As torcidas organizadas e a violência

As torcidas organizadas e a violência

A situação Não é de hoje o debate que se estabelece em torno da questão das torcidas organizadas e suas investidas violentas contra a sociedade de um modo geral. Principalmente, no Estado de Pernambuco, aonde o relacionamento entre partes envolvidas chegou ao mais alto nível de intolerância. Entenda-se, com La Taille, que no plano moral pode-se inspirar no princípio kantiano que define violência como ato que coloca outrem como meio e não como fim, de modo que assim: “A violência traduz o uso instrumental de outrem, uma negação de seu estatuto como sujeito”. Em outras palavras, os cidadãos comuns são apenas meio para se alcançar determinados fins dos supostos violentadores. Com base nesta premissa pode-se presumir que atos de hostilidade de tais torcidas levam em seu bojo demandas subjacentes muito mais complexas e não reducionistas a serem desveladas. Assim sendo, perguntas sobre torcidas organizadas tais como: quem são os seus componentes; o que querem; e como agem para atingir seus objetivos já poderiam estar respondidas há anos. Todavia, continuam sem respostas ou com explicações superficiais. Os poderes constituídos, provavelmente, não têm investido no aprofundamento de estudos científicos sobre o tema, preferindo focar no que é visível, talvez pelo temor de que possíveis descobertas, neste campo, possam vir a cortar a própria carne e abrir suas veias, presumidamente, contaminadas pelo ódio, preconceito, desassistência e discriminação. Não obstante a ausência de profundidade, parte da mídia já escolheu seu mote de pauta: criminalização indiscriminada de todos os componentes destes grupos, independentemente, da responsabilização individual dos envolvidos em atos de hostilidade; constatam-se dirigentes clubísticos e a entidade mentora do futebol local subestimando o potencial explosivo da disposição de trincheiras; a legislação esportiva deficitária penaliza muito mais os clubes do que os transgressores da Lei, não consegue dirimir as demandas. A verdadeira punição, neste caso, recai sobre torcedores comuns que ficam privados do acesso aos jogos e competições do seu clube do coração, que arca com grandes prejuízos financeiros, ameaçando sua trajetória no meio futebolístico saturado e saturante. Observa-se, ainda, uma parcela significativa da Instituição Policial adotando a humilhação como purgação, antes mesmo do apropriado julgamento caso a caso (vocês se lembram do episódio em que policiais obrigaram membros de uma torcida organizada do Santa Cruz a cantar o hino do Sport?); o executivo não oferece alternativa de intervenção nesta conjuntura de exclusão social misturada com vulnerabilidades psicológicas e a Justiça parece paralisada sem...

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Antenado

Antenado

Eis que se passou mais um longo e tenebroso inverno até que eu voltasse a escrever. A última vez — tive que pesquisar no TC para recobrar a memória — foi no distante 12 de novembro do ano passado, quando comentava que a derrota para o América/RN havia selado o nosso cavalo na Série B. De lá para cá, muita coisa aconteceu. Eu me desinteressei como nunca havia antes me desinteressado pelo Santa Cruz e Alírio Moraes, um advogado tributarista apoiado por Antônio Luiz Neto, tornou-se presidente do clube com a fusão de parte da chapa de oposição, fazendo da eleição uma mera formalidade estatutária. Junto com Alírio, vieram algumas novidades. Entre elas, a contratação de Ricardinho, jogador de futebol acima da média, mas que, como técnico, ainda não fez nenhum trabalho que justificasse a sua contratação. Deixaram o clube peças importantes, na minha opinião, como os dois laterais, além de Natan, uma promessa que nunca cumpriu o prometido e cujo potencial foi prejudicado por inúmeras lesões. Natan deixa uma ponta de saudade e profunda tristeza, pelo que poderia ser e não foi. O início da era Alírio Moraes, dentro das quatro linhas, não poderia ser pior. Derrota por três a zero para um de nossos principais adversários, em pleno Arruda, deixou de orelha em pé e olhos abertos a já ressabiada torcida coral. Alírio, por seus projetos megalomaníacos (inauguração do Centro de Treinamento em um prazo de seis meses, além da desacreditada modernização do Arruda), recebeu a alcunha de Delírio Moraes, pois, ao mesmo tempo em que gera expectativa, gera desconfiança. Desde a criação do Torcedor Coral, em 2006, oito anos atrás, portanto, nunca me senti tão afastado do Santa Cruz. Nem mesmo na pior crise do clube, quando caímos da Série A para a Série D, quase sem escalas, me senti tão pouco motivado a frequentar o Arruda. A culpa não é de Alírio, logo alerto, pois não se pode avaliar um gestor em tão pouco tempo de gestão. Os responsáveis foram trinta anos de administrações irresponsáveis e incompetentes que fizeram do Santa Cruz o time pequeno que ele é hoje no cenário nacional. Neste aspecto, Alírio Moraes vai, para mim, na contramão de seus antecessores. Mesmo o vitorioso Antônio Luiz Neto, que devolveu alguma esperança à nossa torcida, foi incapaz de esboçar uma mudança na conduta administrativa perversa que norteia o Santa Cruz desde os anos...

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Santa Cruz, 101 Anos, Eternamente

Santa Cruz, 101 Anos, Eternamente

Hoje, um time de futebol inicia a partida com 11 jogadores na linha e uma legião de torcedores nas arquibancadas. Mas, nem sempre foi assim. Em 1914, ao soar o primeiro sinal de vida, o time dava o seu primeiro passo com: Abelardo; Alexandre, Augusto, J. Bonfim, J.Vieira; Luiz Barbalho, Orlando, Oswaldo; Quintinho e Augusto. Recheado de garotos, já nasceu com o destino traçado: fazer história. E foi com essa mentalidade que os meninos quebraram a maior das barreiras ao completar o time titular com o garoto negro Teófilo, responsável por criar um escudo inigualável capaz de proteger a todos das futuras ameças. Em campo, as vitórias logo vieram…. 7 x 0 e 9 x 0 foram os primeiros placares. Em seguida, vitórias históricas contra o América-PE, o Botafogo-RJ e a Seleção Brasileira. No meio dos garotos, os meninos Tiano e Tará reinavam absolutos. Até o dia em que Odívio Duarte resolver convidar Zequinha, Aldemar, Edinho, Rudimar, Faustino, Mituca e Jorginho. E, assim, o que era uma simples brincadeira de garotos passava a virar, também, uma paixão de gente grande. Gente como José do Rego Maciel que resolveu tornar o sonho de Aristófanes de Andrade uma realidade. Gente como James Thorp, responsável por promover as maiores festas do novo estádio. Gente como os irmãos Valença e Capiba que trataram de divulgar em versos o enredo deste conto para todo o Brasil. Novos garotos iam chegando. Detinho, Givanildo, Ramon, Betinho, Luciano, Cuíca e Fernando Santana brincavam e encantavam. Com eles, novas paixões iam nascendo e títulos iam sendo conquistados. A cada vitória, páginas inéditas eram escritas. Até o dia em que os adultos esqueceram de olhar o passado e deixaram de se responsabilizar pelo  futuro. Foi nesse momento que o maior patrimônio que foi construído ao longo dos anos assumiu a sua verdadeira paixão. A tradicional “poeira”, legião das arquibancadas, ouviu chamado de Anísio Campelo, e resolveu resgatar o amor de suas vidas. O Santa Cruz foi salvo. Para sempre. Para viver, eternamente, ao lado de todos àqueles que trazem no sangue a mutação genética dessa paixão inexplicável. Hoje, 3 de fevereiro de 2015, há 101 anos atrás, era produzida a mais bela das histórias. A história iniciada com Abelardo Costa, Alexandre Carvalho, Augusto Franklin Ramos, José Glycério Bonfim, José Luiz Vieira, Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa, Orlando Elias dos Santos, Oswaldo dos Santos Ramos, Quintino Miranda Paes Barreto, Augusto Dornelas Câmara e Teófilo Batista de Carvalho…. vivenciada e escrita por milhões de torcedores apaixonados. Parabéns, Santa Cruz Futebol Clube, 101 Anos !!!  ...

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Vergonha e Vexame

Vergonha e Vexame

E o primeiro mês do ano termina de forma vexatória. A semana toda foi conturbada. De início, Alírio Moraes foi informado pela imprensa de que o Santa Cruz teria que jogar 6 jogos na Arena Pernambuco devido ao acordo fechado (e dinheiro já antecipado) pelo presidente anterior Antônio Luiz Neto. Se realmente for verdade que o atual presidente não sabia do fato, isto serve para mostrar que a transição não foi feita de forma transparente. Segundo ALN, Alírio deve ter esquecido afinal o atual vice-presidente coral sabia de tudo. Em seguida, veio a vergonhosa denúncia de que o Clube cobrou em duplicidade (e até triplicidade) a mensalidade de vários sócios. Este fato ocorreu com centenas de torcedores e o clube já sabia do caso há mais de 1 ano. Fez-se de “inocente” e ficou esperando a reclamação dos torcedores. Obviamente, alguém teria que receber a culpa e pagar pelo prejuízo: o “Software”. Uma vergonha! Some-se, ainda, o lançamento da campanha de sócios. Nenhum dirigente presente. Algo mais amador, impossível. Por fim, a vexatória estreia do Santa Cruz. Derrotado em casa, na estreia do Campeonato Pernambucano (fato que não ocorria há quase 30 anos), pelo maior rival e de goleada foi um vexame total. É fato que devemos levar em consideração as justas desculpas de entrosamento e de termos enfrentados um time bem superior ao nosso. Mas, que foi vexame, foi. Como se trata de um início, prefiro não fazer maiores comentários nem ao jogo de ontem nem ao time. Afinal, será preciso melhorar muito para que eu fique convencido que esse time é bom. Enquanto isso, é melhor ser mais parcimonioso, principalmente nas críticas. De bom, saber que hoje, domingo, inicia-se uma nova semana. É uma nova oportunidade que surge para que Alírio, Ricardinho, diretores e jogadores mostrem que o planejamento está no caminho certo e de que tudo não passou de “momentos” e “dificuldades normais” em um início de trabalho. Se o próprio clube já nos surpreendeu positivamente em muitos momentos, porque não podemos dar um voto de confiança (e torcida) para que isso possa ocorrer novamente? Vamos seguir em frente, pensando positivo! Por enquanto, o melhor a se fazer é ir brincar o Carnaval, nas ladeiras de Olinda, com a Minha Cobra. Com certeza, a alegria será...

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Começou o ano coral

Começou o ano coral

Começou a temporada 2015 coral. Ontem teve um amistoso contra um time desconhecido (Zalgiris Vilnius), lá da bela e fria Lituânia. Jogo de pré-temporada tem objetivo diferente de um jogo que “vale os três pontos”. Mas, independente da qualidade do time adversário e do espetáculo em si, é possível ver o jogador que pode “vingar” no time coral. E, sinceramente, temos que melhorar e contratar muito para termos um ano de sucesso no futebol. Dos jogadores do Santa Cruz, Waldison e Bileu (no 1º tempo), e Raniel (no 2º tempo), foram os que jogaram melhor. Nininho, Betinho, Pedro Castro e o capitão Édson Sitta foram os piores. Os demais foram razoáveis, sem destaque algum. A derrota, nos pênaltis, foi justíssima e serve de alerta. No mais, é esperar para ver. E, claro, torcer para que o Santa Cruz contrate jogadores para o time titular, afinal, não se pode esperar muito de vários jogadores vindos do limitadíssimo time do Paraná. Ainda sobre o jogo de ontem, a vergonha foi a Taça entregue. O Marketing do Santa Cruz continua o mesmo. Tudo errado! Desculpa Chico Science, você merecia muito mais. Mudando o foco e falando sobre o Santa Cruz Futebol Clube, a gestão do novo presidente Alírio Moraes literalmente começou. Apesar dos anúncios iniciais (contratação de jogadores de peso, construção do CT em 6 meses, ampliação do Arruda) que pareciam mais “factóides”, o fato é que Alírio marcou seu primeiro gol na ação da Timemania quando garantiu ao Santa Cruz uma renda mensal próxima a R$ 270 mil. O poder de mobilização e a articulação feita demonstra que o novo presidente, agindo na surdina e sem alarde, tem muito a contribuir com o Clube. Dia a dia, Alírio vai se inteirando da realidade do Clube. Desconhecido do meio futebolístico, Alírio Moraes demonstra vontade imensa de mudar o conceito de gestão do clube. Inicialmente, contratou uma empresa de auditoria e, aos poucos, vai profissionalizando o clube. Mudanças internas já estão ocorrendo no Arruda. Mas, vontade apenas não basta. E, Alírio sabe disso. Até a sua esposa pode ser vista trabalhando internamente pelo Santa Cruz. O mutirão é grande dentro das Repúblicas Independentes do Arruda. As dificuldades financeiras já apareceram. E as barreiras políticas também. Para realmente garantir um futuro promissor ao Santa Cruz, Alírio terá que ultrapassar obstáculos quase intransponíveis que existem no Santa Cruz. Vamos torcer para que ele consiga. E, claro, ajudá-lo, se ele realmente quiser....

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O Santa refém de um treinador

O Santa refém de um treinador

  Devido ao mau planejamento da diretoria coral no ano passado – greves e salários atrasados foram apenas reflexos da fraca gestão no futebol – o Santa Cruz começou uma nova montagem de elenco, praticamente do zero, para 2015. A missão seria difícil não fosse a grande descoberta da diretoria. O trabalho está sendo feito. Todo dia são várias ligações através do DDD 41 para a capital Paranaense. E os resultados já começam a surgir. Santa Cruz contratou Ricardinho, treinador, ex-Paraná. Com Ricardinho veio Rodrigo Pozzi, o seu auxiliar técnico, que antes disso é seu irmão. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricardinho veio George Castilhos, o seu preparador físico. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricardinho veio André Sitta, lateral, ex-Paraná. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricardinho veio Thiaguinho, atacante, ex-Paraná. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricardinho está vindo Alef, zagueiro, ex-Paraná. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricardinho está vindo Pedro Castro, meio-campista, ex-Paraná. Ambos trabalharam juntos no Paraná. Com Ricadinho, o Santa Cruz tentou Adaílton, atacante, ex-Paraná, mas não conseguiu fechar… Esse também não faz falta porque vem aí Dênis Marques. Vamos torcer para Ricardinho acertar. Pois se ele sair é capaz de levar Tiago Cardoso...

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