Árbitro de futebol julga como quer

Árbitro de futebol julga como quer

Santana Moura Desde o surgimento do futebol o árbitro tem figurado como personagem central da cena deste esporte, na maioria das vezes, como aquele que causa grande comoção aos torcedores, por suas decisões diante de lances polêmicos e, na historia recente, frente a jogadas comuns que jamais poderiam ser consideradas de difícil julgamento. Em minhas incursões na área da Psicologia do Esporte verifiquei que o juiz se constituía fator de ansiedade para os jogadores, diante da incerteza de como seria a arbitragem, de que forma o árbitro iria persegui-los, de que maneira prejudicariam seu time. Na preparação psicológica havia sempre um capítulo destinado a este tema. A literatura científica, até então, não lançava luzes sobre o assunto. Não havia estudo que demonstrasse o que se passava na mente de um juiz de futebol, quando julgava um lance futebolístico. Na década passada, todavia, este mistério foi desvelado. Um conjunto de estudos inéditos desenvolvido no programa de Pós-graduação em Psicologia Cognitiva da Universidade Federal de Pernambuco encontraria explicações para as dúvidas de atletas e torcedores. A pesquisa inicial, denominada de “Piloto”, tinha o objetivo de averiguar que critérios estariam envolvidos no ato de julgar, no âmbito do futebol. Foram quatro os indicadores encontrados: critérios perceptivos (percepção visual, auditiva, sinestésica), sociais, deontológicos e morais. A pesquisa principal aprofundou a investigação e verificou que os aspectos perceptivos não se constituíam em critérios de julgamento, ou seja, falhas na percepção poderiam ser consideradas como incompetência técnica. Assim, o árbitro e seus assistentes, deveriam estar sempre bem posicionados para enxergar todas as jogadas e, desta forma, evitar erros grosseiros. Observou-se, portanto, que juízes de futebol se inclinavam a basear seus julgamentos em três categorias de critérios: sociais, deontológicos e morais, com predominância destes últimos. Critérios sociais dizem respeito à influência do meio (amigos, torcida, dirigentes, mídia, entre outros); critérios deontológicos são aqueles relativos às normas da atividade, no caso, a arbitragem; já os morais são os que utilizam a cognição social para discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal e entre a responsabilidade objetiva (danos físicos ou materiais) e a subjetiva (intenção), culminando com a aplicação de algum tipo de justiça. Outros dados obtidos demonstraram que metade dos julgamentos de lances futebolísticos estaria fundada na justiça do tipo igualitária, o que não é considerado justo por jogadores e torcedores, que muitas vezes protestam reclamando equidade. Ficou evidenciado, também, que em...

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Customização do Santa Cruz

Customização do Santa Cruz

Santana Moura, especialista em Psicologia do Esporte Nestes tempos pós-modernos, de realidades fluídas, muito se tem usado a palavra customização com o propósito de procurar atender as necessidades de clientes, cada vez mais exigentes, e até surpreendê-los. Assim, na esfera comercial, customizar significa adaptar, modificar elementos originais para personalizá-los e deixá-los com a cara do freguês. É mais uma bandeira hasteada pelo neoliberalismo no processo de globalização que nos atingiu. A ideia é “pensar globalmente e agir localmente”. Tomando por base essa premissa e diante de mais um desastre que atingiu a nós, torcedores corais, penso que não é mais possível esconder que o treinador do Santa Cruz usou este conceito, o tempo todo, na condução da equipe coral diante de diferentes adversários. O problema é que talvez os seus gurus, ou suas leituras não tenham conseguido esclarecê-lo, a contento, sobre o espírito da coisa (perdoem a má palavra) e, então, ao invés de surpreender positivamente a torcida santacruzense com vitórias e mais vitórias, ele só fez desagradar, desagradar e desagradar, mesmo quando conseguiu o acesso à série C com duas derrotas humilhantes. Longe de atender às necessidades da família tricolor do Arruda, ele foi afastando um a um os jogadores que caíram nas graças da torcida e customizando o time ao seu gosto. Ainda na série D, ao que tudo indica, o treinador procurou minar o trabalho de Jeovânio, um gigante durante o campeonato pernambucano. Observei que logo após o rapaz ter sido eleito capitão do time pela torcida coral caiu em desgraça; ele passou a escalá-lo de forma errada, comprometer seu trabalho. O que dizer de Renatinho, uma unanimidade entre os apaixonados pelo Santa. O garoto não tem tido a chance de alcançar a titularidade, mesmo já tendo demonstrado inúmeras vezes a sua competência. A bola da vez é o Leo que é escalado na pressão, mas colocado pra jogar de formas as mais variadas o que deve estar dando um nó em sua cabeça. A contratação de Carlinhos Bala, em desacordo com a imensa torcida tricolor, foi só pra dizer quem mandava lá. Diferentemente da tendência globalizante aludida, o detentor do poder máximo nas Repúblicas Independentes do Arruda tem customizado o time, mas ao agrado dos adversários. Alguns deles, jogando o popular feijão com arroz, tem imposto resultados vergonhosos para nós. Cada partida um time, cada time uma partida, este é o seu lema. Ignora, o...

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Santas Mulheres

Santas Mulheres

Carmem Vieira, jornalista esportivo, torcedora do Santa Cruz, frequenta o Arruda desde os 14 anos de idade e mãe do também tricolor João (9 anos). No dia 8 de março devemos celebrar todas as mulheres. O amor materno. Amor inigualável, sensível e forte ao mesmo tempo. O amor pelos filhos que tivemos e que conseguimos ensinar os valores da igualdade, da democracia, do respeito ao próximo e da inclusão. Filhos que formaram um time que germinou em um Clube de Futebol. Um Clube que incluiu negros, pobres, brancos e que originou um sentimento incomum. Neste dia 8 de março devemos celebrar as mulheres corais. As meninas, as esposas, as mães, as tias, as avós. Mulheres que esquecem o ambiente machista e que vão ao estádio torcer pelo seu Santa Cruz. No dia 8 de março devemos celebrar todas as formas de amor. O amor pelo amor. Por que nós não traímos nem escondemos o verdadeiro amor. Amamos, emotivamente. Amamos todos os nossos filhos, que, na essência, são os que fazem o Santa Cruz Futebol Clube. No dia 8 de março devemos celebrar todas as mulheres que fizeram parte da história do Clube. E lembrar que poucas puderam ser o “ator principal”. Porque o Santa Cruz esqueceu, e ainda esquece, de incluí-las como deveria ser. (Ainda hoje, a mulher coral não pode sequer ser sócia e ter como dependente seu marido e filhos) No dia 8 de março devemos celebrar a vida, a paixão e a união. União dos sexos, união dos sentimentos e a igualdade dos direitos. Por que, apesar das diferenças, nós podemos ser bastante semelhantes. Inclusive no amor ao Santa Cruz.   Este texto é dedicado a todas as mulheres que, direta ou indiretamente, são amantes do Santa Cruz Futebol Clube. Especialmente para as mães de Quintino Miranda Paes Barreto, José Luiz Vieira, José Glacério Bonfim, Abelardo Costa, Augusto Flankin Ramos, Orlando Elias dos Santos, Alexandre Carvalho, Oswaldo dos Santos Ramos e Luiz de Gonzaga Barbalho Uchôa Dornelas Câmara. E, também para as torcedoras corais Santana Moura, Alessandra Lima, Danielle Leal, Aline Moura, Fabiana (Bia), Rosa Lúcia e tantas...

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Plano de mídia

Plano de mídia

Recebemos de Anderson Seabra, nosso assíduo leitor, um e-mail pedindo espaço para a publicação de um Plano de Mídia, que ele havia desenvolvido para o Santa Cruz. Sua intenção é ampliar em 20% (vinte por cento), no mínimo, as receitas do clube. “Sempre pecamos por não saber capitalizar a força da torcida”, dizia ele em sua mensagem eletrônica. De fato, apesar da exposição na mídia nacional, o clube nunca soube aproveitar a força e o marketing natural de seus aficionados, que se tornaram conhecidos como a torcida mais apaixonada do Brasil. Anderson Seabra, 30 anos, acompanha o Santa Cruz desde 1990 e participou da diretoria da Associação dos Amigos Tricolores do Santa Cruz – ATASC. Formado em Geografia pela UFPE, com diversos trabalhos com temas na área de futebol em congressos e obcecado pela profissionalização do Santa Cruz, tornou-se estudante de Marketing, de onde surgiu a ideia de fazer algum projeto para o Santa Cruz. “Em 2004, apresentamos o presente projeto de forma embrionária ao então presidente da época; recentemente, no início da gestão de Antônio Luiz Neto, tivemos um contato rápido com a atual diretoria e apresentamos o atual projeto, tendo resultado a relocação das placas publicitárias do estádio do Arruda”. Como qualquer torcedor, cujo envolvimento vai além das arquibancadas, Seabra deseja a profissionalização do Santa Cruz. “Tenho como sonho vê o clube com uma gestão profissionalizada e explorando toda a força de sua torcida, com uma equipe competitiva que nos represente com dignidade”, diz. Acostumado a apresentar propostas que considera relevantes para uma mudança de visão na administração do clube, Seabra pretende, mais na frente, ter uma colaboração mais ativa no Santa Cruz. “Desejo, mais adiante, fazer parte, como colaborador, da diretoria do clube”, sonha, nosso leitor. Enquanto o sonho não se realiza, ficamos com o Plano de Mídia de Anderson Seabra. Que ele possa contribuir com o engrandecimento do Santa Cruz. Plano de mídia doc.doc Ganhadores da promoção Camisa da Minha Cobra 1. Ricardo Cavalcanti; 2. Caroline; 3. Rubem Jr.; 4. Emanuel Moraes. Pedimos a Emanuel Moraes que entre rapidamente em contato conosco, através do e-mail contato@torcedorcoral.com. Utilidade Pública O leitor Leonardo Lima adquiriu recentemente esta camisa do Santa e gostaria de saber o ano exato em que ela foi utilizada pelo clube. Quem puder ajudá-lo, por gentileza, deixe a resposta na seção de comentários....

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Congraçamento Coral

Congraçamento Coral

Santana Moura – Especialista em Psicologia do Esporte Não depende de mim, mas se dependesse as cores de todo NATAL e, também, de cada ANO NOVO seriam: vermelho, preto e branco. Pelo meu gosto, nesta época natalina e outros meses do ano, sairia abraçando cada torcedor do Santa Cruz que encontrasse pelo caminho. Torcedores corais, para mim, são como irmãos escolhidos, pois dentro de nossos corações pulsam os mesmos sonhos, esperanças, sofrimentos, alegrias e prazer de estar junto do clube das multidões. Nessas horas eu, que critico tanto o capitalismo selvagem, me rendo ao desejo de querer presentear os amigos, nem que seja com um presente virtual. Então, aproveito este espaço democrático do Blog do Torcedor Coral para enviar como presente um abraço, via internet, a todas e todos que por aqui passaram e que, numa espécie de cartase coletiva, debulharam suas lágrimas e alegrias. Relembro que atravessamos obstáculos, vencemos o sistema. Comemoraram o acesso, fomos campeões de público mais uma vez. Falar de tudo isso é redundância. 2011 foi um ano pra ficar na memória e na história. A saudade já começa a imprimir sua marca no peito e 2012 já chegou. Começa tudo de novo. As incertezas, as carências permanecem, mas não muda o carinho e a disposição de estar junto, dentro da panela de concreto, gritando com todas as forças, amando como a mesma importância do ar que respiramos. Somos Santa Cruz, o maior congraçamento coletivo do planeta. Nele nos encontramos e podemos ser o que somos: o sonho de consumo de qualquer clube. As outras torcidas que me perdoem, mas vocês não tem um elo como aquele que liga torcida santacruzense. Na rua nos falamos, no carro buzinamos, fazemos questão de nos mostrar a cada momento. Com nossas camisas que viraram fardas e nossos símbolos que viraram identidade podemos exercer nossa apaixonada preferência clubística. A marca da nossa fidelidade. Ratificamos não apenas que somos a maior torcida em amor, mas a melhor na qualidade deste amor. Viajamos o mundo nos escritos e olhos daqueles que nos conheceram, atravessamos o oceano Atlântico e alcançamos o céu com nossas preces. No mais querido nos encontramos com Jesus Cristo, porque precisamos recorrer a ele, a cada momento. Somos abençoados e abençoamos. Somos, acima de tudo, filhos de Deus e merecemos ser felizes, independente de títulos ou de mídia. Precisamos, agora, continuar transformando nossa força em ações, permanecendo sócios,...

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E por falar em pitaco e em razão de viver…

E por falar em pitaco e em razão de viver…

Santana Moura, psicóloga e torcedora coral É tradição deste blog promover a ideia de dar pitaco sobre possíveis resultados dos jogos que o Santa Cruz disputa. É uma iniciativa que revela argúcia e criatividade peculiares à torcida coral. Piadas, ironias, críticas, tudo faz parte do script com o propósito, evidente, de ajudar a equipe a alcançar seus objetivos. Por isso, além de ficar apenas jogando confetes neste feliz empreendimento, me arvorei a escrever um breve texto para dar pitacos, inspirados na sabedoria popular e em outros tipos de conhecimento. Quando uma equipe está unida em torno de um objetivo sua força se multiplica; “todos” se transformam em um e “um” se converte em todos. Portanto, fortalecer a união do time coral deve ser tarefa permanente dos líderes santacruzenses, visando transpor esta barreira aterradora da série D. Atenção aos detalhes parece ser “neura” de observador compulsivo, todavia, é instrumento de excelência para quem não subestima possibilidades de vitória. Então, há de se trabalhar a concentração e atenção dos atletas para que, na disputa “homem a homem”, a bola fique sempre sob o domínio do Santa. De preferência sem fazer falta. Por falar nisso, fazer falta desnecessária contra o adversário é minimizar a potencialidade que tem um árbitro de influir no resultado de um jogo. As duas recentes expulsões de nossos atletas bem podem ilustrar o que digo. Com as regras do futebol dentro da cabeça e nos pés, o time vencerá este desgastante obstáculo que tem nos perseguido por longa data. Tem árbitro que gosta de aparecer para as massas e para a mídia; quanto mais holofotes mais viagem pelo mundo da contravenção. O antídoto é jogar bola! Jornalistas, radialistas, blogueiros, nada de ficar dando instrumental para motivar a equipe deles. Parte de nossa imprensa falada, escrita e televisada usa um tipo de linguagem em seus argumentos e perguntas que mais parece uma provocação. E pode levar os concorrentes se transformarem em três, para nos enfrentar. Amigos! Vamos dar um tempo, por favor! Prestem mais atenção no que falam ou escrevem, pois tem treinador que usa contra nós a munição que vocês proporcionam. Não me preocupo muito com a aparente instabilidade decisória do nosso treinador, torço para que isto seja uma estratégia. Afinal, se confunde os torcedores que conhecem bem os jogadores, como fica a cabeça dos técnicos rivais diante da incerteza por ele proporcionada. Acho que o Zé tem...

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