É preciso calma. É necessário atropelar!

É preciso calma. É necessário atropelar!

A experiência nos diz que a Série D não é tão fácil como muitos imaginam. O fato de ter se consagrado vencedor máximo do campeonato pernambucano Coca-Cola deste ano não garante ao Santa Cruz atestado de classificação para terceira divisão do campeonato brasileiro de futebol. Mas muitos pensam que sim, inclusive alguns jogadores do atual elenco. Por outro lado, o resultado do confronto contra o Gurani Esporte Clube, o Guaraju, por mais que nos transporte para um sentimento de impotência, não pode ser considerado e visto de forma atabalhoada. Alguns torcedores já deixam transparecer o que podemos chamar de afobação e, em virtude deste distúrbio, começam a pregar aos quatro cantos uma exagerada preocupação, dando sugestões estapafúrdias. A torcida no seu imaginário inconsciente, ao invés de ajudar, acaba atrapalhando e colaborando para que se antecipe a pressa, pondo em risco o trabalho feito ao longo dos últimos seis meses. Defronte a esta situação, cabe à diretoria e comissão técnica usar os devidos mecanismos para impermeabilizar o grupo, a fim de que o mesmo não seja atingido pelos excessos exteriores, principalmente os que vem da imprensa, pois esta capta a opinião do torcedor e a propaga pelas ondas da comunicação, tornando uma opinião como verdade absoluta. Dito isto, passemos a uma opinião sobre o futebol apresentado pelo Tricolor do Arruda nas duas primeiras rodadas. Tenho sempre explicitado que o Santa Cruz é um dos favoritos. Isto é palpável. Mas para afirmar de forma prática o seu favoritismo é necessário entrar em campo sem respeitar o adversário e sem sandálias de saltos altos como vem acontecendo. Ao observar in loco estes dois primeiros jogos, ficou anotado que nossa equipe entra desligada, sem vontade de maltratar o time inimigo. Entra na base do “ganho quando quiser”. No futebol isto é um forte fator para minimizar o estado de medo do opositor. Esta situação aguça de maneira indiretamente proporcional ao tempo, um deslocamento de algo que está ao nosso favor para um ponto de interseção neutra, favorecendo assim, e sempre, os que estão no seu momento inferior. De forma contrária, quando o superior não demora a procurar liquidar o adversário, sendo este menor, o favoritismo tende a movimentar-se para o infinito, aumentando ainda mais a distância entre as equipes e fazendo com que a superioridade e inferioridade atinjam seu ponto máximo. Apesar das nossas carências serem claras, não há como acreditar que neste...

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A hora é de cair na real

A hora é de cair na real

Há tempos venho explicitando que o Santa Cruz precisa ter como ingredientes principais para a disputa da série D, a vontade e a humildade. Com o advento da globalização e a irrestrita democratização na circulação de informações, os grandes desníveis no futebol foram minimizados. Basta mirar a nossa seleção brasileira e, com um olhar mais ao horizonte, observar o selecionado argentino, que veremos o novo status quo do futebol profissional. O ambiente atual exibe um cenário de equilíbrio entre os mais diversos tipos de equipes. Ao aterrissarmos na quarta divisão do futebol brasileiro, nos deparamos com um território até então desconhecido, povoado por jogadores de nomes exóticos e clubes decadentes. Isto nos fez acreditar que o Santa Cruz teria uma boa dose de facilidade e nossa paixão maculou o movimento real. O movimento real mostrou que não se triunfa apenas com os requisitos da tradição e do nome. Muito menos, o fato de a equipe ter no seu quadro jogadores mais tarimbados, não garante que a bola entrará na rede do adversário. Vivemos esta situação nas competições anteriores, e poderemos nos deparar com o mesmo quadro na disputa que está prestes a vingar. O último amistoso deu o seu alerta e uma sensação de déjà vecu. Os mais desavisados e alguns ignorantes poderão avaliar o jogo contra os reservas do Salgueiro como uma partida inconseqüente e desnecessária. Discordo de forma aguda e respeitosa com este tipo de avaliamento. O principal eixo desse amistoso foi enfatizar para o grupo que defenderá o Santa Cruz na disputa da série D que é preciso empenho além do limite, extrapolar a seriedade e o respeito ao adversário, e por fim, estar ciente de forma positiva sobre os possíveis percalços a serem ultrapassados. Por outro lado, tenho visto o treinador deixar claro que o esquema tático a ser apresentado é o 4-4-2, podendo dentro da partida, esta formação variar para o 3-5-2, onde provavelmente o jogador Jeovânio cumprirá o papel de terceiro zagueiro. Isto posto, faço ênfase para a seguinte observação: o técnico sinaliza que não precisaremos fazer marcação homem a homem, uma vez que a formatação utilizada nas finais do campeonato foi de certa forma deletada. Este fato nos leva a outra ponderação: aparentemente existe um menosprezo inconsciente que naturalmente levará a uma macro autoconfiança. Estes dois fatores somados de forma absoluta poderão produzir um aumento significativo na probabilidade de resultados negativos. É...

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É necessário algo mais

É necessário algo mais

Apesar do Santa Cruz não ter se afastado do seu habitat natural, devemos considerar este período que se localiza entre o final do pernambucano e o início da Série D do campeonato brasileiro como uma pré-temporada, onde os amistosos fazem parte das ferramentas utilizadas para aprimorar as questões táticas, técnicas, físicas e psicológicas, além de servir para testar de novos materiais humanos. Após a observação de alguns treinos e dos três amistosos, dá para concluir que estamos no caminho certo. A comissão técnica preza pela força da harmonia e da compactuação. Um fato que está claro é a propensão do treinador Zé Teodoro em efetivar Dutra na lateral-esquerda e utilizar o jovem Renatinho como uma das opções para o meio-campo, no intuito de ocupar a lacuna que até hoje não foi preenchida de forma eficiente pelo jogador Natan e por Têti. Ambos parecem ser jogadores de vidro. Fica-me a evidência que Zé Teodoro está testando o baixinho Renatinho na meia-esquerda. Isto posto, não me resta dúvida que se Renatinho não corresponder a expectativa do nosso técnico, ele será levado ao banco de reservas. Fato que vejo com bons olhos, pois ganharemos um bom reforço nos suplentes, deixaremos nosso lado esquerdo mais consistente e o conjunto titular ganhará o elemento experiência. Concretizando-se esta ação, não devemos nos deixar levar pela emoção. É preciso saber separar o carinho por um atleta da real necessidade de um time. No que concerne a capacidade técnica, sem dúvida alguma, somos a equipe que figura entre os melhores. Basta fazer uma fotografia do time titular que teremos esta confirmação. No gol, estamos servidos de um arqueiro que teria vaga na maioria dos times que atuam neste país tropical, o Brasil. Na zaga, o defensor Leandro Souza é jogador de série B, sem maiores aperreios ou maquiagem. O experiente Dutra, apesar da idade um pouco avançada, seria titular em vários clubes de divisões mais gabaritadas do que a nossa. Jeovânio, Memo, Wesley e Thiago Cunha são atletas com nível para jogar, no mínimo, em plena segunda divisão do brasileiro. Quiçá, até na primeira. Isto nos leva a peremptoriamente afirmar que temos a melhor espinha dorsal da Série D. Contudo, no futebol não é só o nome e/ou qualidade técnica que encaminha alguém para o ápice. É preciso algo além da fama para se obter êxito no esporte do pé na bola. Qualidade técnica, esquema tático eficiente...

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Esquema-preparação-participação

Esquema-preparação-participação

Na semana passada tive a oportunidade de ver e rever o jogo entre o Barcelona e o Manchester  United, onde o time da Cataluña utilizou um moderno 4-3-3. Há de se esclarecer que este esquema vem sendo imposto pela equipe do Barcelona já faz um certo tempo, onde são poucas as novidades e surpresas. O 4-3-3 jogado pelo representante espanhol, não se confunde com o tradicional esquema de dois laterais, um beque central, um quarto-zagueiro, um volante, um meia-direita, um meia-esquerda, dois pontas e centroavante. O modelo tático do time catalão é movido por movimentação, velocidade e rapidez no toque de bola, onde prevalece muito mais a troca de passes curtos do que os longos lançamentos. Já o Manchester usou o 4-4-2 com variações para o 4-4-1-1, provocando uma certa confusão interna, o que facilitou as coisas para o lado oposto. Basta ver que após cerca de dez minutos o Barcelona dominou o ambiente. Não faço ideia do que o comandante técnico Zé Teodoro preparará para o Santa Cruz jogar a quarta divisão do campeonato brasileiro, mas é bom que fiquemos atentos, pois esta Série D não tem absolutamente nada a ver com o que foi enfrentado no campeonato coca-cola. A começar pela diferença dos modelos do regulamento, passando pelos adversários e chegando na infra-estrutura. O treinador e sua comissão terão o trabalho de repor todas as peças dispensadas e precisarão mostrar mais competência nas indicações. Apesar de ter chegado ao posto máximo no estadual, sobraram erros nas contratações. Jogamos todo o campeonato sem laterais e jogadores do tipo Laécio e Diego Biro mostram o ponto fraco desta conquista. Entretanto, não há motivos para preocupação, pois o tempo apesar de urgir é suficiente para as devidas reparações. E ao que me parece, o treinador tem a necessária humildade para reconhecer os seus erros. Dois fatores externos poderão ameaçar o trabalho: a ansiedade e o otimismo exacerbado da torcida. Por sua vez, internamente dois fatores que poderão atrapalhar é arrogância e auto-confiança dos atletas campeões. Será natural que os torcedores fiquem ansiosos, afinal o desejo maior de todos é ver o Santa Cruz sair deste quarto nível nacional. Isto provoca a pressa para saber dos contratados e para ver o time jogar. Com isso a pressão externa chega no clube de várias formas: através da imprensa, das redes sociais e outras vertentes da internet, e também, no contato direto com...

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A hora é de ajustar a máquina

A hora é de ajustar a máquina

Passado o momento festivo, é hora de arregaçar as mangas e traçar as metas para a nova competição que se aproxima, que por sinal é o nosso principal objetivo de conquista neste ano. Ressalte-se que a obtenção do título de campeão pernambucano foi de suma importância para consolidar o planejamento referente à participação na série D do campeonato brasileiro e para publicizar ainda mais nosso potencial e a força da torcida tricolor coral. Ficou devidamente evidente que nossa equipe campeã carece de algumas peças para otimizar o desempenho, principalmente quando se trata de peças de reposição. A meu ver, a diretoria tem trilhado o caminho correto, mantendo o que há de melhor para continuar com o que chamamos de espinha dorsal de um time de futebol.  Vale salientar a necessidade de contratação de laterais, visto que passamos toda disputa do estadual utilizando atletas improvisados naquele setor. Apesar dos mesmos terem desempenhando boa função, não há de se pensar numa equipe de futebol sem especialistas em cada posição. Do que restou, muitos ainda não atentaram para o fato de que o setor que está mais carente é o ataque, em virtude da saída de alguns esportistas. Entretanto, cabe analisar que, se formos aprofundar uma discussão racional sobre este assunto, veremos que no grupo de atacantes que participou do Campeonato Pernambucano Coca-Cola, apenas dois jogadores tinham condições técnicas de vestir a camisa do Santa Cruz Futebol Clube, Gilberto e Thiago Cunha. Não fosse Gilberto, uma vez que Cunha passou muito tempo contundido, dificilmente chegaríamos ao ápice da disputa pernambucana. Daí é de se concluir que a saída de Rodrigo Grahl e Landu já era algo previsto na política de reformulação do elenco, uma vez que o pernambucano foi utilizado também com funções laboratoriais. Utilizando-se de um olhar técnico e desprovido de emoção, veremos que estes dois que saíram não nos farão falta. Reporto-me aos dois, Grahl e Landu, pois não sei o destino de Laécio. E mesmo que soubesse, uma frase é o bastante para falar sobre este jogador: pode mandar embora! Passemos a um rápido exame sobre os outros dois. Rodrigo não tem o espírito para enfrentar a disputa da quarta divisão nacional.  Além do mais, é um jogador que já pensa no final de sua carreira. Apesar de um bom currículo, é portador de alguns problemas clínicos, os quais comprometem seu desempenho técnico-tático. Junte-se a isto o convite que...

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Comemorar de olhos abertos

Comemorar de olhos abertos

Findo o certame estadual, nossa equipe triunfou de maneira surpreendente até aos mais fervorosos apaixonados. Devemos vibrar e soltar o grito da garganta, afinal nosso jejum já durava cerca de seis anos. Ganhamos de forma soberba, de forma justa, neste campeonato esdrúxulo onde um time que faz mais pontos pode terminar sem ser campeão. Na minha ótica, o que mais marcou esta conquista foi a explicitação de um fenômeno que raramente ocorre em outros embates, o pobre vencer o rico. É como se o Santa Cruz tivesse usado técnicas de guerrilha para ganhar daquele que tem mais poderio econômico. Mas futebol tem suas nuances e por isto é, sem sombra de dúvidas, o esporte que mais emociona. Outro fato que merece o sincero destaque é a queda do paradigma que jogadores formados no clube são inferiores aos forasteiros que desembarcam na Avenida Beberibe, alguns anônimos, outros famosos, porém decadentes. O problema é que o torcedor tem a memória curta e muito em breve estará vaiando ou resmungando quando algum garoto da base for promovido para o time profissional. Jogadores como Memo, Gilberto e Everton Sena já foram hostilizados por vários daqueles que se acham conhecedores do futebol, mas não passam de meros torcedores ou sensacionalistas travestidos de comentarista esportivo. Quebrar essas duas lógicas, ou seja, a do poder pelo dinheiro e a de primeiro valorizar o imigrante para depois aplaudir o prata-da-casa, foi o grande troféu conquistado, merecedor dos nossos aplausos e afagos. Deste time campeão, num enfoque individual, eu destacaria: o goleiro Thiago Cardoso, o zagueiro Leandro Souza, Jeovânio, Wesley, Thiago Cunha e todos os pratas-da-casa sem exceção. Estes eu destacaria e sublinharia os seus nomes, foram verdadeiros heróis que passaram por cima da antipatia da torcida, do preconceito da imprensa e das dificuldades da deficiente formação básica. Pelo futebol, há também de se parabenizar a diretoria. Contudo, não se pode comemorar o descaso destes dirigentes com o sofrido torcedor do Santa Cruz. Foi notório em todos os eventos futebolísticos no Arruda a farra dos cambistas, e no último jogo, além deste descaramento por parte do clube, o que se observou foram diversos setores com mais espectadores do que o espaço físico comportava e admitia. O setor de cadeiras foi um deles. Apesar da nossa justificável alegria não podemos nos embebedar de euforia ao ponto de esquecer dos crônicos problemas que teimam em residir no Santa Cruz, nem...

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