Ao vencedor, as batatas!
- 25 de fevereiro de 2010 | 13:35h
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Fazia tempo que o Santa não ganhava uma partida fora de casa pela Copa do Brasil. Salvo engano, até que isso tornasse a acontecer, passaram-se cinco anos. Foi tempo pra burro. Ontem, finalmente, quebramos esse tabu. O Santa ganhou do América-AM por 1 a 0 no Vivaldão, campo do adversário. Está certo que perdemos uma oportunidade extraordinária de liquidar o jogo da volta e garantir a classificação antecipada, já que o adversário, depois do gol solitário de Elvis, perdeu dois jogadores por expulsão. Não importa. Aliás, importará, se desperdiçarmos a chance de classificação no Arruda, diante da nossa torcida. Mas aí já são outros quinhentos. Vamos bater na madeira, pois, por hora, prefiro falar do alento da vitória.
É difícil determinar se ontem o Santa jogou bem ou mal. As rádios de Recife – todas elas, sem exceção – priorizaram o jogo da coisa. Nem se importaram se aquela partida também estava sendo transmitida pela Rede Globo. Enfim, ficamos órfãos da transmissão, até que acabasse a partida em Brasília. Esse é mais um ponto para reflexão sobre a nossa mídia esportiva.
Mas vamos voltar ao assunto que nos interessa. Mesmo sem saber se convenceu, o Santa venceu. Sob essa ótica está de bom tamanho. Por isso, bem cabe agora a síntese do Humanitismo de Quincas Borbas, personagem do livro homônimo de Machado de Assis: “ao vencedor, as batatas!”. Ganhamos, fiquemos então com as glórias da vitória.
O jogo mantém na ascendente o moral da equipe, um time limitado, que tem se superado jogo a jogo, graças, principalmente, à mão do jovem treinador Dado Cavalcanti, que, devagarzinho, vem conquistando até mesmo os menos incautos tricolores, como eu.
Entretanto – há sempre um entretanto – não se pode achar que tudo está bem. Não está. Na verdade, ainda falta muito. O time precisa de reforços, pois como já disse, temos uma equipe limitada. Até os clubes do interior estão se reforçando. Mesmo a Cabense, que terminou a primeira fase na segunda colocação, está correndo atrás. A questão é que, no Arruda, não se ouve falar mais nisso. Pelo menos, não se noticia.
Nosso time, para demonstrar maiores aspirações, precisa ter mais qualidade, mostrar consistência dentro da competição e, inclusive, ganhar jogos importantes, como os clássicos. Na era FBC, ainda não ganhamos nenhum, vale lembrar. Os clássicos, para mim, dão uma dimensão um pouco mais precisa do tamanho do Santa Cruz nesta temporada e suas possibilidades na Série D.
Assim, as três vitórias seguidas, embora nos tragam algum alívio, não podem camuflar nossas deficiências, nem nos fazer acreditar que a maré virou. O mar onde repousa nossa embarcação é agitado.
Parabéns a equipe, mas nunca é demais lembrar que ainda não saímos do fundo do mar. Por isso mesmo, navegar é preciso.









