Santa forte, torcida nem tanto
Autor : Dimas Lins | 29 de janeiro de 2007 | 16:53h | Resenha | 9 comentários

Muita bandeira para pouca torcida (foto: Gilson Cavalcanti)
Resenha
Depois de tantas emoções, não é fácil falar sobre os acontecimentos de ontem desde o início. A ansiedade tenta nos remeter direto ao ponto – o jogo – ou até depois dele – o resultado. Afinal, foi uma grande vitória. Mais que isso, a afirmação de que o Santa Cruz está no rumo certo, dentro e fora de campo. Mesmo assim, vou segurar um pouco a vontade e comentar passo a passo o dia de ontem.
Quando acordei, minha esposa já estava conformada, pois ela ia visitar os pais e sabia que só iria me ver à noite. Meio tristinha, se despediu de mim, resignada.
O dia começou lento, pois eu ainda estava meio devagar, por conta do dia anterior. Afinal, tinha ido a Porto de Galinhas, tomado umas cervejinhas, comido 3 lagostinhas por R$ 10,00 (isso é preço de Dona Creuza, lá em Maria Farinha!). Agora só falta o Santa ganhar o jogo, para que o fim de semana seja bom até o fim, pensei eu.
Mas volto ao que interessa. Depois de navegar na internet sobre tudo a respeito do clássico, liguei para Felipe, meu irmão, para combinar a ida ao Arruda. Felipe, aquela altura, vivia um dilema. Seu filho Gabriel, de apenas quatro anos, que já sabe que domingo é dia de jogo, e dia de jogo é dia de tricolor no Arruda, esperava acompanhar o pai mais uma vez neste evento cívico. Mas aquele não era um jogo normal, pois havia receio de confusão entre as torcidas, principalmente entre as organizadas. Não que seja esse o histórico entre Santa e Náutico, mas sempre fica o receio. Além do mais, o público esperado não era adequado para uma criança daquela idade, pelos riscos inerentes provocados pela natureza humana. Dessa forma, não com a mesma empolgação dos domingos, Gabriel foi fazer um passeio não programado com a mãe, enquanto Felipe seguiu comigo para o jogo. Mesmo não indo ao Arruda, uma criança de 4 anos deu lições a muitos marmanjos que não foram ao jogo ontem.
Na chegada ao Estádio, as mesmas dificuldades para estacionar. Desço do carro e, alguns metros depois, ouço um grito, um chamado. Era Ivan, o Patriota, mostrando, todo orgulhoso, sua nova burrinha tricolor. Na próxima esquina, Beto Gordo, André e um amigo alvirrubro. Ninguém é perfeito, pensei. Caminhamos todos juntos em direção à sede, em busca de um local para fazer o aquecimento, ou pré-aquecimento, pois todos, exceto Patriota, chegamos já entornando o precioso líquido. O bar da piscina foi o ponto escolhido. Ficamos por ali até poucos minutos antes do início da partida.
Bucho cheio, conta paga, tomamos o rumo do estádio. No caminho das sociais, uma nota triste. Na saída do bar da piscina, encontramos quatro policiais militares carregando três coquetéis molotov apreendidos. Estes coquetéis, para quem não sabe, são armas incendiárias geralmente utilizadas em protestos e guerrilhas urbanas. Na hora, tive dúvidas se eu estava no Arruda ou em Bagdá. Pensei na decisão acertada de Felipe em não levar o filho para o jogo.
Rumo às sociais, o coração já bateu mais forte, acelerou. Entrei no estádio imaginando a vibração da torcida. Aí me bateu mais uma tristeza. O torcedor não estava lá. Conseguimos botar mais de 15 mil tricolores no jogo contra o Belo Jardim e, juntos com a torcida do Náutico, não passamos de 17 mil e duzentos. Uma decepção. Essa história de que torcedor é emoção e deixa o time na mão, pode ser, como de fato é, verdadeiro, mas é um pé no saco. Resta a quem esteve no Arruda, o consolo de ter presenciado um jogão de bola e uma grande vitória tricolor.
Eis que, finalmente, começa o primeiro tempo. Aos dez minutos de jogo, o Santa partia com vontade e num ritmo forte. Aquela altura, já havia perdido três grandes oportunidades. O meio-campo marcava bem e não deixava o Náutico jogar. O time de Rosa e Silva parecia perdido em campo. Aí virei para a galera ao lado e sentenciei: “vamos ser campeões!”. O time mostrava raça, determinação e vontade. Ah, e ainda futebol. Pois é, não era um partidaço, mas a equipe mostrava potencial para o futuro. Já nem lembrava aquela falta de preparo físico e entrosamento dos jogos anteriores. Estava em campo um time em que valia a pena a torcida apostar.
A partir dos quinzes minutos, o Náutico equilibrou o jogo. Ainda assim, o Santa mostrava mais vontade e chegava com mais perigo. De repente, numa troca de passes, Marco Antônio recebe de Marcelo Ramos e, na linha de fundo, devolve com açúcar e com afeto. Um a zero Santa. Delírio, bandeirão, emoção e banho de cerveja. Ainda tive tempo de pensar, mesmo naquela euforia, sobre o que faria um cidadão dar um banho de cerveja em todo mundo. Fiquei imaginando se, de fato, ele achava que quem leva um banho desses se diverte. Sem contar que agora a cerveja não é mais Skin. Se fosse, eu até entenderia.
Intervalo de jogo. Torcida descontraída, apesar do juiz. O cara dava tanto cartão aos jogadores do Mais Querido, que eu fiquei com a impressão que ele queria mesmo era acrescentar o amarelo às cores do Santa. Eram dois pesos e duas medidas. Mas voltando ao intervalo, começam as análises e os boatos. Rodrigo Fabri vem para o Santa, diz um. Os laterais são umas bostas, reclama outro. Rivaldo botou pra lascar na coisa ruinzinha na ESPN Brasil, disse mais um.
Mas, interessante mesmo foi a história contada por Raul. Disse ele que seu irmão, Manequinha, estava ontem em Maracaípe com a noiva. Certa hora, os dois foram tomar banho de mar e o irmão levou a latinha de cerveja junto. Em um determinado momento, onda pra cá, onda pra lá, a noiva de Maneca começou a ser levada para o fundo. Risco de afogamento iminente. Seu noivo e herói, pelo menos era o que parecia até aquele momento, partiu para salvá-la, mas relutou em largar a cerveja. Resultado: não conseguiu salvar a noiva, nem soltar a latinha. Maneca ficou ali, naquele vai não vai. Com uma mão segurava a noiva, com a outra, a latinha de cerveja. Finalmente, apareceu um cara num caiaque, resgatando sua noiva e deixando-a a salvo na praia. Enquanto isso, ele saía da água na bravura de quem acabara de salvar o precioso líquido. Pensei logo: “se beber, não dirija, nem vá tomar cerveja com Maneca no mar”.
Começa o segundo tempo. O jogo está mais equilibrado. A bem da verdade, nos primeiros minutos o Náutico voltou melhor, explorando o contra-ataque. Fiquei pensando, como é que estamos ganhando a partida e eles jogam no contra-ataque? Givanildo deve ter pensado isso também, pois ele mudou a estratégia e logo o Santa passou a jogar melhor novamente. E foi num contra-ataque que Marco Antônio deixou Marcelo Ramos novamente na cara do gol. Com um leve tapinha, o atacante empurrou a bola para dentro da barra adversária fazendo Santa, dois a zero. Novo delírio, bandeirão novamente, a emoção era a mesma e tome mais banho de cerveja. Fiquei decidido a apresentar o esbanjador de cerveja a Manequinha, para que este lhe dê uns conselhos.
A partir daí, a felicidade foi geral. Gritos de olé, sorrisos soltos e descontração total. Terminava uma tarde de felicidade. O coração já estava tranquilo, a alma lavada e enxaguada. Justiça se faça. Marcelo Ramos é um grande goleador, mas Marco Antônio foi o nome do jogo. Bastou sair da coisa para voltar a jogar bola.
No final, mais uma cervejinha para falar do jogo e a certeza que ainda vamos chegar longe. Ao torcedor coral que não foi ao Arruda ontem, espero que tenha se arrependido. Afinal, perderam uma oportunidade de mostrar, mais uma vez, a força de nossa torcida. O Santa foi forte, a torcida desta vez, não.
Saudações tricolores,
Dimas Lins
9 comentários
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Mais um ótimo texto, Dimas. E me diz o roteiro completo dessa lagosta baratinha!
Boa sorte torcedor neste novo momento, estaremos sempre apoiando a todos que querem realizar um trabalho sério na net, parabéns e abraços.
Amigo, vi seu blog no coke ring, muito bacana!! agora so uma curiosidade, qual é o tamanho daquela bandeira do Santa? tem mais de 200 metros? abraço
Olá amigo Felipe, entre no link abaixo e veja o video que fala do bandeirão coral.
http://www.youtube.com/watch?v=hz75jKI0zoc
SaudaSanta
Felipe,
Já deixei uma mensagem no seu blog sobre o bandeirão da Inferno Coral. Mas para todos os leitores deixo aqui o registro:
O bandeirão da Inferno Coral é o maior do mundo com 175x45m, superando o da Gaviões da Fiel, da torcida do Corinthians, cujo tamanho é de 145x45m.
Saudações tricolores,
Dimas Lins
Caros tricolores,
se quiserem continuar tendo a maior bandeira do mundo precisaram aumentar a sua, porque a Mafia Azul, torcida organizada do Cruzeiro está confeccionando um bandeirão com 200 metros. Já está em andamento a produção do Bandeirão
Dimas,
Me senti como se estivesse no Recife, num domingo, indo assitir um jogo no Arruda.
Esse lance da “maior bandeira” é bobagem! O que vale é a vibração positiva da torcida.
Abraço,
Grande dimas,
Meu querido, antes de mais nada, meus parabéns pela sua qualidade jornalistica. Fiquei impressionado de novo. Em breve, Pernanbuco perderá um grande auditor para ganhar um grande jornalista. Realmente, a cada testo do seu blog você impressiona. PORÉM, como todo grande jornalista, vc deve investigar os fatos antes de narrar. O episódio do afogamento de minha noiva, que daqui há 6 meses minha futura esposa ( que você inclusive elém de ir ao casamente deu a melhor sugestão de festa que eu podia receber ), não foi bem assim. Como ex-baleia ( 3 anos atrás eu tinha 140 kilos ), eu sei nadar muito bem. Eu corri, ou melhor, nadei, ao salvamento de minha futura e linda esposa com a miha latinha na mão. mas, chegando lá, eu a segurei e falei a ela mais ou menos assim : “amor, fique calma, tou aqui e afogados não seremos !”. De que adiantou ? sabes como é, mulher sempre fica desesperada por tudo. E nadar, contra a correnteza, com uma mulher te afundando e gritando e ainda segurando a latinha não é fácil nem para IAN THORPE. Aliás, pelo que nadei, pelos “caldos” que levei de minha amada, IAN THORPE se lascava comigo na final olímpica dos 100m rasos. O importante foi que, durante 3 longos minutos, agüentei minha linda se debatendo, pensando que ia morrer sugada pelas correntesas ( e eu sabendo que afogado não morria de jeito nenhum, ex-baleia sabe disso ). Agora podem perguntar : Porque você não largou a cerveja ? É a resposta mai simples de dar. Não larguei porque saber que meu querido santnha estava jogando e eu estava ausente é FODAAAAAAAAA. Agora tenho certeza que vocês me compreenderam.
Finalmente, grande Dimas, mais uma vez, parabéns pelo BLOG e continue sempre falando mais dos peidos de Raul. Afinal, agora ele fez umas economias e botou gás no carro, ou seja, é a subsistência de combustível dele, cada peido roda 15 km. E, pra quem não entendeu a parte do peido, leia o comentário sobre Santa x Belo Jardim no blog do torcedor coral.
Grande abraço Dimão e parabéns mais uma vez.
Pessoal, pela hora do comentário, acho que vocês perdoam os erros de letras engolidas e principalmente o correntesas com “s”, né ?
Dimão, nos vemo sno se num güenta …