4 jul
Tamanha é a diversidade da fauna coral neste processo eleitoral que, se Aristóteles conhecesse o Santa Cruz quando filosofou que o homem é um animal político, certamente associaria nosso clube a um zoológico. Quase não é crível a quantidade de grupos ou facções que disputarão espaço e poder nas próximas eleições. Embora muitos desses grupos tenham similaridades de pensamentos, até o momento não há sinais de união política entre eles, em torno de um objetivo comum.
Dois desses grupos já apresentaram candidatos à presidência do Santa Cruz. O primeiro candidato lançado foi Romerito Jatobá, ex-presidente tricolor responsável pela ascensão do time à Série A, em 2005, e pela queda à Série B, no ano seguinte. Apesar de levar o clube à primeira divisão do futebol brasileiro, o torcedor coral não guarda uma boa imagem de sua administração. Eu também não. Pesam contra ele um modelo ultrapassado de gestão que agravou ainda mais a situação financeira do clube e críticas relacionadas, principalmente, à falta de transparência, como no caso da divulgação da lista dos sócios aptos a votar, apenas às vésperas da eleição.
O segundo candidato é Fernando Veloso, remanescente da Confraria Ninho da Cobra, aquela mesma que lançou o diminutivo à presidência do Santa Cruz. Como grande parte dos integrantes da confraria, Veloso, de aliado, tornou-se adversário político do atual presidente. Ninguém pode censurá-lo por isso, afinal, quem não gostaria de ver longe o presidente coral mais sem noção da história? Conta a favor de Veloso sua participação ativa na campanha para afastar Édson Nogueira. Além disso, não recai sobre os seus ombros o fardo de ter sido presidente do Santa, como ocorre com Jatobá. Pode-se apenas especular a sua administração, caso seja eleito, a partir da sua aparição na mídia ou de sua participação em movimentos políticos em torno do clube. Nada mais que isso.
Os grupos que dão sustentação a Romerito Jatobá e a Fernando Veloso, ao que parece, pertencem a mundos distintos e pensam a política do clube também de forma diferente. Eles têm, a princípio, visões diametralmente opostas, o que tornam, portanto, seus pontos de vista inconciliáveis. Mas o lançamento das chapas de Jatobá e Veloso aproximou, ao menos num ponto, esses dois grupos antagônicos: o velho hábito de lançar candidatos completamente desatrelados de um programa de gestão, que, por sua vez, deveria estar amparado em um amplo debate com a torcida coral. Mantém-se, desta forma, o reprovável modus operandi de se fazer política no clube tão-somente baseada em nomes.
Personalizar um processo eleitoral mantém vivo o risco da personificação do mal, que consiste em concentrar todo o poder na figura do presidente do clube, tal qual ocorre na atual gestão. Não há garantias, nesta forma de constituição de uma chapa que, após as eleições, as decisões sejam compartilhadas com os órgãos constituídos. Também não há garantias que indiquem que os sócios tenham voz ativa dentro do clube. A única possibilidade de minimizar os riscos de uma imperialização do cargo de presidente é o comprometimento dos candidatos com um programa de gestão amplamente discutido e aprovado pela torcida coral.
Pessoalmente, não vejo surpresa no modo como foi divulgada a candidatura de Jatobá. Os torcedores mais antenados à política do clube, de fato, não esperavam outra coisa. Por isso, minha crítica não recai sobre ele, mas apenas sobre a outra ponta, da qual eu tinha outro nível de expectativa.
Não quero dizer aqui que Fernando Veloso, bem como os demais integrantes de sua chapa, não tem legitimidade para se lançar candidato. Este não é o ponto. A questão é que se esperava bem mais deste grupo de oposição. Esperava-se, por exemplo, que todos os integrantes da chapa tivessem sido consultados sobre a indicação de seus nomes que, ao que parece, não aconteceu. Esperava-se, por exemplo, que partisse deles a iniciativa de aglutinar os diversos grupos com posições semelhantes em torno de um objetivo comum.
Por isso, volto a bater na mesma tecla. É necessário um amplo debate político, alicerçado em programas de gestão, para legitimar uma candidatura minimamente viável. Qualquer outro caminho não terá acolhimento na torcida tricolor.
Em nada disso acontecendo, talvez, só mesmo a revolta dos bichos corais acabe de vez com esse zoológico político.
23 jun
Já era de conhecimento público que um processo cívil corria na justiça de Pernambuco, movido pelo Sr. José Cavalcanti Neves Filho, ex-presidente do Santa Cruz e ex-vereador da cidade do Recife, contra Samarone Lima e Inácio França, fundadores do Blog do Santinha.
Semana passada, surgiu a notícia de um novo processo. A ação é movida pelo mesmo autor e a causa parece ser a mesma: os artigos publicados no blog tricolor mais acessado de Pernambuco. Mas, desta vez, há algumas dessemelhanças com o caso anterior. Na primeira delas, Samarone é réu solitário e, na segunda, o processo é criminal. Nos autos, Zé Neves acusa o jornalista de calúnia e, caso a ação seja julgada procedente, pede o seu encaminhamento ao presídio Aníbal Bruno - como se isso coubesse ao querelante.
O processo movido por Zé Neves parece ser daqueles casos de banalização da justiça, vitimada por montanhas de ações que, por falência de argumentos plausíveis, nunca chegam a lugar nenhum. Num país onde os juízes estão afundados em um mar de processos sem fim, essas ações contribuem apenas para o aumento da morosidade judiciária e nada mais.
Também virou lugar comum que os homens públicos - tão zelosos de suas imagens polidas a custa de muito trabalho em prol da comunidade que representam - confundam críticas sobre o seu trabalho como representantes dessas mesmas comunidades com o cometimento de infrações às normas legais.
Distantes que ficaram dos interesses que representam, muito desses homens públicos se esqueceram que, pelas funções que ocupam ou ocuparam, todos eles estão sujeitos à avaliação e críticas da sociedade, como um todo. Isto faz parte do processo democrático.
A liberdade de opinião parece convenientemente esquecida pelas bandas do hemisfério sul. E isto me parece mesmo compreensível. É que, por vezes, alguns de nós se esquecem que vivemos num país livre e democrático e há mesmo quem entenda que o estado de direito seria chato demais se extensivo a todos os cidadãos.
Ao que tudo indica, os cidadãos comuns aprenderam a lhe dar com a democracia de uma maneira bem mais serena que os homens públicos.
A Samarone, nosso apoio incondicional.
A Diego Galdino, nossas reverências pela mão amiga.
Dimas Lins
Samarone Lima (artigo publicado originalmente no Estuário)
Eu sabia, por meio de amigos do meio jurídico, que corria uma ação cível contra mim e meu amigo Inácio França, também jornalista, por “difamação”. Ou seja, desacreditei publicamente de alguém, em algum dos meus muitos escritos. Fiquei quieto, aguardando o desenrolar dos fatos.
O “Mandado de Intimação” chegou na semana passada. A ação era bem mais grave: a de “calúnia”, na Oitava Vara Criminal da Capital. Neste caso, uma ação específica contra mim. Teria eu, em algum momento, jogado uma falsa imputação a alguém de fato definido como crime. Sou agora um “querelado” do Poder Judiciário.
Meu “querelante” se chama José Cavalcanti Neves Filho, ex-vereador da Cidade do Recife por quatro mandatos consecutivos e ex-presidente do Santa Cruz Futebol Clube, meu clube de coração.
Nesta quinta-feira, cheguei ao Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, que todo mundo conhece como o “Fórum da Joana Bezerra”. Usei pela quarta vez um terno bonito e calorentíssimo, comprado numa das pulgas de Paris, por três dólares. Rapidamente encontrei a Oitava Vara, que fica no final do corredor do primeiro andar. Sentei e fiquei à espera do meu advogado, o também tricolor Diego Galdino, amigo de comemorações cada vez mais raras nas arquibancadas do Arruda, nosso estádio. Então, inicio minhas anotações. As anotações de um querelado.
Sento em uma das cadeiras. São 13h30. Os advogados passam, com seus ternos pretos, alguns com pastas 007. Ao meu lado, três mulheres negras, possivelmente duas irmãs e a mãe. Todas as varas deste corredor são criminais. Elas conversam, desanimadas. “Está demorando, né?”. Uma sai, a outra vai atrás. A que fica, liga para alguém. “Oi, amor, botasse crédito no meu celular?”. Silêncio. “Não acredito. Pois vou tomar o dinheiro todinho de cachaça”. Escuto em silêncio e tomo notas.
Um advogado, bem moço, alto, limpíssimo, organizado, com um terno claro impecável, passa para a Oitava Vara. Tudo nele é polido. Ele volta, espera por algo, até sua paciência é polida. A rádio do corredor toca uma música norte-americana dos anos 80, uma daquelas românticas que dancei em alguma festa no Monte Castelo, em Fortaleza. Falava das coisas de sempre: “loving”, “hand”, “alone”, “anymore”. Faltou o “you”, mas deve ter sido distração minha. Toda canção de amor tem o “me and you”.
Olho novamente o mandado de intimação. Percebo que o nome do meu querelante saiu errado. A palavra “Neves” está escrita duas vezes. “José Neve Neves Filho”. Algum escrivão, escutando essas músicas românticas, repetiu o nome do querelante, dando-lhe uma certa redundância. Olho meu nome: Samarone Lima. Faltou o “de Oliveira”, que é meu nome completo. Sinto que comecei com uma leve desvantagem de palavras. Meu querelante tem um nome a mais, e toda a minha linhagem paterna, os “Oliveiras” foi subitamente excluída. Tudo bem, é só o começo.
As duas mulheres voltam. Falam de crédito do celular, alguma fatura para pagar do “Comprebem”. Passa uma moça excessivamente bonita, alta, com o nariz avermelhado. Está chorando, um choro contido, sem alarde, sem soluço, escondendo as lágrimas entre os dedos finos, para ocultar alguma dor. Será uma querelada? Ela entra na Nona Vara, mas deixemos a moça em paz.
Aguardo olhando, escutando. Ao meu lado, os diálogos continuam. “Alô, Diz. Nada? Ôx, vamos sair daqui cinco horas da tarde? É de que horas isso? Ôx!”. Minhas amigas estão indignadas. “O Cabra disse que vai ser lá para três e meia”.
Olho para o relógio. São 13h43.
Olho para o mandado novamente.
“Audiência de tentativa de reconciliação, nos termos do art. 520, do CPP”.
Descubro que preciso de um Código de Processo Penal. Aceito doações.
“… ficando ciente que o não comparecimento do querelante importará em extinção da punibilidade por perempção (art. 107, inc.IV, do CP e art 60. inc III, do CPP) e a ausência injustificada do querelado será interpretada como recusa em conciliar”.
“Ele disse que era de meio dia. Vai levar um baile”, diz uma das mulheres, a dona do celular, a mais exaltada, interrompendo minha leitura jurídica.
De repente, o fluxo da memória abre um clarão. Lembro de maio de 2004, quando fui acusado de “Resistência” (artigo 329 do CPB) por um sargento da Polícia Militar. Meu crime foi avisar ao chefe da guarnição policial, que os torcedores não deviam ser agredidos gratuitamente por policiais, ao final de um jogo no Arruda. Minutos depois, eu estava dentro de um camburão.
Foram três audiências no Juizado Especial Criminal do Recife, mas o sargento nunca compareceu, e a ação foi extinta.
Descubro que meu clube de coração tem me causado problemas, mas não é propriamente o clube, é uma cultura de violência, de confronto. Até a última audiência, esperei encontrar o sargento. Queria saber se ele já estava mais tranqüilo, se ele tinha revisto sua atitude profissional, dizer que aquilo tudo poderia ser de outra forma, e que no fundo, poderíamos ser amigos, tomar uma cerveja e apertar as mãos. Nunca mais o vi, mas lembro sua expressão de ódio, quando me recusei a retirar a ocorrência na delegacia. O ódio, especialmente o gratuito, sempre me deixa assombrado.
Meu advogado chega. Somos informados que o querelante não compareceu, mas justificou a ausência (caso contrário, haveria a extinção da punibilidade por perempção). A delicada atendente, Rosana, remarcou a audiência para 6 de agosto. Recebi uma cópia da queixa-crime ou “as iniciais”, como bem me avisou uma amiga advogada. São 15 páginas, redigidas e assinadas por quatro advogados. Ao final, requerem que eu seja interrogado, que sejam solicitados meus antecedentes criminais, e que terei violado os artigos 138, 139 e 140 do CPB.
O último parágrafo:
“Ao final, REQUER-SE se seja a ação julgada procedente, condenando-se o QUERELADO nas penas previstas no art. 138, 139 e 140, do CBP, designando-se o Presídio Aníbal Bruno para o cumprimento da pena”. As palavras estão escritas assim mesmo, com letra maiúsculas, o que me parece um grito.
Era uma coisa que eu nem sabia, que o querelante pode até escolher onde o querelado vai cumprir a pena.
Dali, saímos para outra Vara Criminal, onde tramita a ação contra a dupla Inácio e Samarone. É um processo gigantesco, com cinco volumes. Uma despachada funcionária traz os volumes, para nossa apreciação. Fiquei imaginando o quanto isso custa ao País. Há inúmeros Sedex com meu endereço antigo, com intimações, centenas, talvez milhares de páginas escritas,fotocópias de textos, alegações, despachos de funcionários do Poder Judiciário, carimbos, novas intimações.
Do quarto andar daquele imenso prédio, vi o Coque, e lembrei imediatamente do Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis (MABI), criado pelos jovens da comunidade, que lutam contra a violência e pela cultura no bairro. Na minha cabeça, passou o filme dos encontros na Biblioteca Popular do Coque, que funciona a 500 metros dali, mantida pela raça e resistência da comunidade. Me veio o sentimento de que o Brasil é um país onde mundos não dialogam, e por isso, tanta violência, tanta dor, tanto sofrimento, tanta raiva e tanto rancor. Tantos querelantes e querelados.
Descemos, tiramos cópia de tudo. Fui conversando com meu advogado, o Diego Galdino, uma pessoa de uma extrema gentileza e educação, um homem afável, de gestos tranqüilos e voz serena. Desconfio que ganhei um novo amigo.
Lá pelas tantas, com nossas cópias todas em mãos, já saindo do fórum, falamos do dia 6 de julho, quando o Santinha estréia na Série C, em Campina Grande, contra o Campinense. Descobrimos que estamos no mesmo ônibus, um dos 15, que vai levar a torcida ao jogo.
Meu espírito quimérico entendeu que atravessarei com serenidade mais uma querela. Aguardemos, meus amigos, aguardemos.
Para o Diego Galdino, tornado amigo.
16 jun
A decisão da Copa do Brasil, na última quarta-feira, ainda que não pareça, deixou a cidade abatida, sem viço e sem alegria. E esse sentimento veio, infelizmente, do lado de cá. Do nosso lado.
Para muitos de nós, o sentimento surgido após esta decisão lembra, ainda que de longe, uma dor similar àquela sentida nos consecutivos rebaixamentos para as séries B e C nos últimos dois anos. Mas como explicar esse sentimento ruim, se o título não diz respeito ao nosso clube?
A questão é que o título conquistado na semana passada fortaleceu um de nossos oponentes, daí a sensação de abatimento. Creiam-me, é ainda mais difícil reconhecer-se tão por baixo quando nossos adversários estão por cima. Enquanto um acaba de assegurar vaga na Libertadores do próximo ano e o outro faz uma boa campanha na Série A, nós convivemos, mais uma vez, com o medo de um novo rebaixamento.
A distância que atualmente há entre nossos adversários e nós se apresenta como uma fratura exposta, que escancara a nossa nova condição. Tornamo-nos pequenos no cenário nacional e medianos em nosso próprio Estado. Mais ainda. Não há nenhum sinal, no céu ou na terra, que indique uma mudança de rumo. A tendência - que fique claro, tendências podem ser revertidas - é que essa distância aumente ainda mais, pois, por tudo o que vivemos na atual gestão, nosso medo da Série D não é infundado.
Mas nosso maior problema está em outra questão. Nos últimos anos, a torcida tricolor se habituou à humilhação pública. A tristeza solitária contida no peito de cada um de nós, ao que parece, estancou o sangue que corre em nossas veias e nos transformou em seres resignados. Nem de longe parecemos herdeiros da tradição revolucionária pernambucana. Em nada lembramos os antepassados que construíram uma nova Roma de bravos guerreiros e fizeram desta terra imortal, imortal.
Estamos vivendo o período mais tenebroso de nossa história e, ao invés de botarmos a boca no trombone e de maneira contundente exigir mudanças, melancolicamente nos resignamos. Tanto assim que menos de 200 votantes compareceram à Assembléia Geral Extraordinária convocada para decidir sobre o afastamento do presidente. Descrença no processo? Talvez. Mas esta não parece ser a única razão e nem mesmo a mais importante. Para mim, a resposta está no conformismo. Se não é assim, onde estão, por exemplo, os protestos, as passeatas e as pressões políticas da torcida tricolor contra a pior gestão da história do clube? Por qual motivo assistimos calados à destruição de um clube de quase cem anos? Nossa passividade é assombrosa e contribui decisivamente para o enfraquecimento do Santa Cruz, pois não haverá mudanças, se não lutarmos por mudanças. Nada vem de graça.
Não há mais razão para tanta quietude. Não encontro no silêncio da torcida o caminho para a nossa reconstrução moral. Não encontro no silêncio o caminho para a reconstrução financeira, patrimonial e administrativa do Santa Cruz. Não encontro no silêncio resposta à formação de um verdadeiro time de futebol, capaz de recuperar o prestígio perdido a partir do início da década de 80. O silêncio é a aceitação tácita do conformismo. Nada mais. É preciso ter voz ativa e buscar a transformação do clube. É preciso acreditar que podemos, de fato, transformar o sectarismo que reina no Santa Cruz numa verdadeira democracia de tricolores, para tricolores e por tricolores.
Nossa luta não é apenas pelas vitórias dentro do campo. Nossa luta, mais do que nunca, é também pela vigilância efetiva dos gestores do clube. É preciso compreender o estado de coisas que estão destruindo o Santa Cruz. Nosso campo de batalha mudou e nossos maiores adversários não estão lá fora, mas dentro de casa. Nossa batalha é política e a nossa luta é contra gente de nossa gente, de sangue vermelho, branco e preto. Somos nós, e apenas nós torcedores, os únicos capazes de transformar o Santa Cruz. Mas, como disse antes, não haverá mudanças sem a vontade de mudar, nem a disposição para lutar. Nossa luta, amigos tricolores, é, em primeiro lugar, contra o fim da nossa existência e, depois, pelo direito a um novo começo. Um recomeço mais promissor, assim espero.
E onde está a chave para as mudanças de que precisamos? A resposta é simples: ela está no campo político. Por isso, mais do que nunca, é necessário se concentrar nas próximas eleições. Que comecem imediatamente as articulações políticas e que se discutam publicamente os caminhos para a retomada do crescimento do Santa Cruz.
A lição aprendida na última eleição é muito valiosa para a próxima.
Proponho a união em torno do clube. Não aquela união medíocre e desesperada entre todas as correntes e forças políticas. Além de hipócrita, ela também é nociva, pois, no curto prazo, esta união até poderá trazer algum benefício, mas certamente nos afastará por muito mais tempo dos caminhos que levam às verdadeiras mudanças. Além do mais, uma aliança desse porte indubitavelmente se baseará em concessões pessoais que manterão o Santa Cruz no fundo do poço. Essas concessões não podem e não devem ser mais aceitas pela torcida coral.
Fazer política não é se juntar com qualquer um. Não se mistura água e óleo, nem o sol pode viver perto da lua. O que proponho é a união de iguais ou, ao menos, de pensamentos semelhantes. Que se juntem do mesmo lado todos aqueles que querem modernizar o Santa Cruz e que rejeitam as práticas arcaicas entranhadas em cada sala do nosso clube. Que se expurguem dessa aliança os atrasados de pensamento, os predadores e todos aqueles que mantêm seus interesses pessoais acima do Santa Cruz. O futebol mudou e, para sobrevivermos, também precisamos mudar.
Também é necessário politizar nossa torcida e envolvê-la nas discussões relevantes. Vamos debater a política do clube entre nós. Deixemos de lado a politicagem miúda de alguns para dar lugar a um debate sério. Se quisermos mudar alguma coisa, é preciso que cada torcedor desça do muro e tome um partido. O melhor partido. E só a percepção dos nossos erros no passado e o debate político no presente serão capazes de mostrar quem é quem no jogo eleitoral.
Vamos discutir as eleições desde já. Vamos dizer, como sócios e torcedores, o que esperamos dos candidatos. Façamos um manifesto com todas as mudanças que consideramos indispensáveis. Que os candidatos mostrem a cara e se comprometam, de papel lavrado em cartório, com a torcida coral.
Estamos com os brios feridos. E, se é assim, usemos então este sentimento em nosso favor. Deixemos de lado a passividade, pois, mais do que nunca, chegou a hora de nossa torcida ter voz ativa. Afinal, queremos ou não o nosso clube de volta?
12 mai
A oposição aos maus tratos do pior presidente da história, cada dia mais se fortalece.
O pior presidente da história está isolado. O seu grupo dos 17 tricolores resume-se a cinco. Junto a ele apenas seus três bonecos, o presidente da Federação Pernambucana de Futebol e um ¨cardeal¨.
Nem os jogadores o querem como presidente. Prolongam suas férias. Querem a alforria, vão à justiça. Os funcionários estão há 7 meses sem ver a cor do dinheiro. Sentem saudades, quem diria, do presidente anterior.
A torcida, enfraquecida, está com medo do que vislumbra. Irá disputar uma série C, com sérios riscos de cairmos para a série D; afinal, irá encarar o Central (o carrasco da era do pior presidente da história). A que ponto chegamos.
Resta-nos a mobilização!
O Edital da Convocação da Assembléia Geral nos trouxe de volta a expectativa de dias melhores. Mas a torcida quer algo mais do que destituir o pior presidente da história: quer ser representada!
Alguns dos eternos opositores já se candidataram; os criadores do pior presidente da história também. Mas Fred Arruda agora aceita ser o representante. Ainda bem.
Ele sabe que conta com o apoio da torcida. Esta torcida que ficou tanto tempo atordoada e que até um desembargador atreveu-se a desrespeitar. Acha-se no direito de impedir a democracia coral. Mas não será por muito tempo.
Hoje a torcida se veste de oposição. Logo ela, sempre fiel, a única e verdadeira situação no clube. A torcida clama por justiça. E pela justiça.
Deixe-nos refundar o nosso Clube, o mais rápido possível.
Quem ama o Santa, tem pressa!
15 abr

Josias de Paula Jr.
A articulação de Édson Nogueira em torno de um grupo de pessoas, a fim de compor uma nova direção para o restante de sua gestão, parece-me dizer muita coisa. A principal delas: ele, de fato, não está só. E esse fato será de fundamental importância para a sua permanência. E aqui, agora, exponho logo minha opinião: não tenho esperanças de um afastamento de Nogueira.
A rede de apoio a Nogueira se forma por motivos variados. Mas a principal delas é a busca desesperada por reaver dinheiro investido no clube. Alexandre Ferrer - a maior decepção dessa má gestão atual - é o maior exemplo nesse sentido. Porém, há outros. Senão, como explicar o comportamento de algumas pessoas? Exemplo de Constantino Barbosa. Constantino, porventura bastante inconstante, o qual é chamado por alguns de Tininho, foi visto várias vezes desancando o atual presidente. Foi visto, por exemplo, numa manifestação de torcedores no aeroporto da cidade a esbravejar contra todos, com os pulmões quase a saltar pela boca, sua sorte sendo os bons caninos que possui. Pois é, hoje Constantino vai às rádios e acusa a oposição de irresponsável e de ser formada por aventureiros.
Há casos mais complexos, nos quais as reais motivações para uma aliança com Édson Nogueira brotam de uma concepção similar de clube. Por isso o retorno de Romerito Jatobá, da família Neves. E mais: a aproximação de figuras como Antônio Luiz Neto e Tonico Oliveira. Com esses dois últimos freqüentei, recentemente, reuniões onde se buscava articular um grupo coerente de oposição, calcado em projeto moderno e, portanto diametralmente contrário ao atual presidente. Ao que parece, as reuniões para esses senhores e a construção de um novo projeto foram nonadas.
O conjunto dos últimos acontecimentos me fez refletir e concluir que há muita chance de ser urdido um grande pacto no clube. Pacto consignado pelos velhos cardeais, os donos do clube. Se há uma coisa que essa atual gestão comprovou é: o clube nunca foi, e até agora não é, da torcida, da massa, dos sócios. Sempre foi um comitê de “beneméritos”, “abnegados”, “baluartes”. Sua história política é um sinal fortíssimo disso, com a quase ausência de renovação de quadros, a perpetuação das mesmas famílias, eleições marcadas pela suspeição e falta de transparência, etc. Tal elite às vezes teve competência. Às vezes, a distância de nosso maior rival para nós em número de títulos fala por si só…
Assim a dramática situação do clube parece estar de novo nas mãos deles. Pouco importa para tal grupo a vontade da imensa torcida (caso valesse alguma coisa tal vontade, no mínimo as eleições seriam limpas), pouco importa o desejo de milhares. O Santa seguirá sendo do neto de fulano, do filho de sicrano, do sobrinho… e dos velhos “cardeais”. Como disse, às vezes eles ganham alguma coisa. Nos últimos vinte anos, quase nada - quatro títulos apenas. É rezar e torcer.
Continuar lutando, claro! Participar da vida do clube, mobilizar, discutir, criar redes. Meu objetivo nesse momento é alertar àqueles que sonham com um Santa forte, de massa, aberto e moderno, sobre quem é quem. Não me proponho a fazer listas, embora tenha citado alguns nomes. Minha questão não é pessoal: não conheço pessoalmente a quase totalidade das pessoas que já estiveram à frente do clube; e alguns a quem conheço nutro por eles amizade. A questão não é pessoal, é política.
E nessa política é força saber, sempre, quem será contra nós?
"Comparo esta situação a uma guerra civil: ou tomamos o que é nosso ou os de sempre, disfarçados de oposição libertária, o farão."
Sérgio Travassos, por e-mail, sobre a necessidade de engajamento da torcida coral no processo eleitoral do clube.



