Se a moda pega

Montagem: Dimas Lins Aconteceu na República Tcheca no primeiro semestre do corrente ano. A Diretoria do Mladá Boleslav se revoltou depois da derrota do time para o lanterna da competição (SIAD Most) por 2 a 1. E resolveram tomar algumas atitudes: A primeira foi multar o elenco em 35% dos seus vencimentos. Até aí, nenhuma grande novidade (pelo fato da multa em si, porque multar um elenco todo, eu nunca vi por aqui em Terra Brasilis). A novidade maior foi o que foi feito com o dinheiro arrecadado com a multa. Como você, leitor do Torcedor Coral, é um leitor diferenciado e informado, sabe que na Europa predominam a venda de Carnês de Ingresso para toda a temporada. Com isso, o clube consegue antecipar renda, prever a demanda de público em determinada partida e até estabelecer um programa especial com o torcedor, oferecendo vantagens e tendo um histórico de cada torcedor, já que ele tem um cadastro e sua entrada (sempre numerada) fica registrada. Isso dá margem a um relacionamento estreito, e é um prato cheio para um bom departamento de Marketing (mas isso é pra um outro artigo). Após a vexatória derrota para o lanterna, a Diretoria resolveu recompensar a torcida! Como assim a torcida? Mas não é a torcida quem tem que ajudar e apoiar o time? Não é a torcida quem deve sustentar o clube financeiramente? Todos esses questionamentos devem estar passando agora pela sua cabeça, prezado leitor. A relação Clube/Torcida tem que ser uma relação de reciprocidade, e não uma relação Sanguessuga. A diretoria do Clube Tcheco resolveu que todos os torcedores que estavam no estádio na derrota para o lanterna, ganhariam um ingresso gratuito para o próximo jogo. Surreal? Tem mais! Nas 2 partidas seguintes fora de casa, os torcedores tiveram transporte e ingressos custeados pela multa dos atletas. Loucura? Alguns podem achar. Eu prefiro acreditar que é um cuidado gigantesco com o maior patrimônio que um clube pode ter: seus torcedores. É importante  um clube cuidar do seu estádio? Claro que é. É Fundamental o clube montar bons times, contratar bons jogadores? Sem dúvida. Mas para quem o clube cuida do estádio e contrata jogadores? Se tudo é para a torcida, porque não tratá-la de melhor forma? Porque não tentar uma relação de ganha-ganha, onde o Santa possui torcedores fiéis, que comparecem e vivem o dia-a-dia do clube e em contra partida, são...

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Lá no fundo do coração

O Santa Cruz Futebol Clube tem novo presidente, e este tem uma série de (opa: série de não é a mesma coisa de série D) problemas (agora sim, série D) insolúveis para resolver. Aposto que cada leitor, neste momento, pode pensar em pelo menos três prioridades. Eu sou menos exigente. Eu só quero mesmo que meu time vença. Vença os jogos, vença os campeonatos, vença aposta, vença. Como ele irá vencer, de quanto ele irá vencer, quem fará parte do time vencedor, nada disso me importa de verdade. Tudo o que eu quero é que o time vença, o time ganhe, que eu não precise mais ficar explicando toda a história do Santa Cruz a cada vez que um mineiro desavisado me pergunte para qual time eu torço. Eu simplesmente não agüento mais! Desculpem, mas aí surgiu a necessidade de abrir um parêntesis para contar uma história verídica relacionada à última frase. Desde maio eu andava de namorico com um ex-jogador do Fluminense. Homem, você sabe como é que é: para conquistar diz até que a sogra é um doce. Depois… Bem. No dia em que nos conhecemos, já fui alertando que era do Santa Cruz. Ele só fez um comentário: “Ah, o tricolor pernambucano? Conheço… Tá numa situação difícil, né?”. “É”, respondi consternada, para logo, logo, aplicar a intimação: “mas não quero falar disso, ok?”. Beleza, não se falou mais no assunto. Até o final do mês passado. Perto das eleições, eu com os nervos à flor da pele, vou namorar um pouquinho para aliviar o estresse. Cerveja vai, cerveja vem, o cara vem me falar do Santa Cruz. Ex-jogador, sabe como é, acompanha tudo de futebol. Ele sabia toda a trágica história do nosso time nos últimos anos miúdos. Tudo: da A para a B, da B para o inferno, do inferno para o limbo da puta que pariu. Ele não tirou onda nenhuma, simplesmente repassou toda a história para mim. Foi o suficiente para eu dar o apito de encerramento da partida. Acabou, já era, e o resultado ficou no zero a zero. Ele não tinha direito de me falar aquelas verdades todas, pôxa vida. Homem quando inventa de falar verdade só dá em merda. Voltando. Eu já disse aqui que queria um presidente honesto, um presidente que respeitasse a torcida, que alterasse o estatuto, que fosse empreendedor, e por aí vai. Querer mesmo, eu queria...

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Ensaio sobre a cegueira

Imagem: Capa do CD “Os Olhos” de Tom Zé Fred Dias Nas ultimas semanas, dois fatos me deixaram ansiosos: a estréia do filme Ensaio sobre a Cegueira, do diretor Fernando Meirelles, baseado no renomado livro do ganhador do Nobel, o português José Saramago, e o encerramento do período eleitoral no nosso mais querido, que culminaria com a ascensão de sua excelência o Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de Pernambuco, como presidente executivo do Santa Cruz Futebol Clube. Vi o filme. Estou acompanhando o dia a dia desta épica história de ressurgimento do nosso amado clube. Pra quem não quiser saber do livro e sobre o filme, pule os próximos parágrafos. Li o livro do brilhante José Saramago. Por isso a expectativa do filme que não é tão ruim quanto os críticos de cinema de Cannes andaram propagando, na minha humilde ótica é na verdade brilhante. Ressalte-se que Meirelles tentou filmar o romance vários anos antes, mas Saramago se recusou a vender os direitos do livro durante anos, porque, segundo o escritor, “o cinema destrói a imaginação”. Pra quem não conhece o livro nem vai ver o filme, a história é curiosa e assustadoramente intrigante. Começa com um motorista, que subitamente fica cego enquanto está parado em um sinal vermelho. Com uma pequena diferença: ele não mergulha numa total escuridão, mas sim numa cegueira leitosa, completamente branca. A partir daí, a cegueira vai contaminando outras pessoas como que num ciclo, começando por ele e seguindo através das pessoas que mantiveram contato com ele, desde o seu médico, passando pela mulher dele, os pacientes, até que se torna uma epidemia misteriosa. Todos os cegos são confinados em locais abandonados e fechados, sob as ordens dos que ainda conservavam a sua visão. Diante desse cenário, quem enxergava tornava-se uma autoridade, estabelecendo de que forma os cegos deveriam se comportar. Apesar da “epidemia” chegar a um grau tão extenso, acabando por atingir toda a população do local, a mulher do médico é a única pessoa que ainda consegue enxergar e assim registrar todo o horror e provação que os cegos enfrentam. Observando o comportamento deles, a partir do modo como se relacionam uns com os outros, ela chega a concluir que as pessoas tornam-se realmente quem elas são a partir do momento em que não podem julgar a partir do que vêem. De característica onisciente, a narrativa leva-nos a refletir sobre a...

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A quinta carta

Os Meninos estão muito preocupados com a próxima eleição para presidência do Mais Querido. Preocupados demais. Sei que eles têm razão, sei o quanto é importante que a gente não tenha mais coisinhas miúdas arrasando aos poucos com nosso ideal. Sei de tudo isso, mas juro que não consigo ficar insone, por mais que eu tente (embora confesse nunca ter tentado). Sou uma mulher incrédula, é isso. O único salvador da Pátria em quem eu acreditei foi reeleito com meu voto, e taí até hoje para provar a quem quer que seja que não existem salvadores da Pátria. A Pátria que se resolva por si só. No entanto, estou muito preocupada com os Meninos. Vivendo no meio político há pelo menos 15 anos, o que eu concluí foi que eu não tenho mais direito de ser inocente, de declarar que fui iludida, essas coisas. Só que futebol é diferente. Futebol vive mesmo de ilusão (já que a gente não tem gol mesmo), vive de expectativa, de torcida, de paixão (alguns títulos também não vão mal nesse cardápio, mas tudo bem). Como gosto muito dos Meninos, juntei toda a minha incredulidade e minhas moedas, lotei o carro de amigas encalhadas, tomei coragem e fui. Segui a rota natural dos desesperados, busquei explicações e soluções no sobrenatural. Já havia tentado antes no catolicismo e na umbanda, e nenhum deles ofereceu uma resposta clara. Apelei para o biscoitinho da sorte chinês e tudo o que ele me revelou foi que “a coragem é uma virtude; a felicidade, uma meta; dinheiro é tudo, e o resto é bobagem” – enigma que eu não consegui decifrar diante da minha singela pergunta: “O que será do futuro do meu santinha?”. Ah, preciso confessar (ai, que vergonha!) que também apelei para a “sorte do dia” do Orkut. Fiz a pergunta (sempre a mesma, acerca do futuro do tri-tri-tricolor), acessei minha página e li, horrorizada, o vaticínio: “Visitantes recentes: Dena & Jurandi, Alberto Pereira, Ivonete Nogueira, Milton Junior, O CHACAL* euripedes, lelo e flavia arôxa. Sorte de hoje: A vontade das pessoas é a melhor das leis” (Orkut, 05h13 da matina de 17/09/2008). Estou enrolando, enrolando, mas a verdade é que procurei uma taróloga. É isso mesmo. A mulher era tão boa nisso que cobrava R$ 50,00, mas depois que leu as quatro primeiras cartas, previu logo a minha dura realidade de torcedora e me cobrou apenas...

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A mulher que trai

Imagem original: Infiel Liana é das pessoas mais doces que conheço. É claro, sou suspeito para falar, porque ela é minha cunhada. Mas não é por isso que penso assim. Ela passa mesmo aquela impressão que toda pessoa boa de espírito passa para a gente. Liana não torce por nenhum time de futebol, mas nutre uma imensa simpatia pelo Santa Cruz – ela costuma ler com frequência o Torcedor Coral – e, como boa amiga que é, se solidariza comigo, quando o Glorioso, que vive os dias mais inglórios de sua história – perde. Ultimamente ela tem sido mais solidária do que de costume, já que o Santa parece ter esquecido os tempos de vitórias. Pensando em contribuir para fechar as minhas feridas futebolísticas, Liana me manda este texto delicado. Embora as minhas feridas só possam cicatrizar com o ressurgimento do meu clube de coração, o texto de Liana me serve bem de consolo. A escolha da imagem fica por minha conta e é puro deboche. Ela quebra um pouco o ritmo do texto, é verdade. Mas alguém já ouviu falar de futebol sem deboche? Dimas Lins Maria Liana Macêdo Nem bem abriu os olhos e à mente lhe veio a lembrança. Às vezes o nome também lhe vinha assim, de repente. Espreguiçou-se. Pediu proteção aos anjos e santos para aquele novo dia e levantou. Foi à cozinha com o pensamento na noite anterior. Estava ainda na sua cabeça a imagem. Na memória olfativa, o cheiro. Era tudo muito forte. Uma espécie de embriaguez. Pegou a jarra de água que fica na parte seca da pia e encheu o copo, como gosta. Teve dúvida se tomava ele todo. Nunca tinha sede a esta hora do dia. Era mesmo um hábito. Água natural para começar bem. Voltou ao quarto amplo e claro. Ela adorava aquele branco das paredes, móveis, lençóis, tudo enfim. Quando morrer quer que o céu seja assim: branco e limpinho. Uma espécie de continuidade das suas manhãs. Abriu o chuveiro, esperou o primeiro e segundo jatos e entrou. Assim é melhor. Quem sabe a ducha fria lhe tire do pensamento o proibido. Banho renova, revigora, mas ainda sente palpitação, certa ansiedade, medo infundado, ou será que ela sabe do quê? O pensamento continua lá, firme. Tenta em vão desvirtuá-lo. Escova os dentes e o aparelho móvel, que não é o celular. É sim uma peça ortodôntica que a faz lembrar...

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Pena de morte tricolor

Magali Amélia Gama No dia 24 de agosto de 2008, o Sr. Édson Nogueira, delegado de polícia, advogado formado sabe-se lá aonde, decretou a pena de morte de um clube de futebol de 94 anos. Em todos estes anos, que eu acompanho como torcedora apaixonada desde 1975, nunca fomos tão prejudicados por uma única pessoa. Tivemos histórias de glórias, de presidentes heróis e histórias tristes, de presidentes desonestos que dilapidaram o patrimônio do clube. Mas como o Senhor Dr. Delegado, realmente, como diria a turma do filme “Tropa de Elite”, “nunca serão”. Sei que a vida continua, e que o futebol para muitos é apenas uma diversão, um lazer de fim de semana e que amanhã teremos que trabalhar, estudar e seguir em frente. Mas, Sr. Delegado, a sentença que o Senhor conseguiu impor a milhares de pessoas foi dura e cruel. Nós não merecíamos isto. Ficamos juntos, incentivamos e até mesmo, quando só um milagre nos salvaria, ainda levamos 17 mil esperançosos para ver a última humilhação que o Senhor nos fez passar. E falo última, não pelo fato do Senhor não estar mais no clube amanhã, pois infelizmente, Senhor Delegado, teremos que lhe aturar até dezembro. Falo última, porque agora só em “janeiro” é que veremos o Santinha no pernambucano, muito provavelmente para virar chacota de nossos rivais. Senhor Delegado, eu sou formada em Administração e tenho dois filhos universitários, um estudante de Administração e outro de Direito, e hoje agradeço a Deus por poder ter lhes educado moral e religiosamente , pois o ódio que eu vi nos olhos deles com relação ao Sr. Dr. Delegado, me faz pensar que hoje junto com o Santa Cruz , meus filhos morreriam de tristeza ou contaminados com tanto veneno. E graças a Deus, somos pessoas do bem. E pensar que o Senhor Delegado ainda queria votos para se eleger vereador. Eu não tenho domínio das leis, como provavelmente o Senhor deve ter, mas hoje eu queria poder lhe processar e acho que o Senhor se enquadraria em vários artigos contra o meu Clube e a minha família. Danos morais, danos materiais, constrangimento, abuso de poder e o pior de todos, homicídio doloso triplamente qualificado, quando o Senhor de forma cruel, sem dar chance de defesa e de forma premeditada, assassinou covardemente toda a Nação tricolor. O Senhor, como bom advogado, pode tentar se defender, colocando a culpa nos...

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