Dia de decisão

Andrezinho entre os tricolores Galdino, Ducaldo e Marcelo Beltrão Acordei às 4h da manhã. Era uma ansiedade só comparada à final contra a Portuguesa em 2005! Tomei um banho super gelado, chovia um pouco aqui em Olinda e fui logo preparando meu kit coral com a bandeira, a camisa, um apito herdado das campanhas de Fabiano do “Apito” Pinheiro, àquele comprimido sugerido por Artur, que comprei no mercado paralelo, uma foto de Nice de biquini e um saquinho de amendoim. A cerveja Ducaldo me paga lá no Bar da Piscina. Faltaram ainda as chuteiras, porém, sou um jovem aposentado dos gramados, mas pode ter certeza que nosso coração estará na ponta das chuteiras dos nossos jogadores! E fui logo tratando de tomar um bom café, de ligar cedo a TV pra tentar pescar alguma notícia da decisão de logo mais, mas, cedo do dia, apenas o Globo Rural, que mostrava uma reportagem interessante de como se comportar a um possível ataque de cobra coral! Fiquei atendo a reportagem e ouvi dizer também que plantar Arruda no quintal de casa livra o mal olhado. Comprei àquele jornal de R$ 0,25 só por causa da manchete: “O Arruda hoje vai ficar pequeno”. Caramba, me arrepiei todo! Pensava em chegar logo ao Arruda e esquecia que tinha que chegar ao trabalho primeiro! Saí de casa apressado, concentrado no jogo de logo mais, foram muitas as camisas tricolores vistas no trajeto até a parada de ônibus, ensaiei até colocar a bandeira do Santa Cruz na janela do bus, mas, contive a imensa vontade, pra não causar mais inveja na concorrência! Sempre olhei com bons olhos a Copa do Brasil, até por ser uma competição mais democrática, embora as diferenças entre os clubes sejam gritantes! Agora nos deparamos com a possibilidade de chegarmos mais longe, conquistando renda, mídia nacional, confiança e respeito! Como diz o nobre amigo Arnildo, a pouco tempo atrás perdíamos até de time de várzea. Hoje, acima de tudo, temos que pregar humildade, colocar os pés calejados no chão, ter perseverança, porque, não podemos mais nos dá o luxo de desperdiçar as oportunidades, não podemos mais descer degraus abaixo! Temos que aproveitar essa boa fase. Uma boa vitória logo mais nos dará mais confiança nas semifinais do estadual e no jogo lá em Goiás! Por fim, deixo um grande abraço a Todos e desejo boa sorte ao Santa Cruz, pois hoje...

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Delírios

Antes, para meus leitores fiéis, uns versos do Chico Buarque. “Pensou que eu não vinha mais, pensou Cansou de esperar por mim Acenda o refletor Apure o tamborim Aqui é o meu lugar Eu vim…” A citação não é gratuita. Comemoro duas voltas. Ao Torcedor Coral, depois de algum tempo, e, principalmente, ao Arruda, minha casa mais querida. Por opção e algumas imposições, desde a malfadada partida contra o CSA, ano passado, eu não voltava ao Mundão. O que importa, porém, é que o bom filho a casa torna. Voltei ao Arruda contra o Botafogo e gostei do que vi. Mas vamos ao que interessa. Sou doido. Isso não é novidade pra ninguém. Meu psiquiatra, o Dr. Perrusi, já perdeu qualquer esperança de fazer-me voltar(?!) ao normal(?!?!). Não há Rivotril com coca-cola que dê jeito. Já usei todas as drogas e nada. Necas de pitibiriba. Entre as minhas doidices, há uma que adoro. É um dos meus remédios prediletos para a insônia. O outro é assistir a “Um lugar chamado Nothing Hill”. Penso que eu sou o bonitão do Hugh Grant e a Julia Roberts, milionária, está caidinha por mim. “Seus problemas acabaram!” Bem, voltemos. Quando vou dormir e o sono não vem, começo a delirar. No mais das vezes, penso que sou um craque. Tal qual Galeano nos seus sonhos, penso que sou o melhor do mundo de todos os tempos. Nos meus sonhos, sou uma mistura de Garricha, Pelé, Maradona, Messi, Van Basten, Romário, etc. Jogo pelo Santa Cruz e não abro nem para um trem. Semana passada, coincidentemente após a partida contra o Botafogo, houve uma noite dessas. Cheguei em João Pessoa com a adrenalina ainda lá em cima, por causa do jogo. Maria estava em Brasília. Eu estava só em casa e precisava acordar cedo no dia seguinte. Tomei um banho e fui para o quarto, liguei o ar-condicionado no mais forte possível e tentei dormir. Não consegui. Zapeei uns canais e nada de Julia Roberts. Desliguei a TV e tomei um alprazolam com suco de maracujá e chá de camomila. O sono não veio, mas deu barato. Deixei minha cabeça viajar. O problema é que de tanto sonhar que sou um craque, já não tenho mais criatividade para imaginar meus golaços. Assim, desta vez, resolvi delirar no extra-campo. Pois bem, era uma entrevista coletiva depois de mais uma grande atuação. O repórter pergunta sobre...

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Enquanto isso, na Várzea…

Imagem da Várzea por satélite Não fui ao jogo domingo. Assisti em casa, pela TV. Motivo: Dimas e Artur me excluíram do mais importante programa dominical, os jogos do Santinha. Quando consegui localizá-los pelo celular, já estavam entrando no Arruda… Já haviam enchido a cara. E mais: iam para as cadeiras. Não tenho recursos para ir às cadeiras. Magoado pela exclusão dos amigos, decidi ver o jogo em casa. Tinha certeza que iríamos ganhar o jogo. Tinha até um placar na cabeça: 2 x 0 (Quase!). A barbie é muito fraquinha. Por outro lado, desde que Dado assumiu, o Santa vem jogando futebol. Não é nenhuma seleção, mas é um time organizado, que joga com garra e pra vencer. Cheguei a escrever ontem de manhã para alguns amigos, dizendo: “Vamos vencer”. Por isso, quando resolvi ficar em casa, sabia que ia perder a apoteose que é, sempre, uma vitória coral no mundão. Decepção aumentada em relação aos amigos… Mas ser tricolor é padecer no paraíso. Ver o jogo pela TV teve seu lado bom. O primeiro aspecto positivo foi escutar o coitado do Rembrandt Júnior sendo obrigado a gritar quatro gols do Santinha! Os três últimos, gols para ficar na memória pernambucana. O coitado gritava como se estivesse ganindo, um som estranho, engasgado: um grito de afogado já cheio de água do mar! É isso, um grito de afogado submergindo. O segundo e mais importante aspecto, confirmar que a Várzea, e em especial a Brasilit, onde moro, é tricolor “em peso”. A cada gol, sobretudo no segundo tempo, uma explosão no bairro. Aqui e lá, dos becos, se ouviam os gritos: “É Brasão, porra!”. Quando a coisa foi eliminada da Libertadores, já havia presenciado uma festa aqui no bairro, o grande grito de glória e alívio. Mas, me perguntava, será que não é a soma da massa coral com as barbies? Será que a torcida tricolor é tão grande aqui na vizinhança? Toda essa dúvida se deve ao fato de morar aqui há cerca de um ano. Ontem a prova foi retumbante! No terceiro bairro mais populoso do Recife – a bucólica e esquecida Várzea – a torcida tricolor coral santacruzense mata a pau. Durante toda a noite reinou aquela paz gostosa que vem após as grandes vitórias. A Várzea apaziguada! Um retrato, em fatia, do que era a paz e alegria geral da nação coral. Daí me lembrei...

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A Copa do Mundo e os paquidermes albinos

Allan Araujo [i] Justiça seja feita. Shopping atrás de shopping, espigão atrás de espigão, a cidade do Recife está ficando sufocada e esta expansão rumo ao oeste é, provavelmente, uma das grandes alternativas para permitir que a cidade continue a crescer, sem prejudicar bastante a qualidade de vida das pessoas. Sem hipocrisias, crescimento econômico não apenas é importante, como fundamental. Crescimento com distribuição de renda será capaz de diminuir, por exemplo, o excesso de desigualdade que leva à pobreza extrema e, em alguns casos, à marginalização. Mas podemos crescer com equilíbrio, de maneira sustentável. É neste contexto que a idéia do governo é excelente. Levar um hospital, o centro administrativo do governo, um centro comercial e um condomínio residencial será suficiente para levar desenvolvimento àquela região pobre e esquecida (São Lourenço) pelo poder público há anos. Quem não gostaria de morar perto de tudo isso? O que não dá para entender é a insistência do governo em construir um estádio a mais em um estado tão carente de investimentos em infra-estrutura, onde os maiores clubes possuem estádios próprios. O investimento é de bilhões de reais. Anteriormente, alegaram que o dinheiro seria privado, agora já admitem que o dinheiro será público, isto é, dos nossos bolsos. O governo quer empurrar goela abaixo no Santa Cruz, Sport e Náutico este estádio. Especula-se, até, que a CBF pretende permitir jogos do Campeonato Brasileiro, após a Copa do Mundo, apenas em arenas da copa (ou estádios com estrutura similar), isto é, inviabilizando Arruda, Aflitos, Ilha e Luiz Lacerda. O que pretende o governo: sepultar o futebol pernambucano e sua tradição secular? Santa Cruz e Sport já disseram que não topam. O Náutico está propenso a ir. Agora, imagine: no jogo mais importante do ano, até aqui, o Náutico colocou 4 mil pagantes (contra o Vitória, na Copa do Brasil). No clássico (Náutico x Santa Cruz), 15 mil. Isto porque a torcida do alvirrubro possui grande concentração nos Aflitos, Graças, Espinheiro, Rosarinho, Parnamirim, Torre, Derby. Quantas pessoas iriam se o jogo fosse em São Lourenço? Vejam o (mau) exemplo do Botafogo e o Engenhão. Para que uma estrutura subutilizada? Não, muito obrigado. Não queremos um elefante branco. Certamente, com muito menos dinheiro (privado ou público) seria possível transformar as praças esportivas pernambucanas em ambientes de primeira categoria. Uma delas seria escolhida para a Copa do Mundo, as demais serviriam de centro de treinamento. Não...

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O dia em que o futebol pernambucano nasceu

1919: O Primeiro Santa Cruz x Botafogo Roberto Vieira O paquete Itaquera chegou ao porto do Recife às 11h00. Uma pequena multidão esperava os craques cariocas, entre os presentes, representantes de todas as equipes da Liga Pernambucana de Desportos Terrestres (LPDT). Nada foi esquecido. Duas bandas tocavam dobrados e valsinhas para entreter o povo. Logo que o navio entrou no porto, várias lanchas seguiram ao seu encontro embandeiradas. Pernambuco se rendia ao futebol. Pernambuco que havia organizado seu primeiro campeonato estadual no ano de 1915. Quatro anos antes desta manhã ensolarada de janeiro. Após o desembarque, a comitiva se dirigiu ao Clube Helvética, onde foram oferecidos vermutes e bolinhos aos visitantes. O Sport Club do Recife, na pessoa do Sr. Carlos Lima, saudou os alvinegros. Sport que inaugurava a arquibancada de madeira da Avenida Malaquias e promovia a excursão botafoguense. Os vinte e um automóveis do cortejo prosseguiram saudados pela multidão até o Hotel do Parque, onde ficaram acomodados por conta dos rubro-negros pernambucanos. O chefe da embaixada, Sr. Oscar Gomes de Matos, e o capitão da equipe Osny Wernet agradeceram as homenagens e imaginaram que tudo seria um passeio. O redator do ‘Paiz’, Carlos Stelling perguntava a todos pelo estágio do futebol pernambucano. Diante da acolhida digna de uma seleção inglesa dada aos seus amigos do Rio, Stelling teve a certeza de que viriam algumas goleadas naquela excursão. De noite, alguns jogadores pensaram em ir até o cinema Moderno assistir o romance policial ‘As Sete Pérolas’, entretanto um jantar os esperava na sede do Sport. No dia 26 de janeiro, o Botafogo pagou as gentilezas do Sport com um sonoro 6 a 1 no estádio da Avenida Malaquias. A goleada não afetou as relações entre os dois clubes. Tinha sido até de pouco, pensavam os rubro-negros. O próximo jogo dos cariocas seria contra o Santa Cruz Football Club. Um clube esquisito para os padrões da época. Um time de brancos, negros, mulatos, doutores e analfabetos. Um time com apenas cinco anos de vida. As demais torcidas de Pernambuco não puderam reprimir o riso. Os meninos tricolores iam levar uma surra daquelas! Ainda mais que o Santa Cruz parecia ter um azar dos diabos. Em quatro campeonatos pernambucanos disputados até aquela data, o clube do Largo da Santa Cruz havia sido vice-campeão por quatro vezes. Título que era bom, só no pendura. Nesse ânimo, o Botafogo, vice-campeão carioca de...

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Uma análise consciente

Nota da redação: Recebemos aqui em nossa redação um e-mail do Professor Farias, que, segundo ele, costuma acompanhar nosso blog, mas não é muito de comentar. O missivista nos chama de pessimista e faz coro ao dizer que estamos pregando o apocalipse. Por isso, pede que publiquemos um artigo seu com a análise do jogo de ontem. Atendemos o seu pedido com a ressalva de que pessimista é o cacete. Professor Farias[1] A partida de ontem renovou as esperanças da torcida tricolor. É como se o campeonato estivesse começando agora. Estamos com um treinador jovem, moderno, que fica em pé o tempo todo. E que não tem medo do futuro e do amanhã. O time mostrou um novo desenho tático. A preparação física começa a mostrar seus frutos. O goleiro não foi acionado. Não dá para fazer uma análise da sua atuação. Porém, já deu para perceber que sua saída de bola é muito melhor do que o do outro goleiro, o Darci. Desconfio que com aquela altura, ele não seja bom nas bolas rasteiras. O lateral-direito Gilberto Matuto teve uma evolução técnica e física muito boa. Correu como um louco e fez ótimos cruzamentos. Foi um dos diferenciais da equipe coral. A dupla de zaga começa a se afirmar, mostrando muita superação e um aproveitamento muito bom nos escanteios a favor do Santa Cruz. Não gostei do lateral-esquerdo. Muito franzino, apavorado e pedante. O rapaz no primeiro tempo foi fominha. Já no segundo tempo mostrou uma melhora, mas muito longe de ser um titular. Marcos Mendes é o dono da posição. A proteção de zaga, ou seja, os volantes estiveram numa noite muito feliz. O Goiano joga para o treinador. É aquele empregado, operário. Leo é um jogador diferenciado para aquela posição. Tem qualidade no passe, visão de jogo e personalidade. Jackson precisa melhorar muito. Errou passes de meio metro. Em alguns momentos se escondeu. Elvis chegou ao seu limite, o futebol dele é aquilo ali. Não compromete, porém, não resolve nada. Meia-atacante que não faz gol tem dificuldade de arrumar emprego. O que me preocupa nesse meio-campo é a vulnerabilidade. O outro time joga solto e a carga sobra para nossos volantes e zagueiros. Senti muito a ausência de Natan. Queria ter visto sua arte com a bola no pé. No ataque, o artilheiro Joelson precisa voltar ao seu planeta. Parece que os gols subiram para sua...

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