Adotado pelo Mais Querido

Fred Esaú Após o jogo Santa Cruz e Porto, fui tomar umas brejas com Dimas Lins e Artur Perrusi e lá pelas tantas da noite depois de vários causos, comentários e opiniões sobre o Mais Querido e outras histórias do futebol, com direito a vermos quinhentas vezes pela televisão o gol do Fofomêno e a queda do alambrado contra o porco, Artur me faz o convite de escrever para o TC, com a anuência do editor-mor, é lógico. Este primeiro artigo é dedicado a contar como a minha vida vai se encontrar com o Santa Cruz. Eu sou de Santos/SP e, na década de 70, todo ano colecionava o álbum de figurinhas do campeonato brasileiro e me chamava à atenção um esquadrão do nordeste que tinha um jogador de chamado Fumanchu, que atuava ao lado de Givanildo, Luciano e Nunes. Ao perceber esse interesse, meu pai explicava o pouco que sabia sobre o time do Santo Nome. Os anos passaram e em 1983 o destino colocou Olinda nos planos de vida da minha Mãe. Ao vir pela primeira vez à cidade das sete colinas, ela retornou a Santos com um presente pra mim: a camisa do Mais Querido. Nesta mesma época, meus Avós tinham como vizinho um torcedor da coisa (coisa?! Ora, vá tomar no cú, coisa!). Ao ser questionada por que não tinha levado uma camisa do time da cachorra de peruca, minha Mãe respondeu, rindo: “trouxe a camisa do time do povão. Se meu filho torce pelo time do povão aqui, então trouxe a camisa do time do povão em Pernambuco”. O burro-negro, contrariado, calou-se. Em 1984, vim morar em Olinda. Neste mesmo ano fui assistir a Santa Cruz e Corinthians no Arruda, o jogo foi 1×1 e é impressionante como a memória nos trai, pois nas minhas lembranças Sócrates havia estado em campo, assim como minha impressão era de um Arruda vazio. Mas vendo os compêndios, observo que o Doutor não pisou no gramado e o público foi de 28.409 espectadores. O Mais Querido tinha Henágio, Zé do Carmo e Ricardo Rocha e o Timão tinha Zenon, Wladimir e Biro-biro. Os gols foram de Ivan e Casagrande. Fui reencontrar novamente o Santa Cruz quase dez anos depois naquela famosa final em que Washington fora expulso no primeiro tempo, o time estava perdendo de 1×0, o jogo acabando, veio a virada na raça e depois o título....

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Um tricolor no sertão

O tricolor Andrezinho em Floresta André Tricolor Virtual O Sol por aqui continua escaldante, o céu sempre azul, limpo, compondo belas paisagens, mesmo no Sertão um tanto castigado, pela seca, pela pobreza, porém com muita vida e suor! Estou com as duas mulheres que mais amo na vida, que é minha esposa e minha filha, em Recife ficou as minhas duas grandes famílias: a de sangue, e a coral, inseparáveis de mim e que o Amor será eterno! E no Arruda o tempo está melhorando a cada rodada, a cada jogo disputado, a cada ponto conquistado, a cada nova obra anunciada ou mesmo finalizada. O tempo nebuloso parece não habitar mais pelas bandas das Repúblicas Independentes do Arruda, até parece que não vivemos momentos tão tristes de nossa história! O mérito é de todos nós, da nova administração profissional, da comissão técnica e dos bons jogadores que têm reconhecido e respeitado o Mais Querido e sua imensa Torcida! Em breve o Colosso será palco de mais uma partida das Eliminatórias da Copa do Mundo, recebendo as Seleções do Brasil e Paraguai, esta última, líder da competição, prometendo assim um grande jogo, no gramado espetacular do Arrudão! E todo o Brasil mais uma vez estará de olho no Estádio mais moderno e seguro do Nordeste, que passou por uma reforma grandiosa, que nem mesmo os mais otimistas torcedores esperavam! E no domingo terminou o 1° Turno, Não foi agora que saímos vencedores, porém ganhamos o mais importante em um time de Futebol, que é a união, temos agora um time guerreiro, uma torcida ainda mais esperançosa e apaixonada e um clube moralizado! Dedico este texto a todos os amigos do TC e do Blog do...

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Aos incrédulos, eis a redenção!

Fred Dias Diziam que estava tudo acabado. Morto. Sepultado e esquecido. Diziam que nada mais ali poderia dar certo. Era o caminho sem volta para o esquecimento. Diziam ainda que ninguém, jamais poderia sequer ousar pensar em reerguer um time que nem divisão tinha. Tiveram a ousadia ainda de dizer que aquela torcida maravilhosa, que lotava um estádio, e cantava o tempo todo como nenhuma outra ia definhar. Pra todos esses eu só tenho uma coisa a dizer: não existe o impossível, quando milhões se unem e resolvem juntar as mãos e lutar até não haver mais forças em seus corações. Não há lugar para derrota, quando há união e vontade de vencer! Parabéns Santa Cruz Futebol Clube, pelos 95 anos de glórias, paixões e vitórias! Por tudo que passaste nos últimos anos, eu posso afirmar: tu és eterno; sempre que houver um coração tricolor batendo no peito do mais humilde dos homens tu viverás eternamente, porque és a expressão máxima da raça, da coragem e da força do povo pernambucano! Viva o Santa...

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A cartilha, o quarto poder e o profissionalismo

Fred Dias Nós torcedores apaixonados pelo mais querido, costumamos ouvir, ler e ver diversos programas jornalísticos produzidos pela nossa imprensa desportiva. Tem dos mais variados e para todos os gostos. Desde aqueles em que o foco é a perua, passando pelos que são os donos da verdade, os que só querem fazer gréia e os poucos que fazem um jornalismo sério, dentro do preceito ético e imparcial. Diversas vezes, ouvi em todos estes estilos de programas, sem exceção, a cobrança para que os clubes pernambucanos se profissionalizassem em todos os seus setores, de forma a fomentar para o torcedor, seu cliente alvo, uma melhor estrutura e para que fossem quebrados os preceitos arcaicos e coronelistas que ainda imperam no futebol pernambucano. O Santa Cruz, na atual gestão, para alegria de poucos e espanto de muitos, está profissionalizando todos os departamentos do clube. Senão vejamos: existe dentro do clube um diretor administrativo, um diretor de futebol, um diretor de marketing, todos profissionais da área, além de uma empresa terceirizada para assessoria de imprensa. Esses dias, essa própria assessoria de imprensa terceirizada implementou uma série de regras para os jornalistas que fazem a cobertura do dia-a-dia d’O Mais Querido, para organizar a presença dos mesmos dentro do clube e controlar o canal de notícias, criando uma reserva de mercado em relação à informação. Sinal de que o tão cobrado profissionalismo está chegando pelas bandas do Arruda, certo? Nem tanto. Ou melhor, não é assim que pensa a profissionalíssima imprensa pernambucana. Houve esbravejamentos dos mais variados. Tinha pra todo gosto. Desde aquele que não mais ia dar noticias sobre o Santa Cruz, até aquele que defendia exarcebadamente a liberdade de expressão e o repúdio a censura imposta dentro do mais querido. Senhores, na hora, me veio na cabeça o filme O Quarto Poder, do diretor Costa Gravas, estrelado pelos atores John Travolta e Dustin Hoffman. Pra quem não viu o filme, trata-se da história de Sam, um trabalhador comum que desesperado por não ter recebido seus salários, invade armado seu local de trabalho (um museu) e faz todo mundo de refém, inclusive o repórter (Dustin Hoffman) que estava no local. Há uma discussão do poder que a mídia exerce sobre a opinião pública, fazendo uma espécie de jogo com as suas emoções. Quando as emissoras exibiam imagem positivas de Sam, o personagem de Jonh Travolta, o público ficava a favor dele, mas...

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Divisões de base

Aldo Cordeiro Galvão é daqueles tricolores que a gente tem prazer em discutir futebol. Não apenas o esporte bretão, mas o Santa Cruz, que vai muito além do futebol. Aliás, abro um parêntese para deixar claro que costumo dizer que não gosto muito de futebol. Eu gosto mesmo é do Santa Cruz. O futebol, neste caso, nada mais é do que um detalhe. Mas falava de Aldo Cordeiro Galvão. Dito seu nome assim, em tom solene, provavelmente ele passaria despercebido entre os tricolores. Porém, basta citar seu nome de guerra nas trincheiras dos blogues corais, que seu nome é reconhecido tal qual seria um ídolo tricolor dos gramados. Sujeito de conversa inteligente e papo agradável, desde sempre venho tentando trazê-lo para o time do Torcedor Coral. Ducaldo reluta, diz que escrever não é sua praia. Seus comentários neste blog e o texto abaixo mostram que não é bem assim. Ele continua botando banca, como se fosse um jogador mundialmente famoso, e diz que vai pensar no assunto. Já se passou um ano e se dermos bobeira passará outro rapidinho. Mas não tem nada não, a gente espera. Em tempo, o apelido de Aldo vem de uma predileção por caldinhos tomados ali mesmo no bar da piscina ou em qualquer outro bar da cidade que possua a iguaria. Dimas Lins Ducaldo Quem me conhece pessoalmente sabe que sou um ferrenho defensor dos jogadores formados nas divisões de base do Santa Cruz. As razões? Muitas, mas vou mencionar apenas duas das que considero mais relevantes. A primeira tem um toque de saudosismo. Advém da recordação dos grandes times que tivemos no passado, sempre compostos por pratas-da-casa, jogadores arregimentados na região, somados a alguns mais rodados vindos do sul-maravilha. A segunda é que, no meu entender, necessitamos urgentemente retomar o trem da nossa história e seguir “de volta para o futuro” recobrando a condição de clube formador de jogadores. Esse é o caminho que as agremiações esportivas melhor estruturadas do Brasil seguem já há algum tempo. A nova administração começou bem ao entregar a Fred Arruda os destinos das divisões de base do Nosso Clube. Testemunhei, no ano de 2007, o início de um projeto coordenado por ele e, que, se não tivesse sido torpedeado poderia ter dados bons frutos. Infelizmente, apesar da adesão entusiasmada de um número razoável de tricolores ao projeto, com a lista de material colocada na Tupã, mal...

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Ensaio sobre a cegueira

Imagem: Capa do CD “Os Olhos” de Tom Zé Fred Dias Nas ultimas semanas, dois fatos me deixaram ansiosos: a estréia do filme Ensaio sobre a Cegueira, do diretor Fernando Meirelles, baseado no renomado livro do ganhador do Nobel, o português José Saramago, e o encerramento do período eleitoral no nosso mais querido, que culminaria com a ascensão de sua excelência o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco, como presidente executivo do Santa Cruz Futebol Clube. Vi o filme. Estou acompanhando o dia a dia desta épica história de ressurgimento do nosso amado clube. Pra quem não quiser saber do livro e sobre o filme, pule os próximos parágrafos. Li o livro do brilhante José Saramago. Por isso a expectativa do filme que não é tão ruim quanto os críticos de cinema de Cannes andaram propagando, na minha humilde ótica é na verdade brilhante. Ressalte-se que Meirelles tentou filmar o romance vários anos antes, mas Saramago se recusou a vender os direitos do livro durante anos, porque, segundo o escritor, “o cinema destrói a imaginação”. Pra quem não conhece o livro nem vai ver o filme, a história é curiosa e assustadoramente intrigante. Começa com um motorista, que subitamente fica cego enquanto está parado em um sinal vermelho. Com uma pequena diferença: ele não mergulha numa total escuridão, mas sim numa cegueira leitosa, completamente branca. A partir daí, a cegueira vai contaminando outras pessoas como que num ciclo, começando por ele e seguindo através das pessoas que mantiveram contato com ele, desde o seu médico, passando pela mulher dele, os pacientes, até que se torna uma epidemia misteriosa. Todos os cegos são confinados em locais abandonados e fechados, sob as ordens dos que ainda conservavam a sua visão. Diante desse cenário, quem enxergava tornava-se uma autoridade, estabelecendo de que forma os cegos deveriam se comportar. Apesar da “epidemia” chegar a um grau tão extenso, acabando por atingir toda a população do local, a mulher do médico é a única pessoa que ainda consegue enxergar e assim registrar todo o horror e provação que os cegos enfrentam. Observando o comportamento deles, a partir do modo como se relacionam uns com os outros, ela chega a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são a partir do momento em que não podem julgar a partir do que vêem. De característica onisciente, a narrativa leva-nos a refletir sobre a...

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