Carta aberta ao Vice-Presidente do Santa Cruz

Editorial Paulo Aguiar manda um texto. É um texto político – um apelo, digamos assim. Não é necessariamente a opinião do blog, nem mesmo dos seus cronistas, mas seguramente Paulo é um dos nossos, fazendo parte desse campo tricolor, democrático e participativo que tanto faz falta na direção do Mais Querido. É um texto que sinaliza uma mudança no ambiente. Como o futebol vem se quebrando ou já se quebrou, como o diminutivo insiste em implicar com o óbvio e a honra, restou-nos a política e a mobilização dos tricolores. Pois saibam todos que tricolor engajado é aquele que discute política do e faz política no Santinha. Porque tricolor engajado é aquele que descobriu um fato importante naquele dezembro de 2006 (afinal, de tudo ficou um pouco): que podemos colocar e tirar da direção de nosso clube, através do voto democrático e da mobilização consciente e pacífica, quem quisermos, ora bolas! Torcedor Coral Paulo Aguiar do Monte Dia 1 de dezembro eu estava no Arruda. Cheguei às 14 horas e fiquei até as 23 hr. Votei na chapa Credibilidade e Competência. Votei contra Alberto Lisboa, Romerito e Zé Neves. Dia 9 de dezembro, ratifiquei o meu voto. Elegi a chapa imposta pelo Ninho da Cobra: Édson Nogueira, presidente, Fred Arruda, vice-presidente, e Alexandre Férrer, presidente do conselho. Hoje, só restam Édson Nogueira e Alexandre Férrer. Fred Arruda se licenciou do cargo de vice-presidente. Licenciou-se do cargo que eu ajudei a lhe conceder. Licenciou-se em um momento, no mínimo, inoportuno (pouco antes do Santa Cruz cair para a terceira divisão). Avisou a poucos amigos e, possivelmente, ao grupo Ninho da Cobra. Hoje eu não tenho mais ninguém que me represente no clube que eu amo. Durante boa parte da sua gestão, Fred Arruda foi fiel defensor de Edinho. Um vice atuante e coerente – às vezes, até demasiadamente. Fred sempre tratou com respeito os ex-presidentes Zé Neves e Romerito. Com Edinho, idem. Em conversas informais, ele afirmava, categoricamente, que ele (Edinho) era o único capaz, no momento, de assumir a função de administrar o Santa Cruz. Para Fred Arruda, Edinho era a bola da vez. Mas, Fred Arruda se enganou. Eu também. Fred hoje está fora do Arruda. Mas, muitos querem a sua volta, sendo que para outra função e, desta vez, sem licença. Recentemente, em programas de rádio e TV, o ex-presidente Romerito Jatobá declarou que Fred Arruda deveria ser o candidato imediato...

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O Arruda de braços abertos nos esperando

Coronel Peçonha (Publicação simultânea com o Blog do Santinha) Ninguém foi convocado para discutir determinado assunto ou pauta para essa reunião de ontem, dia 18/03/2008, nada previamente estabelecido, senão a vontade de mudar essa catastrófica crise por que passamos. Todos chamamos e fomos chamados para ver o que poderíamos fazer pelo o Santa Cruz e só esta observação já é suficiente – na minha opinião – para o êxito da reunião de ontem, desde que não fique apenas como um mero encontro de santacruzenses expondo seus pontos de vistas sobre o Mais Querido. Blá, blá, blá? Excessos? Propostas impossíveis? Raivas e mágoas expostas? É possível, pouco importa, o que vale é que esta e outras reuniões sirvam para criar o que mais o Santa Cruz precisa: da nossa participação, da nossa conscientização, de que nós estejamos mais presentes na vida do clube, suas necessidades, suas possibilidades. Sim, isso tudo nos tem sido negado muito há muito tempo, mas não precisamos esperar por iluminados, diretores ou presidentes para que exijamos o que é nosso, o clube. Sim, o Santa Cruz é da torcida e esta tem de voltar ao clube. A maior surpresa para muitos foi o fato da reunião ter ocorrido dentro do clube, no auditório e, mais, contar com a presença de dois diretores – Jomar e Tininho – que não se negaram a responder a tudo o que foi perguntado e mesmo mostrar que são torcedores tanto quanto todos os demais presentes. Para uma torcida que estava acostumada a ver capangas nas sociais, intimidando os torcedores que falassem mal de certa administração nas rádios, que foi surpreendida com o clube fechado em dia de reunião do Conselho Deliberativo ou, pior, reunião de DOIS MINUTOS quando todos queriam expressar sua revolta, só temos a agradecer aos dois diretores por esse ato tão simples, mas tão importante: permitir que o dono do clube (a torcida) tenha acesso a ele. Depois, não há como não registrar a presença de um ex-presidente na reunião, Alexandre Mirinda, algo que também ninguém imaginava que pudesse ocorrer. Ele bem destacou que essa reunião pode ser a inversão da pirâmide: nada de castas superiores, o Arruda é do povo e foi o povo quem levou o clube a suas maiores conquistas. Não pensem, nem ninguém em sã consciência pensaria, que todos os problemas foram resolvidos, que todas as propostas já estão sendo postas em prática...

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Era glacial

 Recebo uma carta de Eduardo Ramos contando as novidades de sua viagem a Boston, onde foi visitar a filha. Embora Ramos, através de nossas conversas no Skype, tenha se mostrado animado em rever a filha, considerou inevitável associar o inverno americano com a era glacial no Arruda. Abaixo segue sua carta. Como Eduardo, também estarei viajando, mas a partir da sexta-feira, dia 07. Estarei de férias e, portanto, ficarei afastado do Torcedor Coral até o dia 16/03. Entretanto, o blog continuará funcionando normalmente com a publicação de textos dos demais cronistas. Espero que, tanto no meu retorno quanto no de Eduardo Ramos, possamos encontrar sinais milagrosos de que o fim do inverno esteja próximo. Quem sabe assim não possamos ter início a uma nova primavera coral. Um abraço a todos e até a volta, Dimas Eduardo Ramos Amigo Dimas, O frio de -7C faz com que as ruas das cidades fiquem desertas. Segundo a minha filha, no verão, Boston e as outras cidades das vizinhanças, se transformam, com milhares de pessoas nas ruas. Hoje, este vazio provocado aqui pelo frio, também exista no país  das Repúblicas Independentes do Arruda. Em vez de frio, é uma gestão que só teve compromisso com os que o elegeram até a proclamação do resultado das urnas. Aqui, as ruas estão vazias, porque o vento frio dói na pele, enquanto no Arruda, o povão tricolor se afasta e se envergonha por causa de uma administração descompromissada e ineficiente. Nestes quatorze meses de gestão, pontuo os adjetivos com que esta torcida foi tratada: bando de imbecis, urubus, maus amigos, maus esposos, profissionais frustrados e agora de infelizes. Somos sim, infelizes, por ter um infeliz na presidência do clube, e outro infeliz, na presidência do conselho deliberativo, endossando e legitimando a farsa instituída e institucionalizada no Santa Cruz de todos nós, de todas as raças e credos. Desde o início que os imbecis questionavam os treinadores contratados, inclusive a Givanildo, que abandonou o Santa Cruz, porque sonhava em ser técnico de um “time grande do sul maravilha”. Estes mesmos maus esposos não aceitavam que Charles Muniz, excelente caráter e péssimo treinador, ficasse à frente do comando técnico de futebol. Os urubus manifestaram suas insatisfações com Mauro Fernando e os infelizes jamais aceitaram a contratação de Zé do Carmo. Pois é, o vitorioso (?) sempre consegue se sobrepor na maldade e na incompetência. Chega cedo no Arruda pra...

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94 anos de frevo… O Mais Querido, de Pernambuco

94 anos de frevo… O Mais Querido, de Pernambuco

Foto: Anízio Silva [MEDIA=2] Hino do Santa Cruz (Irmãos Valença) [MEDIA=3] O Mais Querido (Capiba) Paulo Aguiar Neste domingo de carnaval, dia 3 de fevereiro, nada melhor do que lembrar, através de personalidades consagradas da cultura pernambucana, uma paixão popular. O Frevo é o retrato fiel da efervescência do povo pernambucano. Apesar da diversidade musical do Estado, o Frevo é o Mais Querido de Pernambuco. O Frevo é elemento da nossa cultura, é sinônimo de Pernambuco. É impossível falar de um sem mencionar o outro. É bem verdade que, outrora, o Frevo já possuiu épocas mais áureas, de forte pujança, sendo a principal referência de Pernambuco para o Brasil. Atualmente, o Frevo procura reviver os bons tempos, revitalizando-se, sem, contudo, esquecer e valorizar sua origem. Mas, para isso, é necessário conseguir um maior apoio de todos os atores envolvidos. A razão de sua longa existência deve-se a riqueza de sua manifestação cultural. O Frevo possui um vocabulário extenso é traduzido em ritmos variados: frevo canção, frevo de rua e frevo de bloco. Porém, em todos eles, seus compositores procuram revelar opiniões e emoções, sejam em melodias tristes ou alegres. O Frevo serve de instrumento para a manifestação popular. O Frevo declama saudades, como fez Getúlio Cavalcanti em Último Regresso, e, Nelson Ferreira em Evocação nº1. O Frevo também é protesto, como fez Capiba em Madeira que o cupim não rói. Mas, acima de tudo, o Frevo é adoração e amor, como cantaram Raul e Edgar Moraes em A canção do amor, e os Irmãos Valença em Um sonho que durou três dias. O Frevo também é um meio de tentar expressar sentimentos indescritíveis, até certo ponto irracionais. O Frevo vive imortalizado e pulsando na veia de grande parte dos pernambucanos ao ouvir um simples acorde do hino oficial composto pelos Irmãos Valença em 1952 (Nos anais, nos calendários, Fiquem sempre por lembrança, Teus lauréis extraordinários, De bravura e de pujança, Nos esportes tua história, É orgulho a que faz jus, Este símbolo de glória…) ou do hino popular de autoria de Capiba, em 1958 (… Tuas vitórias de hoje, Nos lembram vitórias do passado…¨). Isto, sem esquecer as tradicionais marchinhas O Papa Taças, também dos Irmãos Valença (… Quem é que quando joga a torcida se levanta… escreve pelo chão, faz miséria e não se dobra…) e Cobrinha no Gramado, composta por Sebastião Rosendo, em 1942 (…de corpo e...

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Crônica da delícia do jogo de ontem

Foto: Arquivo do Blog do Santinha  André Felix Finalmente aquela vitória de lavar a alma. Depois de tanto tempo, uma goleada gostosa, uma segunda vitória consecutiva, e principalmente, depois de tanto tempo, uma encostada na liderança para a leoa da ilha da fantasia tremer nas bases. O jogo parece ter sido feito para acalmar o coração tricolor, pois eu ainda não tinha nem dado o primeiro gole na tradicional Frevo do Arruda, quando Rafagol (como já ouvi sendo chamado) marca o primeiro gol. Sem frescura, toquinho na área, chute, gol. Aí o tricocover de Vitória tentou complicar. A saída no meio de campo do Santa ficou mais enrolada pra sair que o  pagamento via boleto bancário para sócios. Então o Vera Cruz aproveitou para tentar fazer alguma coisa. Se o ataque deles não fosse tão incompetente e Paulo Musse não estivesse tão inspirado, eles iriam conseguir mesmo. Foram pelo menos três chances claras de gol perdidas pelo Vera. Mas o destino era a nossa festa mesmo. Depois um futebol agonizante durante quase todo o primeiro tempo, Rafael Rebelo marca novamente. O gol foi parecido, mas até que foi mais bonitinho. Durante o intervalo (lá pela terceira cerveja) ainda tivemos  uma notícia que valeu por uns dois gols: a coisa ficou no 0 a 0 com o Acadêmicos de Salgueiro. Era só marcarmos mais dois que a liderança era nossa. Quando o segundo tempo começou, o jogo foi mais pau a pau. O Santa criou mais algumas boas jogadas (sem Nildo, claro). O ataque do Vera mostrou todo o seu destalento perdendo mais alguns na cara. Até que, aos maravilhosos 27 do segundo tempo, Rosembrik meteu um tal de um chute mais do meio de campo do que dá área, daqueles que você já se apronta pra xingar o cara que devia estar armando jogadas e não dando chutes sem sentido. E não é que o cara teve mais visão e talento do que todo mundo esperava? Que golaço! Derrubei minha quarta cerveja toda durante o “Ah! É Rosembrikeee!”. Foi um dia realmente de lavar a alma de tanta coisa ruim que tem acontecido ao Santa desde que começamos aquela série A em 2006. Dez minutos depois, o time surpreendeu novamente. Todo mundo pediu para Paraíba cobrar aquela falta, inclusive eu. Pois Juninho bateu e marcou do mesmo jeito e não teve ninguém que reclamasse. O gol do nosso xará de...

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Abaixo da linha d’água

Jediael Costa Araújo, São Vicente-SP É, meus jovens amigos! Estou também muito triste, pois o Santinha está sucumbindo, como uma embarcação enfrentando um mar raivoso, disposto a destruir tudo a sua frente. O Santinha é como se fosse um navio à deriva. O leme já quebrou, a quilha está podre, o timoneiro, o comandante, e o restante da tripulação estão todos atordoados, só esperando a hora fatal. Alguns deles já estão prontos para se jogar no mar, já vestiram até seus coletes salva-vidas para cair fora antes do barco tricolor afundar, porque o convés está inundado, é só água . Más o Santinha é valente e não liga pra estes cabras que conseguiram, ninguém sabe como, serem chamados de jogadores de futebol, sem condições de respeitar um pavilhão de tanta tradição. O comandante do barco, está prostrado em sua cabine, sem a mínima condição de reação, só diz que pegou o barco danificado antes desta longa viagem, se lamenta o tempo todo, e a tormenta evoluindo em uma intensidade demolidora. E nós, assistindo toda esta debacle, torcendo e sofrendo a cada solavanco que o frágil barco tricolor toma das ondas enfurecidas. Como está difícil, amigos tricolores, como está difícil! A cada jogo é uma tormenta, uma verdadeira avalanche de desventuras derrubando tudo. Cada jogo é um tranco pesado demais. Nós torcedores quando estamos no estádio ou acompanhando de fora, com eu aqui em São Vicente-SP, nos sentimos como se estivéssemos em um campo de concentração nazista, tamanho o sofrimento que este time nos passa. Ficamos reféns da sorte, de um surto de sorte, uns verdadeiros condenados á espera da libertação. O nosso Mundão nem precisa de grades, o time lá no campo todo desordenado, se encarrega de nos torturar. É tanta porrada que recebemos que quando o jogo acaba (digo o pesadelo), ficamos todos inertes, não temos nem força para sair do estádio. Ficamos parecendo uns bonecos movidos à bateria, esta já em seu derradeiro estágio de força, que nos faz andar já sem rumo, porque a carga emocional já se esgotou. A auto-estima está esfacelada e fica tudo escuro como breu. É um caos total. Os cardiologistas aí em Recife estão felizes, é muito tricolor na fila de espera para se consultar. Devem estar faturando alto. Os profissionais desta área que são tricolores nem cobram a consulta, em solidariedade à torcida. Comparo ao que aconteceu no Arruda, naquele jogo contra a ponte preta, ao mesmo que aconteceu em 1950 no Maracanã naquela final da...

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