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	<title>Torcedor Coral &#187; Opinião</title>
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		<title>Copas na mesa</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 03:11:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6693" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/opiniao/copas-na-mesa/attachment/poquer/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6693" title="poquer" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/06/poquer.jpg" alt="" width="296" height="342" /></a></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Comunicado:</strong></span></p>
<p>Desde segunda-feira, dia 28/06, o  Dreamhost, servidor onde está hospedado o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a>, sofreu um grave  problema técnico e todos os sites sairam do ar. Desde então, o suporte  do Dreamhost vem tentando recuperar os</p></blockquote><p>&#8230;</p>]]></description>
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<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Comunicado:</strong></span></p>
<p>Desde segunda-feira, dia 28/06, o  Dreamhost, servidor onde está hospedado o <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a>, sofreu um grave  problema técnico e todos os sites sairam do ar. Desde então, o suporte  do Dreamhost vem tentando recuperar os dados danificados para dar início  a migração do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a> e de outros sites para um  novo <em>storage</em> (espécie de HD onde fica armazenado nosso banco de  dados). Aos poucos, estamos voltando, mas a conexão ainda não está  estável e pode cair a qualquer momento. Além do mais, mesmo quando  estamos no ar, o blog fica excessivamente lento. A Dreamhost nos  informou que esta instabilidade poderá durar até 6 dias, o que é uma  pena.</p>
<p>A equipe do <a href="http://www.torcedorcoral.com/">TC</a> lamenta os transtornos e  comunica que vem acompanhando junto ao Dreamhost as providências  adotadas. Também não desconsidera a possibilidade de migrar para um novo  servidor, caso os problemas persistam sem solução ou não sejam  resolvidos satisfatoriamente.</p>
<p>Enquanto durar essa instabilidade,  evitaremos atualizar o blog ou liberar comentários que ficaram retidos  na moderação, para não afetar ainda mais o nosso banco de dados.</p>
<p>Contamos  com a compreensão de nossos leitores.</p></blockquote>
<p>Escrevo essas linhas depois da vitória da seleção canalhinha, digo, canarinha. O Brasil ainda não me empolgou – embora tenha jogado contra o Chile um pouco melhor do que  contra a Coréia do Norte e Portugal – mas, mesmo assim, a gente vai levando e o Brasil vai passando por seus adversários sem grandes dificuldades. Na seleção brasileira, chama mais atenção a pendenga de Dunga com a Rede Globo do que o futebol apresentado. Aliás, a Copa do Mundo tem pouquíssimas seleções que empolgaram até agora, casos de Alemanha e Argentina, que se enfrentam nas quartas-de-final. Em nome do bom futebol, será uma pena que um dos dois vá para casa mais cedo, já que esse jogo muito bem poderia ser a final do mundial. Entretanto, nessas horas, fala mais alto o coração brasileiro e, já que um deles tem que voltar para casa, que sejam <em>los hermanos.</em></p>
<p>Sim, é o que parece. Defendo a beleza no futebol. A questão é que o mundo anda tão infestado de pernas-de-pau e técnicos burocratas e retranqueiros que até parece palavrão falar em futebol bonito, mesmo se vivendo no Brasil, o país do futebol. Do jeito que o assunto é tratado nos bares e blogues, tem-se a impressão que futebol feio ganha jogo. É exatamente o contrário. Claro, às vezes, um ganha e o outro perde, invertendo a lógica. Entretanto, futebol bonito é sinônimo de qualidade, da mistura harmônica entre conjunto e individualidade, do jogo envolvente e bem jogado, com bom toque de bola, belos cruzamentos e, por que não, dribles desconcertantes. Por favor, não me recriminem, mas, sim, sou a favor do drible! Diversamente, sou desfavorável à firula, que, além de improdutiva é, por vezes, provocativa. Se encontrasse paralelo na língua portuguesa, diria que a firula é o rebuscamento da fala para enunciar algo simples, enquanto o drible é exatamente o oposto, pois busca a simplicidade para declarar algo complexo. Assim, um é a demonstração de virtuosismo com a bola e o outro, coloca a habilidade a serviço do gol.</p>
<p>Assim, digo em alto e bom som: abaixo o futebol de resultados! &#8211; nome quase lindo dado ao futebol feio. Prefiro a tática a serviço da técnica, não o inverso. E sou mesmo radical, pois nem atenuo, como Ducaldo – outro apreciador do futebol bonito – em favor do Santa Cruz. Como tricolor, apenas tenho que suportar a ausência da beleza dentro das quatro linhas. Sem contar que beleza e resultado não são excludentes. É mais fácil que sejam excludentes futebol feio e resultado. Olhemos para o nosso próprio umbigo, por exemplo. Foi jogando um futebol feio de dar dó que caímos da Série A para a D. Ou alguém aí teve a impressão que o Santa caiu jogando bonito? Desculpem-me os amantes do futebol de resultados, mas beleza é fundamental.</p>
<p>Mas não era só disso que eu pretendia falar. É que o jogo do Brasil mudou um pouco o meu foco. Queria também tratar de outra copa, a do Nordeste. Organizada às pressas e sem muito planejamento, ela ainda não decolou. Por enquanto, os torcedores não deram o ar de sua graça nos estádios nordestinos.</p>
<p>Não é para menos. A Copa do Nordeste tem a difícil missão de chamar a atenção das torcidas dos principais clubes da região durante a Copa do Mundo. O resultado é mais do que esperado. Se nem a torcida mais apaixonada do Brasil pisa no Arruda, o que dizer dos outros? Para se ter idéia, apenas 2.214 testemunhas assistiram à goleada que o Santinha aplicou no CSA. Eu mesmo não estava lá. Até porque, não bastasse a Copa do Mundo, marcaram o jogo para o feriado de São João. Puta sacanagem!</p>
<p>Depois da Copa do Mundo, a Copa do Nordeste seguirá tentando atrair a atenção dos torcedores em meio às competições nacionais. Missão difícil, pois a maioria das equipes já  disputa o campeonato com seus times B. Assim, tem-se a impressão que a tabela está de cabeça para baixo, já que Ceará e Vitória, que jogam a Série A, estão lá na rabeira, enquanto Treze/PB e ABC/RN lideram a competição. Esta estratégia mostra que os clubes que lutaram pelo retorno da Copa do NE são os mesmos que a desprezam. Para a torcida, fica a sensação desagradável de embromação, com a prevalência de uma perversa prática de mercado, onde se busca um bom retorno financeiro, mesmo sem botar na prateleira um produto de qualidade.</p>
<p>Na verdade, tudo isso é fruto do famoso <em>pegar ou largar</em>. O retorno da Copa do Nordeste, para quem não sabe, aconteceu no tapetão. Com a extinção dos campeonatos regionais disputados entre 2001 e 2002, a Liga do Nordeste ingressou com uma ação na justiça e ganhou o direito a uma gorda indenização (algo em torno de R$ 40 milhões, segundo a <a href="http://www1.folha.uol.com.br/esporte/747031-campeonato-do-nordeste-recomeca-nesta-terca-desafiando-copa-e-cbf.shtml" target="_blank">Folha.com</a>). O fato é que a CBF, para não meter a mão no bolso, topou ressuscitar o campeonato, pelo menos, por três edições. Se não há mais time bobo no futebol (sic), o que dizer então dos cartolas? Dessa forma, não causará espanto se a própria CBF, findo o período acordado, torne a extinguir a competição.</p>
<p>A Copa do Nordeste já foi um dos campeonatos mais rentáveis do país. Sua volta ao calendário nacional pode representar uma boa oportunidade de receita para os clubes nordestinos. Entretanto, pelo caminho que vai, com jogos programados, inclusive, para o dia da final da Copa do Mundo, ela corre o risco de perder o fôlego, antes mesmo que a CBF o faça por decreto. É preciso acomodá-la a um calendário atrativo para clubes e torcidas, sob pena de deixá-la cair no esquecimento.</p>
<p>Falar nisso, alguém aí sabe dizer quando será o próximo jogo do Santinha?</p>
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		<title>Castelo de areia</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 03:00:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Aguiar</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6286" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/opiniao/castelo-de-areia/attachment/castelo-de-areia-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6286" title="castelo-de-areia-2" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/castelo-de-areia-2.jpg" alt="" width="360" height="270" /></a></p>
<p>A situação vexatória atual do Santa Cruz não é novidade para ninguém. Quanto mais pensamos nas justificativas, mais elas aparecem. Hoje, o momento é de encontrar soluções e agir. Mas imagine quando a solução, se encontrada, não&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6286" href="http://www.torcedorcoral.com/blog/opiniao/castelo-de-areia/attachment/castelo-de-areia-2/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6286" title="castelo-de-areia-2" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/castelo-de-areia-2.jpg" alt="" width="360" height="270" /></a></p>
<p>A situação vexatória atual do Santa Cruz não é novidade para ninguém. Quanto mais pensamos nas justificativas, mais elas aparecem. Hoje, o momento é de encontrar soluções e agir. Mas imagine quando a solução, se encontrada, não é implementada? Vira uma decepção total.</p>
<p>O mais distante torcedor sabe que uma das possíveis soluções para tirar o time do buraco encontra-se dentro do Clube. Para ser mais preciso, estou falando das categorias de base do Santa Cruz.</p>
<p>Terminado o Campeonato Pernambucano de Juniores deste ano, o Santa Cruz fez 22 jogos e obteve 36 pontos. Ficou atrás de times como Ypiranga e Vitória, e a uma distância gigantesca do Náutico, que terminou com 53 pontos, e Sport, com 59 pontos. Isto depois de mais de um ano e meio (19 meses) de mandato do presidente FBC. Com todo respeito aos envolvidos, os números falam por si só.</p>
<p>É claro que logo aparecerão os que dizem que ‘a faixa etária média dos jogadores que disputaram o campeonato foi inferior a máxima permitida’, que ‘o time da base não é pra ser campeão e sim para formar jogadores’, que ‘o foco agora deve ser tirar o Santa da série D’, que ‘tudo está melhorando’. Enfim, essas histórias que escuto há anos e não conseguem mudar o meu pensamento de que tudo não passa de uma desculpa para demonstrar a falta de planejamento ou uma forma de esconder que o fortalecimento da base está longe de ser uma prioridade.</p>
<p>Em outros tempos, não muito distante, mesmo com o time profissional caindo pelas beiradas, nós éramos campeões nas categorias de base e revelávamos jogadores. Se não aproveitávamos, era outra questão relacionada à nossa competência. Hoje, nem isso.</p>
<p>É bem verdade que não podemos deixar de ressaltar os aspectos importantes também. Para quem viu a estrutura física das categorias de base do Santa Cruz, há uns 4 anos e compara com a atual, não restam dúvidas que melhorou consideravelmente. Os jogadores da base, hoje, possuem um ambiente físico, se não ideal, pois ainda se encontra localizado debaixo das arquibancadas do Arruda, minimamente confortável. Sem dúvida, as melhorias feitas devem-se a um pequeno grupo de abnegados (não confundir com a outra espécie de abnegados) que vinha ajudando na base. Entretanto, e infelizmente, este grupo foi seriamente fragilizado; alguns tiveram que sair e outros acabaram transferidos para o futebol profissional.</p>
<p>A verdade é que os frutos da base do Santa Cruz resumem-se, no momento, a duas promessas: Antônio Sena e Natan. As outras promessas ainda não foram sequer minimamente testadas. De forma quase inexplicável, o primeiro (Antônio Sena) não teve oportunidade alguma em um campeonato onde a zaga titular era fraca, para não dizer horrível. E o outro (Natan) acabou se machucando e, depois de recuperado, teve que assistir do banco a volta de um jogador que julgo de qualidade inferior a sua e que passou 9 meses inativo (Tiago Laranjeiras).</p>
<p>Tenho como fundamental o investimento nas categorias de base. Acho que independe da situação do clube, pois não vejo a base como um problema, mas sim como uma solução. É na base que a diferença do poder econômico é minimizada, porque os investimentos não são elevados. Isto sem contar que o Santa Cruz, dentre os times de Pernambuco, e talvez da região, é o maior chamariz de craques. Muitos dos jovens valores que despontam, ou despontaram nos clubes rivais, antes passaram pelo Santa Cruz, porque o Santa Cruz tem essa característica popular de atração. Mas acho que estamos trilhando outro caminho. Estamos apostando em revelações de outros clubes; talvez por falta de capital humano, não restrito a jogadores, mas a outros profissionais também, no próprio clube. Léo, Joélson, Guego, Baiano e Tiago Laranjeiras são exemplos disto. Se o retorno financeiro deste novo caminho adotado for superior ao investimento da base, tudo bem. Embora eu ache um pouco difícil que isso ocorra, pois o número de envolvidos na negociação será maior ainda. Veja o exemplo de Léo.</p>
<p>Por fim, vi que recentemente houve uma reunião com a direção, onde foi feito um balanço sobre o futebol e o planejamento para os meses seguintes. Segundo comentário ao site oficial do Clube, o presidente do Santa não ficou feliz com a campanha do time profissional no campeonato pernambucano de 2010. Nem eu, presidente. Mas como a reunião tratou de assuntos relacionados ao futebol, esperava ler algo sobre as categorias de base, dado que o seu desempenho foi vergonhoso. Daí eu pergunto: será que a direção ficou feliz com o desempenho do time no Campeonato de Juniores? Será que houve algum questionamento sobre o trabalho de base nesta reunião?</p>
<p>Um dos pontos mais positivos que considerei nas primeiras entrevistas de Raimundo Queiroz foi ouvir ele falar da importância das categorias de base para o sucesso de um Clube. Sempre que falava, Queiroz citava o volume de recursos que o Goiás ganhou com a transação de jogadores, alguns dos quais da própria base. Mas, até agora não o ouvi falar sobre o que tem feito a respeito.</p>
<p>Já que o nosso presidente não se comunica com a torcida, acho que seria uma ótima oportunidade do nosso diretor de futebol delinear o planejamento que tem sobre o fortalecimento das categorias de base do Santa Cruz e, mais especificamente, sobre o que tem feito. Afinal, depois de meses de mandato, o discurso de profissionalização, de uma auditoria, de um time de primeira divisão, de um Centro de Treinamento e da valorização das divisões da base ficou restrito aos minutos do discurso de posse de FBC.</p>
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		<title>O golpe dentro do golpe</title>
		<link>http://www.torcedorcoral.com/blog/opiniao/o-golpe-dentro-do-golpe/</link>
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		<pubDate>Tue, 11 May 2010 13:46:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bosquímano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6169" href="http://www.torcedorcoral.com/opiniao/o-golpe-dentro-do-golpe/attachment/golpe-militar/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6169" title="golpe-militar" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/golpe-militar.jpg" alt="" width="353" height="234" /></a></p>
<blockquote><p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota do autor:</span></strong><br />
Aproveitando a deixa de Dimas, no texto anterior, vou tentar aqui explicar sob que circunstâncias findou-se o Nordestão, e como surgiu o atual sistema de divisão de cotas do futebol brasileiro. Parte do texto</p></blockquote><p>&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-6169" href="http://www.torcedorcoral.com/opiniao/o-golpe-dentro-do-golpe/attachment/golpe-militar/"><img class="aligncenter size-full wp-image-6169" title="golpe-militar" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/05/golpe-militar.jpg" alt="" width="353" height="234" /></a></p>
<blockquote><p><strong><span style="text-decoration: underline;">Nota do autor:</span></strong><br />
Aproveitando a deixa de Dimas, no texto anterior, vou tentar aqui explicar sob que circunstâncias findou-se o Nordestão, e como surgiu o atual sistema de divisão de cotas do futebol brasileiro. Parte do texto foi adaptada de uma grande reportagem que fiz como projeto de conclusão de curso de Comunicação Social. Artur Perrusi foi da banca, quer dizer, do Lobby que me aprovou e deve lembrar algo.</p></blockquote>
<p>Em uma entrevista recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo afirmou que o golpe militar foi um mal necessário. Cabe aqui um primeiro parêntese, como é possível um “guardião da constituição” defender um golpe militar contra um governo constitucionalmente legítimo? Fecha parênteses. Bem, parafraseando o douto juiz, sou obrigado a afirmar que a formação do clube dos 13 e, conseqüentemente, a disputa da Copa União também foram um mal necessário.</p>
<p>Naquele momento, vale lembrar, o campeonato brasileiro era uma verdadeira casa de mãe Joana. Não havia critérios desportivos claros para definir sequer o número de clubes participantes, por exemplo. Havia, sim, o critério político. Quem nunca escutou – ou leu &#8211; a expressão: “aonde a Arena vai mal, uma equipe no nacional”? Em resumo, o campeonato brasileiro de futebol desde a sua criação foi utilizado, sobretudo, como instrumento de troca de favores dos dirigentes de turno.</p>
<p>A verdade é que o Campeonato Brasileiro era uma bagunça extremamente deficitária. Era preciso uma mudança radical em nome da sobrevivência dos próprios clubes. Tenho dúvidas se a intenção realmente foi essa, mas foi nesse contexto que nasceu o clube dos 13. A ruptura proposta pela entidade era fundamental naquele momento. O resto da história a gente já conhece. A ruptura foi um faz de conta, a CBF seguiu mandando, aumentou disparidade financeira entre os clubes, sendo os grandes sempre beneficiados, etc., etc., etc.</p>
<p>O importante, entretanto, é que aquele momento significou a primeira vez em que os clubes brasileiros tentaram formar uma liga independente da CBF.</p>
<p>Alguns anos depois, as ligas voltaram à moda. Basicamente após o sucesso da Liga do Nordeste, até hoje o campeonato mais organizado e rentável que existiu neste país. A propósito, não confundir o Campeonato com a Copa do Nordeste. O que me refiro como modelo foi disputado apenas em duas edições, nos anos 2001 e 2002 e o Bahia ganhou ambas.</p>
<p>Só para refrescar a memória, a Associação de Clubes de Futebol do Nordeste foi a primeira liga de clubes independente a organizar um campeonato oficial no Brasil. A reboque da Liga do Nordeste, e do Campeonato do Nordeste, outras ligas e, obviamente outros campeonatos, começaram a pipocar. O Rio-SP e o Sul-Minas são os exemplos mais importantes.</p>
<p>Ah! Já ia esquecendo de dizer que nenhum presidente de federação ficou a favor do Campeonato do Nordeste, pois, com a nova competição, os estaduais perderam importância e, junto com eles, o poder dos presidentes também descia ladeira abaixo.</p>
<p>Corria o ano de 2002, as ligas estavam no auge e, de repente, como um coelho da cartola, surge “o novo calendário do futebol brasileiro”, ou o que eu chamo de golpe dentro do golpe.</p>
<p>Vamos aos fatos.</p>
<p>Eduardo José Farah, que acumulava as presidências da Federação Paulista de Futebol e da Liga Rio-São Paulo, tinha a intenção de, através do poder da Liga e, posteriormente, quem sabe, da criação de uma Liga Nacional, passar a dar as cartas no futebol brasileiro e, conseqüentemente, destronar seu desafeto Ricardo Teixeira. Deixando a CBF responsável apenas pela Seleção.</p>
<p>O presidente da CBF, que nunca foi menino, armou um duro golpe para o seu opositor. Foi o que ficou conhecido à época como “o novo calendário do Futebol Brasileiro”. Em apenas uma canetada, Ricardo Teixeira extinguiu os torneios regionais, estendeu o campeonato brasileiro, que passou a ser disputado por pontos corridos, e “revitalizou” os campeonatos estaduais.</p>
<p>Com essa medida, Teixeira acabou politicamente com Farah, e, por extensão, com todas as ligas, já que os regionais foram extintos. Ao “revitalizar” os estaduais, ele conseguiu o apoio necessário para a sua reeleição. Bem, revitalização não foi exatamente o que aconteceu com os estaduais, que continuaram sendo disputados espremidos entre Janeiro e abril.</p>
<p>O campeonato brasileiro mais longo, aos moldes europeus, sempre foi defendido pela imprensa, sobretudo a do sudeste, assim, além de minar as ligas, ganhar o apoio das federações, ele ainda argumentou que realizou um antigo desejo de toda comunidade esportiva do país. Para deixar claro, eu confesso que sou a favor do atual modelo do campeonato brasileiro.</p>
<p>A Rede Globo, maior investidora do futebol brasileiro, não só apoiou a idéia, como até participou da sua elaboração e, para conseguir o apoio dos clubes, a empresa injetou uma bela grana para os membros do Clube dos 13. Só para se ter uma idéia, times como Flamengo, Vasco, São Paulo e Corinthians ganharam, em 2003, algo em torno de 1,2 milhões de reais por mês. Os primos pobres, como Sport e Vitória receberam uma cota de quase 700 mil reais mensais. As equipes que não faziam parte do clube dos 13 tiveram que recorrer ao famoso “te vira”.</p>
<p>Mais excludente do que isso, impossível.</p>
<p>Por que a Globo, que até hoje é contra o campeonato por pontos corridos, apoiou a proposta da CBF? A resposta é simples: com a exclusão dos regionais, a empresa seguia mandando no futebol brasileiro, mas com uma economia de aproximadamente 100 milhões de reais. Negócio da China!</p>
<p>A título da anedota, vale a lembrança. Paulo Carneiro, Fernando Pessoa e Marcelo Guimarães – à época presidentes de Vitória, Sport e Bahia, respectivamente, clubes fundadores da Liga do Nordeste – eram os maiores defensores do regional. Entretanto, na reunião convocada pelo Clube dos 13, para discutir o novo calendário, tanto Sport quanto Bahia, votaram a favor e o Vitória, pelo menos, se absteve.</p>
<p>É como diz uma piada um tanto quanto sem graça: se um avião lotado de cartolas brasileiros cair, quem se salvará?</p>
<p>Resposta: o futebol.</p>
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		<title>A coisa excetuada</title>
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		<pubDate>Thu, 06 May 2010 19:50:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-707" href="http://www.torcedorcoral.com/postagens-de-outros-torcedores/uma-ajudinha-para-um-time-aleijado/attachment/dinheiro/"><img class="aligncenter size-full wp-image-707" title="dinheiro" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2008/06/dinheiro.jpg" alt="" width="400" height="305" /></a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-707" href="http://www.torcedorcoral.com/postagens-de-outros-torcedores/uma-ajudinha-para-um-time-aleijado/attachment/dinheiro/"><img class="aligncenter size-full wp-image-707" title="dinheiro" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2008/06/dinheiro.jpg" alt="" width="400" height="305" /></a></p>
<p>Pretendia tratar de um assunto diferente. Minha idéia inicial era publicar hoje um artigo sobre um ex-diretor coral, com passagem recente pelo clube, que me deixou uma boa impressão como pessoa e como profissional, mas a decisão do campeonato pernambucano de ontem me fez adiar os planos.</p>
<p>Mesmo assim, deixo claro que não pretendo falar do jogo ou dos times especificamente. Deixo, como sempre fiz, nossos adversários para lá, quer seja por suas vitórias, quer seja por suas derrotas, pois o que me interessa e o que me diz respeito é o Santa Cruz.</p>
<p>O título conquistado ontem por um de nossos rivais é mais um capítulo da nova ordem do futebol brasileiro, iniciada na segunda parte da década de 80. Capítulo este que prefiro chamar de <em>regime de exceção</em>, onde os privilégios são para poucos e a míngua, para muitos. Em outras palavras, uma minoria se dá bem em detrimento da maioria. Assim, inverte-se a lógica e a exceção torna-se a regra. Para os que ainda não me compreendem, falo das prerrogativas e dos privilégios que dão o direito a um punhado de clubes de participar de um campeonato de futebol em condições de excepcional desigualdade, onde o acesso ao dinheiro gordo faz toda a diferença e enterra o brioso, mas utópico e ingênuo princípio do esporte, onde o importante é competir.</p>
<p>Esta diferença torna-se ainda mais gritante em Pernambuco e em Goiás – o Atlético-GO é, ao meu ver, a exceção temporária ao regime de exceção, pois a fonte de seus recursos não tem o caráter permanente, como aquela garantida religiosamente pelo Clube dos 13 – onde há apenas um clube que goza de tais privilégios.</p>
<p>No âmbito local, chamo este regime de exceção de <em>a coisa excetuada</em>, por razões óbvias. Essa condição privilegiada vem, aos poucos e silenciosamente, enfraquecendo o nosso campeonato e levando clubes tradicionais, como Náutico e Santa Cruz, à morte lenta e gradual, pois se perde a possibilidade de competir em condições de igualdade, não pelo merecimento alheio, mas pelos privilégios concedidos por uma entidade elitária, a partir de sua associação com uma rede de TV. Mais do que isso, toda essa conjuntura asfixiante conta com a conivência ou, no mínimo, com a omissão do poder público, que deveria zelar pelo principal esporte do país, e da CBF, mais preocupada com os milhões gerados pela seleção brasileira do que com as mazelas do nosso futebol.</p>
<p>As duas últimas décadas aqui na terrinha refletem bem a nova ordem. Enquanto o atual campeão pernambucano foi penta duas vezes, o Santa Cruz ganhou apenas dois títulos estaduais. É bem verdade que nos últimos trinta anos reinaram nas Repúblicas Independentes do Arruda a pilantragem ou a incompetência, com raras e honrosas exceções. Isso quando as duas não andaram de mãos dadas, lado a lado. Mas as gestões desastrosas que passaram por nosso clube não explicam o contexto desse parágrafo, por uma razão simples. Se temos as nossas mazelas – que não podem ser minimizadas com a intenção deliberada de não enfraquecer o argumento contrário à legitimidade do regime de exceção – os outros igualmente também as têm, em maior ou menor grau. Por isso, elas por si só não justificam a diferença gritante entre um grupo de afortunados e  outro de miseráveis. A pilantragem e a incompetência, infelizmente, são regras no futebol brasileiro, não exceções. Assim, parafraseando uma campanha publicitária nacional, os nossos pilantras e incompetentes não são piores do que os pilantras e incompetentes dos outros.</p>
<p>Se todos são iguais na pilantragem e na incompetência, a chave para explicar tão grande distância entre uns e outros, não é novidade para ninguém, está mesmo no istmo entre os privilegiados e excluídos provocado pelo Clube dos 13. A manutenção do <em>status quo</em> de alguns representa a aniquilação a longo prazo de outros. Por causa desse sistema maldoso, sei que vamos morrer, só não sei o dia.</p>
<p>Assim, pergunto-me, com retumbante insistência, onde está o mérito em ser campeão com favorecimentos tão desleais? Quem é mais digno de aplausos, o campeão pernambucano, que recebe uma mesada mensal, como um típico filhinho de papai, ou o Santo André, vice-campeão paulista, que deixou para trás três gigantes favorecidos pelo mesmo regime de exceção?</p>
<p>Mas vale lembrar aos nossos diletos adversários locais no mundo da bola que mesmo entre os eleitos do regime de exceção também há desigualdade. Se no âmbito local o dinheiro fácil vale muito, no âmbito nacional ele não passa de alguns trocados. Assim, o mesmo clube que detém a hegemonia do futebol pernambucano, não passa de um mero figurante nas competições nacionais. Sua possibilidade de fazer uma campanha melhor no campeonato brasileiro é proporcional à nossa chance de conquistar um título estadual.</p>
<p>A competitividade só voltará a ter vez no futebol brasileiro, quando os critérios de divisão dos recursos gerados pelas competições forem mais justos. Para tanto, basta que nos espelhemos nas soluções encontradas por outros países. Garanto que em muitos deles há critérios mais razoáveis. Que o diferencial financeiro entre uma e outra agremiação seja conquistado por seus próprios méritos, através de gestões sérias e competentes, de ações de <em>marketing</em> para valorização da marca, da força de sua torcida e de contratos com patrocinadores ou outros caminhos igualmente viáveis.</p>
<p>A diferença entre os excluídos, hoje reduzidos a meros figurantes locais, e os figurantes de luxo no cenário nacional é que entre nós não há ilusão. Há tempo temos a consciência que as partidas e os campeonatos são ganhos fora das quatro linhas. O futebol brasileiro, aquele que de fato entra em campo, vive na ilha da fantasia.</p>
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		<title>Ensaio sobre o desgosto</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Feb 2010 16:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-3626" href="http://www.torcedorcoral.com/artigo/administracao-do-caos/attachment/caos/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3626" title="caos" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/08/caos.jpg" alt="" width="330" height="335" /></a></p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-3626" href="http://www.torcedorcoral.com/artigo/administracao-do-caos/attachment/caos/"><img class="aligncenter size-full wp-image-3626" title="caos" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/08/caos.jpg" alt="" width="330" height="335" /></a></p>
<p>Não é de hoje, nem de ontem, que ando desgostoso com o futebol. Meu desgostar é bem mais antigo e bem mais profundo. Quarenta e três anos é idade pouca, mas também é muita. E talvez venha da idade a minha dificuldade em arrancar um novo artigo desde o meu último. Preferi parar um pouco, deixar passar. Melhor escrever alguma coisa mais leve para o <a href="http://www.estradar.com/" target="_blank">Estradar</a>, meu blog de contos e crônicas de uma gente brasileira, que já havia passado da hora. É que há momentos que é praticamente impossível ouvir, ver, falar ou escrever algo sobre o Santa. Sou torcedor de arquibancada, como qualquer outro, o que posso fazer, camaradas?</p>
<p>Não há mal nenhum em desgostar. O desgosto traz, às vezes, uma serenidade assombrosa. É que o desgosto atua como uma camisa de força na paixão desenfreada que a gente sente por um clube de futebol. Com a paixão trancafiada a sete chaves, as idéias envelhecem e tornam-se mais claras. Um pensamento velho, ao contrário do que parece, é o que há de mais inovador. Quem pensa há mais tempo, enxerga mais longe. Que o digam nossos leitores Cláudio Guimarães e Jânio, que conseguem ver de suas janelas o mundo melhor do que eu.</p>
<p>Sendo assim, a gente pensa duas, ou mais vezes, em entrar nesta ou naquela discussão. Mas vou entrar, ainda que só por um instantinho na questão da efetivação de Dado Cavalcanti, porque meu desgosto também vem do presente e entendo o debate como uma das coisas mais esplêndidas da democracia. Mas não vou com muita sede ao pote, que não carece, que minha opinião não mudará as pessoas, nem o mundo. Mas antes de falar em Dado, tratarei de outras coisas, pois no Santa há muito por desgostar.</p>
<p>Tenho, por exemplo, desgostado cada vez mais de ser conselheiro do clube. Não há nada mais apático, mais emperrado e menos funcional que o Conselho Deliberativo. Lá, não acontece nada. Ultimamente, nem reunião. E não adianta espernear, nem pedir por favor. A julgar pela despreocupação de todos, tudo deve andar as mil maravilhas no Santa Cruz. Por isso, com o andar da carruagem, dificilmente terei ânimo em sê-lo novamente na próxima gestão.</p>
<p>Desgosto também dos nossos uniformes. Achei-os de um mau gosto tremendo. No uniforme coral, a linha branca é tão tênue que me lembra outro time, além do quê o preto toca o vermelho na manga de camisa. É a primeira vez que vejo isso numa camisa do Santa Cruz. No uniforme branco, tentou-se o arrojo travestido da simplicidade, mas o que se conseguiu de verdade foi mesmo uma coisa muito sem graça, sem muita vida. Digo isso agora, porque só vi os uniformes pessoalmente na semana passada. Se querem inventar, criar coisas novas, que o façam, têm o meu apoio. Mas façam isso na terceira, quarta ou décima camisa. Desgosto em não comprar uma camisa do Santa, mas esse ano não vai dar.</p>
<p>Ando desgostoso também com os descompassos desta gestão. É um tal de ir e vir que a gente não sai do canto. Quem não se lembra do lançamento, ainda no ano passado, do plano de ação para 2010? Foram criados não sei quantos conselhos consultivos (futebol, marketing e mais um, creio eu, que não recordo agora). Na apresentação do plano ao Conselho Deliberativo, fui à tribuna, assim como outros conselheiros, e disse que não acreditava que nada daquilo desse certo. O presidente, inclusive, demonstrou chateação comigo, porque chamei o plano de maquiagem, por não encontrar uma palavra melhor. FBC tinha razão em desgostar da palavra que usei, mas eu tinha razão em todo o resto. Passados seis meses, nenhum dos conselhos existe mais. Talvez exista o último, exatamente o que não me lembro. O esquecimento também me dá desgosto.</p>
<p>Tenho um desgosto mais profundo por uma das torcidas organizadas e sua mania de invadir, de peitar, de querer impor no grito. Diálogo, amigos, ainda é o melhor caminho. No dia em que desacreditar disso, o desgosto será total e irreversível.</p>
<p>Da mesma forma, tenho um desgostar danado com a repetição de erros. É aí que chego finalmente ao nosso treinador. O que disse sobre a contratação de Sérgio China, tempos atrás, serve perfeitamente para a efetivação de Dado Cavalcanti. Caímos, nesta gestão, duas vezes na armadilha da inexperiência. Não duvido da capacidade do novo treinador, mas ela praticamente não foi posta à prova. O título estadual pelo Ulbra-RO e a Copa Pernambuco ainda não o credenciam para assumir o Santa Cruz, especialmente em momento tão conturbado. Acredito em seu potencial, mas tudo tem seu tempo. O Santa continua orbitando entre a contratação de um técnico absurdamente inexperiente e outro absolutamente ultrapassado. Já disse isso antes e está ficando chato repetir.</p>
<p>Ah! Em tempo, ao contrário de alguns tricolores, não vi melhoria alguma no time contra o Ypiranga. Foi uma lástima só. Dado pode até dar certo, mas será uma margem de risco bem maior do que um técnico com <span style="text-decoration: underline;">alguma</span> – grifo como um grito – bagagem. Não é preciso contratar um técnico a nível nacional, nem mesmo da primeira divisão, mas alguém que esteja em ascensão no futebol e não apenas principiando a carreira.</p>
<p>Talvez o meu desgosto seja fruto do meu envelhecimento precoce como torcedor. Tenho a impressão que os tricolores envelhecem três vezes mais rápido que a média nacional. Mas prefiro ser assim a achar que tudo dará certo baseado apenas na esperança. Às vezes, a esperança não é a última a morrer. O ordenamento lógico do pensamento morrerá depois, quando não sobrar mais nada, nem mesmo o desgosto.</p>
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		<title>Psicografia de um fantasma</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 13:50:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4638" href="http://www.torcedorcoral.com/opiniao/psicografia-de-um-fantasma/attachment/psicografia/"><img class="aligncenter size-full wp-image-4638" title="psicografia" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/02/psicografia.jpg" alt="" width="300" height="420" /></a></p>
<p>Hoje, depois de alguns dias, uma multidão tentou voltar à normalidade. Saímos de casa para trabalhar, cuidar dos estudos ou de nossas vidas, mas nos pusemos mesmo foi a perambular. Batendo pernas, olhei para a multidão e&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-4638" href="http://www.torcedorcoral.com/opiniao/psicografia-de-um-fantasma/attachment/psicografia/"><img class="aligncenter size-full wp-image-4638" title="psicografia" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2010/02/psicografia.jpg" alt="" width="300" height="420" /></a></p>
<p>Hoje, depois de alguns dias, uma multidão tentou voltar à normalidade. Saímos de casa para trabalhar, cuidar dos estudos ou de nossas vidas, mas nos pusemos mesmo foi a perambular. Batendo pernas, olhei para a multidão e enxerguei em nós uma legião de desafortunados – para os que preferem abrandar o sentimento – ou desgraçados – para os que já não têm mais o pudor de expor as vísceras em praça pública.</p>
<p><em>Em seguida, me senti um homem de sorte. Tenho sorte de ser um velho ou um pouco mais velho do que fui ontem. Isso, ao menos, me deu a oportunidade de ver alguma glória, de assistir toda aquela geração de craques que passaram pelos nossos gramados. Por isso, tenho pena dos mais jovens. Esses sim pertencem a uma geração de frustrados. Não viram nada de bom. Apenas sofreram. Não foram forjados tão-somente na dor, mas na falta de esperança.<a href="#_edn1"><strong>[i]</strong></a></em></p>
<p>A derrota da última quarta foi apenas mais uma derrota. E seria mais uma derrota, se ela não viesse acompanhada da desesperação, do estado de consciência e desânimo de quem se julga numa situação sem saída. Talvez, por isso, a derrota já não gere mais revolta. Longe disso. O coração já não se encontra mais insatisfeito, condição indispensável para botar o mundo em ebulição. Já não cobramos resultados, nem exigimos mais isso ou aquilo. De tão insaciados, nos saciamos com o vazio. Bebemos o vazio, como se bebe água, só que sem a saciedade que a água traz. Agora, saímos às ruas calados. Nos pomos a perambular, andar por andar, sem graça, amedrontados com o possível desfecho que nos espera lá na frente, incapazes que somos de mudar o nosso próprio caminho. Não parecemos mais torcedores. Mais parecemos mortos-vivos vagando numa cidade fantasma. Talvez seja isso mesmo: todos nós tricolores nos tornamos fantasmas.</p>
<p>Reconheço em FBC a virtude da novidade. Também reconheço nele a melhor oportunidade que tivemos nos últimos tempos para sair do chão. Reconheço ainda mais a sua tentativa, cada vez mais solitária, de levantar o clube e a capacidade que poucos têm de captar recursos. Mas reconheço, mais que tudo, que até aqui FBC tem fracassado. Embora necessário e importante, não foi o bastante reformar o estádio ou trazer a seleção brasileira para jogar no Arruda. Talvez, ele não tenha compreendido o mundo da bola e tenha trazido, cá pra dentro do clube, a lógica da política partidária, cujo empreendedorismo se dá bem mais na execução de obras, possivelmente pela visibilidade que as obras dão. Talvez ele não tenha compreendido que, como presidente de um clube de futebol, administre paixões. E mesmo fincando-se o pé na questão do empreendedorismo, por certo, esqueceu do básico &#8211; não necessariamente fácil, mas ainda assim básico &#8211; de manter uma escrituração contábil, de botar nas ruas uma campanha de sócios, de buscar a modernização administrativa do Santa Cruz, de prepará-lo para o futuro.</p>
<p>Também ao tenta acomodar quem não podia ser acomodado em sua mesa, achando, por certo, que agradava à torcida, FBC trouxe parte dela contra si, amargou as primeiras oposições dentro do Conselho Deliberativo e condenou o nosso futebol ao continuísmo. Misturou quem não se mistura e deu ouvidos a quem não tem mais o que dizer. Submeteu-se ao passado, ciente do fracasso do seu primeiro ano de gestão no futebol, ao invés de tentar buscar o novo de novo.</p>
<p>FBC caiu na mesmice de contratar técnicos absurdamente inexperientes ou absolutamente ultrapassados. Também se assemelhou aos nossos infelizes ex-dirigentes ao persistir no erro, como na inexplicável manutenção de Lori Sandri, que cultiva o péssimo hábito, tão comum aos afeitos à mediocridade, de expor publicamente o clube que lhe paga o salário, apenas para justificar o injustificável.</p>
<p>Apesar de tantos baques, nosso apego ainda muito vivo a FBC vem de uma única razão: não há ninguém à vista que possa nos dar alguma esperança. Temos essa mania de procurar um messias, por mais que a neguemos por três vezes. Sonhamos com um Xeque árabe que sustente nosso clube. Mas, não é de hoje, a esperança nos deixou na mão. FBC tinha e – prefiro acreditar, em nome da minha sanidade mental, ainda tem – potencial para levantar o Santa Cruz. Mas passados mais da metade de sua gestão, o potencial se solidifica, dia-a-dia, como frustração.</p>
<p>Se terminar assim seu mandato, sem acrescentar nada ao nosso futebol, FBC também será como um de nós e perambulará pelas ruas da cidade feito um fantasma, ainda que no terceiro dia ressuscite pelas mãos da política partidária. Nós, ao contrário, continuaremos vagando por aí sem mesmo saber que já estamos mortos.</p>
<hr size="1" /><a href="#_ednref1">[i]</a> Inspirado numa conversa com Artur Perrusi.</p>
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		<title>Uma opinião diferente</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 03:00:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Josias de Paula Jr.</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1032" title="caminhos" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2008/09/caminhos.jpg" alt="caminhos" width="350" height="227" /></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota da redação:</strong></span></p>
<p>Este texto foi escrito no dia 16/12/2009.</p></blockquote>
<p>Tenho sido, aqui no TC, uma voz solitária a favor da negociação envolvendo o Santa e a Arena Capibaribe. Sei que é difícil argumentar contra a multidão,&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1032" title="caminhos" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2008/09/caminhos.jpg" alt="caminhos" width="350" height="227" /></p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota da redação:</strong></span></p>
<p>Este texto foi escrito no dia 16/12/2009.</p></blockquote>
<p>Tenho sido, aqui no TC, uma voz solitária a favor da negociação envolvendo o Santa e a Arena Capibaribe. Sei que é difícil argumentar contra a multidão, mas tentarei ao menos expor uma opinião diferente daqueles que negam a possibilidade do Santa Cruz encampar o projeto em São Lourenço.</p>
<p>Penso que a questão envolve dois aspectos: 1. Qual a melhor proposta para Pernambuco: a Arena Coral ou a Arena Capibaribe? 2. Caso a Arena Capibaribe seja a opção escolhida, qual deve ser nossa atuação? Para a primeira questão respondo: a Arena Coral é o melhor projeto. Por uma série de aspectos que já estão bastante conhecidos, tais como valor total de implementação, benefícios para o Recife etc. Toda a polêmica concentra-se no segundo ponto. Há uma parcela expressiva da torcida que se nega a discutir qualquer proposta, se nega a “abandonar” o estádio do Arruda, a ir assistir jogos em São Lourenço e por aí vai&#8230;. É aqui que danço valsa em compasso quaternário.</p>
<p>Em minha opinião, a decisão pela construção da Arena Capibaribe já está tomada e consolidada, ou seja, não haverá “plano B”. Mas, a despeito desta decisão, o consórcio público-privado precisa muito dos clubes. Aqui radica o “x” da essência do espaço onde se dará a negociação. O Santa depende mais da Arena Capibaribe, ou o consórcio depende mais do tricolor? É claro que o consórcio é mais dependente e isso nos dá um bom ponto de partida para a negociação! Como em qualquer negociação, a primeira proposta do Governo está longe de nos contemplar. Porém, podemos e devemos apresentar uma contraproposta que nos seja vantajosa, que nos traga viabilidade financeira contínua, que nos transforme de um clube falido para um com sólida base de recursos.</p>
<p>No tropel das informações que caracteriza o nosso mundo alguns pontos possíveis de negociação foram adiantados: assunção de parte do passivo do clube; construção de um CT; valor de bilheteria mínimo garantido; diminuição do número de jogos obrigatórios em São Lourenço; vantagens comerciais na exploração da Arena. É por aí que devemos argumentar e pleitear. Some-se a isso o fato de que nosso atual patrimônio na Av. Beberibe (sede, estádio, terreno) não será alienado. Poderemos explorá-lo também. Há de se fazer um estudo técnico, em resumo, e elaborar uma contraproposta que mude a face do clube. Sendo assim, questiona-se: por que não negociar?</p>
<p>Fala-se em passado, em tradição, na história do Arruda, de estádio construído com o suor do povo&#8230; Tal tipo de argumentação me parece a mais descompromissada com os destinos do clube e a mais extemporânea. Afinal, torcemos para o Arruda ou para o Santa Cruz?! Este último é muito mais antigo que seu campo, o qual nem sempre foi um “colosso”. Se podemos construir um futuro hoje incerto, para que se aferrar ao passado? O futebol nos dias atuais não tolera romantismo, saudosismo, amadorismo. Eu quero um clube vencedor, forte, e para isso é preciso muito, mas muito dinheiro mesmo. O Arruda não nos assegura nada!! Desde sua última ampliação, o Santa só venceu 5 campeonatos fazendo a final no mesmo (1983, 1990, 1993, 1995, 2005). Por outro lado, quantas finais perdemos “em casa” (1984, 1985, 1989, 2001, 2002, 2004, 2006), sem contar os sucessivos vexames nacionais, quedas de divisão assistidos por “casa cheia”&#8230; O Arruda, além do mais, representa um enorme custo de manutenção.</p>
<p>Existe, ainda, uma dicotomia no debate atual que acho lamentável. Em geral, pensa-se assim: o projeto da Arena Coral é cercado de santos e virtude; o da Arena Capibaribe, de pecados e Judas. Ora, o projeto da Arena Coral foi gestado no famigerado mandato de Edson Nogueira sob a batuta de Esteves e Caixero!! Minha gente, há “interesses” tanto em um como em outro!! Interesses coletivos e individuais, mais e menos saudáveis ao Tricolor.</p>
<p>Os apelos de João Caixero na reunião do Conselho Deliberativo de ontem, fazendo eco a sua peregrinação pelas resenhas das rádios no horário da tarde, contra a negociação Santa-Arena Capibaribe, fazendo alarde para o perigo do clube se extinguir (logo quem afirma isso&#8230;), são patéticos. Não costumo estar ao lado dele nos assuntos que interessam ao Santa. Ele para mim representa e encarna tudo o que há de mais atrasado no Santinha. Mais uma vez estamos em lados opostos.</p>
<p>Peço apenas que todos nós reflitamos.</p>
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		<title>Tempestade em copo d&#8217;água</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 03:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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<p>Recentemente, um grupo de tricolores, aproveitando o vácuo deixado pelo futebol coral, se reuniu para movimentar a sede do clube, através de animadas peladas no campinho de terra batida do Santa Cruz.</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3788" title="tempestade" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/09/tempestade.jpg" alt="tempestade" width="400" height="282" /></p>
<p>Recentemente, um grupo de tricolores, aproveitando o vácuo deixado pelo futebol coral, se reuniu para movimentar a sede do clube, através de animadas peladas no campinho de terra batida do Santa Cruz.</p>
<p>Até então não tinha escrito uma linha sobre esse torneio de futebol dos amigos corais, porque com tantos problemas enfrentados pelo clube, como a eliminação da Série D na primeira fase e uma crise política do tamanho do mundão, achava, sinceramente, insignificante trocar o foco por algo tão prosaico. Porém, hoje resolvi falar da tal pelada e do tal campinho.</p>
<p>Em primeiro lugar, gostaria de explicar minha razão. Tocarei no assunto, porque a pelada saiu do campo – literalmente – do lazer para entrar na seara política. E é sobre esse prisma que abordarei a questão.</p>
<p>Não é novidade para ninguém que, embora reconheça os feitos de FBC à frente do clube, como a reforma do estádio, tenho sido crítico em relação à sua gestão no que concerne a modernização administrativa do Santa Cruz. É claro, não esperava que ele, apesar do seu calibre político e gerencial, organizasse o clube em apenas dois anos. Entretanto, carregava comigo a esperança que o presidente, com sua formação acadêmica e experiência profissional, pudesse dar o pontapé inicial na modernização do Santa Cruz e seguisse o exemplo do Vitória e de alguns clubes espalhados pelo país. Defendo, e sempre defendi, que o futebol é um negócio e como negócio a gestão não deve concentrar boa parte de seu tempo em apenas  apagar incêndios. Esperava, e ainda espero, que FBC conseguisse, ou ao menos tentasse, romper de vez com este modelo arcaico de gestão e esta herança maldita deixada por seus antecessores.</p>
<p>Porém, vamos dar a César o que é de César. É justamente no momento em que o presidente consegue atrair investimentos para um clube carente de recursos e com sérias dificuldades para gerar receitas que alguns torcedores levantam a bandeira do protesto. O campinho, que é ou foi por muito tempo um lixão a céu aberto, transformou-se em palco de uma luta política típica de rebeldes sem causa.</p>
<p>Cocei a cabeça, conversei com meus botões e fiquei sem respostas para a seguinte pergunta: nossos amigos tricolores estão indignados contra o quê, afinal?</p>
<p>Para entender melhor a questão, bastei dar apenas um telefonema. Liguei para José Augusto de Paula, Presidente da Comissão Patrimonial e condutor da reforma do Arruda, para buscar informações sobre o polêmico investimento no campinho de terra batida.</p>
<p>José Augusto me informou que o contrato ainda não foi assinado, porque o Departamento Jurídico do clube propôs algumas alterações, mas que, no mais tardar, na próxima semana, estará tudo preto no branco.</p>
<p>O contrato, segundo José Augusto, prevê arrendamento de 10 anos do espaço e investimentos que giram em torno de R$ 400 mil. Nos termos contratuais, há a previsão da construção de dois campos de futebol society com iluminação, banheiros individuais, uma lanchonete e uma extensão da lojinha do clube que, assim como todo o resto, ficará aberta até as 22 horas. Pelo arrendamento, o clube terá uma receita mensal de R$ 2,5 mil que corresponde a R$ 30 mil anuais. Todo o acesso à nova estrutura será externo, sem trânsito dos freqüentadores pela área social. Além disso, FBC pretende utilizar a nova estrutura para realizar uma pequena ação social nas favelas da região. Para tanto, serão reservados dois horários semanais, onde funcionarão escolinhas, pelo período de 60 dias cada, cujos atletas-mirins serão observados por olheiros do Santa Cruz.</p>
<p>Ao final da conversa, o presidente da Comissão Patrimonial se prontificou a nos enviar uma cópia do contrato para divulgação no blog, tão logo ele seja assinado. Mais transparência é impossível.</p>
<p>Pessoalmente, não tenho a menor idéia se o valor de R$ 2,5 mil mensais estipulado no contrato é ou não justo para o espaço a ser ocupado. E, embora entenda que esta é uma boa questão para discussão, não costumo opinar sobre algo que não tenho o mínimo de conhecimento de causa. Ainda assim, uma coisa está bem clara para mim. Um local onde havia apenas lixo e sujeira receberá um bom investimento e contribuirá para dar alguma vida social decente ao clube.</p>
<p>Para reflexão, deixo outra questão. Se o Arruda, onde treinam os jogadores profissionais, ficou paralisado durante a reforma do estádio, qual é o problema do campinho passar um tempo sem pelada? Além do mais, o investimento não impedirá que a bola continue rolando depois que a nova estrutura estiver pronta. A única diferença é que seus freqüentadores passarão a contar com um local adequado e confortável, como sempre, aliás, exigimos no Arruda.</p>
<p>Já li e ouvi comentários de toda sorte para protestar contra este investimento. Um deles trata da cultura do arrendamento utilizado por esta administração. Foi assim com a loja do clube, será assim com a área do campinho. Embora esta seja uma preocupação pertinente, contra esse argumento levanto a seguinte questão: teria o Santa Cruz, por suas próprias pernas, condições de investir e cuidar de projetos estruturadores? Acredito que não. Um clube que tem dificuldades em pagar em dia a folha de seus funcionários dificilmente terá recursos próprios para investir em seu  patrimônio e extrair dele alguma receita. A saída encontrada pela diretoria é a formação de parcerias com empresários e investidores. E quem investe, obviamente, não costuma rasgar dinheiro. Ao contrário, investe para ter retorno financeiro. Assim, a única ressalva que faço é que haja uma análise cuidadosa no contrato para garantir que o Santa não tenha qualquer prejuízo no presente ou no futuro.</p>
<p>Dito isto, enxergo toda essa celeuma em torno deste investimento como uma contradição. Queremos investimentos para o clube, mas, ao mesmo tempo, lutamos contra ele por causa de uma pelada num campinho de terra batida. Francamente, nunca vi uma discussão tão inútil, tola e sem sentido em toda a minha vida. Além do mais, entre um investimento estruturador e uma pelada semanal – que, aliás, será apenas paralisada temporariamente – fico, sem pestanejar, com o investimento.</p>
<p>Pensar diferente disso é pensar pequeno em relação ao Santa Cruz. Quando a futilidade torna-se uma questão política, cria-se, inevitavelmente, uma tempestade num copo d’água.</p>
<p>Para quem ainda não percebeu, a crise política do Santa Cruz  está em outro lugar. Bem longe do campinho de terra batida.</p>
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		<title>Sinal de alerta</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Sep 2009 21:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3682" title="sinal-de-alerta" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/09/sinal-de-alerta.jpg" alt="sinal-de-alerta" width="310" height="310" /></p>
<p>Cheguei da reunião do conselho, tomei um banho e tentei dormir. O sono não veio. Os assuntos travados por lá não me deixaram relaxar. Às vezes, fico com raiva de mim mesmo ao perceber que o Santa&#8230;</p>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3682" title="sinal-de-alerta" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/09/sinal-de-alerta.jpg" alt="sinal-de-alerta" width="310" height="310" /></p>
<p>Cheguei da reunião do conselho, tomei um banho e tentei dormir. O sono não veio. Os assuntos travados por lá não me deixaram relaxar. Às vezes, fico com raiva de mim mesmo ao perceber que o Santa Cruz ainda tira o meu sono. Apenas a preocupação legítima com a família e os amigos tem autoridade para tanto.</p>
<p>Tentei assisti a um filme e tomar um gole d’água. O sono, que costuma reagir a rotinas, falhou outra vez. Percebi que precisava passar para o papel virtual as minhas percepções do que aconteceu ontem. Transferiria para o computador todas as minhas angústias. Quem sabe assim, dormiria tranqüilo. Ao terminar de escrever, não gostei do artigo. Não gostei das palavras que escolhi. Há momentos em que as palavras devem ser bem escolhidas. Por isso, refaço tudo agora. A noite já não é mais uma criança e estou cansado. Assim, antecipo minhas desculpas pelas falhas ocasionais.</p>
<p>Ontem, tive a impressão que FBC toma conhecimento do que escrevemos no <a href="http://www.torcedorcoral.com/">Torcedor Coral</a>. O presidente, ao que parece, sabe de nossas proposições e críticas e isso muito nos honra. Durante suas palavras finais, o presidente comentou sobre alguém insinuar que a loja do clube iria fechar. Talvez não, mas achei que foi comigo, por causa do meu artigo anterior. Na dúvida, tento esclarecer o que disse.</p>
<p>O que quer e o que pode esta língua? As palavras às vezes traem e nem sempre o que foi dito ou escrito é ouvido ou lido como de fato disse ou escreveu o autor. Se FBC fez essa leitura em relação ao meu texto, ele transformou um período composto por subordinação – uma oração principal e outra subordinada adverbial condicional – num período simples, quando retirou da minha frase “se não houver vendas&#8230;”. Assim, ao contrário da interpretação presidencial, não disse que a loja iria fechar. Disse, isto sim, que a loja – assim como o Santa Fidelidade, que ele também rebateu – está implantada, mas ainda não está consolidada. A paralisação das atividades do futebol, tento deixar mais claro agora, tenderá a reduzir a freqüência de torcedores circulando na sede do clube. Assim, alertei sobre um risco, pois não sou Nostradamus e não costumo espalhar o pânico coletivo.</p>
<p>Devo confessar que eu também errei, mas em outra questão. Durante o meu discurso na tribuna do conselho, procurei uma palavra que definisse o que penso a respeito do plano apresentado, mas não encontrei. Fiz a ressalva sobre isso e concluí que não considerava as ações propostas como uma retomada da profissionalização, mas apenas uma maquiagem.</p>
<p>O presidente não gostou, presumo. Afinal, ele se dirigiu diretamente a mim e contestou. Dito assim, pareceu deselegante da minha parte dizer que o plano do presidente é uma maquiagem. Esta não foi minha intenção. Escolhi mal a palavra, reconheço, e peço que o presidente não me leve a mal. Por isso, direi agora, de forma mais clara, o que penso.</p>
<p>O plano proposto, em minha opinião, não conduz o Santa Cruz ao trilho da profissionalização. Há uma série de comissões espalhadas para todos os lados, algumas boas e outras nem tanto. Não vejo plano para estruturação dos departamentos do clube e qualificação da mão-de-obra, por exemplo.</p>
<p>A Comissão de Construção do Centro de Treinamento e a Comissão Consultiva Empresarial, por exemplo, entendo como boas soluções. Na primeira, trata-se de um trabalho provisório e, sendo assim, não há que se criar um departamento para a questão. A segunda tem mesmo um caráter consultivo, portanto, cabe bem dentro do nosso organograma da forma como foi proposta.</p>
<p>Já no marketing, por exemplo, entendo que a solução deveria se dar através da estruturação de um departamento no clube. Claro, entendo que não há porque recusar a contribuição de quem entende do assunto, como bem colocou o presidente, mas comissões vão e vêm, departamentos não. É claro que alguns dos integrantes da Comissão Consultiva de Marketing podem trazer idéias e soluções, mas na prática, minha percepção é que eles terão mesmo é que botar a mão na massa, já o marketing do clube possui, salvo engano, apenas um funcionário que é formado em área diversa daquela realmente necessária.</p>
<p>Na outra ponta, gosto particularmente da idéia da contratação de um Diretor de Futebol Remunerado e também de um Auxiliar Técnico permanente. Entretanto, sou radicalmente contra a criação da Comissão Consultiva de Futebol. Aí não cabe consulta. Ou a comissão manda ou não manda, mesmo que fique, como entendo correto, subordinada ao presidente do clube. Depois da abordagem de um conselheiro, FBC, inclusive, cogitou que o Diretor de Futebol Remunerado fosse o presidente da tal comissão. Ora, sendo assim, está provada a sua descaracterização como consultiva, pois seu presidente seria um executivo e executor no clube. Além disso, tenho sérias dúvidas se os integrantes dessa comissão se contentarão apenas em sugerir. Um e outro, talvez. No fundo, ainda que alguns entendam que não, entendo que o trabalho desta comissão tem característica de um colegiado de futebol. Nesta linha, tanto quanto eu, entenderam e se posicionaram diversos conselheiros.</p>
<p>Há outra coisa em questão. Há algumas posições antagônicas entre os seus componentes. Um dos novos membros desta comissão, aliás, pregou a união de todos em meio a palavrões e chamou, com toda pureza d’alma, seu futuro colega de trabalho de incompetente. A comissão, ao que parece, já começou errada e FBC será forçado a administrar divergências e vaidades.</p>
<p>Há ainda a rejeição de parte da torcida em relação aos nomes postos na mesa. FBC deve ter suas razões, mas ao arriscar-se a trazer de o LEF de volta, ele também se arrisca a arranhar seu prestígio junto à torcida.</p>
<p>Na prática, acende-se o sinal amarelo, pois como o presidente não pretende concorrer à reeleição, ele abre  uma brecha para que o LEF retorne já no próximo pleito. Caso isso aconteça, o Santa  dará um passo para trás no caminho da construção de uma administração profissional que trate o futebol como um negócio.</p>
<p>Talvez o presidente não entenda, assim como alguns tricolores, mas nossas críticas, ao contrário do que possa parecer, procuram mostrar que, para nós, algo precisa ser mudado.</p>
<p>Garanto que somos sinceros e não há qualquer outro interesse, além do bem do Santa Cruz. Criticando FBC da forma como fazemos, acreditamos que somos amigos bem mais leais de sua gestão do que muita gente que possa estar ao seu redor.</p>
<blockquote><p><span style="text-decoration: underline;"><strong>Nota da redação:</strong></span></p>
<p>Este artigo foi escrito durante a madrugada, mas por razões profissionais, já que o autor como todo mundo também precisa trabalhar, só pôde ser publicado agora.</p>
<p>Aproveitamos também para dizer que, por falha no dispositivo anti-spam do blog, alguns comentários estão sendo tratados pelo WordPress, nosso gerenciador de conteúdo, como spam. Com o tempo, tudo se normalizará. Pedimos aos nossos leitores que não enviem outro comentário igual e tenham paciência que, à medida do possível, eçles serão liberados.</p></blockquote>
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		<title>Fé cega, faca amolada</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 03:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dimas Lins</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-3536" title="justica" src="http://www.torcedorcoral.com/wp-content/uploads/2009/08/justica.jpg" alt="justica" width="400" height="281" /></p>
<p>Está aberta a temporada de caça às bruxas no Arruda. E os diretores de futebol do Santa Cruz são as joanas d’arc da vez. O pau anda cantando solto e não há em um só canto da cidade um tricolor que não queira queimá-los vivos em praça pública. Em grupos organizados, certamente alguém trará a madeira; outro, o fósforo; e mais outro, a gasolina. Aliás, álcool, se a fogueira for flex. Os diretores, em vão, tentarão soprar as fagulhas, mas só ajudarão a fazer o fogo se espalhar ainda mais rápido.</p>
<p>Outro dia na rua, dei de cara com uma turba louca de tricolores querendo apedrejá-los. Comovido – é verdade que passei colírios nos olhos, mas foi só para dar mais dramaticidade à cena – olhei para os céus e bradei com a voz esganiçada o apelo milenar “Senhor, perdoai! Eles não sabem o que fazem!”. Na primeira pedrada no juízo, tirei o time de campo e antes que fanáticos corais me arrancassem a pele, gritei “queima, queima!”. Melhor escapar fedendo do que morrer cheiroso, já dizia o filósofo Falcão. Estou vivo, mas ainda não tive notícias do tal diretor.</p>
<p>É verdade que os diretores de futebol têm sua parcela de culpa, mas a César o que é de César. Por isso, como Caetano, vou contra a via, canto contra a melodia e nado contra a maré, pois sinto um cheiro de carne humana assando e um jeitão de injustiça no ar. Mas antes de escrever, abro precavidamente o meu guarda-chuva e não direi que aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra, pois sei que voarão tijolos sobre mim.</p>
<p>Na abertura da reunião extraordinária do Conselho Deliberativo, FBC assumiu a responsabilidade pelo fracasso na Série D. “Eu sou o responsável”, disse o presidente. Eu acredito nele. Não, não. Eu concordo com ele. Não é retórica, juro que não é. Primeiro, porque não tenho razões para duvidar do presidente e, em segundo lugar, porque ele, em última instância,  é mesmo o maior responsável. Não digo o único, é claro, mas certamente é o principal responsável. A diferença entre FBC e os diretores de futebol é que o presidente recebeu o perdão da torcida, do conselho e da imprensa, enquanto o colegiado  está sendo execrado em praça pública.</p>
<p>Eu não consigo entender essa lógica. Ou melhor, entendo sim, a lógica da culpabilidade. Esse raciocínio perverso tem três aspectos.</p>
<p>O primeiro deles é que não há dúvidas de que não existe ninguém no cenário atual melhor que FBC para presidir o Santa Cruz. Ele já restaurou o patrimônio do clube e ainda é o único capaz de atrair investimentos. Apesar do fracasso no futebol, ainda paira sobre FBC a aura de salvador da pátria.</p>
<p>O segundo aspecto é que qualquer tricolor bom da cabeça quer manter o LEF distante do clube. O fracasso de FBC abre as portas para o Lado Escuro da Força.</p>
<p>O terceiro é que é preciso achar um culpado para a humilhante campanha do Santa Cruz na Série D. Então, nada mais razoável que os bodes expiatórios sejam os integrantes do Departamento de Futebol. Concordaria com esse ponto, se o Departamento de Futebol fosse autônomo, mas não é. Cito, por exemplo, que a contratação de Sérgio China foi uma decisão pessoal do presidente. Soube outro dia que Sérgio China não era o nome do colegiado de futebol, ao menos da maioria.</p>
<p>Há outro aspecto. O Departamento de Futebol nesta gestão, ao que parece, é meramente operacional. Na prática, participam de todas as decisões as demais diretorias do clube, com raras exceções. Assim, tem o mesmo peso na decisão sobre o futebol a opinião dos presidentes da Comissão Patrimonial e do Conselho, do vice-presidente do clube,  do Diretor de Comunicação e do colegiado de futebol. Se é assim, por que cargas d’água a responsabilidade sobre o destino do futebol recai apenas sobre o Departamento de Futebol? Se o Departamento de Futebol é todo o clube, a responsabilidade deve ser compartilhada por todos, igualmente.</p>
<p>Ao que percebo, o grande erro dos integrantes do DF foi não se impor a FBC e aos demais diretores. Se eu fosse diretor de futebol, já teria entregue o boné há muito tempo, porque na prática, como sabemos, toda a responsabilidade recai sobre quem dirige o futebol.</p>
<p>O justo, o razoável, o correto seria o presidente dizer o tamanho da extensão de sua culpa e de toda a sua diretoria. Não sendo assim, o fato de FBC assumir publicamente a responsabilidade pelo fracasso na Série D não passa de retórica.</p>
<p>A torcida, por sua vez, me lembra aquela história do marido que flagrou a esposa trasando com outro homem no sofá de sua casa e, ao invés de resolver a questão com a mulher, se livrou do sofá.</p>
<p>Enquanto a fé da torcida for cega, a faca continuará amolada. Só que apontada para o pescoço errado.</p>
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