A mulher que trai

Imagem original: Infiel Liana é das pessoas mais doces que conheço. É claro, sou suspeito para falar, porque ela é minha cunhada. Mas não é por isso que penso assim. Ela passa mesmo aquela impressão que toda pessoa boa de espírito passa para a gente. Liana não torce por nenhum time de futebol, mas nutre uma imensa simpatia pelo Santa Cruz – ela costuma ler com frequência o Torcedor Coral – e, como boa amiga que é, se solidariza comigo, quando o Glorioso, que vive os dias mais inglórios de sua história – perde. Ultimamente ela tem sido mais solidária do que de costume, já que o Santa parece ter esquecido os tempos de vitórias. Pensando em contribuir para fechar as minhas feridas futebolísticas, Liana me manda este texto delicado. Embora as minhas feridas só possam cicatrizar com o ressurgimento do meu clube de coração, o texto de Liana me serve bem de consolo. A escolha da imagem fica por minha conta e é puro deboche. Ela quebra um pouco o ritmo do texto, é verdade. Mas alguém já ouviu falar de futebol sem deboche? Dimas Lins Maria Liana Macêdo Nem bem abriu os olhos e à mente lhe veio a lembrança. Às vezes o nome também lhe vinha assim, de repente. Espreguiçou-se. Pediu proteção aos anjos e santos para aquele novo dia e levantou. Foi à cozinha com o pensamento na noite anterior. Estava ainda na sua cabeça a imagem. Na memória olfativa, o cheiro. Era tudo muito forte. Uma espécie de embriaguez. Pegou a jarra de água que fica na parte seca da pia e encheu o copo, como gosta. Teve dúvida se tomava ele todo. Nunca tinha sede a esta hora do dia. Era mesmo um hábito. Água natural para começar bem. Voltou ao quarto amplo e claro. Ela adorava aquele branco das paredes, móveis, lençóis, tudo enfim. Quando morrer quer que o céu seja assim: branco e limpinho. Uma espécie de continuidade das suas manhãs. Abriu o chuveiro, esperou o primeiro e segundo jatos e entrou. Assim é melhor. Quem sabe a ducha fria lhe tire do pensamento o proibido. Banho renova, revigora, mas ainda sente palpitação, certa ansiedade, medo infundado, ou será que ela sabe do quê? O pensamento continua lá, firme. Tenta em vão desvirtuá-lo. Escova os dentes e o aparelho móvel, que não é o celular. É sim uma peça ortodôntica que a faz lembrar...

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Pena de morte tricolor

Magali Amélia Gama No dia 24 de agosto de 2008, o Sr. Édson Nogueira, delegado de polícia, advogado formado sabe-se lá aonde, decretou a pena de morte de um clube de futebol de 94 anos. Em todos estes anos, que eu acompanho como torcedora apaixonada desde 1975, nunca fomos tão prejudicados por uma única pessoa. Tivemos histórias de glórias, de presidentes heróis e histórias tristes, de presidentes desonestos que dilapidaram o patrimônio do clube. Mas como o Senhor Dr. Delegado, realmente, como diria a turma do filme “Tropa de Elite”, “nunca serão”. Sei que a vida continua, e que o futebol para muitos é apenas uma diversão, um lazer de fim de semana e que amanhã teremos que trabalhar, estudar e seguir em frente. Mas, Sr. Delegado, a sentença que o Senhor conseguiu impor a milhares de pessoas foi dura e cruel. Nós não merecíamos isto. Ficamos juntos, incentivamos e até mesmo, quando só um milagre nos salvaria, ainda levamos 17 mil esperançosos para ver a última humilhação que o Senhor nos fez passar. E falo última, não pelo fato do Senhor não estar mais no clube amanhã, pois infelizmente, Senhor Delegado, teremos que lhe aturar até dezembro. Falo última, porque agora só em “janeiro” é que veremos o Santinha no pernambucano, muito provavelmente para virar chacota de nossos rivais. Senhor Delegado, eu sou formada em Administração e tenho dois filhos universitários, um estudante de Administração e outro de Direito, e hoje agradeço a Deus por poder ter lhes educado moral e religiosamente , pois o ódio que eu vi nos olhos deles com relação ao Sr. Dr. Delegado, me faz pensar que hoje junto com o Santa Cruz , meus filhos morreriam de tristeza ou contaminados com tanto veneno. E graças a Deus, somos pessoas do bem. E pensar que o Senhor Delegado ainda queria votos para se eleger vereador. Eu não tenho domínio das leis, como provavelmente o Senhor deve ter, mas hoje eu queria poder lhe processar e acho que o Senhor se enquadraria em vários artigos contra o meu Clube e a minha família. Danos morais, danos materiais, constrangimento, abuso de poder e o pior de todos, homicídio doloso triplamente qualificado, quando o Senhor de forma cruel, sem dar chance de defesa e de forma premeditada, assassinou covardemente toda a Nação tricolor. O Senhor, como bom advogado, pode tentar se defender, colocando a culpa nos...

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Ele conseguiu

Foto: Coralnet / Arte sobre foto: Dimas Lins Pierre Lucena (Publicado originalmente no blog Acerto de Contas) Depois de gestões desastrosas por aproximadamente 20 anos, eis que Edson Nogueira, o atual presidente do Santa Cruz, conseguiu praticamente destruir um clube de massa. O resultado de domingo contra o “poderoso” Icasa praticamente rebaixou o Santa Cruz para a inédita “Série D”, que será o fundo do poço do futebol nacional. Se a Série C já era o inferno na terra, imagine a novata “Quarta Divisão”. Algumas pessoas costumam dizer que o Santa Cruz será igual ao América do Rio, mas a trajetória do tricolor pernambucano não encontra semelhanças no futebol. Nenhum clube de massa chegou tão fundo no poço do futebol brasileiro. A gestão Edinho é um completo desastre. Recebeu o clube sem nenhum documento do antecessor, e não deu queixa à Polícia por isso. Depois disso, montou um time horrível, que fez um papelão no Campeonato Estadual. Aí aconteceu seu pior erro (se é que é possível encontrar um pior), que foi a contratação do treinador Mauro Fernandes, especialista em rebaixamentos. Apesar do protesto geral, manteve seu queridinho até o time ser rebaixado à Série C. O treinador foi tão covarde que não teve coragem de voltar à Recife no último jogo. Em um lance bisonho, Edinho confessou na Rádio CBN que tentou corromper um juiz, através de um intermediário. Você pode ouvir a gravação aqui. Jogou o nome do Santa Cruz na lama, e para tentar se salvar, inventou que agiu assim orientado pelo Ministério Público. Mentiu, já que esse não é o procedimento de investigação. Um dos promotores responsável pelo caso me falou que jamais orientariam a fazer isso. Quando todos pensavam que não poderia ficar pior, eis que o “gênio” Edson Nogueira conseguiu inovar mais um vez. Conseguiu montar o pior time da história dos times do Recife, e praticamente rebaixou o Santa Cruz à Série D. Só um milagre salva o tricolor da degola. Vale salientar que Edson Nogueira não é o único a afundar o Santa Cruz. Os mesmos dirigentes que ajudaram o Santa Cruz ainda ficam circulando por lá, na tentativa de voltar, como se o clube fosse propriedade da família de alguém. O Santa Cruz é praticamente um “ente clandestino”. Não possui conta bancária, não tem certidão negativa de nada. Lógico que o clube não vai acabar por isso, mas os efeitos...

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Futebol, paixão e arte

Manchete da fantástica reação tricolor Roberto Vieira O amor cresce na derrota. Parece paradoxo, mas não é. Puxa-saco é quem gosta da vitória. Nunca vai a campo. Mas está sempre pronto para aparecer quando tem faixa. Quando o time está por cima. Namorar mulher bonita é fácil. Descobrir a beleza da mulher amada, paixão e arte. Há 36 anos o Santa Cruz já era tetracampeão. Máquina de fazer gols com Givanildo, Luciano e Ramon. O Terror do Brasil. Mundão do Arruda lotado. O Corinthians mete 2 x 0. Em seguida 3 x 1. Corinthians que era o Timão sem títulos. Partida transmitida para todo o Brasil pela TVs Bandeirantes e Cultura. Por um pedido especial da presidência da república à Embratel. Alguns penetras xingaram o Santa. Foram descendo as escadarias do José do Rêgo Maciel. Descrentes. Subitamente corintianos. Eis que o Santa encontra forças do nada e reage. Diminui. E Betinho encobre Ado empatando a peleja. O estádio explode. E os que partiam, voltam. Sorriso amarelo. O amor cresce na derrota. Descobrir a beleza na vitória é fácil. Descobrir a beleza no clube derrotado, paixão e arte… Nota da Redação: Roberto Vieira é médico e tem o defeito de torcer pelo time dos Aflitos. Durante uma semana já foi torcedor do Santa Cruz. Nas horas vagas é pesquisador. Segundo dizem, ele é o pseudônimo de Juca Kfouri. Com paixão e arte, Roberto escreve sobre o primeiro jogo do Santa Cruz transmitido para a TV, em 05 de outubro de...

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Até nunca mais, Edinho

por Inácio França (com pesquisa e colaboração de Anizio Silva, Gerrá Lima e outros; publicação simultânea com o Blog do Santinha) Desde o meio da semana passada, trocávamos e-mails sobre a possível candidatura do presidente do Santa Cruz à vereador. Como a lista ainda não estava disponível nos sites oficiais do TRE e do TSE, decidimos esperar e especular. No ano passado, muita se falava que ele planejava lançar a candidatura, que estava montando comitês em algumas comunidades e essas coisas que se fala sem ter certeza de nada. Por trás de tudo, o apoio da deputada estadual Terezinha Nunes, do PSDB. Eu, inclusive, cheguei a escrever que se candidatar era um direito de qualquer cidadão, mas o que ele não poderia ter feito era subordinar todas as decisões relativas ao destino do clube aos seus interesses políticos imediatos. Com o fracasso de sua gestão, imaginava que seus delírios políticos tinham ido pro beleléu. Ontem, o TSE disponibilizou a lista dos candidatos aptos a disputar a eleição de outubro (confira a relação de registros de candidaturas no site do TSE). E o nome do senhor Edson Domingues Nogueira está lá, com declaração de bens e tudo mais que tem direito. Assim, ficamos sabendo que Edinho tem uma casa em Olinda, avaliada em R$ 100 mil e uma S-10 no valor de R$ 40 mil. Mas isso é o que menos importa. O que importa é que ele teve cara-de-pau (ou coragem, ou insanidade) suficiente para se lançar candidato. Mais um erro de Edinho. Para nossa sorte, esse erro terá merecidas conseqüências negativas apenas para ele, não para o clube. Acontece que o artigo 83 do novo estatuto (ou artigo 84 do estatuto anterior) não deixa dúvidas: ARTIGO 83 – O Presidente do Executivo estará automaticamente destituído do cargo na hipótese de, não exercendo atividade político-partidária, vir a registrar candidatura a cargo eletivo para o Poder Legislativo ou para o Poder Executivo. PARÁGRAFO 1º – Aplica-se o princípio estabelecido no “caput” deste artigo ao Presidente do Conselho Deliberativo, aos Presidentes das Comissões Patrimoniais e Fiscais, aos Diretores, assessores e funcionários PARÁGRAFO 2º – Será passível de exclusão dos quadros sociais aquele que se utilizar da imagem, da marca, dos símbolos e dos hinos do Clube em campanhas políticas. Não conheço qual o próximo procedimento para oficializar a destituição e providenciar a sucessão para Fred Arruda, mas tenho certeza que, agora,...

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Política, fúria, amor e ódio

Sylvio Ferreira Desde o momento da queda do Santa Cruz para a Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro, o atual presidente do Clube se tornou objeto de verdadeiro ódio por parte da torcida coral. De lá para cá, outra coisa ele não tem feito a não ser aumentar contra si o referido sentimento. Há um imenso barril de pólvora prestes a explodir nas Repúblicas Independentes do Arruda. É só uma questão de tempo.  Não é preciso ser vidente para prever os acontecimentos. Para tanto, será decisivo o desempenho do Santa Cruz na Série C. Em obtendo êxito, o barril de pólvora explodirá em dezembro. Caso contrário, a explosão ocorrerá tão logo o Clube seja alijado da próxima competição. Nos dois casos, muito certamente a explosão se dará de diferentes formas. Oxalá que a mesma aconteça pelo poder e a força das urnas, daqui a seis meses. Assim acontecendo a democracia se edificará em solo apropriado. Contudo, nada assegura que assim acontecerá. Em termos políticos, o Santa Cruz virou um campo minado de altíssimo risco. E as minas plantadas no Clube (frutos da arrogância, prepotência, descalabro administrativo, desrespeito as normas estatutárias e à instituição coral) não explodirão no colo da torcida; afetando-o ainda mais do que já a afetou. No momento oportuno, o feitiço haverá de voltar-se contra o feiticeiro, na forma de uma revolta jamais vista na história do Clube. Para quem não sabe, o ódio é um sentimento que não basta a si mesmo. Nesse sentido, ele é menos um fim e mais um meio para expressão de algo maior do que ele próprio e que somente se realiza mediante o exercício da fúria. Por sua vez, a fúria explode quando o poder da força se sobrepõe ao poder do sentido. Essa é a derradeira tentativa, movida pelo desespero, de chamar o feito à ordem; por parte de quem se sente vilipendiado nos seus direitos de torcedor ou associado, ultrajado nas suas prerrogativas estatutárias e frustrado nos seus sonhos e esperanças quanto ao objeto que se constitui no maior orgulho e na razão de ser de milhões de vidas: o Santa Cruz. Mas o ódio dirigido ao atual Presidente do Executivo, embora seja por demais compreensível, traz no seu bojo uma faceta perversa para a formação de uma consciência política que é preciso ser banida do Santa Cruz – refiro-me à má consciência que acaba por privilegiar mais os...

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