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Ao vencedor, as batatas!

Fazia tempo que o Santa não ganhava uma partida fora de casa pela Copa do Brasil. Salvo engano, até que isso tornasse a acontecer, passaram-se cinco anos. Foi tempo pra burro. Ontem, finalmente, quebramos esse tabu. O Santa ganhou do América-AM por 1 a 0 no Vivaldão, campo do adversário. Está certo que perdemos uma oportunidade extraordinária de liquidar o jogo da volta e garantir a classificação antecipada, já que o adversário, depois do gol solitário de Elvis, perdeu dois jogadores por expulsão. Não importa. Aliás, importará, se desperdiçarmos a chance de classificação no Arruda, diante da nossa torcida. Mas aí já são outros quinhentos. Vamos bater na madeira, pois, por hora, prefiro falar do alento da vitória.

É difícil determinar se ontem o Santa jogou bem ou mal. As rádios de Recife – todas elas, sem exceção – priorizaram o jogo da coisa. Nem se importaram se aquela partida também estava sendo transmitida pela Rede Globo. Enfim, ficamos órfãos da transmissão, até que acabasse a partida em Brasília. Esse é mais um ponto para reflexão sobre a nossa mídia esportiva.

Mas vamos voltar ao assunto que nos interessa. Mesmo sem saber se convenceu, o Santa venceu. Sob essa ótica está de bom tamanho. Por isso, bem cabe agora a síntese do Humanitismo de Quincas Borbas, personagem do livro homônimo de Machado de Assis: “ao vencedor, as batatas!”. Ganhamos, fiquemos então com as glórias da vitória.

O jogo mantém na ascendente o moral da equipe, um time limitado, que tem se superado jogo a jogo, graças, principalmente, à mão do jovem treinador Dado Cavalcanti, que, devagarzinho, vem conquistando até mesmo os menos incautos tricolores, como eu.

Entretanto – há sempre um entretanto – não se pode achar que tudo está bem. Não está. Na verdade, ainda falta muito. O time precisa de reforços, pois como já disse, temos uma equipe limitada. Até os clubes do interior estão se reforçando. Mesmo a Cabense, que terminou a primeira fase na segunda colocação, está correndo atrás. A questão é que, no Arruda, não se ouve falar mais nisso. Pelo menos, não se noticia.

Nosso time, para demonstrar maiores aspirações, precisa ter mais qualidade, mostrar consistência dentro da competição e, inclusive, ganhar jogos importantes, como os clássicos. Na era FBC, ainda não ganhamos nenhum, vale lembrar. Os clássicos, para mim, dão uma dimensão um pouco mais precisa do tamanho do Santa Cruz nesta temporada e suas possibilidades na Série D.

Assim, as três vitórias seguidas, embora nos tragam algum alívio, não podem camuflar nossas deficiências, nem nos fazer acreditar que a maré virou. O mar onde repousa nossa embarcação é agitado.

Parabéns a equipe, mas nunca é demais lembrar que ainda não saímos do fundo do mar. Por isso mesmo, navegar é preciso.

E dá-lhe, dá-lhe

O Santa Cruz não seu deu ao respeito.

Os adversários estão vendo o Santa Cruz pequeno porque o próprio Clube não impõe o respeito que deveria impor, esquecendo que somente a tradição não é capaz de amendontrar mais ninguém.

Não bastasse o Presidente da F.P.F. dar a entender que o Santa Cruz só seria campeão se “recebesse a taça” de mão beijada dado à fragilidade do time, em seguida vem o comentário do presidente do Sport de que nós não vamos nos classificar entre os quatro primeiros. Esta é a forma que eles nos vêem nos dias de hoje.

E nós, o que fizemos? – Nada.

Ninguém da direção do Santa Cruz foi capaz de rebater aos argumentos, simplesmente porque os que formam o corpo diretivo do Santa Cruz, hoje, tornaram-se pequenos para a grandeza do nosso Clube.

Embora tenha certeza que grande parte da torcida ficou revoltada, a verdade é que não somos bem representados há anos.

Infelizmente temos que aceitar, sem, contudo, nos conformar. Somos conscientes que elegemos um presidente que, na verdade, é um Secretário. Que elegemos um vice-presidente que, na verdade, é um Vice-Secretário. Que contratamos um diretor de futebol que, na verdade, ainda não foi capaz de perceber a grandeza do Santa Cruz. E, por fim, que temos um presidente do Conselho Deliberativo que … (e nós temos?)

Alterando o rumo da prosa, sem mudar o objetivo, eis que, de repente, sem eu esperar, o time começa a dar sinais de vontade. O time é fraco, é limitado e, para mim, este time que aí está corre sérios riscos de ficar fora do G4, o que dirá de ter sucesso na série D. Consegue empatar com o pior time que eu já vi do Santa. Mas, pelo menos, este time não está mais se apequenando. O treinador (que jamais seria o meu treinador neste momento difícil que o clube atravessa) está se agigantando. Suas palavras, ainda inexperientes, demonstram uma vontade imensa de vencer. Ele não cansa de afirmar que o Santa Cruz deve ter sempre como objetivo vencer. Pois ele, mais do que ninguém, sabe da importância profissional que este cargo representará para sua vida futura.

Sou da tese de que treinador ganha jogo. No último domingo, o Botafogo-RJ e o Palmeiras-SP foram provas disso. Mas, também pode perder jogo. É só lembrarmos a disputa da série D no ano passado. No entanto, acho que quando o elenco quer, está motivado, tem um objetivo comum e possui um mínimo de qualidade e de sorte, pode haver surpresas (quem não se lembra de 1993 e 1999?). E, Dado Cavalcanti tem conseguido isso, mesmo sem a experiência de um Charles Muniz ou de um Nereu Pinheiro à época. A vitória contra o Salgueiro, lá no Sertão, é uma prova de que a mentalidade mudou, não apenas no discurso, mas na prática também. Não sei até quando vai durar mas, sem dúvida, a próxima partida (pela Copa do Brasil) será um bom teste. A classificação é uma questão de honra. Sei que planejamento não existiu e nem vai existir tão cedo. Mas, agora, me contento com a vitória.

O gigante adormecido precisa voltar a acordar, mostrar que é grande, não apenas na sua história e na sua torcida, mas na sua atitude.

Porque já é o momento do Santa Cruz exigir respeito!

Porque está na hora de voltarmos a ouvir, nem que seja de lá do céu, uma voz gritando “e dá-lhe, dá-lhe, e dá-lhe, dá-lhe torcida do Santa, o time do povo, do povo, do povo[1]voltou a vencer!


[1] Minha pequena homenagem ao tricolor e radialista Haroldo Rômulo.

A volta do bom humor

Cá entre nós, torcedor não vale nada. Bastaram duas vitórias seguidas e o retorno ao G4 para os tricolores voltarem a sorrir. Mesmo que o sorriso ainda seja desconfiado, sorriso é sorriso. Por isso, enquanto durarem as vitórias, abaixo a ditadura e viva a dentadura! Mostremos os dentes, mesmo os banguelas, que rir é sempre o melhor remédio.

Vamos nos dar o direito de ficar contentes. E não importa se o time é bom ou ruim. O que importa mesmo que a gente venceu, ora bolas! Vamos rir um bocadinho, que a tristeza ainda é muita.

Pois bem. Foi pelo riso frouxo que um amigo, depois do jogo contra o Salgueiro, ligou para me dizer solenemente que vai votar em FBC para senador. Até sugeriu a sua plataforma no Senado Federal: o fim do Clube dos 13. “Isso ia dar um orgulho danado pra gente”, disse meu amigo. Disse também que se o time sair da Série D, ele vai pessoalmente procurar Lula para convencê-lo a botar FBC como candidato à Presidência da República no lugar de Dilma. Eita, que todo mês ia ter jogo da seleção no Arruda!

E o Dado, hein? Ainda não dou o braço a torcer, mas o menino está indo bem. Está tirando leite de Magnésia de pedra. Afinal, ter no mesmo time atacantes do quilate de Val Barreto, André Leonel e Joelson não é fácil. Mesmo assim, ele está lá, firme e forte. Dado é inteligente e enxerga longe. Só para dar uma idéia de sua visão de jogo, depois da partida contra o Salgueiro, lá no Cornélio de Barros, fui à entrevista coletiva do nosso treinador e perguntei, na cara-dura, se ele não achava que Val Barreto era cheio de braços e que deveria ser dispensado para dar lugar a outro atacante que resolva. Dado me deu uma resposta muito sábia. “De jeito nenhum! Se o cara é cheio de braços, ao invés de contratar outro goleiro a gente bota ele no gol!”. Achei a idéia brilhante.

Falar em Val Barreto, ele anda chateado com a torcida desde o jogo contra o Araripina no Arruda. Em entrevista coletiva, o jogador afirmou que se a torcida não parar de pegar no seu pé, ele vai sair do clube para tentar a carreira de ator, onde, garante, tem mercado. Os torcedores ficaram de pensar.

Mas nem tudo é só alegria. Integrantes de uma torcida organizada foram à sede do Santa Cruz, após o jogo contra o Salgueiro, para protestar. Conforme apurou nossa reportagem, depois da segunda vitória seguida, os tricolores estranharam o comportamento do time em campo e foram exigir explicações da diretoria. “O Santa esteve irreconhecível no sertão!”, desabafou Wesdiley da Silva, participante do protesto. “Não me conformo. Quando a gente se acostuma a perder, o time resolve ganhar! Já tinha tomado um susto contra o Araripina. Hoje foi a gota d’água!”, completou.

Outro assunto delicado é a guerra declarada entre os dirigentes do Santa Cruz e o presidente da FPF. FBC não gostou da declaração de Carlos Alberto Oliveira, que admitiu ter mudado a fórmula do campeonato e brigado com a coisa e a justiça para beneficiar o Santa, mas mesmo assim o clube não vence, e resolveu contra-atacar. Em reunião com a comissão técnica e os jogadores, o presidente coral, por decreto, estabeleceu uma nova ordem: o negócio agora é ganhar! E vem dando certo. O time já ganhou duas seguidas. Como retaliação, Carlos Alberto já anunciou que vai abrir um processo na federação para banir do futebol, o goleiro Baggio, o vara-pau do Arruda. Segundo ele, um goleiro não pode ultrapassar em altura a linha do travessão. O Departamento Jurídico do clube disse que vai recorrer à CBF e à FIFA.

A nota triste desta semana foi o assalto que nossa equipe sofreu na volta para Recife, depois do jogo em Salgueiro. Os ladrões levaram nosso equipamento de transmissão dos jogos pelo Twitter, avaliados em R$ 39,83 mais dois vales transportes e uma garrafa Natu Nobilis. Minutos atrás, recebemos uma ligação a cobrar de um dos bandidos, que prometeu devolver o equipamento roubado, por acreditar que os tricolores já sofrem demais. Mas até o fechamento da nossa edição, o equipamento ainda não foi devolvido.

Quem tiver informações sobre o paradeiro dos bandidos será recompensado com os dois vales transportes, tão logo eles sejam recuperados.

Nota da redação:

Este artigo é uma chamada para a reestréia do TC News, totalmente repaginado, que publica notícias sobre o Santa Cruz. Nosso noticiário tem como base o humor verdade e jornalismo mentira.

Uma análise consciente

Nota da redação:

Recebemos aqui em nossa redação um e-mail do Professor Farias, que, segundo ele, costuma acompanhar nosso blog, mas não é muito de comentar. O missivista nos chama de pessimista e faz coro ao dizer que estamos pregando o apocalipse. Por isso, pede que publiquemos um artigo seu com a análise do jogo de ontem.

Atendemos o seu pedido com a ressalva de que pessimista é o cacete.

Professor Farias[1]

A partida de ontem renovou as esperanças da torcida tricolor. É como se o campeonato estivesse começando agora.

Estamos com um treinador jovem, moderno, que fica em pé o tempo todo. E que não tem medo do futuro e do amanhã.

O time mostrou um novo desenho tático. A preparação física começa a mostrar seus frutos.

O goleiro não foi acionado. Não dá para fazer uma análise da sua atuação. Porém, já deu para perceber que sua saída de bola é muito melhor do que o do outro goleiro, o Darci. Desconfio que com aquela altura, ele não seja bom nas bolas rasteiras.

O lateral-direito Gilberto Matuto teve uma evolução técnica e física muito boa. Correu como um louco e fez ótimos cruzamentos. Foi um dos diferenciais da equipe coral.

A dupla de zaga começa a se afirmar, mostrando muita superação e um aproveitamento muito bom nos escanteios a favor do Santa Cruz.

Não gostei do lateral-esquerdo. Muito franzino, apavorado e pedante. O rapaz no primeiro tempo foi fominha. Já no segundo tempo mostrou uma melhora, mas muito longe de ser um titular. Marcos Mendes é o dono da posição.

A proteção de zaga, ou seja, os volantes estiveram numa noite muito feliz. O Goiano joga para o treinador. É aquele empregado, operário. Leo é um jogador diferenciado para aquela posição. Tem qualidade no passe, visão de jogo e personalidade. Jackson precisa melhorar muito. Errou passes de meio metro. Em alguns momentos se escondeu. Elvis chegou ao seu limite, o futebol dele é aquilo ali. Não compromete, porém, não resolve nada. Meia-atacante que não faz gol tem dificuldade de arrumar emprego.

O que me preocupa nesse meio-campo é a vulnerabilidade. O outro time joga solto e a carga sobra para nossos volantes e zagueiros. Senti muito a ausência de Natan. Queria ter visto sua arte com a bola no pé.

No ataque, o artilheiro Joelson precisa voltar ao seu planeta. Parece que os gols subiram para sua cabeça. Atrapalhou muita jogada, fez firulas desnecessárias, porém, tem crédito. Por sua vez o tal de André Leonel está jogando na posição errada. Quem disse que ele é centroavante se enganou e nos enganou. Um jogador que tem medo de chutar a gol, que faz de tudo para se livrar da bola, não é centroavante. E não se trata de preparo físico, é ruindade mesmo.

Um jogador que me chamou atenção foi Val Barreto. Faz tempo que não vejo alguém entrar em campo com tanta disposição física e vontade de acertar. Ele tem o cacoete do jogador moderno, isto é, está em todas as posições dentro das quatro linhas. Volta para marcar, cobre os laterais, puxa o contra-ataque, tromba com os zagueiros. O cara tem fome de jogo. Falta somente um pouco de calma e controle da ansiedade. Nada que um bom psicólogo resolva. Aposto neste nome, Val Barreto.

Para o jogo de domingo eu faria o seguinte: retornava Marcos Mendes e colocava Val Barreto de frente.


[1] Professor Farias é graduado em Artes Cênicas e Educação Física.

O Último Regresso

Minha Cobra

Foto da T.C.M.O.E.E. Minha Cobra

O Carnaval chegou. A programação está feita.

Tem Cobra Fumando, tem A Minha Cobra, tem o Triloucura. Só tem alegria com o Santinha no Carnaval. Porque carnaval é para se curtir, ser feliz. Tomar uma cerveja gelada e escutar muito frevo. Ao som de Capiba, Antônio Carlos Nóbrega, Braúlio de Castro, Bubuska, Carlos Fernando, Chico Nunes, Edson Rodrigues, Edy Carlos, Inaldo Moreira, maestro José Menezes, maestro Spok, maestro do Forró, maestro Nunes, Leôncio Rodrigues, Marambá, Naná Vasconcelos, Sebastião Lopes, Walmir Chagas, Nelson Ferreira, Edgar Moraes, Raul Moraes, João Victor, Raul Valença, Chico Nunes, Edson Rodrigues e Getúlio Cavalcanti.

Todos tricolores, porque o Santa Cruz, além de um clube, também é o retrato mais fiel do frevo de Pernambucano. “… Porque o Santa Cruz nasceu com a vocação popular, e estes brilhantes artistas, também com honrosa vocação popular musical, emprestaram-na para o que há de mais rico no futebol pernabucano, talvez do Nordeste. O Santa Cruz é um marco irrefutável na cultura do povo pernambucano, do povo nordestino, que merece registro e imortalidade. E estes grandes artistas contribuem para essa imortalidade, numa simbiose gloriosa, onde um eterniza o outro, e a história fica mais bela, ao som de frevos, marchinhas, maracatus, mangue-beats e tantas outras manifestações que só nosso Pernambuco possui, nas alusões artísticas desses ídolos ao Eterno Santa Cruz Futebol Clube…” (Gomes)

E por falar em Getúlio Cavalcanti, homenageado do carnaval, nunca pensei que a sua música mais executada fosse, na verdade, uma alusão ao Santa Cruz de hoje.

Bom Carnaval!

Último RegressoGetúlio Cavalcanti

Falam tanto que meu bloco está,

dando adeus pra nunca mais sair.

E depois que ele desfilar,

do seu povo vai se despedir.

Do regresso de não mais voltar,

suas pastoras vão pedir:

Não deixem não, que o bloco campeão,

guarde no peito a dor de não cantar.

Um bloco a mais é um sonho que se faz

o pastoril da vida singular.

É lindo ver ver o dia amanhecer,

ouvir ao longe pastorinhas mil,

dizendo bem, que o Recife tem,

o carnaval melhor do meu Brasil !!!