no apoio ao Clube do Santo Nome.

    Agora, é hora da campanha de sócios. Ela é fundamental. Passaremos alguns meses sem futebol. Para manter o plantel, precisamos de dinheiro. Cadê a campanha de sócios?! Sou da posição que devemos gastar o último níquel nessa campanha!

  5. Artur e Bosquímano,

    Tomei um susto, pois pensei que vocês defendiam o uso do cílio – postiço, suponho – no TC. Não usava nem a pau, mas daria todo o apoio a vocês, embora entendesse que esse negócio de cílio postiço fosse coisa de barbie e de suzie.

    Desfeito o equívoco – lembrei que o senhor Artur Perrusi é um equivocado – percebi que já temos um cilício, que é o próprio time, e que tem funcionado bem demais desde 2006.

    Quanto ao Santinha, ironias à parte do texto, habituar-se à dor é o mesmo que se conformar com a doença. Além do mais, tenho um medo danado que algumas pessoas ajam igual a mulher de malandro e acabem gostando de apanhar. Esse negócio de tudo pelo seu clube, pega mal e é coisa das moreninhas.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  6. Olha Dimas, nirvana pra mim só se for a banda “grunge” de Seattle, que de “relax” não tem nada…

  7. Fred Esaú
    7

    Hehehehe, essa no Anizio foi boa.

    Discordo do texto, não acho que estamos acostumando a perder e nem suportando melhor a dor. Ontem foi um dia que jogamos melhor e perdemos por pura maldade dos deuses do futebol.

  8. Amigo Fred,

    Não disse que estamos nos acostumando a perder. Disse que eu, particularmente, estou me acostumando à dor de ver meu time perder. Assim, falo do meu caso pessoal. E acrescento nos comentários, acostumar-se à dor é o mesmo que se conformar com a doença. Portanto, isso é uma auto-crítica.

    E é verdade. Antigamente perdia a voz durante uma partida. Hoje, ando mais tranquilo. Às vezes, saio do normal, afinal não sou uma máquina. Mas quando se perde muito, como é o nosso caso nesses últimos anos (esse ano menos, sei bem disso), é preciso aprender a lidar com isso para não endoidar.

    Acho que o jogo de ontem não teve a ver com nem com deuses nem com demônios. Em se tratando de futebol, sou ateu e não acredito nessas divindades.

    Vi um fraco primeiro tempo dos dois times, mas com a barbie com mais iniciativa. Isso durou até o momento em que eles abriram o placar. Depois o time deles recuou e esperou o Santa em seu campo. O Santa tomou então a iniciativa, mas com um futebol ainda acanhado. No segundo tempo, partimos para cima, jogamos bem e empatamos o jogo. A qualidade do batedor de falta deles associada ao mau posicionamento do nosso goleiro foram decisivos. Além do mais, a barbie soube se segurar na defesa quando precisou. Como diz Geó, no futebol, para vencer, tem que fazer gol. E quem não faz, leva.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  9. Fábio Montarroyos.
    9

    Temos um time muito abaixo do que merecemos, porém, pelas circunstâncias, muito acima do esperávamos. Diante do que foi deixado pelo diminutivo, o que mais podemos cobrar da nova diretoria? Só temos que agradecer.

  10. Paulo Aguiar
    10

    Dimas, meu pensamento é similar ao seu.
    Eu já me acostumei a ver meu time perder. É óbvio que eu não quero isso pra mim, nem que isso ocorra. Mas, quem ainda não se acostumou deve ser “bosco” que mora longe daqui :) )
    Mas, como disse FBC duas semanas atrás “o terceiro lugar está de bom tamanho”. Ora, se o gestor disse isto quando o time estava disputando, o que eu, como torcedor, posso exigir do time. Apenas garra e dedicação. E o time fez isso, lutou e demonstrou vontade.
    Mas, eu não agradeço pelo terceiro lugar. De jeito nenhum. Não agradeço por não ter vencido 1 clássico, por não passar de fase de uma copa do Brasil… Só agradeço aquilo que me faz bem.
    Eu, pelo contrário, cobro mais. Eu quero mais.
    Posso ter me acostumado mas jamais ficarei acomodado ao ver meu time perder.
    Abraços

  11. Paulo Aguiar
    11

    Dimas,
    a frase de Capela diz tudo:
    “a torcida do santa cruz é exigente, mas paciente”

  12. Bosquímano
    12

    Pois é, Paulino, de fato eu nao me acostumei a ver o time perder. Me acostumei a ouvir o time perder…

  13. geraldinho
    13

    ninguém perdeu por maldade dos deuses, perdeu pq o lateral-esquerdo defecou o 1º tempo todo, pq o goleiro falhou feio no primeiro gol, pq pedro henrique deu uma bola de graça no final do jogo e pq o time não tem meia-armador. o jogo no primeiro tempo foi horrível e no segundo apenas pressão em cima da barbie q recuou com medo e só saiu alguma coisa pq tamandaré jogou bem. se gobato estivesse em campo o jogo seria melhor.

  14. Pois eu não me costumo nem aceito. É mais fácil eu deixar de assitir futebol…

  15. Claudemir Pereira
    15

    Cidadãos Corais,

    Assisti ao jogo ao lado do editor-mor e saímos juntos das sociais conversando sobre o que havia se passado. Notei, entretanto, que não estávamos exaltados ou indignados com o resultado do jogo. Eu, pelo menos, estava tranquilo, sem uso de cilício, e pensava no trabalho desenvolvido ao longo da temporada e que julgo positivo. Digo logo que isso está longe de ser conformismo, pois, acompanho meu clube e time desde os anos de 1970, então, não posso me conformar com o que aí está, mas, também, não posso negar o trabalho que hora está sendo feito.
    Ouvir e gritar junto com outros torcedores, ao final da partida, tri-tricolor tri-tri-tri-tricolor foi a demonstração mais latente que queremos e acreditamos que somos capazes de ir mais longe, pois, se hoje disputamos um clássico de igual pra igual, no campeonato passado chegamos a ter pesadelo com um possível clássico, pois, achávamos que seria um verdadeiro vexame.
    Estamos caminhando e dessa vez com objetivos bem traçados. Ser terceiro depois de ser sétimo é até considerável, se pensarmos apenas na história recente do nosso time, entretanto, o principal é começar a trilhar o caminho de volta para a elite do futebol brasileiro. Para mim o campeonato pernambucano tem uma única finalidade que é a de afinar o elenco, num padrão de jogo capaz de superar os obstáculos dessa famigerada série D, pois, esse campeonatozinho da FPF já tem dono desde o seu início.
    Sim, quero um time brioso que entre em campo com espírito competitivo e que, seja qual for o adversário, busque a vitória sempre e isso, mesmo com as limitações que já conhecíamos, nós buscamos no jogo de domingo.

    Saudações Corais

  16. Fred Esaú
    16

    Em primeiro lugar, gostaria de dizer que deuses do futebol é licença poética de quem vos escreve. Digamos que a afirmativa de Geó é materialista.

    Eu também não fiquei revoltado com o resultado, fiquei triste, não porquê me acostumei a dor ou a perder, mas porquê o time lutou, brigou e buscou o resultado o tempo todo. No primeiro tempo o jogo foi horrível e no segundo a bola não entrou.

    E no terceiro gol eu achei que foi falta em Pedro Henrique, aquele juiz ou é muito ruim ou estava mal intecionado.

  17. Fred,

    Essa foi boa: sua afirmação é poética e a de Geó, materialista. Entra para os anais. Sob essa ótica, retiro o que disse, pois tudo dá no mesmo. A reação é que muda. Coisa normal.

    Geó,

    A última coisa que sou é conformado. Tanto que tem gente que acha que sou crítico demais. hehehe

    Só para constar, também aplaudi o time ao final do jogo.

    Saudações corais,

    Dimas Lins

  18. Eh Brasil, Ricardo Teixeira dá uma rasteira em Zé Neves, CBF
    assume a série B e manda a FBA pra escanteio. Estamos bem de
    dirigentes e entidades no futebol, pobres dos clubes, na
    otica desses crápulas os clubes que se dane. Acorda MPF.
    Saudações Corais.

  19. André Tricolor Virtual
    19

    Grande “Dimas”

    Compactuo com o que disse nossa amigo “Mameluco Tricolor” :

    … “Ouvir e gritar junto com outros torcedores, ao final da partida, tri-tricolor tri-tri-tri-tricolor foi a demonstração mais latente que queremos e acreditamos que somos capazes de ir mais longe, pois, se hoje disputamos um clássico de igual pra igual, no campeonato passado chegamos a ter pesadelo com um possível clássico, pois, achávamos que seria um verdadeiro vexame…”

    Acredito que estamos no caminho certo, o trabalho está sendo honesto e bem feito (ajustes sempre será necessário, até mesmo para melhorar o que está bom!) viver com a DOR e o SOFRIMENTO é a mesma coisa (ei coisa vai tomar no cú) que viver com a ALEGRIA e a EUFORIA, pois são situações momentâneas da vida!

    O mais importante é continuarmos apoiando o clube dentro de nossas condições, pois sei que em breve estaremos de volta a elite do Futebol Brasileiro com um Clube melhor, estruturado e com uma política sadia!

    Abraços a Todos !!!!

    >>> VIVA SANTINHA !!!!!

  20. insatisfeito
    20

    moçada, realmente paramos nas nossas limitações. Entretanto, o arbitrário tava de brincadeira com a gente!
    Saudações Santacruzenses!

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