O ritmo e a aceleração

O ritmo e a aceleração

Existe uma diferença fundamental entre ritmo e velocidade. O ritmo é o que podemos chamar de pulsação e a velocidade é o andamento empregado numa partida. Alguns treinadores optam por um andamento mais lento e consequentemente, neste caso, o ritmo diminui. Este recurso é usado quando se quer diminuir o ímpeto do adversário e, normalmente, quando se tem a vantagem da construção do resultado. A equipe do Santa Cruz demonstra que atingiu o ápice do domínio do ritmo e da velocidade. Isto se dá pelo fato do treinador ter utilizado toda a primeira fase deste campeonato para consolidar o equilíbrio entre ambas as partes, o ritmo e a velocidade. Passamos pelo primeiro mata-mata de forma confortável. Na primeira partida Zé Teodoro usou o esquema 4-4-2 e cometeu dois equívocos que foram fundamentais para comprometer nossa força e poder de ataque: a improvisação de Memo na lateral-direita e a utilização do atacante Fernando Gaúcho. Estes dois jogadores foram peças fundamentais para da diminuição da velocidade da equipe. O resultado deste erro foi o pífio placar contra a A.A. Coruripe, um time que joga um futebol pra lá de esquisito. Na segunda partida, o jogo da volta, o técnico do Santa Cruz optou pelo esquema 3-5-2, buscando repetir algumas atuações do semestre anterior, principalmente aquela contra o São Paulo. O time se defendeu com eficiência e eficácia, mas foi deficitário no ataque e nos contra-ataques. Ficou público e notório a falta de capacidade na articulação entre a defesa e o ataque, pois não havia no time um jogador que tivesse a capacidade de cuidar da transposição da pelota entre o sistema defensivo e o corpo atacador. De maneira que, nos comportamos de forma destrutiva, tanto no aspecto da dignidade como no que se refere ao futebol apresentado. Mas nos classificamos e pegaremos o Treze Futebol Clube, o Galo da Borborema. O primeiro jogo é lá e o segundo é cá, obviamente. Afirmo peremptoriamente que a equipe representante da cidade de Campina Grande foi o que de melhor poderia ter sido para nos enfrentar. É um time que gosta de atacar e, mirado na sua campanha até o presente momento, acham que tem um amplo poder de artilharia, usando por diversas vezes a soberba dentro das quatro linhas. Junto a isto, eles até agora não se defrontaram com equipes possuidoras de um bom sistema defensivo e sua defesa é fraca. Daí, nossas...

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Temos que aceitar o contrário

Temos que aceitar o contrário

Alguns seres são acometidos por um bloqueio que os impede de aceitar novas opiniões a respeito de algum assunto. Isto se evidencia naqueles que fizeram um alto grau de  investimento nas suas convicções, provocando desta forma, o bloqueio acima citado. No futebol, este fato se torna mais evidente, devido às circunstâncias nas quais estão envolvidas as variáveis fundamentais para a afetividade entre a figura que torce e o objeto admirado. Ao se apoderar de uma opinião, o indivíduo acredita de maneira plena que está provido de certeza e do que é certo. E assim, é inconscientemente levado a se proclamar superior aos demais. De forma que, se ele aceitar a fala contrária ao que defende, estará admitindo sua inferioridade, ferindo com uma faca pontiaguda a sua auto-estima. E neste tatame se estabelece a luta dos pensamentos contrários. É balizado por este alicerce que devemos entender a dificuldade da auto-critica e o motivo pelo qual boa parte dos dirigentes, treinadores e torcedores não são capazes de mudar rotas e alterar planos. O Santa Cruz entra agora numa das principais fases da Série D do futebol nacional. Não cansa ressaltar que se passarmos deste mata-mata, teremos apenas mais uma fase de ida e volta para adquirirmos nosso passaporte para terceira divisão brasileira. No último jogo, nosso time se mostrou mais solto e comprometido, mas pecou nas finalizações. Outro fator negativo evidenciado foi o setor defensivo, local que estamos precisando minimizar o nível de vulnerabilidade. Dito isto, faz necessário à diretoria e à comissão técnica avaliar os pontos negativos, procurando não se apegar a convicções e falsas certezas, para desta forma poder buscar diminuir os pontos fracos. Por sua vez, a torcida precisa exercer seu poder de exigência, se abstendo da plena certeza, pois só assim poderá contribuir para chegarmos a novos modelos e formas. O Santa Cruz ao adentrar o gramado no próximo domingo tem a obrigação de mostrar se conseguiu chegar ao objetivo traçado pelo seu comandante, visto que, em tese, estamos na reta final para chegarmos a conquista de uma vaga para ascensão de série. Não há mais tempo para aprimoramentos, nem para experimentações. O que serve deve ser colocado no contexto e o que estiver fora da média estabelecida deverá ser descartado para o setor de sobras. Acabou-se o espaço para tangiversações e novos experimentos. A atualidade é para objetividade e fatores positivos. Numa reflexão sensata, veremos que...

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O caminho é certo

O caminho é certo

No futebol, o esporte da bola no pé, todos os objetivos são mirados em oportunidades futuras. O passado serve apenas como parâmetro para projeção do que está mais a frente. E o presente é rápido e passageiro. É balizado por este alicerce que se deve agir para organizar tecnicamente uma equipe, dando a ela uma boa dinâmica tática e garantindo também, uma boa preparação física e psicológica. Neste cerne, o comandante técnico precisa ter a capacidade para detectar as falhas e saber o momento certo de agir, evitando assim, a precipitação e o atropelo nas tomadas de decisão. Ao que me parece, o treinador Zé Teodoro, vem utilizando está primeira fase do campeonato brasileiro da Série D, em busca de encontrar a formação ideal para enfrentarmos a seqüência seguinte desta quarta divisão, os famosos mata-mata. De forma estratégica, o técnico vem buscando dar ritmo de jogo a alguns atletas, bem como fomentar o entrosamento necessário ao conjunto principal e preparar psicologicamente o grupo para controlar a ansiedade e a pressão que virá nas duas fases seguintes a esta que ainda estamos disputando. Cabe ressaltar que a tabela posta não é favorável ao trabalho exercido, pois deixa lacunas de até quinze dias sem a equipe jogar de forma profissional, comprometendo assim, o bom desempenho técnico-tático, a boa preparação física e a harmonia do conjunto. O maior problema enfrentado neste caso específico, o da insistência com jogadores que ainda não estão rendendo em um nível satisfatório para se atingir uma boa qualidade final é a ansiedade e a falta de conhecimento teórico da torcida, na qual se inclui os colaboradores, conselheiros e corpo diretivo, pois todos são norteados pela sede do consumo por resultados positivos e pelo combustível emoção. Esta agonia, que foge das mãos conscientes do ser humano, caso não haja um bom mecanismo de estancamento por parte de quem está executando o trabalho, pode atrapalhar a qualidade do resultado procurado. Cabe aqui ressaltar que o desenho tático implantado neste modelo de competição não pode ser igual ao do que foi desenvolvido no campeonato estadual deste ano. As situações são extremamente diferentes. No estadual nosso desafio era um, nesta série D a dinâmica é outra. Enfrentamos adversários com qualificações inferiores, que jogam de forma descompromissada, fato este que os tornam imprevisíveis e propensos a nos apresentar surpresas. Na minha ótica, defendo que o importante é buscar primeiro a garantia da...

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Ponta do iceberg

Ponta do iceberg

A torcida do Santa Cruz Futebol Clube anda se perguntando o que houve com o time. Não resta a mínima dúvida que o futebol apresentado pelo grupo que representa o clube da Avenida Beberibe beira ao ridículo e a bizarrice. Somente quem não enxerga futebol com a dosagem certa de racionalidade não é capaz de verificar tal fato. Contudo o que nos interessa é abordar sobre o que provoca a atual falta de futebol, pois a apresentação em campo é apenas a ponta de um iceberg. O esporte da bola no pé pode ser considerado como uma equação matemática ou até mesmo como uma grande cadeia biológica, com seus nichos, habitats, alimentação e reprodução. Daí a dificuldade do seu entendimento por parte dos admiradores e aficionados. De forma peremptória eu vos digo: o Santa Cruz não está no seu limite. A realidade é que quem está conduzindo o maquinário, tanto na labuta burocrática, quanto na operacional, não está conseguindo maximizar a extração do produto final. Seja por falta de combustível, seja por falta de literatura, seja por não conseguir motivar as peças fundamentais da engrenagem. No futebol os fatores que interferem para se atingir uma boa qualidade de produto gerado são demasiadamente infinitos. Desta forma, há de se analisar todo um conjunto de conjecturas, bem como avaliar os alicerces que balizam o treinamento em campo. O calor da emoção faz esquecer fatores que nossa mente trata de guardar em alguns baixos níveis cerebrais, dificultando para os emotivos, a consciência destes fatores. Neste cerne é muito comum a fala ser apenas consequência de uma masturbação cerebral, principalmente quando tratamos de assuntos passionais e complexos, onde o futebol se enquadra por completo. Está notória a ausência do bom futebol no time do Santa Cruz daqui. A começar pela faltas de gols, onde o artilheiro da equipe é um zagueiro que atabalhoadamente consegue colocar a pelota nos fundos do barbante. No mundo, equipe nenhuma é treinada para zagueiros se tornarem artilheiros. Os recursos da utilização da altura dos defensores nas bolas paradas, apenas são usados como uma nova opção de busca do objetivo final. Mas este não é o ato principal da peça. Dito isto, não há time que sobreviva somente com gols de zagueiros e/ou bola parada. Esta falta de tentos é fruto de uma significativa ausência de esquema de jogo, isto é, o treinador apenas entrega as camisas. Resta saber...

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Precisamos mostrar futebol

Precisamos mostrar futebol

No ano de 94 do século passado, em virtude do triunfo brasileiro no mundial de futebol, uma boa discussão veio à tona. O cerne da questão era o fato do Brasil ter apresentado um futebol sofrível, feio, maltrapilho, mas que se consagrou campeão. Nas esquinas, nos bares e nos mais diferentes locais, ortodoxos e heterodoxos, travaram fervorosos diálogos sobre esse modelo de futebol, onde o mais importante é a vitória, independente de como ela é conseguida. A seleção de Telê e a seleção de Parreira eram os pilares principais do assunto discorrido, onde uma servia de contraponto a outra. Mas o que isto tem a ver com o Santa Cruz? Praticamente, nada! Exceto o cego por completo, todo mundo viu e ouviu o futebol vergonhoso apresentado pelo time do Santa Cruz Futebol Clube no jogo do último domingo. Coletivamente a equipe foi uma catástrofe e a torcida saiu do Arruda com um gosto amargo na boca. Isto é fato consumado e palpável. Assim como é fato consumado a importância da última vitória. Num resumo barato, jogamos feio, mas ganhamos. Numa comparação grosseira, alguém poderia sugerir que fizemos igual à seleção brasileira de 1994. É equívoco pensar deste modo. Cabe explicar, que na copa do mundo de 94, o Brasil apresentou um esquema de jogo sem muita beleza plástica, mas de uma estética coerente e bem elaborada. Na verdade aquela seleção tinha um esquema de jogo feio, o que é essencialmente diferente de se apresentar um futebol feio (é bom se aprender a diferenciar esquema de futebol, de futebol apresentado). Parreira foi para o mundial munido de um esquema que valorizou muito mais o cuidado com a retaguarda do que o ataque. Por sua vez, se olharmos para Avenida Beberibe, vemos que o treinador Zé Teodoro não consegue implantar um modelo tático na equipe. É fácil observar que não há nenhuma variação estética no time. Os jogadores apenas são escalados, na maioria das vezes de maneira equivocada, e não produzem praticamente nada dentro do gramado, a não ser a vontade de disputar a jogada e vencer a partida. É como se o técnico estivesse apenas entregando as camisas. O discurso de que jogamos pelo resultado é um blefe que funciona mais ou menos assim: nós plantamos esta justificativa que o calor emocional da torcida vai defender com unhas e dentes nossa desculpa. Outro blefe é dizer que o futebol hoje...

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Por dentro e por fora

Por dentro e por fora

Tive a grata sorte de acompanhar de perto a última apresentação do Santa Cruz Futebol Clube. Em virtude de compromissos profissionais, Belo Jardim foi passagem obrigatória para o nosso veículo institucional. Assisti ao jogo “in loco” e, mesmo assim, fiz questão de ver a reprise da partida, para dirimir dúvidas, aguçar o olhar e acurar a opinião. Torna-se repetitivo discorrer que o ambiente do Estádio Mendonção, pertencente ao Sesc daquela cidade, não é propício para um embate de futebol profissional. Com as devidas vênias, o campo do Sesc é lugar para jogos amadores e peladas festivas. Pude verificar de forma analítica que o time do Santa Cruz, dada as condições de jogo, publicitou um visível nível de melhora. O design arquitetado para o ataque começou a mostrar formas agudas e compactas. Mesmo naquele lamaçal e no aperto que as dimensões do terreno proporcionaram, o setor ofensivo esteve mais arrumado e deu sinais de melhora com a entrada de Kiros, visto que o seu biótipo naturalmente o faz um ponto de referência dentro da ora citada localidade, o ataque. Outrossim, cabe lembrar o seu potencial nas bolas alçadas na área. Com a entrada de um lateral-direito de carreira, este fator será automaticamente potencializado, nossa agressividade se elevará e, conseqüentemente, minimizaremos a falta de gols. Um ponto que ainda precisa ser melhorado é o defensivo. A vulnerabilidade da nossa defesa é notória. Mesmo não sendo este fato deveras preocupante, é salutar que não esqueçamos que já estamos com um saldo negativo de três gols contra. Apesar de todos eles terem sido tomados em jogos fora de casa, basta fazer uma rápida análise das jogadas que chegaremos à seguinte conclusão: a maneira pela qual fomos atacados está acima dos limites desejáveis para quem almeja conquistar um dos primeiros lugares da competição.  Entretanto, exceto por algum tipo de trauma, não há motivo algum para o desespero. De formas que não faz nenhum sentido a agonia expressada por alguns torcedores, no que se refere ao futebol apresentado. Ademais, tal comportamento por parte da torcida, poderá causar transtornos irreversíveis no desempenho da equipe dentro do campo, proporcionando prejuízos significativos para o nosso lado. Faz-se necessário ressaltar que tal afobamento é legítimo. Futebol é acima de tudo paixão. A paixão limita o olhar. Delimitando o futebol apenas ao interior das quatro linhas, comungo da plena certeza que atingiremos o objetivo desejado. De forma prática, se vencermos...

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