Magali Amélia Gama

No dia 24 de agosto de 2008, o Sr. Édson Nogueira, delegado de polícia, advogado formado sabe-se lá aonde, decretou a pena de morte de um clube de futebol de 94 anos.

Em todos estes anos, que eu acompanho como torcedora apaixonada desde 1975, nunca fomos tão prejudicados por uma única pessoa. Tivemos histórias de glórias, de presidentes heróis e histórias tristes, de presidentes desonestos que dilapidaram o patrimônio do clube. Mas como o Senhor Dr. Delegado, realmente, como diria a turma do filme “Tropa de Elite”, “nunca serão”.

Sei que a vida continua, e que o futebol para muitos é apenas uma diversão, um lazer de fim de semana e que amanhã teremos que trabalhar, estudar e seguir em frente. Mas, Sr. Delegado, a sentença que o Senhor conseguiu impor a milhares de pessoas foi dura e cruel. Nós não merecíamos isto. Ficamos juntos, incentivamos e até mesmo, quando só um milagre nos salvaria, ainda levamos 17 mil esperançosos para ver a última humilhação que o Senhor nos fez passar. E falo última, não pelo fato do Senhor não estar mais no clube amanhã, pois infelizmente, Senhor Delegado, teremos que lhe aturar até dezembro. Falo última, porque agora só em “janeiro” é que veremos o Santinha no pernambucano, muito provavelmente para virar chacota de nossos rivais.

Senhor Delegado, eu sou formada em Administração e tenho dois filhos universitários, um estudante de Administração e outro de Direito, e hoje agradeço a Deus por poder ter lhes educado moral e religiosamente , pois o ódio que eu vi nos olhos deles com relação ao Sr. Dr. Delegado, me faz pensar que hoje junto com o Santa Cruz , meus filhos morreriam de tristeza ou contaminados com tanto veneno. E graças a Deus, somos pessoas do bem. E pensar que o Senhor Delegado ainda queria votos para se eleger vereador.

Eu não tenho domínio das leis, como provavelmente o Senhor deve ter, mas hoje eu queria poder lhe processar e acho que o Senhor se enquadraria em vários artigos contra o meu Clube e a minha família. Danos morais, danos materiais, constrangimento, abuso de poder e o pior de todos, homicídio doloso triplamente qualificado, quando o Senhor de forma cruel, sem dar chance de defesa e de forma premeditada, assassinou covardemente toda a Nação tricolor.

O Senhor, como bom advogado, pode tentar se defender, colocando a culpa nos jogadores, no técnico, na imprensa, nos outros dirigentes que não o ajudaram . Mas, Dr. Delegado, na sua campanha para chegar à presidência, assumiu que faria tudo pelo clube e tudo giraria em torno do seu umbigo. Portanto, a responsabilidade total e absoluta é sua. Aqui não cabe, Senhor Presidente, formação de quadrilha. O Senhor é 100% culpado.

Portanto Sr. Dr. Delegado, meu desabafo como torcedora é pura e simplesmente para lembrar que assim como o Senhor assassinou o Santa Cruz , sua consciência pesada o levará até aos fins dos seus dias a condená-lo a pena máxima. Que Deus tenha pena da sua alma… E de nós, torcedores tricolores que ficamos órfãos em 24/08/08.