O que passou e o que virá

O que passou e o que virá

No bojo do que aconteceu para o Santa Cruz neste ano que está prestes a ser sepultado, dois fatos me causaram surpresas. A categórica conquista do título estadual e o vice-campeonato da Série D. Os outros acontecimentos não foram capazes de motivar no meu terreno emocional, impacto surpreendente. Do ano que vai acabar, devemos deletar a incoerência e teimosia do treinador Zé Teodoro em apostar fichas no futebol de pseudo-jogadores do tipo Leandrinho, Ricardinho, Washington, Diego Biro, Rodrigo Gral, Laécio, Alexandre Silva, entre outros enganadores, e de não ter um critério claro para definir escalações e esquemas táticos. Estes dois itens foram peças principais nos pilares de sustentação do alicerce que nos deixou em boa parte da Série D, na linha limítrofe entre o sucesso e a decadência. Sem muito esforço racional, é fácil lembrar que por muitas vezes nosso futebol frequentou descaradamente a zona de fronteira entre o bonzinho e a ruindade plena. Entretanto, estamos numa situação tão calamitosa e de desconforto que devemos comemorar nossa performance em 2011 de maneira sublime. Passemos para o ano que vai nascer. Apesar da abissalidade existente entre o Santa Cruz e os outros dois times da Veneza pernambucana, 2012 poderá ser fácil. Para o estadual, mantivemos o que há de melhor na equipe, o treinador e sua comissão técnica, a diretoria de futebol e, um detalhe de suma importância ainda não percebido por muitos, somos o único time com condições reais de alcançar o bi-campeonato. Apesar da lambança produzida pela diretoria no caso da reapresentação, seremos respeitados pelos primos ricos, em virtude da nossa performance no estadual do ano corrente. E não se admirem se chegarmos à nova conquista. A receita para saborear o gosto de outro título estadual é, de certa forma, simples: – Jogar com seriedade sempre e dentro dos limites possíveis; – Ganhar dos times pequenos, dentro e fora de casa; – Não perder os clássicos no Arruda. Se conseguirmos alcançar os objetivos acima, nossas chances de sermos campeões estaduais tornar-se-ão verídicas. Por sua vez, na Copa do Brasil, continuaremos a nos comportar como franco atiradores, usando o lema “o que vier é lucro”. Nesta competição nossa torcida se contenta com o consolo de ter lotado o decadente estádio José do Rego Maciel e de ser notícia nacional em um hebdomadário qualquer, principalmente se a aparição se der na mídia televisiva, mais ainda, se aparecer na tela da...

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Ajude a torcida, Presidente!

Ajude a torcida, Presidente!

Já está ficando chato. É o presidente tricolor abrir a boca e: “… Vamos ter que contar novamente com o apoio de nossa torcida e pedir para que eles, mesmo com o fim do calendário de jogos, continuem pagando suas mensalidades e atraindo novos sócios”. “Será uma desigualdade enorme contra Sport e Náutico, que, por mérito, subiram para a primeira divisão e terão vultosas quantias. Nós, com uma torcida extraordinária, teremos cota zero. Vamos entrar 2012 da mesma maneira de 2011: da pior forma possível”. “O ano de 2012 vai ser um ano extremamente difícil para o Santa Cruz enfrentar, considerando-se o fato de que os nossos principais adversários no Campeonato Pernambucano estarão com receitas enormes, bancadas pela televisão, enquanto que o Santa Cruz, mais uma vez, vai ter que iniciar o ano sem nenhum tipo de patrocínio nesta área televisiva”. “O Santa Cruz está precisando, neste momento, que aqueles que são sócios se mantenham em dia e paguem as suas mensalidades”. E Haja Saco! Toda a torcida, Presidente, está cansada de saber disso tudo: que não temos verba de televisão (o que não é totalmente verdade, já que no Pernambucano, temos, sim, uma verba), que estamos na Série C, onde falta visibilidade, Clube dos 13, e blablablá. E sempre, a única saída parece ser a nossa torcida que, aliás, só é lembrada pelo clube nesses momentos. Por que, Senhor Presidente, não fala sobre o seu esforço e de sua diretoria em renovar contratos atuais e arrumar novos patrocinadores e parceiros para o clube? Por que, Senhor Presidente, não se fala da grande campanha de sócios que está finalizada e será lançada, para atrair cada vez mais a massa coral para perto do Santa? Por que não explana o planejamento que está sendo feito para tratar os torcedores que frequentam o Arruda como consumidores e parceiros, e não como gado, enfrentando filas enormes com um sol de rachar o quengo e o bafo dos cavalos da PM? Por que não divulga que a campanha de sócios terá uma extensa lista de benefícios e vantagens para o sócio coral, como reconhecimento pelo apoio insistente, irrestrito e apaixonado? Isso tudo está sendo feito e providenciado, não está Presidente? (…) Parece que se tornou um vício da maioria dos dirigentes corais (para não dizer de todos) o apelo à torcida como única saída para o clube. E aqui não quero retirar a responsabilidade...

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Dois lados

Dois lados

Fala-se que tudo na vida tem dois lados. Um lado bom e um lado ruim. Tais generalizações são sempre perigosas, mas em se tratando do jogo ocorrido domingo, podemos tentar aplicar um exercício e enxergar os tais dois lados. Vamos começar com o lado negativo. A derrota. Por mais que o ano de 2011 tenha sido extremamente positivo para o Santa, muita gente saiu do Arruda ontem com um gosto de guarda-chuva na boca. Não que eu saiba que gosto tem isso, mas sabe aquele gosto amargo, aquele sorriso amarelo? Pareceu-me um sentimento quase unânime no estádio. Apesar de a torcida ter aplaudido no final, gritado o “Tri-Tricolor”, foi mais em reconhecimento pelo ano, não pelo resultado. E isso pode ter um impacto um pouco maior que o previsto. Terminando o ano em alta, com um título, a euforia da torcida continuaria em alta, o que poderia e deveria ser canalizado para um só lugar: Campanha de sócios. Não que não possamos fazer campanha por sócios sem o título. Claro que podemos. Mas é muito melhor fazer uma campanha com o seu público alvo apaixonado, em estado de graça, com o fechamento de um ano perfeito. Vi gente saindo do estádio extremamente chateada, gritando, revoltada. Exagero? Muito provavelmente. Mas o tal encanto perde um pouco do seu charme e perdemos mais uma boa oportunidade de capitalizar. E o lado positivo? A derrota. “Pronto. O cabra enlouqueceu de vez!” deve estar imaginando um incauto leitor. Calma que não enlouqueci (pelo menos não por enquanto). No aspecto puramente futebolístico, enxergo a derrota como positiva. Com um resultado negativo diante do escrete Tupi, numa final de campeonato, dentro de casa, caem as auras que circuncidavam as bandas do Arruda sobre treinador e elenco. Nossas fragilidades ficaram, mais uma vez, diga-se de passagem, expostas para quem quiser (e souber) enxergar. Somos gratos a todos os jogadores do elenco pelo esforço e dedicação na missão de tirarem o Santa dessa maldita Série D. Ponto. Agora nossa caminhada prossegue. E passa necessariamente por qualificação (e até reformulação) do elenco. Essa foi a lista de relacionados para o jogo de ontem: Goleiros: Tiago Cardoso e Diego Lima. Zagueiros: André Oliveira, Leandro Souza, Everton Sena e Walter. Laterais: Eduardo Arroz e Dutra. Volantes: Memo, Chicão e Mael. Meias: Renatinho, Weslley, Bismarck, Washington e Jefferson Maranhão. Atacantes: Thiago Cunha, Fernando Gaúcho, Ludemar, Kiros e Flávio Recife. Proponho um exercício. Quantos vocês enxergam vestindo o manto coral na próxima temporada? Quais realmente merecem e...

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Lapidar

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No próximo domingo, dar-se-á o primeiro ato de embate para decidir qual o time que vai subir no degrau mais alto do pódio da quarta divisão do campeonato brasileiro de futebol profissional. Nossas chances são mais do que claras, e dificilmente o Santa Cruz deixará de papar a taça. Pelo que tenho acompanhado nestes vários meses, o time do Tupi não amedronta. É apenas mais um desses aventureiros que se lançam a participar da Série D, onde ficar no mesmo lugar, subir ou descer, pouco importa para os seus aficionados, uma vez que os mesmos, em detrimento a sua própria camisa, são mais apegados a equipes que estão participando da Série A e que estão cotidianamente na mídia televisiva. Explicitado isto, resta esperar que a equipe da Cobra Coral entre no jogo já nos primeiros minutos, mantendo a pegada que foi resgatada a partir da segunda fase da competição. Se desta forma for, seremos campeões de maneira fácil e tranquila. Anima-me, também, o fato de Thiago Cunha está impossibilitado de atuar. É sabedor que o atleta estará ausente por suspensão em virtude de acumulo do cartão amarelo, porém este jogador já vem demonstrando um certo desequilíbrio na sua forma física, comprometendo assim sua qualidade técnica (espero que não seja consequência de vida desregrada, pois a depender do grau de irresponsabilidade, o tratamento é custoso, sendo necessário, às vezes, uma intervenção psicoterapeuta). Conjuguei o verbo animar no parágrafo anterior, visto que o substituto do atacante acima referido será Flávio Caça-Rato. Em minha opinião, Caça-Rato é uma pedra bruta a ser burilada. Comparo-o a uma parede mal construída que precisa de um conceituado arquiteto para melhor aparentá-la. Já mencionei em outro artigo que este atacante é para ser trabalhado aquém do grupo, tanto na parte técnica, quanto na parte psíquica. A comissão técnica precisa ser competente para capacitá-lo e, desta forma, extrair do Caça os devidos resultados positivos. Entretanto, além destas questões, que envolvem a atuação do esquadrão profissional nestes jogos finais, torna-se necessário o Santa Cruz Futebol Clube colocar dentro do seu planejamento estratégico (se é que existe algo elaborado neste sentido em algum departamento daquela instituição), a lapidação da sua identidade futebolística. A identidade futebolística serve para nortear qual a maneira que o time vai jogar, deixando claro para todos os profissionais envolvidos na produção da apresentação em campo, a maneira que o Clube deseja vê-los se comportando tática,...

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Ganhar e planejar

Ganhar e planejar

Nunca será tarde para abordarmos a nossa saída da quarta divisão do campeonato brasileiro de futebol. Ficou devidamente claro que a proposta futebolística do treinador Zé Teodoro, foi arquitetada de maneira fria e racional, onde a blindagem para evitar a contaminação pelo histerismo e desequilíbrio emocional dos agentes externos foi um dos principais pilares. Aqueles que tiveram habilidade para enxergar nossas deficiências, hão de concordar que não havia muita coisa a ser feita além do que foi executado. Salvo, em algumas raras situações, como é de praxe. Numa ótica abalizada, conseguimos ver que nossa maior deficiência foi no sistema ofensivo, desde o setor responsável pelo trabalho de criação até a seção que tinha como atribuição principal a finalização para o gol, isto é, os homens de frente. Diante desta situação e do modelo estabelecido para o campeonato, tomou-se a atitude correta: defender em primeiro lugar e depois atacar. Mas o campeonato ainda não acabou. Diferentemente de alguns afobados, penso que é de extrema importância a conquista do título da série D. Chegar ao ápice da quarta divisão nacional, formará ainda mais novas platéias, aumentará a nossa exposição na mídia e massageará o ego dos verdadeiros torcedores do Santa Cruz Futebol Clube. Por outro lado é necessário olhar para frente e começar a traçar o planejamento que vai ser colocado nos dias do ano que se aproxima. A conquista do bicampeonato estadual, uma melhor colocação na Copa do Brasil e a ascensão para segunda divisão são itens que devem estar elencados nos nossos objetivos principais. Chegar ao píncaro do estadual é salutar tanto para o Santa Cruz quanto para o futebol de Pernambuco, pois fortalece e solidifica o caminho de mudança no status quo do futebol praticado em nosso Estado, uma vez que quebrará a monotonia que existe no cenário futebolístico pernambucano. A Copa do Brasil nos trará dividendos e mídia espontânea. E por fim, por motivos mais do que óbvios, o item 1 dos objetivos principais é a ascensão a Série B. Neste cerne, é primordial que o planejamento seja produzido pelas mãos da comissão técnica e da diretoria de futebol, tendo por último o aval da presidência executiva. O primeiro ato a ser realizado é a escolha da comissão técnica, no caso em tela, o clube deve decidir o mais rápido possível se o atual treinador, o Zé Teodoro, vai continuar. Caso não se concretize a renovação contratual...

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Não devemos temer

Não devemos temer

No mundo do futebol é comum vermos cronistas e torcedores falando e defendendo o que não sabem. Vale salientar que em um ambiente de quase infinitas variáveis e enorme subjetividade é natural que os que estão envolvidos nele, formulem suas opiniões e teses, e as defendam de maneira rasa, sem fundamentos concretos e, por muitas vezes, baseados no nada. Preste a alcançar a saída da quarta divisão do futebol brasileiro, o Santa Cruz é falado aos quatro cantos da mídia e da cidade. Há os folclóricos que acreditam no sobrenatural e pregam em seus discursos uma frenagem da confiança e euforia daqueles que pensam de maneira real e positiva. Nesta seara, é salutar afirmar que o habitat do futebol nos propicia surpresas, porém nada é por acaso ou por força do abstrato. As variáveis sorte, azar, energia positiva e negativa, pessimismo e otimismo são apenas especiarias que servem para aguçar o sabor do molho futebolístico. Ninguém de sã consciência pode defender que um resultado final foi fruto de coisas do além. Por outro lado, temos os vários técnicos e especialistas em futebol, que mais parecem que fizeram cursos por correspondências enviadas pelos Correios. Nos seus delírios, estes se apegam a combinação de números para explicar esquemas táticos, baseados na repetição do que ouvem, assim como fazem os “Amazona Aestiva”. Bem como, na formulação e especulação de teses esdrúxulas sobre condições técnicas, físicas e psicológicas dos atletas. Mas passemos a um aprofundamento maior a respeito da partida do próximo domingo contra a equipe do Treze de Campina Grande. Em primeiro lugar, falemos da pré-produção. A dinâmica proposta por Zé Teodoro desde o início desta competição tem como alicerce espaços de folgas entre um jogo e outro. Isto se dá por puro objetivo de se preservar o setor de musculatura, para assim minimizar os riscos iminentes de rupturas, contraturas e estiramentos. É precipitado afirmar que alguns poucos maus resultados se deram por falta de treinamento. O fator preponderante foi a falta de técnica, uma vez que o bom jogador não se atreve a jogar um campeonato medíocre como é esta Série D. Outro fato a ser comentado é o esquema tático utilizado. O treinador optou pela variação do 3-5-2 e o 4-4-2. Dentro da sua concepção de modelo retraído, nas ocasiões decisivas, o 3-5-2 prevaleceu. Ao que observamos, há indicações claras que o Santa Cruz iniciará domingo dentro deste esquema, mas...

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