Beijos, futebol e abraços

Beijos, futebol e abraços

Nota da Redação: Leitura indicada para maiores de 18 anos. Conheci Gerrá na época da gestão de Jonas Alvarenga. Naquele tempo, a gente o chamava de Geraldo, pois faltava intimidade. Gerrá foi um dos famosos conselheiros denorex, junto com Murilo, meu irmão, que tentaram botar alguma ordem na casa. Quase conseguiram, mas o Santa é o Santa, um clube onde se costuma dar murros em ponta de faca. O tempo passou, Gerrá começou a escrever para o Blog do Santinha e eu criei o Torcedor Coral, o que contribuiu para uma maior aproximação. Porém, foi como conselheiros do clube na gestão de Fernando Bezerra Coelho que nossa amizade se fortaleceu. Fazíamos parte do chamado Núcleo Duro do conselho, pois defendíamos os interesses dos clube, não dos gestores, e não tínhamos medo de apontar os erros da gestão na tribuna. Por conta disso, passamos a ser mal vistos por alguns integrantes da diretoria, mais precisamente entre o chamado Grupo de SUAPE. Na imobilidade do conselho em reformar o estatuto, Gerrá, eu e mais alguns conselheiros, indignados com a inércia da mesa diretiva, elaboramos uma nova minuta, mas o presidente do Conselho Deliberativo preferiu engavetar o projeto. Mas isto já é outra história. Vez por outra, Gerrá visitava nossa redação para tomar umas garapas e a gente pedia uma palhinha. O zabumbeiro dizia que era difícil escrever para um blog, o que dizer de dois. Com o fim do Blog do Santinha, liguei para Gerrá e o convidei para ser nosso cronista. Prometi salários em dia – em Merreca, a moeda oficial do blog – e liberdade de expressão. O zabumbeiro topou e mandou, de saída, um texto erótico só para saber se esse negócio de liberdade de expressão era à vera. Era, sim. O texto abaixo é a prova disso. Boas-vindas ao zabumbeiro tricolor! Dimas Lins Faz tempo que Dimas e cia. falam para eu escrever algo no Torcedor Coral. Bem antes do Blog do Santinha sair do ar, a turma  que faz o TC vez por outra abria as portas da redação e me convidava pra tomar uma cerveja. Entre copos e cervejas, alguém dizia, “ei porra, escreve um texto aí”. Na verdade, tenho me dedicado a aprofundar um estudo sobre a combinação de sexo e futebol. Venho colhendo dados, fazendo entrevistas, etc. Não é aquele papo antigo discutindo se trepar antes da partida faz bem. O que quero...

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O jogo que eu não vi

O jogo que eu não vi

…Ou abobrinhas sobre a “Mala Suerte” Os espanhóis nunca utilizam o termo azar, ou quase nunca, em meus três anos na terra do flamenco, nunca ouvi alguém pronunciar as fatídicas quatro letrinhas. Eles preferem mala suerte. Se não economizam nas letras, também não dão sopa para o az… enfim, deixa pra lá. O certo é que vivemos um tempo de discussão sobre o tema, discussões tão fortes e sérias que levaram o Blog do Santinha à solução final. Mas isso é uma outra história. A história que quero contar é a seguinte: nasci na década de 70, primeira metade, na maternidade São Marcos, ao lado do chiqueiro. Cresci escutando que, no dia em que vim ao mundo, metemos 4 na cachorra de peruca ali, no campinho ao lado. Se isto é fato, eu não sei, mas como tenho medo de que alguém vá pesquisar, prefiro ocultar a data. Não se deve matar os sonhos de uma criança. Nunca morei em Recife, por isso não sou um freqüentador assíduo do Arruda. Entretanto, durante muitos anos, todas as vezes que fui ao Mundão, e não foram poucas, nunca perdi. No máximo um empate, como na minha estréia, em 70 e algo contra o Central. Minha primeira derrota só viria anos mais tarde, acho que 84 ou 85. Ainda assim, durante um bom tempo, dava pra contar na mão esquerda de Lula as derrotas que presenciei. Em finais, entretanto, mantive a boa sorte por muito mais tempo. Vi os títulos de 78, 79, 83, 86 e 87, 90, 93, quando ninguém mais esperava, e 95. Um belo dia, trombo num corredor da UFPB com outro doido varrido pelo Santa. Artur Perrusi é o ateu mais místico que conheço quando se trata de futebol. Lembro que foi um aluno do cabra, amigo meu, quem nos apresentou. – Ei, vocês dois se conhecem? – não! – Pois deveriam. – Por que? – Por causa do Santa Cruz. – Você é tricolor? – Claro. Menos de uma semana, já fomos a um jogo. Santa e Barbie em plena segunda feira. De quebra, ainda levamos Geó, o poeta do apocalipse. Vencemos de virada, com direito a chilique de Kuki. Pronto, tava feito, juntamos a fome com a vontade de comer. Perrusi, recém exilado em João Pessoa só precisava de companhia para ir os jogos de meio de semana, eu só precisava da carona. Geó, só precisava...

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Uma análise apurada do que vi

Uma análise apurada do que vi

Nota da Redação: Ano passado foi difícil. A segunda desclassificação prematura do Santa Cruz na Série D precipitou o afastamento de alguns cronistas. Dos nossos oito colaboradores, apenas três permaneceram escrevendo para o blog. Era preciso renovação, mas estava difícil conseguir mão-de-obra qualificada disponível e com disposição para falar do Santa Cruz. Nosso primeiro reforço, neste sentido, é o Professor Farias. Com dupla formação, Artes Cênicas e Educação Física, Farias é figura constante no Torcedor Coral, embora nunca fosse afeito a comentários. No ano passado, ele enviou nos enviou um artigo para publicação e foi, a partir daí, que surgiu nosso interesse em trazê-lo para o blog. Professor Farias, ao longo do tempo, especializou-se em esquema tático, após diversos cursos que fez na área de futebol. Ele, sem dúvidas, será uma grande aquisição para o TC. Caro Professor, bem-vindo ao nosso blog. Futebol é uma caixinha de surpresas. Boas e ruins, vale esclarecer. Para muitos o resultado de ontem e a liderança do querido Santa Cruz não estavam previstos nesse início de campeonato. Para mim, nada de anormal. Eu já sabia que o time de Vitória de Santo Antão era um pato morto. O Ypiranga é freguês antigo aqui no Arruda e o efeito orloff do América abalaria os nossos nervos, mas não impediria a vitória do Santa. O que eu não conhecia era a ruindade de alguns contratados. Com estas três partidas oficiais, já deu para perceber que os laterais, assim como alguns cartolas, servem mesmo é para jogar no lixo; o goleiro é fraco e já caiu na desconfiança da torcida. Não se surpreendam ao vê-lo levar um frangaço. O time joga num 4-4-2 tradicional. O problema é que o primeiro volante já tem uma certa idade e isto compromete em muito a cobertura dos laterais. Ele fica ali, distribui uma bola para o lado, dá um combate e vai enganando a torcida. Até que segundo volante pode fazer a vez de cobrir os laterais, mas se isto ocorre, sobrecarrega a criação no meio-campo. No 4-4-2 o segundo volante é muito mais um meia-armador de contenção do que um cão de guarda. O miolo de zaga está lento e ineficiente nas bolas cruzadas por cima. Um detalhe que não pode passar despercebido, o zagueiro Leandro Bambu. Este cidadão não tem o menor cacoete para jogar futebol profissional. Então, percebam a vulnerabilidade do nosso sistema defensivo? No futebol...

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Blog do Torcedor mostra esquema nas eleições do Santa

Blog do Torcedor mostra esquema nas eleições do Santa

Em matéria publicada hoje, dia da eleição no Santa Cruz, o Blog do Torcedor mostra esquema onde um sócio se torna apto a votar sem gastar um centavo. Na reportagem, o Blog do Torcedor confirma que, em dois dias, o número de sócios aptos a votar subiu em número de 700 tricolores e também que o candidato à presidência do clube, Antônio Luiz Neto, não vê problemas nesse tipo de situação. A matéria fala por si só e revela o jogo de cartas marcadas nas eleições corais. Confira: Por Laura Cortizo, do Blog do Torcedor Sem pagar um centavo dos dois meses que devia ao Santa Cruz como sócio, o comerciante Celso Moreira da Silva é uma das pessoas aptas a votar na eleição para presidente do Santa Cruz que acontece hoje, no Arruda. Seus débitos foram quitados por um grupo ligado ao candidato da situação, Antônio Luiz Neto. O fato foi constatado pelo Blog do Torcedor que, com uma câmera oculta, gravou a atuação das pessoas envolvidas no esquema. Até a última segunda-feira, o nome do comerciante não constava na lista provisória de contribuintes votantes. Já a lista definitiva, divulgada no início da noite de ontem, continha Celso entre os tricolores regularizados. O comerciante afirma que foi assediado por pessoas ligadas à chapa da situação, que prometeram pagar os dois meses devidos para que, assim, ele pudesse ter direito a voto. Inconformado com o esquema, entretanto, Celso aceitou ser personagem de uma matéria para expor a ação do grupo. A forma de atuação registrada pela câmera é simples. O sócio em débito procura uma pessoa ligada ao grupo, no caso de Celso essa pessoa foi um homem identificado como Arnaldo, que pegava o número de inscrição, o CPF e o valor devido pelo sócio. Com esses dados, era efetuada a quitação dos débitos em nome do interessado. Assim, ao chegar em uma casa apontada como escritório de Antônio Luiz Neto, candidato da situação à presidência do clube, o comerciante perguntou como pode se regularizar para votar, afirmando que mais dois amigos queriam fazer o mesmo. “Quantas pessoas são? São dois meses só?”, perguntou Arnaldo. “De minha parte, só são dois”, respondeu o comerciante. “Faça o levantamento e me entregue. Tem que trazer agora. A gente tem contato com o pessoal lá e vê o que pode fazer”, afirmou Arnaldo. No final da tarde, Celso voltou ao escritório e...

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Cobrindo as despesas excedentes

Cobrindo as despesas excedentes

Imagine uma pessoa andando alegremente num shopping center da cidade. De repente essa pessoa se depara com um sonho de consumo: uma nova TV com todos os mais modernos e sofisticados recursos. Os olhos de nosso amigo chegam a brilhar. Depois de admirar o tão sonhado produto, ele observa um cartaz abaixo que informa o preço: a TV custava R$ 10.000,00. Mesmo sabendo que é muito caro para um taxista como ele, nosso consumidor começa suas contas: – Meu apurado do taxi, somado com um CDC em 24 vezes, atrasando uma parcela do condomínio, noves fora nada, etc., etc., etc… E nosso amigo chega a uma conclusão: – É caro, mas eu quero! É caro, mas eu mereço! Com um apertinho temporário aqui, outro acolá, consigo pagar! A prestação vai ficar em R$ 800,00! Eu ganho R$ 1.100,00, dá demais! E feliz da vida após esse teorema financeiro, nosso amigo liga para a esposa para dar a boa notícia, vai comprar a sua tão sonhada TV. Obviamente, a esposa de nosso amigo dá-lhe um esporro daqueles e só não o chama de arroz doce. Triste da vida, nosso frustrado amigo sai do shopping contando as moedas para pagar o estacionamento. Ainda revoltado com a frieza material da esposa, ele começa a pensar revoltadamente: “Se fosse uma escova definitiva de R$ 1.000,00, ela comprava. Como é para mim, não posso comprar nada!”. Distraído em seus pensamentos, nosso amigo avança um sinal vermelho e bate seu taxi num outro carro, um carro importado caríssimo. Ninguém fica ferido, e, como não haveria outra maneira, nosso amigo taxista é obrigado a assumir a culpa, e, negociando com o proprietário, ele descobre que a franquia do seguro do carrão é de R$ 10.000,00, parceladas em 10x de R$ 1.000,00. Ou paga a franquia, ou paga o conserto que daria muito mais. Ainda nervoso e tremendo-se todo, nosso amigo liga para sua esposa e conta o ocorrido. Imediatamente, a esposa o aconselha a pagar as dez prestações. O taxista vai à oficina e passa no seu sofrido cartão de crédito os R$ 10.000,00. Passados alguns dias, conversando com a sua esposa, o taxista pergunta: – Mulher, por que você não deixou comprar a TV que eu queria de R$ 800,00 por mês e na hora, sem pestanejar por um segundo, mandou eu pagar R$ 1.000,00 por mês da franquia? E a mulher responde: – Porque...

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Homenagem (quase) póstuma

Homenagem (quase) póstuma

Luiz Fernando Gomes*, publicado originalmente na coluna Apito Inicial da revista Lance! Me lembro dos campeonatos de botão que jogava com os amigos, lá pela década de 70. Era um moleque, tinha á meus 14 anos . e naquela época 14 anos era idade de moleque mesmo. Meu time era o Flamengo. Herança de família. E olha que eu era bom de palheta. Tinha tanta confiança em vencer que um dia, num torneio lá em casa, coloquei um açucareiro de prata da minha mãe para servir de troféu. Tinha certeza de que não sairia do armário da cozinha. Mas perdi. Perdi e cumpri a palavra, o açucareiro acabou na casa da vizinha. Levei uma bronca, fiquei de castigo . Um mês sem jogar botão. Merecido, diga-se de passagem. A grande final do fatídico torneio foi um clássico daquela época. Não apenas nos tabuleiros, mas nos gramados também. Meu amigo, o que me derrotou na final, chamava-se Zé Carlos, jogava com botões tricolores, em preto, vermelho e branco. Era o São Paulo? Enganou-se quem pensou assim. O vencedor do torneio de botões foi o Santa Cruz, o Cobra Coral do Recife. Isso mesmo. E o meu amigo era só um dos tantos meninos a ter um time assim. Num tempo em que a televisão ainda não transmitia futebol em rede nacional, que pouco se sabia do que se passava além do eixo Rio-São Paulo-BH-Porto Alegre, o que levava garotos do Sudeste maravilha a jogar botão com o Santa Cruz? A resposta estava no talento de uma geração que encantava. Gente como Givanildo (talvez o maior ídolo da história do clube) e Luciano, que depois ajudariam o Corinthians a sair da fila e ganhar o Estadual de 77; Ramón, célebre parceiro de Dinamite no ataque do Vasco; e Nunes, que sairia de Pernambuco para conquistar o mundo com o Flamengo de Zico. Má gestão e amadorismo levaram o Santa à bancarrota. Comuns pelo Brasil, fizeram no Recife a sua maior vítima. Era uma época de ouro. Em 75, o time chegou às semifinais do Brasileiro. Eliminou o Palmeiras nas oitavas, vencendo por 3 a 2 em pleno Palestra, passou pelo Flamengo nas quartas, impondo um 3 a 1 de virada dentro do Maracanã. Os pernambucanos, até hoje, culpam Armando Marques, aquele juiz que errou a conta dos pênaltis de Santos e Portuguesa numa final de Paulista, pelo time não chegar à...

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