Passaporte

Passaporte

Ainda hoje tenho dificuldades em acreditar que aquele time de algumas rodadas atrás terminou a fase em primeiro lugar. Olho para trás com tristeza e para a frente com alegria. O responsável por essa nova atitude todos sabem, não preciso dizer. A emoção da arquibancada venceu a razão da diretoria, já dizia Artur Perrusi. Agora começa nova fase. Um reinício. Todo o esforço do clube nos últimos sete anos resume-se a duas partidas. Nosso destino não é a Série B, mas a saída da Terceira Divisão é o caminho necessário. Caímos por quatro anos consecutivos, em velocidade supersônica, e estamos voltando em doses homeopáticas. É como a corrida da lebre e da tartaruga, só que a primeira vai e a segunda vem. Para o Santa Cruz nada é fácil, estamos carecas de saber e cansados de repetir. Contudo, ainda estamos no buraco do futebol brasileiro. Não se sai daqui de salto alto, crente e abafando que já estamos lá. O Fortaleza de Vica sabe bem como é. O Santa Cruz de Vica não quer nem saber. O confronto não é de um time só. Do outro lado, eles também querem subir. Subestimar ou menosprezar o adversário é a coisa estúpida a fazer. Felizmente, este não é um defeito do Santa Cruz. Somos humildes até demais. Nunca estivemos tão perto de sair da Série C. Esta é a primeira vez que passamos de fase. Temos um grupo equilibrado, que hoje joga com raça e determinação. É preciso guardar na memória o último jogo da primeira fase, onde a acomodação com o resultado trouxe um castigo no final. O Santa precisa entrar em campo, contra o Betim, como quem tem fome de vencer e sede de chegar. É preciso ter humildade e sabedoria; força de vontade e garra. Futebol também ajuda. Time e torcida precisam tornar-se um só. A sinergia é fundamental. Está em jogo mais que uma partida de futebol. A classificação é o passaporte para sair da UTI. É a chance de acreditar que ainda temos um futuro. Que podemos fazer mais. Que podemos ser mais. É a oportunidade de mostrar que, apesar do esmagamento que o futebol brasileiro no impôs, com a conivência de administrações incapazes, ainda estamos vivos. Bem...

Leia Mais

Criança Coral

  Como passar o dia da criança sem fazer referência aos meninos e meninas que trazem nas veias o sangue coral? Considerando que todo dia é dia de criança quero demonstrar, aqui, com poucas palavras, como vejo estes seres diferenciados, como Isis (dois anos), por exemplo, que apesar de o pai ser torcedor do Sport, desde cedo o coração dela escolheu as cores de “cuissssss” para amar. Como esquecer daqueles e daquelas que, no alto de um ombro tricolor, fazem questão de expressar a alegria de torcer pelo mais querido, pois criança coral não vai a campo apenas para comer pipoca e tomar guaraná, vai para pular, torcer e tentar escrever uma história de alegrias diversa da que foi a história da nossa geração; eles e elas torcem por dias melhores, com menos dor e mais felicidade, acreditam nos jogadores que vão ajudar a escrever esta nova página que tanto esperamos. Para a criança coral, diversão não é apenas parque, zoológico ou cinema, diversão é vestir uma camisa nas três cores e demonstrar todo seu amor pelo Gigante do Arruda; é ter coragem de ir pra escola e, no meio da ferrenha pressão de torcedores de TV, dizer que é Santa Cruz e não ter medo de ser feliz; é ser resiliente nas adversidades e participativa nas conquistas, é saber que dentro ou fora das quatro linhas sua contribuição para o sucesso do Time Coral será garantida. Crianças que apesar dos presentes de camisas e roupas noutras cores, se recusam a fazer parte da vida de gado, não querem ser tangidas pra onde a moda encaminha, têm opinião, têm firmeza no coração, tem amor pelo Santa, sempre. Salve Lucas meu netinho, tão lindo e tão tricolor. Salve todas as crianças corais, cujo dia é todo...

Leia Mais

TC News nº 03

TC News nº 03

O programa nº 03 do TC News já está disponível em nosso canal do YouTube. Inscreva-se e nos...

Leia Mais

Classificado! Decisão deve ser no ARRUDA!

Classificado! Decisão deve ser no ARRUDA!

Graças à Torcida e ao time, nessa ordem, estamos classificados. Mudamos o treinador, escolhemos o novo comandante. Fomos a campo como poucas vezes nessa série C. Lotamos duas vezes o Arruda, nos momentos decisivos. Colocamos dinheiro no caixa do clube. O time sempre alternou momentos bons e ruins, como todos os times dessa série C. Sendo que, nos últimos jogos, a vontade, o comprometimento e a determinação tem sido uma constante. Foi assim contra o Sampaio Corrêa, jogo difícil, onde o ponto conquistado valeu a pena. Ontem, o roteiro não mudou. Desfalcado, com várias mudanças, sem os nossos goleadores, um por opção pessoal e outro por contusão, somente a vitória nos interessava. E, ela veio. Da nossa limitação, veio a nossa virtude! Da limitação técnica de um Renan Fonseca surgiu um zagueiro seguro, que não faz falta, ganha todas as bolas levantas na nossa área. E, ainda nos brinda com um gol em um jogo decisivo. Da autoconfiança exagerada de Luciano Sorriso, surgiu um jogador que nos jogos decisivos está sempre presente, pedindo a bola, vibrando em campo e orientando os demais jogadores. Da limitação já conhecida de Caça-Rato, ressurge o CR7 que estamos acostumados a ver. Raçudo, não desiste nunca. Dos 18 anos dedicados a profissão de treinador de futebol, sem muito prestígio, demos a Vica a oportunidade de crescer. O investimento feito fez o novo comandante chorar ao final do jogo. Emocionado, reconheceu que a Torcida Coral merece ser feliz; sentido-se parte dela. Junto a ele, com certeza, milhões se juntarão em um só choro, possivelmente, no dia 27 de outubro. Um choro de...

Leia Mais

Chantagem oficial

Chantagem oficial

André Santos Jr., Tricolor Li sem surpresas a notícia que o Governo Estadual decidiu empurrar a conta da Arena Pernambuco para os clubes. Posta em prática nesta semana, a mão pesada do Estado tornou, na minha ignóbil visão do mundo, o programa Todos Com a Nota (TCN), que possibilita a troca de notas fiscais por ingressos nos jogos dos times pernambucanos com benefícios financeiros para os clubes, em instrumento de chantagem. Um decreto obriga os três principais clubes a mandar alguns de seus jogos para o estádio privado construído com financiamento público. De pires na mão e atolado em dívidas, o Santa Cruz dificilmente terá como se defender da opressão oficial. Na situação atual, mergulhado em sucessivas más gestões administrativas e competições deficitárias, que fazem sistematicamente o clube se equilibrar na corda bamba dos atrasos de salários, a dignidade tricolor provavelmente ruirá. O Estado sabe disso e utiliza sua carteira recheada de dinheiro para viabilizar sua arena em detrimento do futebol pernambucano. Não sou um homem das leis, mas imagino que a ideia original do TCN estivesse vinculada a três pilares: (1) aumento da arrecadação; (2) contribuição ao desenvolvimento desportivo; e, principalmente, (3) a inclusão social. Não sei se há sucesso no primeiro caso, mas tenho convicção que a vinculação do programa à Arena Pernambuco para evitar que ela se torne um elefante branco e contribua para minimizar o risco de prejuízo nas finanças públicas, já que o Estado pela estranha lógica da Parceria Público Privada (PPP) garante receita mínima ao investidor, se afasta dos dois últimos. Nenhum particular suporta o peso do Estado em suas costas e o TCN ganha ares de obesidade mórbida e passa a ser usado como puro exercício da força bruta. Como cidadão, acredito que a construção da Arena Pernambuco foi um equívoco. Não havia espaço na região metropolitana de Recife para mais um estádio de futebol. Cada um dos três grandes clubes locais possui seu campo de jogo e dois deles, principalmente o Arruda, poderiam sofrer as transformações necessárias para se adequar ao exagerado padrão FIFA. Não sei o que justificou a construção de uma nova arena pelo Governo de Pernambuco, mas desconfio que na pauta das discussões não estivesse na mesa a economia de recursos, o transporte público adequado ou a localização privilegiada. Para atrair os clubes para um estádio sem atrativos, o Estado legislou em causa própria e sancionou a mundialmente conhecida...

Leia Mais

Vale o quanto pesa (2)

Não fosse uma crise braba de garganta que me acometeu, quem sabe eu poderia ter enviado este texto bem antes, mas as dores no corpo, na cabeça e a febre não me deixavam raciocinar, daí precisei esperar e no compasso de espera lá se foram dois jogos. Um no Arruda, outro fora. Nos dois, parece que a determinação dos membros da equipe era voar. Não duvido nada que a ação da Coach tenha contribuído para esta aproximação atleta-treinador, onde se nota que as mensagens são codificadas e decodificadas sem prejuízo do resultado, isto é muito bom. Então, comecemos nossa descrição perceptiva pelo Treinador. Lembrando, como fizemos antes, que estes escritos não se referem à avaliação psicológica, nem julgamento de pessoas, trata-se de descrições comportamentais visíveis para todas àqueles e aquelas que se dedicarem um pouquinho mais a prestar atenção naquilo que não está inscrito na linguagem formal. VICA – Encabeça esta rodada de considerações, coisa que não tive coragem de fazer quando o técnico era ainda o primeiro, aquele do tricampeonato. O treinador atual era sonho de consumo de muitos tricolores, há muito tempo; virava e mexia e seu nome voltava às rodas de conversa como sendo aquele que poderia dar um norte à equipe que patinava e não conseguia mudar de série. Simples, porém, firme, foi logo colocando os pontos nos i’s. Joga quem treina. Tem coisa mais óbvia? Um jogo de cada vez, ululante, ninguém pode querer chegar à parte alguma sem dar o primeiro passo, o segundo, o terceiro e assim por diante. Alegria, animação, senso de justiça, talvez, quem não gosta de saber que mesmo na reserva um dia se pode ter a oportunidade que precisa? Aliás, uma grande equipe não tem banco, tem as pessoas certas para cada ocasião, tem os especialistas, os que fazem a diferença. Vica saberá identificar cada um deles, ao seu tempo. ANDRÉ DIAS – Dias tanto trabalhou tanto se preparou que quando surgiu a oportunidade entrou na equipe para não mais sair. Jogador inteligente, linguajar diferenciado, foi logo avisando que é homem de equipe. Valoriza os companheiros pelo que fazem e até pelo que não fazem. Simples, humilde, confiante em si, como deve ser todo guerreiro, que primeiro conta consigo mesmo, na hora de uma peleja definitiva. Tratou de envolver a torcida do Santa e levá-la para junto dele. De nada adiantaria se não marcasse os gols que precisávamos. Efetivo, um trabalhador como poucos....

Leia Mais
30 de 238...1020...293031...4050...