Começando Novamente

Foto: Coralnet A virada de ano tem um poder único: O de renovar as esperanças. Promessas são feitas (e refeitas), compromissos são assumidos, planos são traçados, parece que tudo começa novamente. E começa mesmo. Só que não começa do zero. O ano se inicia com tudo com o que se fez de bom ou ruim nos anos interiores. Essa bagagem vem no pacote. Quer queira ou não queira. Com o nosso clube acontece o mesmo. Iniciamos o ano com uma carga negativa, de tudo que foi feito de errado nos anos anteriores. Eu diria que esse ano, além da carga negativa, temos uma carga amarga, fruto da decepção com o diminutivo à frente do clube. E tudo isso se reflete na atual temporada. Aliás, o filme desse início de temporada eu já assisti em algum lugar… Contratamos um caminhão de jogadores desconhecidos, ao que parece, sem qualquer critério de avaliação. Ninguém venha me dizer que observaram ou pediram referências de um cara que joga na república Tcheca! Nós não conseguimos observar nem os talentos que despontam na região, quem dirá um jogador no Leste Europeu… E quem está contratando? Não vi/ouvi ninguém assumir o ônus dessas contratações. Parece que o Diminutivo não vai colocar o dele na reta no futebol nesse início de temporada. O problema é que parece que a RR Sports também não… O treinador é um capítulo à parte. Se fosse preciso só lábia para ser um vencedor, o nosso seria campeão mundial. Zé foi um craque de bola. Um dos melhores que eu pude ver vestindo o manto coral. Mas é público e notório que ele ainda não conseguiu transferir toda a qualidade e categoria que tinha dentro de campo para o comando de uma equipe. Nunca fez uma boa campanha em lugar nenhum. Nunca venceu nada como treinador. Uma aposta arriscadíssima para um clube que não pode mais errar. Estamos apostando num elenco desconhecido, num treinador inexperiente, com uma diretoria incompetente. É o caos? A nossa “sorte” é que o futebol não é uma ciência exata. São vários fatores envolvidos, que podem levar ao sucesso ou ao fracasso. E até os mais poderosos estão sujeitos ao acaso. É óbvio que um bom planejamento, reduz muito a possibilidade de surpresas, mas no futebol Pernambucano, essa palavra é quase que desconhecida. Então, porque não podemos renovar as esperanças, à espera de uma boa campanha, de um...

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Um conto natalino do Santa Cruz

 Data: 20 de dezembro de 2007. Local: Fábrica de Brinquedos do Papai Noel Depois de muitos anos de experiências, Papai Noel conseguiu. Após várias tentativas, finalmente o tão sonhado brinquedo mágico estava inventado. Foram consumidos vários milhões de dólares e mais de 3 gerações de duendes nesse projeto. Aparentemente, quem olhasse para o brinquedo o confundiria com um simples saco de bolinhas de gude com 10 bolinhas dentro. Porém, para cada bolinha de gude daquelas, um desejo seria realizado. Bastava pedir, jogar a bolinha no chão e… zapt! Desejo atendido! E, por ser tão especial, Papai Noel decidiu que seria criterioso na escolha de quem iria receber esse brinquedo. Decidiu ler novamente todas as cartas que tinha recebido. Nenhuma merecia. Assim, decidiu que durante a noite de Natal, ele entregaria o saquinho de bolinhas de gude mágicas para a criança que mais o impressionasse. E começou sua busca. começou pela Ásia, África, Europa, Brasil e bateu no Recife. Aqui chegando, começou a distribuição dos presentes às crianças recifenses. Ninguém no mundo inteiro ainda tinha impressionado o Papai Noel ao ponto de merecer o saco que bolinhas de gude. Chegou próximo a Avenida Abdias de Carvalho, nenhuma criança merecia aquele presente. Passou pela Avenida Rosa e Silva, novamente, ninguém. Quando Papai Noel estava quase desistindo, viu uma criança, aparentava uns 8 anos, sentada num cantinho escuro, sozinha, triste. Aproximou-se do menino e percebeu que ele estava encostado numa pilastra enorme de um estádio de futebol que fica no bairro do Arruda. Percebeu ainda que o menino usava uma camisa que tinha três cores: preto, branco e encarnado. O menino estava chorando. Papai Noel tratou de perguntar a razão. – Por que você está aqui sozinho, no escuro e chorando, meu filho? – Porque estou fazendo um pedido um presente para o Papai Noel. – Mas, por que está chorando? – Porque sei que ele não poderá me dar esse presente. – E o que você queria? – Eu queria que Papai Noel me mostrasse alguma forma de ajudar meu Santa Cruz. Surpreso, sem saber o que era Santa Cruz (Papai Noel torce apenas por um time de hóquei), o bom velhinho perguntou: – Quem é Santa Cruz, meu filho? – É o dono desse estádio. Um time grande, de torcida grande, que caiu em mãos erradas durante anos e, por isso, agora está numa situação ruim. Emocionado e já chorando,...

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As previsões de Pai Kuzé

 Gerrá da Zabumba, publicação simultânea com o Blog do Santinha O babalorixá Pai Kuzé de Oxum é tricolor desde novinho. Ele costuma dizer que mesmo em outras vidas, já torcia pelo Santa Cruz. Descobri a existência de Pai Kuzé de Oxum através de minha amiga Nádia, freqüentadora do terreiro do babalorixá. Nádia fez a gentileza de me levar para conversar e ver as previsões do Pai Kuzé, que apesar de ser apaixonado pelo Santinha, não gosta de fazer trabalhos para ajudar o mais querido. Segundo ele, não é correto trabalhar em causa própria, “os orixás não gostam”, afirmou. Ele disse que todo final de ano joga seus búzios para ver o futuro do Santa Cruz. “Meu querido, fiquei doente quando os búzios me disseram que o meu Santa ia cair para terceira divisão e não pude fazer nada”, confessou o babalorixá coral. Entre uns goles de uma aguardente temperada com ervas e de umas boas baforadas, ele jogou os búzios e fez suas previsões. De cara eu quis saber sobre o Pernambucano 2008. Pai Kuzé fechou os olhos, tomou uma lapada, prendeu a respiração e jogou os búzios. “Meu querido, o Santa Cruz vai fazer uma campanha melhor do que no ano de 2007. Vejo o tempo um pouco nublado no começo do Estadual, mas depois das festas de momo, o sol começa a brilhar lá pras bandas do Arruda. Alguém vai se machucar. O Santa poderá ganhar um clássico”, disse Pai Kuzé, mostrando muita certeza nas previsões. Suando muito, o babalorixá deu um gemido forte e jogou de novo os búzios. Deu um grito fino: “Copa do Brasillll!!!!”, suspirou e disse: “hummm! Querido! Aí não é fácil. Não é fáciiilllll!!! O Santa parece que carrega um peso quando vai jogar a Copa do Brasil. É um carrego grande. Mas, talvez este ano, ele chegue um pouco mais adiante do que na última versão desta Copa”, disse ele bastante convicto. Meu amigos, quando falei de Série C, Pai Kuzé virou de vez um quartinho da temperada, falou umas palavras que não entendi, segurou a testa, fechou os olhos e jogou as conchas. O babalorixá botou pra suar e eu pra gelar. “E aí?”, eu perguntei. Ele fez um movimento circular na cabeça e previu, “apesar da falta de experiência em terceira divisão o Santa Cruz pode chegar à fase final. Meu querido, o começo vai ser atrapalhado e muito...

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Amor de rapariga

 Amigos do blog, descobri algo incrível! Descobri que o maior amor do mundo não é o amor de mãe. Mamães tricolores que me desculpem, mas o maior amor do mundo é o amor por um time de futebol! Generalizando, sabemos que filhos dão dor de cabeça, problemas, despesas, preocupações e as mães estão sempre do lado deles, dispostas a fazer tudo pelos seus filhos. Mas, por outro lado, recebem dos filhos amor, carinho, afeto, alegrias, atenção e, durante a velhice, recebem cuidados e netos. Claro que há exceções de mães ruins e filhos que não velem nada, mas, em geral, é assim que as coisas funcionam. Depois do discurso psico-familiar, vamos falar do amor pelo clube de futebol, mas especificamente, pelo nosso Santinha. Gente, se eu fosse um garoto de 15 anos, teria tido no máximo 5 ou 6 alegrias com o Santa Cruz. É muita tristeza e muita vergonha que nosso Santa já nos fez passar. Mas, com certeza, apesar de tudo, tenho boas histórias de grandes amigos tricolores sobre nosso Santa e queria compartilhar com vocês um pouco dessas histórias que explicam o que é o verdadeiro amor, o amor por um time, o verdadeiro amor de rapariga. Tenho um amigo cearense que veio estudar no Recife na fase que a coisa ganhava tudo. Morou na casa de um tio, torcedor doente da coisinha. Ia para os jogos da coisa com o tio. Mudou-se para um apartamento que fica a 20 metros do chiqueiro. Só viu o Santa ser campeão 4 vezes. E, mesmo assim, pode ser facilmente encontrado em todos os jogos do Santa nas sociais, não faltando quase nenhum. Tenho um amigo que perdeu prova de pós-graduação para ver um jogo na campanha de 1999. Tenho um amigo que faltou o aniversário de 70 anos da mãe para assistir Santa 0x3 ABC. Enfim, todos nós podemos contar mil histórias como essas e muitas delas que aconteceram com nós mesmos. Mas, como todo bom corno que ama uma boa rapariga, comecei a enxergar bem ao longe bons motivos para levantar da queda à série C e começar 2008 ainda feliz e ansioso para ver nosso Santinha. Bom, quem acha que estou doido, favor se lembre que o texto se chama amor de rapariga. Vejam minhas razões: Estando na série C, a cachaça será ainda maior. Ao invés de assistir num bar Santa x Santo André, vou...

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O preço de um sonho

A história da Humanidade é repleta de sonhos e conquistas. O Sonho sempre teve um papel fundamental na vida de grandes personagens. A Bíblia relata que o Profeta Daniel interpretava os sonhos do poderoso Rei da Babilônia, Nabucodonosor. Mather Luther King ficou famoso por um discurso e mais ainda por uma frase aparentemente simples: “I Have a dream…”. Vários projetos e obras de grandes homens começaram com simples sonhos. A sabedoria popular costuma propagar que sonhar não custa nada. Permitam-me discordar. Eu não estou me referindo a qualquer tipo de sonho. Falo do sonho real, daquele que você deseja tanto que parece que dá pra senti-lo, tocá-lo. Aquele que se for concretizado deixará você de alma lavada por um bom tempo. Nós Tricolores especialmente, com a alma poética e melancólica ao mesmo tempo, temos sonhos magistrais: – Arena Coral; – O Santa de volta a Primeira Divisão; – Ver o nosso clube livre de Aproveitadores; – Um clube organizado, democrático e respeitando os sócios. Dentre vários outros. Mas até para sonhar são necessários alguns requisitos, o que faz com que cada sonho tenha o seu preço. Eu gostaria de citar alguns aspectos, que valorizam e precificam os sonhos: 1) Querer Sonhar. Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas perderam a capacidade de sonhar. Se prendem numa realidade dura, num passado desastroso, num presente catastrófico e abdicam do sonho, se tornando tristes e pessimistas. E perder a capacidade de sonhar é deixar de viver. 2) Acreditar no sonho. De que adianta você sonhar maravilhas, ter sonhos esplendorosos se você não acredita que eles possam sair do imaginário e tornar-se reais? Adianta você sonhar com uma vida melhor e não acreditar realmente nessa possibilidade? Adianta você imaginar um Santa forte se, na realidade, os resultados e os desmandos já fizeram você ter a certeza de que isso nunca vai acontecer? 3) Trabalhar para que o sonho se torne realidade. Sonhar e ficar de braços cruzados esperando que o sonho se concretize, ou que a sorte grande caia no nosso colo não vai fazer com que os nossos sonhos se materializem. É preciso arregaçar as mangas e cair em campo para trabalhar. É preciso esforço, dedicação, determinação e paciência para fazer que as coisas aconteçam. Ainda tem um outro ponto, um pouco mais polêmico. Na humilde opinião desse cronista que vos escreve essas mal-traçadas linhas, é preciso ter muita competência para sonhar. Sim, até...

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Uma flor nasceu na rua

Fechado, escuro, vazio. Como o olhar de um morto. Como o coração de um tirano. Assim está agora o Santa Cruz – o time “dos pretos”, “dos carvoeiros”, da “mundiça”, do povo. Desde sua apaixonada origem em 1914, isso jamais acontecera: o clube fecha suas portas para a torcida. O desejo de poder do “dono” do Santa, o diminuto faraó de presépio, fá-lo escrever a mais sombria página da história do Mais Querido. O eufemismo hipócrita: “recesso administrativo”. E assim, a reunião do Conselho Deliberativo, reunião estatutária que deve ocorrer às primeiras terças-feiras de cada mês, é brutalmente impedida. Do lado de fora, nas calçadas da Avenida Beberibe, incrédulos, sócios, conselheiros, torcedores e beneméritos. Todos barrados em sua própria casa. Os que passam de bicicleta, ônibus, a pés, de carro expressam sua revolta com a situação. Exigem que o clube volte a ser de quem é de direito: da imensa torcida coral. As manifestações são unânimes e desesperadas, teme-se a morte do Santa: “Deixem de usar o clube como trampolim político! Deixem o clube àqueles que o amam! Respeitem o Santa Cruz!”. Mas, onde está o presidente do Conselho Deliberativo? Não apareceu. O empresário-presidente, patrocinador da crônica esportiva de Pernambuco, pactua com o “dono”. Não cumpre com suas obrigações e foge ao convívio democrático. Aquele responsável por zelar pelo cumprimento do estatuto, rasga-o. E a seus pares conselheiros reserva portões e cadeados. Dois homens fecham o clube das multidões. Pouco lhes importa o sentimento da torcida. Segue-se a luta pela abertura do clube, pelo respeito ao seu estatuto. Juntam-se nela a totalidade da torcida, a ampla maioria dos sócios, dos conselheiros e dos beneméritos. Em verdade, todos os desportistas e homens de bem. E especula-se, quem está ao lado de Édson-Férrer? Quem está ao lado da minoria opaca e desdenhosa, que se julga acima da história, da tradição, e da glória do clube mais popular do estado? Servem a que interesses? Nós, torcedores, sócios, conselheiros que exprimimos o clamor público por mudança imediata, objetivando democracia, profissionalização e transparência, estamos aqui na rua. Proibidos de entrar nas Repúblicas Independentes do Arruda. Ficamos do lado de fora, no asfalto da Avenida Beberibe. No meio do caminho. No meio do caminho, como uma pedra? Ah! Isso não! Pois do asfalto nasce o novo, que com sua aparição afastará o velho: o escuro, o fechado, o vazio. Por dever de justiça, o futuro...

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