Frevo, aspirina e Série C

Frevo, aspirina e Série C

André Tricolor Virtual Confesso que preciso me consultar com o amigo Artur Perrusi, não para relatar minha fronemofobia e nem tão pouco tentar entender porque as tartarugas de Intermares são mais lentas que qualquer outra da face da terra. Há um tempo, na escuridão do Arruda, onde o ar cheirava a óleo diesel, tentei entender os desencontros e descasos na Av. Beberibe N° 1285. Era difícil encontrar explicação. Tentei e consegui beber cerveja Frevo gelada com a incrível certeza que poderia entrar em um sono profundo e acordar em algum paraíso Coral. Viajei por lugares terríveis, levantei-me com um hálito horrível, com gases pra dedéu. Não lembrava se o arrumadinho de charque estava estragado. Na farmácia da esquina não encontrei nem sequer uma aspirina. Veio lembranças do tempo dos bregas e bailes funk na Sede Social. E eis que vi o inglês Paul McCartney pisar nas Repúblicas Independentes do Arruda e cantar Let it be, para comemorar antecipadamente o Bicampeonato Estadual. A Seleção passou por lá também, mas já não é tão emocionante quanto O Mais Querido. Era tudo um sonho, ou uma mera realidade, pensei em voltar a pregar os olhos. Não queria que nada desse errado. Procurei mais uma Frevo, mas Ducaldo havia levado todas para sua casa. Pensei na Brahma, e a mesma me remeteu as Caravanas de Dani Tricolor, pelas estradas do Sertão Brasileiro, onde pagávamos muito caro pelas Séries C e D. Recordo bem da viagem a terra do  Padim Ciço. Eram muitos devotos tricolores por lá exercitando a sua fé. Pasmem, o que mais me impressionou não foi a derrota para o esforçado Icasa, nem o futebol bisonho do Ribinha, mas ter visto o ônibus que o Santa chegou a Juazeiro, mais velho do que o da Orquestra Garcia. No coma alcoólico pude desfrutar de um momento afroditiano, onde nosso clube viajava nos noticiários internacionais, ao mesmo tempo em que Nice saia na revista Playboy. Em Campina Grande houve até dilúvio das paixões Corais. Galdino e Chaves estavam juntos de olho na TV Nova. Não queria acordar de jeito nenhum, mas precisava estar de pé, para apoiar e participar de nossa recuperação em campo. Houve desencontros, Zé queria que as vaias fossem mais baixas e direcionadas aos torcedores das sociais. Foi apenas tolice de quem quer vencer sem ser questionado. Sobrou até tapa nas arquibancadas. Acordei justamente na casa dos festejos, fui dado...

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Nem tudo é ouro

Nem tudo é ouro

Heraldo Ferreira, tricolor e produtor cultural Vencer no futebol é mais do que o céu. Para muitos torcedores, ver o time do coração ganhar é melhor do que uma bela trepada, daquelas com sexo oral e beijo grego. E ai de quem ousar falar algo contra o time campeão. Será apedrejado, enforcado e esquartejado em praça pública. Ou enrabado sem dó. A verdade é que fomos campeões aos trancos e barrancos. O título veio pro Arruda, muito mais porque do outro lado existia um adversário fraco comandado por um sujeito esquizofrênico, do que pelo fato de termos uma grande equipe. Cegou de paixão quem não viu a quantidade de lambanças da nossa defesa e do goleiro Thiago Cardoso. Não fossem os deuses do futebol que cuidam de organizar o quesito sorte, teríamos levado uma sonora enfiada e as estruturas haveriam de balançar. Se aquelas bolas tivessem entrado, hoje a confusão era grande e com certeza Zé Pardal iria pegar o beco. Mas… se a mãe de vocês tivessem uma carreira de peitos, não seria uma mulher. Ela era uma porca. Por falar em pegar o beco, o que não falta é peladeiro nesse time campeão que já deveria ter sido mandado embora. Não sei o motivo de tanto pantim pra botar essas desgraças pra fora. Pra começar a brincadeira, os seguintes perronhas já deviam estar longe do Arruda, são eles: – Carlinhos Bala; – Eduardo Arroz; – Jéferson Maranhão; – Geílson; – André Oliveira; – Diogo. Não serei injusto com Maisena e Edér Túlio, pois, não tiveram oportunidade de mostrar se sabem jogar bola. Qualquer torcedor do Santa Cruz, por mais abilolado que seja, sabe que o time carece de pelo menos, um zagueiro, um lateral direito, um lateral esquerdo, um meia-armador e um centroavante, com um detalhe, que venham para brigar por titularidade, pois de figurante e ator coadjuvante o elenco já está cheio. Neste ponto, tenho minhas dúvidas se a dupla dinâmica Zé Pardal e Sandro vão conseguir contratar um lateral-direito(ala, para os mais modernos!) que saiba jogar bola. Faz quase um ano e meio que nós torcedores do Santa esperamos pela chegada de um lateral-direito decente, mas só trazem perna-de-pau. Escuto falar em Paulista e Victor Hugo como novas contratações. Me desculpe o senhor Antônio Luiz Neto, mas só pode ser brincadeira. Eu queria ouvir de Sandro e de Zé Pardal, ou de quem foi responsável...

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Por outro lado…

Por outro lado…

Amigos, eu ainda estou de ressaca. Não é uma ressaca alcoólica que dá aquela dor de cabeça e gosto de guarda chuva na boca. Não é aquela ressaca moral que dá vergonha de olhar no espelho ou mesmo de fazer um carinho na esposa. Estou numa ressaca de ideias e justificativas absurda. Por mais que esprema meu quengo, não sai nada, nadica de nada que não me remeta aos tópicos que descrevo abaixo. Por esse motivo, peço humildemente ao meu ex-chefe-editor-inquisidor-mor, querido Diminhas, que ele publique esse texto depois de exatos 573 dias sem publicar nada. O amigo mais curioso deve se perguntar como porra eu cheguei nesses 573 dias, fácil: nada que o novo arranjo de artigos do blog (onde facilmente achei meu último texto) e o Excel não ajudem. Parabéns Dimas pelo trabalho e pela iniciativa. Bom, lá vão os motivos de minha ressaca de ideias, espero ajuda de todos, pois, preciso viver sem essa ressaca que não passa: Zé Teodoro, amo-o ou deixo-o? Um treinador que não consegue eliminar um Penarol, que escala Carlinhos Bala de volante e Dutra de meia contra a coisa, que diz que não admite vaias quando substitui errado, que mantém Chicão no time ao invés de Léo e que quer mandar mais que o presidente não presta. Um treinador que baseia o time em volantes que só marcam e que manda Memo cobrar faltas, além de ser retranqueiro por essência não pode ficar. Por outro lado, o mesmo cara torna-se Bi-Campeão num vareio de bola e tática dentro da casa de festejos no dia do aniversário da coisa. Zé Teodoro, o mesmo que bancou Chicão, que jogou muito na final, a mesma final que ganhamos. Contra números não há argumentos (disputamos 3 finais em 5 campeonatos que disputamos, isso é marca de Bernardinho no vôlei), contra futebol covarde há. Particularmente, acho que Zé Teodoro não foi o principal responsável pelo campeonato. O principal responsável foi o Penarol. Aquela derrota serviu como um “Toma vergonha, vagabundo!” e o campeonato nada mais foi que uma cura à ressaca moral que os jogadores tinham. Mas é impossível negar a decisiva participação de Zé Teodoro nisso. A Série C está no papo? Time Bi-Campeão, fazendo 2 partidas excepcionais contra um time de primeira divisão com folha 3 vezes maior que a nossa, ganharemos fácil. Estamos num momento tático, técnico e psicológico excelente. Esse Bi-campeonato foi...

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Tabus existem para ser quebrados

Tabus existem para ser quebrados

Santana Moura, especialista em psicologia do Esporte Outro dia lá íamos nós, eu e minha amiga Valéria (Assistente Social), por uma comunidade da periferia, ladeira abaixo acompanhando o curso de um córrego à procura do difícil endereço de uma família, que deveria ser atendida por nós (equipe Psicossocial). Enquanto nos equilibrávamos por entre as pedras eu ia dizendo: “estás vendo Valéria, qual é a pesquisa ou pesquisador que passa por uma área assim pra saber qual o time que a pessoa torce? Também não vai aos morros, nem alagados onde repousa, com muita força, grande parte da torcida coral.”. Pois bem, até algum tempo atrás se presumia que a imensa torcida tricolor seria formada apenas pelos menos favorecidos. Esta crença se espalhou em nosso meio, tendo se acentuado quando meu conterrâneo o também tricolor, José Nivaldo Junior, ao microfone de uma grande emissora de TV, defendeu a tese de que Pernambucano não comportava três forças clubísticas a competirem entre si no mercado futebolístico. No dia seguinte, começaram as piadas e pragas, alegando que o Santa Cruz iria desaparecer e sua torcida se reuniria com a do Náutico para formar a “Triconáutico”. Na época, era tempo de fusões em meio às reengenharias de empresas nacionais e internacionais, instigadas pelo capitalismo. Tudo indicava que seria este o nosso destino. Pouco a pouco sem apoios, sem patrocínios, alijado de participar do bolo de benesses do Clube dos 13 e, diferentemente dos pseudo-irmãos, O Mais Querido acelerou a queda de série em série, até chegar ao fundo do poço. Nosso estádio foi encolhido e interditado, começava, então, a tentativa de exclusão mais cruel do nosso futebol. Para deixar bem claro, aqui, o conceito de exclusão de que falamos nos reportamos a Pablo Gentilli, ferrenho crítico do mercantilismo na educação. Esse autor argumenta que há três modalidades mais comuns de exclusão: 1) Supressão completa de uma comunidade por expulsão ou extermínio (Colonização – holocausto). 2) Exclusão por mecanismo de confinamento e reclusão (Leprosos, loucos, anciãos, deficientes, até algum tempo atrás), uma crueldade sem precedente. 3) Segregar, incluindo (sem-teto, inimpregáveis, crianças de rua, etc.). Esses podem conviver com os incluídos, só que em condições inferiorizadas, sendo esta uma forma invisível de excluir. Nesses termos, não tenhamos dúvidas de que sofremos uma tentativa de extermínio. Não se via notícia nas manchetes de jornais ou destaques nos programas de rádio ou TV sobre o nosso clube, mas...

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Se conselho fosse bom…

Se conselho fosse bom…

Santana Moura, especialista em Psicologia do Esporte …Não se dava, se vendia. É o que diz um ditado popular. Pensando nisto escrevi estas considerações, que não são conselhos, pois as dicas que tenho postado nos espaços tricolores parecem que estão sendo seguidas pelos nossos contendores. No calor de uma reta final de decisões, onde nos deparamos com o mesmo filme (situação de pressão) queremos pelo menos mudar o final da fita. Neste caso, a palavra de ordem é frieza e não paciência como temos ouvido. Para ilustrar a inoperância de certos conceitos em determinados eventos, lembro-me de uma olimpíada na qual um treinador de boxe dizia para seu atleta – exímio nocauteador – que esperasse o tempo certo para aplicar um golpe que colocaria na lona o adversário; o tempo foi passando, o oponente se defendendo e o coitado do atleta esperando com paciência que o outro abrisse a guarda para ele aplicar-lhe um direto no queixo, talvez. Enquanto isto o concorrente ia batendo no seu corpo e marcando pontos, marcando pontos. Passaram-se os rounds, o nocauteador abdicando de boxear não encontrou espaço para o nocaute e, assim, perdeu a luta e a medalha de ouro por pontos. Historia como essa nos ensina que às vezes não é tão salutar ter tanta paciência, melhor mesmo é ter prontidão decisória e frieza para definir a partida no menor espaço de tempo. No elenco do Santa Cruz tem jogadores com esta capacidade (por motivos óbvios não vou citar nomes). A melhor defesa é o ataque efetivo, não vale a inépcia. Já vimos muitos adversários do Santinha chegarem num momento de pressão e catimbar o jogo, com a conivência da arbitragem, tanto da casa como de fora. Afinal dentro do vestiário todos os gatos são pardos.  Então, melhor aniquilar logo o adversário sem piedade. O que faz a diferença, nessas horas, é realmente o aspecto psicológico, pois já se sabe que cor de camisa não assusta mais ninguém nos dias de hoje. Que cada jogador faça sua meditação particular encontre seus pontos fortes e os aproveite durante a partida. Nunca se deixem intimidar por palavras que os coloquem para baixo, corram em busca dos sonhos junto com os companheiros. Sonho que se sonha junto torna-se realidade. Ficar agoniado como Náutico esteve na partida contra o Sport não resolve nada, pois começa a faltar oxigênio no cérebro comprometendo a cognição, o pensamento, o raciocínio...

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Árbitro de futebol julga como quer

Árbitro de futebol julga como quer

Santana Moura Desde o surgimento do futebol o árbitro tem figurado como personagem central da cena deste esporte, na maioria das vezes, como aquele que causa grande comoção aos torcedores, por suas decisões diante de lances polêmicos e, na historia recente, frente a jogadas comuns que jamais poderiam ser consideradas de difícil julgamento. Em minhas incursões na área da Psicologia do Esporte verifiquei que o juiz se constituía fator de ansiedade para os jogadores, diante da incerteza de como seria a arbitragem, de que forma o árbitro iria persegui-los, de que maneira prejudicariam seu time. Na preparação psicológica havia sempre um capítulo destinado a este tema. A literatura científica, até então, não lançava luzes sobre o assunto. Não havia estudo que demonstrasse o que se passava na mente de um juiz de futebol, quando julgava um lance futebolístico. Na década passada, todavia, este mistério foi desvelado. Um conjunto de estudos inéditos desenvolvido no programa de Pós-graduação em Psicologia Cognitiva da Universidade Federal de Pernambuco encontraria explicações para as dúvidas de atletas e torcedores. A pesquisa inicial, denominada de “Piloto”, tinha o objetivo de averiguar que critérios estariam envolvidos no ato de julgar, no âmbito do futebol. Foram quatro os indicadores encontrados: critérios perceptivos (percepção visual, auditiva, sinestésica), sociais, deontológicos e morais. A pesquisa principal aprofundou a investigação e verificou que os aspectos perceptivos não se constituíam em critérios de julgamento, ou seja, falhas na percepção poderiam ser consideradas como incompetência técnica. Assim, o árbitro e seus assistentes, deveriam estar sempre bem posicionados para enxergar todas as jogadas e, desta forma, evitar erros grosseiros. Observou-se, portanto, que juízes de futebol se inclinavam a basear seus julgamentos em três categorias de critérios: sociais, deontológicos e morais, com predominância destes últimos. Critérios sociais dizem respeito à influência do meio (amigos, torcida, dirigentes, mídia, entre outros); critérios deontológicos são aqueles relativos às normas da atividade, no caso, a arbitragem; já os morais são os que utilizam a cognição social para discernir entre o certo e o errado, o bem e o mal e entre a responsabilidade objetiva (danos físicos ou materiais) e a subjetiva (intenção), culminando com a aplicação de algum tipo de justiça. Outros dados obtidos demonstraram que metade dos julgamentos de lances futebolísticos estaria fundada na justiça do tipo igualitária, o que não é considerado justo por jogadores e torcedores, que muitas vezes protestam reclamando equidade. Ficou evidenciado, também, que em...

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