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	<title>Torcedor Coral - Santa Cruz</title>
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		<title>E borbulhava um riso louco</title>
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		<pubDate>Fri, 18 May 2012 03:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div id="attachment_17260" class="wp-caption aligncenter" style="width: 339px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/e-borbulhava-um-riso-louco/attachment/smile/" rel="attachment wp-att-17260"><img class="size-medium wp-image-17260" title="smile" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/smile-329x320.jpg" alt="" width="329" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">E Crom riu...</p></div>
<p>Não sei se vocês sabem, mas o deus supremo do panteão futebolístico é Crom, aquele de Conan, o bárbaro. Seria um deus cínico e sacana, segundo o guerreiro da Ciméria. Não é uma surpresa; afinal, o futebol &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_17260" class="wp-caption aligncenter" style="width: 339px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/e-borbulhava-um-riso-louco/attachment/smile/" rel="attachment wp-att-17260"><img class="size-medium wp-image-17260" title="smile" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/smile-329x320.jpg" alt="" width="329" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">E Crom riu...</p></div>
<p>Não sei se vocês sabem, mas o deus supremo do panteão futebolístico é Crom, aquele de Conan, o bárbaro. Seria um deus cínico e sacana, segundo o guerreiro da Ciméria. Não é uma surpresa; afinal, o futebol é o mundo da greia, a ambrosia dos deuses. As divindades do futebol amam provocar, surpreender e sacanear os clubes e seus torcedores. Não nego, até por isso, que Crom é irritante, inclusive, adorando fazer-nos de alvo. É um Ser que se nutre de esperança e, assim, gosta de produzir desespero.</p>
<p>Sou temente a Crom. Não o desafio, porque já tive péssimas lições. Diante de um deus gozador, fico sempre com medo de algum raio cair na minha cabeça. Os deuses são sacanas. É uma lei fundamental do futebol. Se você não admite, caro leitor, não assume esse vaticínio, até fica puto da vida, paciência, meu chapa, problema seu. Sugiro que mude e vá jogar sudoku &#8212; o jogo mais ateu da paróquia. Lembro que a sacanagem divina permite aos mortais exercerem a diversão maior do futebol, justamente a gozação do outro, do dileto adversário, a suprema zombaria. E falo de pilhéria, do dito espirituoso, que é intrinsecamente pacífico. Porque transformar a chacota em violência é tabu. Por isso, o fim do futebol está piscando ali no horizonte por causa das torcidas organizadas. A violência é um mundo sem deuses, sem riso, logo, sem humanidade. O objetivo do futebol é transmutar o inimigo em adversário e, depois, em amigo – além do mais, vale a pena fazer isso, até por prevenção, porque do outro lado está aquele que, um dia, vai zonar com sua cara. Fazer e receber troça gera um efeito pedagógico, constrói o caráter, podem crer.</p>
<p>Pois bem, dizem que, nesse final de semana, Crom estava meio indócil, quase macambúzio. Tinha visto a final da Liga Europa quando o Atletic de Bilbao foi trucidado pelo Atlético de Madrid. Viu todos os jogadores bascos do Bilbao caírem no chão chorando por causa da derrota. E viu a torcida acompanhá-los nas lágrimas. Foi uma cena tocante. Mesmo o coração mais duro amoleceu. Ora, Crom não é mau, embora seus atos sejam, além de irracionais, um tanto cruéis. Além disso, não tem coração, apenas um gânglio nervoso no seu lugar. Também não gosta de arroubos de nacionalismo, feito o basco, mais ficou meio assim, sei lá.</p>
<p>Deu pra sacar que estava meio condescendente quando permitiu a vitória histórica do City. Ficou satisfeito com a incrível epopeia. Deixou a torcida do City à beira de um surto de depressão, para depois produzir uma das maiores catarses da história do futebol – uma virada nos acréscimos que valeu um título após quarenta anos. Gostou da obra, mas nem tanto; afinal, havia o cheiro de compaixão no ar, e piedade, convenhamos, não gera gozação. Talvez, para compensar, sentiu uma intensa vontade de sacanear. E, para isso, nada como examinar as novidades futebolísticas da Terra dos Altos Coqueiros, em particular de sua vítima preferida, o clube da <em>Via Crucis</em>. Estava pronto para tornar em desespero a esperança eterna dos tricolores. Tinha até um grande aliado, o técnico ZT e suas invencionices.</p>
<p>Até que&#8230;</p>
<p>Bem, foi aí que surgiu uma figura muito respeitada no panteão do futebol: o Sobrenatural de Almeida. É um personagem pomposo, mas divertido. Adora uma cervejinha e filosofia de botequim. Dizem que mora num boteco, ali perto da ponte da Capunga. Tem uma farta gargalhada e adora contar piada de cachorra. Foi descoberto pelo nosso Eurípedes, Nelson Rodrigues; com isso, saiu da transcendência e caiu na literatura. Só discorda de um fato: não é bem um fantasma. O dito-cujo é o grande conselheiro de Crom, se é que a divindade escuta conselhos.</p>
<p>Sobrenatural sabia que o Deus Supremo precisava de uma grande gozação. Preocupara-se com o choro dos bascos e a catarse dos ingleses, justamente porque sentimentos nobres deixavam Crom irrascível, e isso não era bom pra ninguém. O deus tinha a mania, quando mal-humorado, de jogar raios nas pessoas &#8212; dói muito, vale dizer. Tinha que encontrar alguma solução. Pensou, pensou, teve uma ideia genial e foi cochichar no ouvido divino de Crom.</p>
<p>_Ô poderoso Crom, é o niver da Coisa.<br />
_Coisa?! Ora, VTNC!</p>
<p>Sobrenatural esquecera do ato reflexo de Crom. Era um cacoete celestial. Havia o boato de que a causa fora uma mordida da Cobra Coral Primordial, a mãe de todas as cobras tricolores; assim, toda vez que se falava “coisa”, o Rei dos Deuses exclamava essa gentileza.</p>
<p>_O jogo será na casa do Troço.<br />
_Aaah&#8230;<br />
_Jogam pelo empate. Já prepararam a festa. Eles se acham.<br />
_Eles se acham?<br />
_Sim, são arrogantes, petulantes, presunçosos. É a soberba personificada.</p>
<p>Sobrenatural de Almeida sabia do ponto fraco de Crom e de todos os deuses do futebol. Eles odeiam a arrogância.</p>
<p>_Imagina a gozação, ô Grande Crom, se a Desgraça perde no aniversário?! Zona Eterna!<br />
_Sim, sim, Chacota Perpétua! Será uma condenação. Todo aniversário, a risadagem geral!</p>
<p>E Crom começou a rir, e riu, e riu, e riu, para não acabar mais.</p>
<p>Era o aval que esperava Sobrenatural. E foi tomar as providências. O maior empecilho era ZT, o técnico inventor do Santinha. Decidiu, dessa forma, usar uma estratégia conhecida na mitologia: entrou nos sonhos do treinador. Não era uma mente agradável. Era cheia de ferrolhos e cadeados. Só tinha recalque e retranca. Não seria fácil. Sobrenatural precisaria ser muito persuasivo.</p>
<p>ZT sonhava feito um pardal. Sonhava com os 300, os trezentos volantes enfrentando o ataque persa! Mas teve, um dia antes do jogo, um pesadelo. No sonho terrível, aparecia Dimas com a bengala de Nó Cego, dando porrada e gritando:</p>
<p>_Joga no ataque, carai! No ataque, porra!</p>
<p>Foi então que Sobrenatural de Almeida falou no sonho de ZT.</p>
<p>_Joga no ataque. Escuta seus críticos! Esquece Peçonha e Fabiano Pinheiro!</p>
<p>ZT acordou completamente ensopado de suor. Tremia na cama. Que pesadelo! &#8211; pensou. Jogar no ataque?! Mas já não tinha feito isso contra o Salgueiro e na primeira partida da decisão? Não aguentava mais pensar em atacar. Dava dor de cabeça. Foi aí que se lembrou da ameaça de Sobrenatural de Almeida:</p>
<p>_Se não jogar no ataque, vc aparecerá nu no meio da Leões da TUF (torcida uniformizada do Fortaleza).</p>
<p>ZT não tinha boas recordações do tricolor do Pici. Não tinha escolha. Jogaria no ataque.</p>
<p>E jogou, de fato. E organizou muito bem o time. E jogou com&#8230; Branquinho?!</p>
<p>Crom olhava hipnotizado a partida. Seu único olho deu uma piscada nervosa no meio da testa (pois é, o cabra é ciclope, filho de ciclope, neto de ciclope, e por aí vai).</p>
<p>_Branquinho?! Indagou nervoso a Sobrenatural.<br />
_Bem&#8230; er&#8230; sabe como é ZT, né?! Mas, pense, Branquinho foi burro-negro!</p>
<p>Crom deu outra piscadela, dessa vez bem cínica, e o efeito foi imediato: Branquinho fez um gol em impedimento. Crom ria, e ria, e ria. Mas notou a família Lins (Dimas, Murilo, Felipe, Joãozinho e Fátima) feliz demais e tacou um gol da “praga de gafanhotos do Antigo Egito” (essa, devo ao grande Ananias) um minuto depois. Calou todo mundo. Conseguiu um anticlímax, sua especialidade. Mas relaxou um bocado e marcou bobeira: o Santinha fez mais um e mais outro, 3&#215;1. Pelo menos, o terceiro gol tinha sido de outro burro-negro, Luciano Henrique. Crom riu, pois dois gols de ex-burros-negros numa final, convenhamos, é muito engraçado. E viu que os tricolores estavam, novamente, alegres demais (a família Lins, principalmente) e tacou um gol da Bexiga Lixa. Queria um pouco mais de sofrimento, pois um clube com o nome de Santa Cruz não pode ter vida fácil.</p>
<p>Sobrenatural de Almeida olhava Crom. O deus dos deuses do futebol ria, ria à beça. Borbulhava um riso louco. Era a Divina Comédia diante da Comédia Humana.</p>
<p>_Ruá, ruá, ruá, aniversáriooo&#8230;! Na casa deleees&#8230;! Jogando pelo empateee&#8230;! Tomaram na jacaaa!</p>
<p>(&#8220;tomar na jaca&#8221; é uma expressão jocosa cimeriana, logo, antediluviana. Jaca é um fruto que só nasce na neve e em montanhas altas.  É um sincarpo enorme e pesado, geralmente na forma de quadrados e retângulos, com casca feita de pequenos cones azuis, depois vermelhos, e gomos lilás, viscosos e amargos, envolvendo sementes grandes. Não dá barato. Ducaldo iria detestar. TC é cultura!)</p>
<p>E era mesmo muito engraçado. Em casa, no aniversário e jogando pelo empate! Sobrenatural não se conteve e deu uma baita gaitada.</p>
<p>Respirou fundo e se acalmou. Rir demais machuca o esôfago, mesmo um sobrenatural. Pensou no Clube do Santo Nome com certo carinho. Já tinha sacaneado demais os coitados. Convenceria Crom a melhorar um pouco o destino do clube. Tanto sofrimento não gera mais gozação e sim pena. Perde a graça. Eles mereciam um choque de autoestima. Um pouco de alegria, enfim.</p>
<p>Afinal&#8230;</p>
<p>Afinal, depois de tanto tempo, os tricolores merecem rir, e muito!, da cara dos outros.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">
<a href="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/gallery/denis-marques/dm9.jpg" title=""  >
	<img class="ngg-singlepic ngg-center" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/gallery/cache/180__400x300_dm9.jpg" alt="dm9" title="dm9" />
</a>
</p>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">Clique na imagem para amplicar (Arte: Dimas Lins)</p>
</blockquote>
</blockquote>
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		<title>Reengenharia</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 13:54:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div id="attachment_16886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/artigos/reengenharia/attachment/engenharia-coral/" rel="attachment wp-att-16886"><img class="size-full wp-image-16886" title="engenharia-coral" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/engenharia-coral.jpg" alt="" width="450" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Porque eu me organizando posso desorganizar</p></div>
<p>Depois da conquista do Bi-Campeonato Estadual, cheguei à redação com os olhos esbugalhados, ardência e dores no corpo e anunciei que cogitava fechar o <a href="http://www.torcedorcoral.com">Torcedor Coral</a>, mas nem mesmo terminei a frase, os &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16886" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/artigos/reengenharia/attachment/engenharia-coral/" rel="attachment wp-att-16886"><img class="size-full wp-image-16886" title="engenharia-coral" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/engenharia-coral.jpg" alt="" width="450" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Porque eu me organizando posso desorganizar</p></div>
<p>Depois da conquista do Bi-Campeonato Estadual, cheguei à redação com os olhos esbugalhados, ardência e dores no corpo e anunciei que cogitava fechar o <a href="http://www.torcedorcoral.com">Torcedor Coral</a>, mas nem mesmo terminei a frase, os protestos se espalharam pela sala e por pouco não fui linchado. Paulinho, pelo meu aspecto de quem havia sido atropelado por um caminhão, perguntou se eu não estava chapado e Perrusi, nosso analista de Bagé, veio com uma teoria provocativa de que eu estava com sintomas de <em>Síndrome da Infelicidade</em>, uma doença que acomete os torcedores que só sabem viver bem com o seu time no fundo do poço.</p>
<p>Com um quadro viral para se lascar, expliquei a Paulinho que chapado era a mãe e a Perrusi que quem gosta de apanhar é mulher de malandro. Por isso, e talvez por isso, Paulinho e Perrusi insinuaram que a tentativa de fechar o site era despeito com Zé Teodoro e sugeriram que eu purificasse a alma e reconhecesse que o nosso técnico é o cara!</p>
<p>Não era, rebati. O cara era Chicão que, aliás, tinha jogado um bolão na reta final do campeonato e que Zé era um semi-deus, afinal, não tinha argumentos para fazer oposição a um treinador que deu dois títulos pernambucanos e um acesso no campeonato brasileiro em pouco mais de um ano, quando o Santinha estava no fundo do poço e com risco de cavar mais o buraco, só para descer mais. E esquecia até o desaforo com a torcida e oferecia a minha cara à tapa, desde que fosse só uma encenação ou a pancada fosse triscando e não de com força.</p>
<p>Na insistência sobre o fechamento do <a href="http://www.torcedorcoral.com">TC</a>, expliquei que era uma coisa (eita, palavra boa de dizer!) temporária, mas que nem isso seria necessário. É que, caros leitores, fazia tempo que pretendia promover uma mudança sutil na organização dos arquivos do blog e nada melhor do que fazer isso após o término do campeonato, com um título que não ocorria há 25 anos.</p>
<p>Agora, amigo leitor Bi-Campeão, encontrar os arquivos do <a href="http://www.torcedorcoral.com">Torcedor Coral</a> ficou mais fácil. Os artigos estão organizados por <em>Autores</em>, <em>Colaboradores </em>(antigos cronistas do blog) e <em>Destaques</em> (<em>Cobra Venenosa</em>, <em>Pitaco da Roda</em>, <em>Enquetes</em>, <em>TC News</em> e muito mais). Para localizar o texto de um autor que você tanto ama &#8211; ou odeia, o que é mais provável &#8211; basta ir no <em>Menu Publicações</em> e fazer a sua escolha.</p>
<p>Depois de um tempo mudando anualmente o <em>layout</em> do <a href="http://www.torcedorcoral.com">Torcedor Coral</a>, finalmente o atual, ao que parece, é do agrado da maioria de cronistas e leitores. Mesmo assim, uma melhoria aqui e outra ali  nunca é demais.</p>
<p>Ah, e a partir de hoje, as críticas a Zé Teodoro serão sumariamente apagadas. Brincadeirinha!</p>
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		<title>Bi-Campeão!</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 13:55:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div id="attachment_16259" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/bi-campeao-2/" rel="attachment wp-att-16259"><img class="size-full wp-image-16259" title="Bi-Campeao" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Bi-Campeao.jpg" alt="" width="500" height="357" /></a><p class="wp-caption-text">Santa Cruz, Bi-Campeão em 2012!</p></div>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>A Chegada</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16305" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/cheguei/" rel="attachment wp-att-16305"><img class="size-full wp-image-16305" title="Cheguei" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Cheguei.jpg" alt="" width="450" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Charge: Pablo</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: medium;">A Casa dos Festejos</span></strong></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16270" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/campeao/" rel="attachment wp-att-16270"><img class="size-full wp-image-16270" title="Campeao" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Campeao.jpg" alt="" width="450" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">Santa Cruz, Bi-Campeão (foto: Bobby Fabisak)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Rei de Pernambuco</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16273" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/ze-tedoro/" rel="attachment wp-att-16273"><img class="size-full wp-image-16273" title="Ze-Tedoro" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Ze-Tedoro.jpg" alt="" width="450" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Zé Teodoro (foto: Guga Matos)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Artilheiro</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16260" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/denis-marques-marcos-pastich/" rel="attachment wp-att-16260"><img class="size-full wp-image-16260" title="Denis-Marques-Marcos-Pastich" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Denis-Marques-Marcos-Pastich.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Dênis Marques (foto: Marcos Pastich)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Operário</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16261" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/flavio-recife/" rel="attachment wp-att-16261"><img class="size-full wp-image-16261" title="Flavio-Recife" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Flavio-Recife.jpg" alt="" width="450" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Flávio Recife (Foto: </p></div>&#8230;</blockquote>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16259" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/bi-campeao-2/" rel="attachment wp-att-16259"><img class="size-full wp-image-16259" title="Bi-Campeao" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Bi-Campeao.jpg" alt="" width="500" height="357" /></a><p class="wp-caption-text">Santa Cruz, Bi-Campeão em 2012!</p></div>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>A Chegada</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16305" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/cheguei/" rel="attachment wp-att-16305"><img class="size-full wp-image-16305" title="Cheguei" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Cheguei.jpg" alt="" width="450" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">Charge: Pablo</p></div></blockquote>
<blockquote>
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<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: medium;">A Casa dos Festejos</span></strong></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16270" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/campeao/" rel="attachment wp-att-16270"><img class="size-full wp-image-16270" title="Campeao" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Campeao.jpg" alt="" width="450" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">Santa Cruz, Bi-Campeão (foto: Bobby Fabisak)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Rei de Pernambuco</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16273" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/ze-tedoro/" rel="attachment wp-att-16273"><img class="size-full wp-image-16273" title="Ze-Tedoro" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Ze-Tedoro.jpg" alt="" width="450" height="298" /></a><p class="wp-caption-text">Zé Teodoro (foto: Guga Matos)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Artilheiro</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16260" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/denis-marques-marcos-pastich/" rel="attachment wp-att-16260"><img class="size-full wp-image-16260" title="Denis-Marques-Marcos-Pastich" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Denis-Marques-Marcos-Pastich.jpg" alt="" width="450" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Dênis Marques (foto: Marcos Pastich)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>O Operário</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16261" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/flavio-recife/" rel="attachment wp-att-16261"><img class="size-full wp-image-16261" title="Flavio-Recife" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Flavio-Recife.jpg" alt="" width="450" height="280" /></a><p class="wp-caption-text">Flávio Recife (Foto: Jédson Nobre)</p></div></blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: medium;"><strong>A Mamãe da Cidade</strong></span></p>
</blockquote>
<div id="attachment_16282" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/cachorra-de-peruca/" rel="attachment wp-att-16282"><img class="size-full wp-image-16282" title="Cachorra-de-peruca" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Cachorra-de-peruca.jpg" alt="" width="450" height="453" /></a><p class="wp-caption-text">Dalila, a cachorra de peruca</p></div>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Parabéns pra Você</strong></p>
<p style="text-align: center;">Parabéns pra você</p>
<p style="text-align: center;">Nesta data querida</p>
<p style="text-align: center;">Muitas felicitadas</p>
<p style="text-align: center;">Muitos anos de vida!</p>
</blockquote>
</blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong>Hino dos vice-campeões</strong></p>
</blockquote>
<p style="text-align: center;"><p><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/"><em>Clique aqui para assistir o vídeo inserido.</em></a></p></p>
</blockquote>
<blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: center;">O pós-jogo</p>
</blockquote>
<p><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/historia/bi-campeao-2/attachment/greia/" rel="attachment wp-att-16309"><img class="aligncenter size-full wp-image-16309" title="Greia" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Greia.jpg" alt="" width="450" height="458" /></a></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		<title>O maior amor do mundo</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/cronicas/o-maior-amor-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 May 2012 23:45:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos, versos e Crônicas]]></category>
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		<description><![CDATA[<div id="attachment_16226" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/cronicas/o-maior-amor-do-mundo/attachment/red-heart/" rel="attachment wp-att-16226"><img class="size-full wp-image-16226" title="red-heart" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/red-heart.jpg" alt="" width="500" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Arte: Dimas Lins</p></div>
<p>Finalmente chegamos. Tomei a dianteira e abri a porta do consultório para a minha mãe entrar. Era uma consulta de rotina para saber como andava a sua vista, que tempos atrás havia sido perseguida por uma discreta &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16226" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/dimas-lins/cronicas/o-maior-amor-do-mundo/attachment/red-heart/" rel="attachment wp-att-16226"><img class="size-full wp-image-16226" title="red-heart" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/red-heart.jpg" alt="" width="500" height="461" /></a><p class="wp-caption-text">Arte: Dimas Lins</p></div>
<p>Finalmente chegamos. Tomei a dianteira e abri a porta do consultório para a minha mãe entrar. Era uma consulta de rotina para saber como andava a sua vista, que tempos atrás havia sido perseguida por uma discreta opacidade do cristalino. Tratei de conduzi-la a um dos assentos da sala de espera para, em seguida, me dirigir à recepção, onde trataria da burocracia que se impõe antes de qualquer atendimento médico. Depois retornei e sentei-me ao seu lado.</p>
<p>Em nosso canto, me punha a assistir à TV, menos pelo interesse que a programação me despertava e mais pela falta do que fazer, enquanto mamãe acompanhava o movimento de entra-e-sai dos pacientes. O filme não prendeu a minha atenção por muito tempo e parei para observar minha mãe. Ela mantinha uma quietude pouco habitual e sua fisionomia aparentava cansaço. Embora os cabelos, sem a cor branca natural, buscassem deliberadamente enganar a idade, seu rosto e suas mãos já não disfarçavam tão bem a passagem do tempo. Apesar disso, mamãe conservava, quase intacta, a beleza da juventude.</p>
<p>Mamãe sorriu, tão logo segurei a sua mão. Depois iniciamos uma conversa sobre <a href="http://dimaslins.com/2011/10/11/ao-meu-avo-uma-bencao/" target="_blank">o meu avô</a>, um homem de generosidade extraordinária e de coração bom. À medida que ela falava, eu sentia no peito, quase me sufocando, uma saudade imensa e concluía que, em vida, talvez pela exagerada juventude, não lhe dera o valor necessário. Por isso, senti nascer em mim naquele mesmo instante o medo de acontecer o mesmo em relação à minha mãe, depois que ela se for. Com ela, não haverá o conforto de pôr a culpa na juventude excessiva, pois, desde muito moço, trago comigo, sem deixar margens à imprecisão, a gratidão por tudo quanto ela fez por mim, mas também carrego a certeza inabalável de não ter lhe dado em retribuição nem sombra do que recebi.</p>
<p>Por isso, levado por uma força irresistível, lembrei-me dos tempos de criança, de meter-me em febre de quarenta graus e de tê-la ao meu lado durante toda a madrugada velando e cuidando de mim. De atravessar a cidade sobre os seus ombros, apesar do peso dos meus nove anos, em busca de um cirurgião-dentista que retirasse a raiz de um dente mal extraído, que de tanta dor não me deixava pisar o chão. De vê-la enfrentar condições adversas para me guiar e me dar a educação que jamais tivera. De ver suas mãos divinas multiplicar o pão, como num milagre, para dar o sustento a oito filhos e a outros tantos enteados. De vê-la chorar por minhas tristezas e rir com as minhas alegrias e de senti-la amar a cada filho, acima tudo e apesar de nós.</p>
<p>Precisei ser pai para compreendê-la bem e aceitar que não é possível, por mais que se ame, amar como ama uma mãe. Hoje sinto por meus filhos, como eu senti da minha mãe, o maior amor do mundo e espero que eles tenham, mais adiante, o mesmo que tenho agora.</p>
<p>Amanhã é dia das mães. Com seu olhar reservado, ela observará com satisfação que o tempo não foi capaz de afastar os filhos de sua órbita, nem mesmo por amor ao Santa Cruz. Na hora do jogo, estaremos todos juntos e, independentemente do resultado, agradecerei a ela por meu coração tricolor.</p>
<blockquote><p>Homenagem à minha e a todas as mães, em especial as tricolores.</p></blockquote>
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		<title>Tabus existem para ser quebrados</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/colaboradores/tricolores-e-convidados/tabus-existem-para-ser-quebrados/</link>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 03:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Outros autores</dc:creator>
				<category><![CDATA[Tricolores e convidados]]></category>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/colaboradores/tricolores-e-convidados/tabus-existem-para-ser-quebrados/attachment/leao-quebrado/" rel="attachment wp-att-16205"><img class="aligncenter size-full wp-image-16205" title="leao-quebrado" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/leao-quebrado.jpg" alt="" width="450" height="338" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Santana Moura</strong>, <span style="font-size: x-small;">especialista em psicologia do Esporte</span></p></blockquote>
<p>Outro dia lá íamos nós, eu e minha amiga Valéria (Assistente Social), por uma comunidade da periferia, ladeira abaixo acompanhando o curso de um córrego à procura do difícil endereço de uma &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/colaboradores/tricolores-e-convidados/tabus-existem-para-ser-quebrados/attachment/leao-quebrado/" rel="attachment wp-att-16205"><img class="aligncenter size-full wp-image-16205" title="leao-quebrado" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/leao-quebrado.jpg" alt="" width="450" height="338" /></a></p>
<blockquote><p><strong>Santana Moura</strong>, <span style="font-size: x-small;">especialista em psicologia do Esporte</span></p></blockquote>
<p>Outro dia lá íamos nós, eu e minha amiga Valéria (Assistente Social), por uma comunidade da periferia, ladeira abaixo acompanhando o curso de um córrego à procura do difícil endereço de uma família, que deveria ser atendida por nós (equipe Psicossocial). Enquanto nos equilibrávamos por entre as pedras eu ia dizendo: “estás vendo Valéria, qual é a pesquisa ou pesquisador que passa por uma área assim pra saber qual o time que a pessoa torce? Também não vai aos morros, nem alagados onde repousa, com muita força, grande parte da torcida coral.”.</p>
<p>Pois bem, até algum tempo atrás se presumia que a imensa torcida tricolor seria formada apenas pelos menos favorecidos. Esta crença se espalhou em nosso meio, tendo se acentuado quando meu conterrâneo o também tricolor, José Nivaldo Junior, ao microfone de uma grande emissora de TV, defendeu a tese de que Pernambucano não comportava três forças clubísticas a competirem entre si no mercado futebolístico. No dia seguinte, começaram as piadas e pragas, alegando que o Santa Cruz iria desaparecer e sua torcida se reuniria com a do Náutico para formar a “Triconáutico”.</p>
<p>Na época, era tempo de fusões em meio às reengenharias de empresas nacionais e internacionais, instigadas pelo capitalismo. Tudo indicava que seria este o nosso destino. Pouco a pouco sem apoios, sem patrocínios, alijado de participar do bolo de <em>benesses</em> do Clube dos 13 e, diferentemente dos pseudo-irmãos, O Mais Querido acelerou a queda de série em série, até chegar ao fundo do poço. Nosso estádio foi encolhido e interditado, começava, então, a tentativa de exclusão mais cruel do nosso futebol. Para deixar bem claro, aqui, o conceito de exclusão de que falamos nos reportamos a Pablo Gentilli, ferrenho crítico do mercantilismo na educação.</p>
<p>Esse autor argumenta que há três modalidades mais comuns de exclusão: <strong>1)</strong> Supressão completa de uma comunidade por expulsão ou extermínio (Colonização – holocausto). <strong>2)</strong> Exclusão por mecanismo de confinamento e reclusão (Leprosos, loucos, anciãos, deficientes, até algum tempo atrás), uma crueldade sem precedente. <strong>3)</strong> Segregar, incluindo (sem-teto, inimpregáveis, crianças de rua, etc.). Esses podem conviver com os incluídos, só que em condições inferiorizadas, sendo esta uma forma invisível de excluir. Nesses termos, não tenhamos dúvidas de que sofremos uma tentativa de extermínio. Não se via notícia nas manchetes de jornais ou destaques nos programas de rádio ou TV sobre o nosso clube, mas a torcida resiliente e fiel não arredava pé de apoiar o Santinha. Veio Fernando Bezerra Coelho e reformou o panelão de concreto, pudemos retornar em maior número à nossa casa e sustentar a reconstrução da nossa historia, tal como Fênix que ressurge das cinzas.</p>
<p>Torcemos na Copa Pernambuco, nas séries C e D, longe ou perto estivemos presentes, desafiamos chuva e sol, impressionamos as cidades e estados por onde passamos; ameaçamos nos filiar à Federação Paraibana de Futebol, provamos que poderíamos fazer isto. Compramos camisas, mimos e amuletos, movimentamos a economia do Nordeste. Demonstramos que a parcela dos apaixonados corais, mais favorecida economicamente, é maior do que a torcida do Náutico inteirinha; a parte composta por pessoas que se insere na classe média é maior do que os que se imaginam torcedores do Sport e a imensa massa coral, base de nossa pirâmide, parece maior do que o próprio Santa.</p>
<p>Juntos nos entrelaçamos na paixão pelo clube das três cores, batemos recordes em presença de público nos estádios, ano após ano, como de praxe. Viramos as páginas mais sofridas de nossas vidas; continuamos arriscando nossa saúde ao viver fortes emoções dentro de campo; ensejamos muito trabalho ao corpo de bombeiros e nos fizemos notícia na imprensa estrangeira. Nossa fama se espalhou pelo mundo, porque nada seria tão grandioso, quanto o nosso amor e, especialmente, a nossa fé. Contrariando todas as pesquisas, todos os gurus, que se mobilizaram contra nós, chegamos mais uma vez à final do Pernambucano, qualquer que tenha sido a motivação subjacente.</p>
<p>Com vibração nos vestimos, agora, com o manto sagrado para mais uma batalha, a derradeira; esperamos contagiar os jogadores que se sentem felizes no Santa Cruz; guerreiros que encarnam o papel que lhes foi atribuído, permitindo que o sangue coral lhes corra pelas veias, preparados para arrancarem, no território adversário, a mais gloriosa de todas as vitórias, aquela que vai inscrevê-los definitivamente na história do Santa Cruz, como a equipe que venceu o Sport no dia de seu aniversário. Serão lembrados como os legionários que bateram o arqui-inimigo dentro de sua casa, impedindo que completasse, ali, o seu quadragésimo título, sob a proteção dos poderosos. É o time do povo buscando, novamente, provar que tabus existem para serem quebrados&#8230; e serão.</p>
<blockquote><p><strong>Nota da redação<span style="font-size: x-small;"><sup>1</sup></span></strong>:</p>
<p>O Correio Brasiliense entrou em contato com o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> para informar que pretende fazer uma reportagem sobre um filho tricolor com uma mãe rubro-negra ou vice-versa, que more em Brasília. Assim, se algum dos nossos leitores preencherem os requisitos, por gentileza, entre em contato conosco, através do nosso <a href="http://www.torcedorcoral.com/fale-conosco/">formulário</a>.</p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Nota da redação<span style="font-size: x-small;"><sup>2</sup></span></strong>:</p>
<p>Em um equívoco imperdoável, o <a href="http://www.torcedorcoral.com">TC</a> esqueceu de dar o devido crédito a <strong>Santana Moura</strong> por este artigo. Antes tarde do que nunca, corrigimos a falha e pedimos desculpas a nossa querida colaborada.</p></blockquote>
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		<item>
		<title>Pitaco da rodada</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/destaques/pitaco-da-rodada/pitaco-da-rodada-29/</link>
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		<pubDate>Sun, 06 May 2012 13:29:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>TC</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pitaco da Rodada]]></category>
		<category><![CDATA[arquibancada]]></category>
		<category><![CDATA[Arruda]]></category>
		<category><![CDATA[bola]]></category>
		<category><![CDATA[campeonato]]></category>
		<category><![CDATA[clube]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/destaques/pitaco-da-rodada/pitaco-da-rodada-2/attachment/dados/" rel="attachment wp-att-8943"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8943" title="dados" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2011/01/dados-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a></p>
<p>A equipe do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/destaques/pitaco-da-rodada/pitaco-da-rodada-2/attachment/dados/" rel="attachment wp-att-8943"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8943" title="dados" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2011/01/dados-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a></p>
<p>A equipe do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz no Campeonato Pernambucano de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários:</p>
<blockquote><p><strong>Dimas Lins</strong></p>
<p>Esfregarei meus olhos incrédulos: o Santa vai pra cima. Zé Teodoro quer fazer o resultado no Arruda e mandar uma equipe de pedreiros construir um muro na barra coral lá na Ilha da Fantasia. Cansarei de contar os gols. Três deles serão anulados por juiz e bandeirinhas como forma de contribuir para o 40º campeonato da coisa ruizinha.</p>
<p>Placar: <strong>Santa Cruz 2 x 0 Coisa (VTNC)</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Artur Perrusi<br />
</strong></p>
<p>Depois de tanta fé e tanto misticismo, anuncio que ocorrerá um milagre: o Santinha, pela vontade do povo, impingirá uma goleada na Coisa Maldita (VTNC). Aliás, se não impingir, lascou!<br />
Placar: <strong>Santa Cruz 4 x 0 Coisa (VTNC)</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Paulo Aguiar<br />
</strong></p>
<p>O Santa parte na frente para jogar na retranca na Ilha e ser bi-campeão após 25 anos! Gols de Denis Marques e Renatinho!<br />
Placar: <strong>Santa Cruz 2 x 1 Coisa (VTNC)</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Nó Cego<br />
</strong></p>
<p>O Santa terá que sair para o jogo, mas como só sabe jogar na retranca vai levar um gol fácil de bola cruzada na área e passar o resto da partida tentando empatar. E eu vou vaiar o cagão do Zé Teodoro até ele pedir para ir embora do Arruda.</p>
<p>Placar: <strong>Santa Cruz 1 x 1 Coisa (VTNC)</strong></p></blockquote>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>De Epifania e Misticismo</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/de-epifania-e-misticismo/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 00:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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<p>Não sou religioso. Nunca tive uma revelação, jamais estive nalguma estrada de Damasco. No sentido mais prosaico da palavra, sou um ímpio. Acredito piamente que a alma é uma secreção verde que insiste em sair pelo meu nariz. Coloco-a debaixo &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/de-epifania-e-misticismo/attachment/dragao2/" rel="attachment wp-att-16152"><img class="size-full wp-image-16152 aligncenter" title="Dragão2" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Dragão2.jpg" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Não sou religioso. Nunca tive uma revelação, jamais estive nalguma estrada de Damasco. No sentido mais prosaico da palavra, sou um ímpio. Acredito piamente que a alma é uma secreção verde que insiste em sair pelo meu nariz. Coloco-a debaixo da mesa ou da cadeira. Mostro às crianças, e elas têm nojo. Sinceramente, não percebo sentido no mundo, apenas os sentidos que projetamos no mundo. Mas, se existe um lugar ainda encantado, onde as assombrações e o sobrenatural reinam, ora, esse lugar é o futebol. Aqui, não sou propriamente religioso, mas profundamente místico. Tenho manias que se transformam em rituais sagrados. Vejo sinais em tudo que é canto e os interpreto segundo uma intuição transcendental que escapa completamente à minha razão. Podem ser desgraças, podem ser milagres. Cá entre nós, só me acalmo quando estou no templo sagrado, o Mundão. Ali, eu me sinto protegido, em comunhão.</p>
<p>Porém, sou um ímpio absolutamente desmoralizado; afinal, torço por um clube chamado Santa Cruz. Aliás, torcer é eufemismo – tricolor não torce, pois isso é para os bicolores,  e sim vive num estado de fervor, de emoção religiosa intensa, pelo seu clube. Do ponto de vista das minhas crenças, não deixa de ser irônico, reconheço. E ainda por um clube que personifica, mais até do que o Botafogo, o Sobrenatural de Almeida. Convenhamos, os desígnios do Santinha são insondáveis. Só nos resta adivinhá-los, captá-los ali no copo de cerveja – diga-se, de passagem, a cerveja é muito melhor do que o polvo frito e o coração de boi para a presciência. A cevada, inclusive, faz parte dos rituais de adivinhação de todo oráculo de futebol que se preze. Digo isso, por causa de uma divergência mística com a família Lins, adoradora do ocultismo das frituras. Vejam Ducaldo: só depois da enésima garrafa de cerveja é que começa a adivinhar. Mas já está tão bêbado que é impossível compreendê-lo – sem dúvida, é um dos oráculos mais obscuros que conheço&#8230;</p>
<p>No fundo, por meio do Clube do Santo Nome, tenho a necessidade de explicar e dar sentido ao mundo. Vejam, sinto que deve existir um princípio motor no interior do Ser (lembrem-se que a secreção verde sai de dentro de mim, isto é, do meu ser), e arrisco a dizer que é o Santinha. Só pode ser. Pois bem, vamos à mitologia grega e provar minha intuição. No começo, havia a Noite (Nyx) lá em cima e, lá embaixo, a Escuridão Profunda (Érebo), seu irmão. São as duas faces das Trevas do Mundo – sim, tricolores, tremam, seus crentes sem noção! Essas duas entidades coexistiam no seio do futebol pernambucano, o Caos, o supremo Vazio. Não é o nada, esse Vazio, mas sim a potência, a possibilidade de existência. É a matriz do mundo, vazio por desorganização e não por privação, vazio por ser indescritível e não por ser nada. Aos poucos, a Noite e a Escuridão Profunda separaram-se nesse vazio. De alguma maneira, Érebo liberta Nyx, que se encurva, por motivos gregos e obscuros (um incesto?), tornando-se uma imensa esfera, cujas metades se separam como um ovo que se quebra. E o que surge? Ora, nasce assim o Santinha, isto é, o Amor em preto, branco e encarnado, objeto de culto da torcida mais apaixonada do Brasil. Apesar do nome bíblico, o Santinha tem origens na mitologia grega&#8230;</p>
<p>(a outra versão, mais cristã, diz que foram pequenos anjos que jogavam bola num pátio de uma igreja, e aí&#8230; Fiat Lux!)</p>
<p>Se o Santinha é o Amor (e falo do amor grego, ao mesmo tempo trágico e redentor, logo, imponderável), compreendo a razão de meu misticismo. Nenhum amor escapa da transcendência. Aquele que se apaixona e não transcende é um cínico, cá entre nós. Não terá jamais essa devoção, essa eterna esperança, essa paixão incondicional. Não terá entusiasmo, essa suprema energia que faz a vida viver.</p>
<p>Pois é&#8230;</p>
<p>E uma decisão contra a Coisa&#8230;</p>
<p>Minha interpretação é mística.</p>
<p>É uma guerra do Bem contra o Mal. Diante de nós, está o anjo decaído do Clube dos 13 &#8212; o clube mancomunado com os destruidores do futebol nordestino. Clube traidor, babão do futebol do Eixo. Vendeu-se por um título que não vale nem trinta sestércios.</p>
<p>Voltemos à mitologia grega – uma versão mais perversa: Érebo violenta Nyx. Estava bêbado. Uma Barbie (uma figura absolutamente efeminada e desprezível) tinha lhe dado uma cerveja Frevo para beber. No fundo, Érebo não sabia dosar a bebida. Quem não sabe beber sofre da arrogância, diz um velho clichê do Olimpo. Nyx, dessa forma, engravida e, num parto torturante, expulsa do seu útero uma cachorra tão envergonhada de si, que usa uma peruca para se disfarçar. Horrível, não?!</p>
<p>Diante dessa Coisa, procuro todas as secreções verdes que estão embaixo de tudo que é cadeira e mesa desse mundo velho e enfadado. Procuro minha alma perdida.</p>
<p>E, no Arruda, começarei a feder como um bode. Nenhuma camisa escapa de uma partida contra o Troço. Cheiro de enxofre, acho eu&#8230;</p>
<p>E, antes do encontro com o Abominável, por precaução, lanço uma sentença de maldição:</p>
<p>“Por decreto dos Anjos, pelas palavras dos Santos, banimos, afastamos, amaldiçoamos e declaramos anátema a Coisa do Chié, com todas as maldições escritas na Lei. Maldita seja ela de dia e maldita seja ela à noite, maldita seja ao treinar e maldita seja ao jogar, maldita seja sua bola e maldita seja seu futebol. E queira o Senhor não a perdoar, e que assim se abatam sobre ela a Sua ira e o Seu zelo. E advertimos que ninguém pode lhe fazer referência sem o uso do VTNC, nem lhe conceder qualquer favor, nem permanecer sob o mesmo teto que ela, nem ler notícia feita ou escrita sobre ela”</p>
<p>Tenho dito.</p>
<p>PS: Dimas levou a ZT a sentença. Acha fundamental todos saberem da Condenação. Saiu encantado do encontro. _ Adoro ZT &#8211; disse o Editor-Mor, aquele que passou a adorar o nosso técnico por pura superstição. É o &#8220;Efeito Coisa&#8221;.</p>
<p>PS2: ah, sim, foi mal aí, esqueci: Coisa? VTNC</p>
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		<title>Na final, afinal!</title>
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		<pubDate>Tue, 01 May 2012 15:30:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<div id="attachment_16127" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/humor/na-final-afinal/attachment/denis-marques/" rel="attachment wp-att-16127"><img class="size-full wp-image-16127" title="Denis-Marques" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Denis-Marques.jpg" alt="" width="450" height="283" /></a><p class="wp-caption-text">Efeito Cartoon de Dimas Lins sobre foto de Aldo Carneiro</p></div>
<p>Combinamos, Paulinho e eu, de assistir ao jogo do Santinha juntos no Arruda. Temos características similares, conversamos pouco e observamos muito a partida. Por isso, quando Nó Cego me ligou &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_16127" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/humor/na-final-afinal/attachment/denis-marques/" rel="attachment wp-att-16127"><img class="size-full wp-image-16127" title="Denis-Marques" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/05/Denis-Marques.jpg" alt="" width="450" height="283" /></a><p class="wp-caption-text">Efeito Cartoon de Dimas Lins sobre foto de Aldo Carneiro</p></div>
<p>Combinamos, Paulinho e eu, de assistir ao jogo do Santinha juntos no Arruda. Temos características similares, conversamos pouco e observamos muito a partida. Por isso, quando Nó Cego me ligou se convidando para ir conosco, considerei a sua companhia indesejada, pois tenho me esforçado para ver o trabalho de Zé Teodoro com bons olhos &#8211; o esquerdo é bem melhor do que o direito, pois é com ele que, depois da cirurgia de miopia, passei a enxergar longe &#8211; e queria ir a campo para dar o meu sincero apoio à equipe coral, pois, por amor ao Santa Cruz, intuí que havia chegado a hora de dar uma chance à paz, ao menos na reta final do Campeonato Pernambucano. Com Nó Cego por perto, é impossível agir como um genuíno torcedor de arquibancada, apoiar incondicionalmente o time e vibrar com a vitória, ainda que magra, com um gol de mão do juiz. Além de tudo, com ele, corro perigo. Nó Cego sempre se mete em confusão e, invariavelmente, sou eu quem paga o pato.</p>
<p>Saí de casa arrastando, pela coleira, Dalila &#8211; uma cachorra de rua da raça Chihuahua que peguei para criar e que tem complexo de superioridade, mas morre de medo de cobra &#8211; porque Nó Cego queria utilizá-la como cão-guia, já que o seu morrera acidentalmente em um jogo do Santinha no Arruda, depois que seu dono foi tirar satisfação com integrantes de uma torcida organizada. Provavelmente esta tenha sido a razão para que Dalila, quando soube do papel que lhe caberia, tenha dado um pique lascado para debaixo da cama e só tenha saído de lá tão logo eu enfiei um mastro de uma vassoura no seu rabo. Contornado o problema, Dalila pôs-se a andar toda arreganhada em direção à porta e seus olhos quase saltaram da cara assim que Nó Cego, ao avistá-la, fez-lhe um carinho com a gentileza de um estivador. Depois de Nó Cego chamar de ridícula a peruca da minha cachorra e rirmos um bocado, saímos em direção ao Arruda.</p>
<p>Nó Cego me chamou de fresco assim que eu comprei um ingresso de cadeira cativa &#8211; “É por causa do meu reumatismo”, expliquei inutilmente &#8211; e exigiu que, por causa do inconveniente, eu comprasse um para ele também. Comprei o ingresso contrariado, me sentindo com cara de trouxa, e partimos para as cadeiras. Nó Cego arrastava Dalila em rédea curta, enquanto a bichinha se esforçava para não se enforcar até que ele deu um puxão tão forte que a cachorra de peruca foi se espatifar na parede do bar do Abílio.</p>
<p>— Que cachorra burra do carai! Vai pra frente, tapada! &#8211; incentivou Nó Cego com ensinamentos próprios de um adestrador.</p>
<p>Paulinho fez uma cara de quem comeu e não gostou quando viu o meu acompanhante e disse baixinho em meu ouvido que nunca mais viria ao jogo comigo. Nó Cego deu-lhe uma bengalada de soslaio e respondeu que era cego, mas não surdo. Refeitos os ânimos alguns minutos depois, Paulinho apontou para Wesley, que junto com a família sentava à nossa esquerda. Imbuído de espírito apaziguador, chamei nosso Maestro para uma foto, que ele aceitou com muita simpatia, mas não gostou quando eu insinuei que ele era a cara do pagodeiro Alexandre Pires. Pior que isso, só quando Nó Cego, sem qualquer cerimônia, disse que torcia pela sua volta aos gramados, mas esperava que ele jogasse uma bolinha menos murcha. Wesley recolheu o sorriso e me chamou de filho da puta do blog e voltou para se sentar.</p>
<p>O Santa jogava com vontade, embora não tivesse muita ideia de como usar o seu poder ofensivo, e uma meninada vibrava com cada bola roubada, cada drible de Natan e xingava cada cera do Salgueiro. Enquanto eu achava linda aquela renovação de nossa torcida, Nó Cego se emputecia com o barulho gasguito.</p>
<p>— Cala a boca aí, lote de corninhos, que essa merda aqui não é matinê! &#8211; pediu com inabalável e habitual gentileza de um verdadeiro educador.</p>
<p>O jogo corria e me enchia os olhos, não o futebol, mas a dedicação do time. Quando o Santa fez um gol com o brilhante Natan &#8211; até então inexplicavelmente reserva do time &#8211; Nó Cego nem se mexeu da cadeira.</p>
<p>— Nem adianta vibrar, que o Salgueiro vai empatar essa merda!</p>
<p>— Que boca de praga do carai! &#8211; respondi, dois minutos depois.</p>
<p>Veio o intervalo e Nó Cego queria mijar, mas tinha gente demais nas cadeiras o que impedia de sair do canto. Sem mais nem menos, Nó Cego não teve dúvidas e botou o pau para fora e mijou na frente de um monte de crianças e na cabeça de Dalila. A cachorra de peruca tentou correr, mas já era tarde. “Agora eu sei de onde vem todo aquele mijo das arquibancadas”, pensei.</p>
<p>— Porra, veio, tu devia dar um banho nessa cachorra que a bicha tá fedendo pra carai!</p>
<p>Fiquei com vontade de mandar Nó Cego tomar na jaca, mas tinha, como sempre, o silêncio como melhor réplica.</p>
<p>Contudo, a resposta veio no campo. Em um passe magistral de Chicão, Flávio Recife &#8211; “Recife, um carai! Caça-Rato!”, corrigiu Nó Cego &#8211; ficou na cara do gol e sofreu pênalti. Não me contive e virei para ele em tom de desabafo.</p>
<p>— Tá vendo, cegueta de uma figa, Chicão é o cara!</p>
<p>— Chicão é o carai!</p>
<p>— Deixa o cara em paz, que marcação da porra com o menino!</p>
<p>— Vai à merda!</p>
<p>Ficamos naquela discussão filosófica até o gol de Dênis Marques. Pouco depois, Flávio Recife &#8211; Recife, um carai!, retrucou Nó Cego &#8211; sofreu falta e o Salgueiro teve um jogador expulso.</p>
<p>— É o nome do jogo, é o nome do jogo! Foi responsável pelo pênalti e pela expulsão do adversário! Vamos ser coerentes: ele corre e dá trabalho, é ou não é?!</p>
<p>— Esse pestinha aí do lado &#8211; disse apontando para uma das crianças que tirava catota e passava na cadeira &#8211; também corre e dá trabalho. Então bota esse porrinha pra jogar também!</p>
<p>Convenci-me de que a discussão era inútil e achei por bem parar por ali. Nó Cego, mesmo depois do terceiro gol, aliás um golaço de Dênis Marques, reclamava o tempo todo. Dizia que o time com um jogador a mais parecia um lote de maluco que, ao invés de segurar a bola e cadenciar o jogo, ficava devolvendo-a para o Salgueiro, que chegava perigosamente em nossa área. E vaiou o técnico, não o jogador, quando André Oliveira entrou no lugar de Anderson Pedra.</p>
<p>— Esse retranqueiro é um enganador de torcida. Ele queria botar um zagueiro no lugar de um atacante, mas pra não pegar mal, fez a substituição em dois tempo: primeiro botou um zagueiro no lugar do volante e um volante, que a torcida adora, no lugar de um atacante. Com uma vantagem do carai, era pra botar mais um atacante e meter uma goleada! &#8211; reclamou.</p>
<p>Não queria saber. Estava feliz demais com a dedicação do time, a classificação, o passe de Chicão, a artilharia de Dênis Marques e a coerência do técnico para dar ouvidos a Nó Cego.</p>
<p>Já voltávamos para casa, quando ouvimos pelo rádio a declaração de Zé Teodoro, que criticava as vaias da torcida e ameaçava deixar o clube, caso não houvesse mudança de comportamento no próximo jogo. Concordei com Paulinho que Teodoro agira como uma criança mimada que perdeu a chupeta e que ele estava acostumado a treinar clube sem torcida, daí a reação infantil, mas preferimos não dar muita bola, em nome da união e do título. Já Nó Cego mandou-me voltar ao Arruda, pois queria fazer o técnico engolir Dalila com mijo e tudo e ameaçou jogá-la do carro, caso não o atendesse. Dalila, coitada, antes mesmo de ser jogada, de tanto medo, pulou do carro e se estraçalhou no asfalto. Levamos Dalila para a ala veterinária do Hospital da Restauração, onde foram diagnosticadas múltiplas fraturas, mas ela passa bem. Domingo, vou buscá-la para irmos juntos ao próximo jogo. Nó Cego disse que vai reunir uma turma do blog para vaiar o técnico desde o momento que o time entrar em campo, para garantir que ele cumpra a sua promessa de deixar o clube. Como quero ser campeão, já disse a Nó Cego que o primeiro jogo da decisão não será no Arruda. Ele que vá fazer merda lá na Ilha da Fantasia!</p>
<blockquote><p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota do autor</span></strong>:</p>
<p>Nó Cego é cego de nascença, embora costume dizer que perdeu a visão nos cinco a zero que o Santa levou do Bahia, na Fonte Nova, pelo campeonato brasileiro de 1981, depois de ganhar dos baianos, na mesma competição e no Arruda, por quatro a zero.</p></blockquote>
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		<title>Pitaco da rodada</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Apr 2012 15:30:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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<p>A equipe do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.torcedorcoral.com/destaques/pitaco-da-rodada/pitaco-da-rodada-2/attachment/dados/" rel="attachment wp-att-8943"><img class="aligncenter size-medium wp-image-8943" title="dados" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2011/01/dados-350x262.jpg" alt="" width="350" height="262" /></a></p>
<p>A equipe do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a> não tem bola de cristal, mas gosta de meter a colher, inclusive, em briga de marido e mulher. Por isso, mais uma vez, resolveu jogar dados e búzios para cima e dar um pitaco no placar do jogo do Santa Cruz no Campeonato Pernambucano de 2012. Confiram o placar do jogo na opinião dos editores e convidados e escrevam suas opiniões na seção de comentários:</p>
<blockquote><p><strong>Dimas Lins</strong></p>
<p>Zé Teodoro viverá uma crise existencial: tem que botar o time para frente, mas prefere jogar na retranca. Assim, o time entrará com três zagueiros, quatro volantes, um meia e dois atacantes. Para resolver a equação, botará a defesa no ataque e o ataque na defesa.  Dênis Marques jogará no gol e ganharemos o jogo com um gol de mão de Thiago Cardoso aos quarenta e oito do segundo tempo, obviamente, depois de uma jogada confusa na área adversária.</p>
<p>Placar: <strong>Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Artur Perrusi<br />
</strong></p>
<p>O jogo estava 2&#215;0 para o Santa. Faltando 10 minutos, o desastre, falha do goleiro e do zagueiro (não preciso dizer os nomes). Pena.<br />
Placar: <strong>Santa Cruz 2 x 2 Salgueiro</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Paulo Aguiar<br />
</strong></p>
<p>O Santa jogará o futebol de sempre. Confuso, sem esquema tático, chutões da zaga para o ataque. O retrato da série D se repetirá. Mau futebol e um resultado milagroso. Em um lance fortuito, na metade do primeiro tempo, um jogador prata-de-casa fará o gol da vitória.<br />
Placar: <strong>Santa Cruz 1 x 0 Salgueiro</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Nó Cego<br />
</strong></p>
<p>A gente tem tudo para tomar na jaca: um técnico retranqueiro, uma defesa que é uma baba e um goleiro mão de lodo. Vamos ser desclassificados pelo Salgueiro e ainda ter que aturar Zé Teodoro na Série C.</p>
<p>Placar: <strong>Santa Cruz 1 x 2 Salgueiro</strong></p></blockquote>
<blockquote><p><strong>Ducaldo<br />
</strong></p>
<p>Pitaco de quem tentou adivinhar a escalação, entender o raciocínio teodoriano e não sabe absolutamente o que está escrevendo.</p>
<p>Placar: <strong>Santa Cruz 3 x 1 Salgueiro</strong></p></blockquote>
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		<title>Recordação</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/recordacao/</link>
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		<pubDate>Fri, 27 Apr 2012 03:10:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Artur Perrusi</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/recordacao/attachment/basquiat/" rel="attachment wp-att-16043"><img class="size-medium wp-image-16043 aligncenter" title="basquiat" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/04/basquiat-350x152.jpg" alt="" width="350" height="152" /></a></p>
<p>Momentos antes de uma decisão, quem sabe antessala de outra ainda mais importante, nada como oferecer&#8230; recordações.</p>
<p>Meu pai, antes mesmo do meu nascimento, fez um juramento diante da Igreja do Bom Jesus da Via Sacra, embora fosse um ímpio, &#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.torcedorcoral.com/blog/autores/artur-perrusi/contos-versos-e-cronicas/recordacao/attachment/basquiat/" rel="attachment wp-att-16043"><img class="size-medium wp-image-16043 aligncenter" title="basquiat" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2012/04/basquiat-350x152.jpg" alt="" width="350" height="152" /></a></p>
<p>Momentos antes de uma decisão, quem sabe antessala de outra ainda mais importante, nada como oferecer&#8230; recordações.</p>
<p>Meu pai, antes mesmo do meu nascimento, fez um juramento diante da Igreja do Bom Jesus da Via Sacra, embora fosse um ímpio, e ofereceu minha alma ao Santa Cruz. O Santinha salva, já dizia o meu avô, um crente convicto que, se não salvou meu pai do inferno, deu-lhe um passaporte tricolor. A ideia é interessante e, provavelmente, eficaz: ao mostrar a bandeira do Clube do Santo Nome a Belzebu, seria impossível não recusar sua entrada; assim, seria banido do Inferno e posto num vulcão – meu pai voltaria ao mundo numa irrupção de lavas ardentes, uma imagem apoteótica e que muito lhe agrada (defende, inclusive, que o vulcão seja o Vesúvio, por causa de sua descendência italiana). Cada um tem sua fantasia, claro, e eu tenho a minha e você, leitor ou leitora, cá entre nós, tem a sua, certamente bem perversa – o fato de ler o TC já é sinal de perversão, desculpe dizer.</p>
<p>De todo modo, digo logo que sou um caso teológico único, pois, ao ter minha alma ofertada num momento anterior ao meu nascimento, tornei-me tricolor antes mesmo de existir. Por isso, posso dizer que ser tricolor está aquém e além da existência. Não me amostrarei e não darei aulas de teologia, mas houve, apenas para resumir e ilustrar, um exemplo concreto dessa história toda: não chorei ao nascer, somente cantei o hino do clube (juro, inclusive meu pai tem uma fita gravada).</p>
<p>Na verdade, Nostradamus já tinha descrito essa situação. Fez até uma de suas profecias: quem for tricolor antes de nascer não carrega consigo o pecado original. Como consequência, pela lógica, estou a salvo do Inferno. Ao mesmo tempo, sem pecado original nas minhas veias espirituais, tenho alguns problemas – daí, talvez, o fato de eu ser aditivo e de escorpião, cometer pecados compulsivamente, não ter culpa alguma e ser, curiosamente, perdoado pelas vítimas, o que, nesse mundo velho e enfadado, é uma considerável vantagem &#8212; sim, confesso, cometi <em>bullying</em>, principalmente com criancinhas barbies e coisetes, e espero, por causa disso, não ferir sensibilidades politicamente corretas. Além do mais, metafisicamente falando, tenho a certeza filosófica de que, mesmo morrendo, continuarei tricolor – em suma, conquistei a eternidade e peço desculpa pelo meu privilégio aos tricolores simplesmente mortais.</p>
<p>Depois de certo tempo, já menino e logo após o meu Complexo de Édipo, quando desejei minha mãe e quis matar meu pai&#8230;</p>
<p>Rapaz, Freud é muito doido, né?! Dizem que essa situação escandalosa constrói o caráter. Não saberia dizer, até porque recalquei tão bem que me esqueci completamente. Aliás, todo mundo esqueceu esse constrangimento. Só os psicanalistas  insistem em relembrar&#8230;</p>
<p>Em todo caso, meu pai tomou uma decisão, como forma de evitar que me tornasse um torcedor histérico: além de tricolor, queria que eu amasse o futebol. Levou-me assim, em 1973, ao Mundão, para assistir a uma partida do Santa contra o Santos. O suprassumo pedagógico: ver o Rei jogar! Sim, tive essa regalia. O objetivo era meu amadurecimento, permitindo-me a compreensão de que o futebol estava além do mero resultado. Futebol não é fliperama, disse – hoje, eu diria: futebol não é videogame, cuja busca do resultado é o alfa e o ômega do jogo.</p>
<p>O amor pelo futebol era destino familiar.</p>
<p>Lembro-me de meu avô, emigrante italiano e estranhamente protestante (só conheço italianos católicos); sim, o cabra era estranho, ainda mais porque tinha mania pela mitologia grega. Cultuava, escondido do pastor, a deusa Afrodite. Tinha até um poster dela tomando banho. Conseguira tal raridade numa borracharia, dizia, ali junto da ponte da Torre. Tinha também uma espetacular coleção da Playboy, mas isso não vem ao caso. No fundo, era um incorrigível pagão.</p>
<p>Conta a lenda familiar que, no final da década de 20, diante da feiura do futebol inglês e do italiano, meu avô baixou a deusa. Estava arretado da vida com o futebol de resultado. Gostava de futebol e não apenas de torcer &#8212; era sua <em>boutade. </em>Sempre aparecia com um dito meio imprevisto que contrariava propositadamente as mentes certinhas.</p>
<p>Segundo seu testemunho, Afrodite pirou com o Brasil. Deu mais do que chuchu em pé de serra, adorou os negões e gerou uma quantidade maior de craques negros do que de filósofos na Antiga Grécia: Leônidas, Zizinho, Domingos da Guia, Didi, Pelé, Mazinho (o Deus de Ébano), Ramon, Henágio e, claro, Zé do Carmo! Sim, para o meu avô, o futebol brasileiro nascera para desbancar a mesmice do futebol inglês e a retranca do italiano. Foi a missão histórica dada pelos deuses da bola ao nosso futebol. Hoje, é uma tradição esquecida. E o esquecimento é uma forma de memória que precisa ser, constantemente, revelada, senão não há mais perdão (sei, sei, é uma frase enigmática, nem sei seu significado, mas não é isso o que importa, agora).</p>
<p>(Por tudo isso, acho curioso um brasileiro gostar de um time inglês treinado por um técnico italiano. Tecnicamente, é uma perversão ou, para falar de forma erudita, é cagar na História)</p>
<p>Pois bem, vi Pelé jogar. E o vi numa partida histórica. Como criança, não entendia o que estava acontecendo; na verdade, estava hipnotizado pelo Arruda (isso foi antes da última ampliação) e pelo espetáculo. Mas via meu pai um tanto nervoso. Estava 3&#215;0 (dois de Ramon e um de Luciano), e ele continuava nervoso. Foi quando um jogador do Santa (Givanildo? Paulo Ricardo?) cometeu a asneira de tentar dar um chapéu no Rei. Meu pai levantou-se completamente apoplético e gritou:</p>
<p>&#8211; Não provoca o negão, não! Não provoca o negão!</p>
<p>Foi tarde demais. Pelé interceptou, com as mãos, a bola e interrompeu a jogada humilhante. Olhou, de forma desafiadora, o jogador blasfemo. Talvez, por causa da provocação, o Santos começou a jogar, fez dois gols (um deles do Rei) e, se não fosse o tempo, teria empatado ou até mesmo virado o jogo.</p>
<p>Eu pirei. Produza alegria numa criança e garanta seu futuro. Meu pai cumprira seu dever. O projeto pedagógico tinha se realizado. Ali, no Mundão, o amor pelo Santinha fundira-se ao amor pelo futebol. Certo, eu não tinha alma, era um oco espiritual, no meu interior, só vísceras; porém, tinha uma paixão pela vida inteira. O importante é amar e ser amado, dizia meu avô, piscando o olho e apontando para o poster de Afrodite.</p>
<p>(Aliás, pra que alma, se não pra vendê-la ou doá-la? Além de tudo, com a alma já dada ao clube, antes mesmo de meu nascimento, ter ou não ter uma nunca foi uma preocupação. Acho até uma vantagem. Jamais serei uma alma penada, por exemplo)</p>
<p>A paternidade tem, como maior desafio, persuadir a filharada a escolher um clube para torcer (nalguns casos, a violência, o suplício ou mesmo a tortura podem ser as melhores opções). Não existe meta pedagógica mais importante. Quem negar esse fato fundamental da existência é um tolo, um temerário ou algo pior. Está em questão, justamente, a descendência. Sem estirpe, não há futuro. Rebentos traíras revelam uma educação fraca e pusilânime; revelam fracasso paterno. Filhos trânsfugas são, decididamente, uma vergonha. No caso, é preferível abdicar da condição paterna ou, simplesmente, banir e renegar os filhos malditos e amaldiçoados. Bastardos inglórios!</p>
<p>Machado de Assis teria escrito: &#8220;não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria, justamente porque sou fraco e tive medo de que torcessem pela Coisa&#8221; (TC é cultura).</p>
<p>Pois é&#8230;</p>
<p>(claro, antes que alguém reclame: a maternidade tem também seus desafios pedagógicos no futebol. Mas mãe tem coração mole. Verá com doçura o processo de escolha de um clube. Não verá como tragédia a traição. Contemporizará por amor &#8212; peço desculpas às mães, mas engulhei. Como disse o irlandês Bill Shankly, antigo técnico e manager do Liverpool: &#8220;futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso&#8221;)</p>
<p>Enfim&#8230; <em>Carpe Diem</em>, pessoal. &#8220;Nascemos sem pedir; morreremos sem querer. Devemos aproveitar o intervalo&#8221;. E tal e cousa e lousa e maripousa.</p>
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