Um campeonato às avessas

Leonardo Jr.   Carlinhos estava empolgado para planejar o campeonato de botão da sua rua. O Campeonato é em 2008, mas ele já planeja uma verdadeira revolução na Rua.   – Vou apostar numa fórmula diferente (pensou ele…).   Mas para isso ele precisava contar com o apoio dos três principais botonistas da rua: Homerinho ( o mais chorão), Ricardinho (o mais mauricinho) e Edson Cabecinha (o mais popular). Normalmente os jogos entre esses três eram os mais populares, agitavam a rua toda! Carlinhos, que não jogava nada, preferia “organizar” os campeonatos…   E ele pensou numa nova “fórmula” para garantir emoção ao campeonato de botão da rua. Como eram 12 os botonistas da rua, ele decidiu por um campeonato de dois turnos. Só que no primeiro, faria a primeira revolução:   – Vão ser três quadrangulares! Delirou. – Vou colocar cada um dos três mais populares em um grupo, garantindo assim atenção para todos os grupos! – Quer dizer que os três mais populares não se enfrentarão no primeiro turno, Carlinhos? Questionou o vizinho conhecido como Zezinho Povão – Não é isso, Zé! Pode ser que eles se enfrentem sim! Isso é só a primeira Fase! Na Segunda fase vou fazer um cruzamento olímpico, de acordo com a classificação de cada um. – Mas isso não garante que eles se enfrentem, Carlinhos… – Ô Zé, desde quando tu entende de tabela de campeonato? Retrucou Carlinhos, com seu jeito autoritário – Meu Pai tem assinatura de TV a cabo e eu vivo assistindo aos campeonatos lá da Europa…Essa minha idéia é uma novidade! – Mas Carlinhos, insistiu Zé, a maior atração do nosso torneio é o confronto entre os três lá do fim da rua… E tu queres deixar o primeiro turno sem isso? – Calma, Zé… Eles se enfrentam no segundo turno… – E como seria o segundo turno, Carlinhos? Perguntou um já enrolado Zé. – Fácil, Fácil! Exclamou. Os Seis melhores do Primeiro turno se enfrentam em 2 jogos e pontos corridos! Gostasse? – Eita! Pontos corridos tá na moda, né?! Mas fiquei com uma dúvida… Se só os seis melhores participam dessa parte, e o campeonato tem 12, e os outros seis? – Disputarão pra ver quem é o pior! Exclamou um todo orgulhoso Carlinhos.   Zé pensou, pensou… E perguntou:   – Ô Carlinhos… Mas e quem vai ver esses jogos? Tu sabe que só prestam...

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Agir olhando para frente

Por Leonardo Jr.   A situação atual ainda é deveras preocupante. Reagimos, vencemos dois jogos, perdemos o último, e ainda estamos na zona de rebaixamento. Não temos jogadores capazes de fazer a diferença, não temos preparo físico e um entregador de camisas comanda a equipe, embora tenhamos melhorado nas 2 penúltimas partidas. O Cenário é de filme de terror de oitava categoria. O que vai acontecer? Mais uma vez, infelizmente, vamos acabar partindo (por falta de planejamento) para soluções desesperadoras (se é que já não estamos atuando dessa forma).   Além de não sabermos se dará ou não algum resultado, esse tipo de ação vai comprometer mais uma vez o futuro do clube. Ao terminar o ano (independente de em qual série nos encontremos), mais uma vez não teremos elenco, estrutura, treinador… Alguém aí consegue enxergar quantos desses jogadores poderiam permanecer para o próximo ano? Alguém confiaria a missão de reconstruir o elenco ao entregador de camisas que hoje está no clube?   Alguém deve estar imaginando: "O Léo enlouqueceu de vez. Enquanto a gente está tentando escapar da série C, ele já está pensando no próximo ano! Temos que nos preocupar com o momento atual, resolver nossa situação para depois pensar no futuro". Acredito que nos encontramos nessa situação em grande parte por esse tipo de pensamento. No Santa Cruz Futebol clube sempre se pensa no passado e no Presente. Nunca no Futuro. Suspiramos pelo passado, lamentamos o presente e esquecemos o futuro… Mais um ano vem e começaremos novamente do zero. Sujeitos a todos os erros que conhecemos bem quando se recorre a esse tipo de trabalho.   Perdemos a coragem e a capacidade de arriscar. O Santa Cruz já revelou dezenas de treinadores e jogadores para o Brasil. Hoje, não queremos correr riscos. Mas não é muito mais arriscado montar um time a cada ano, contratar profissionais mercenários que só pensam em dinheiro e trazem junto consigo a sua panela de jogadores? Não teria sido mais honesto ouvir da boca do nosso presidente, que ao invés de brigar por títulos, o nosso clube passaria por um processo completo de reformulação, que o objetivo seria organizar o clube a longo prazo e que a torcida não esperasse resultados imediatos, ao invés de um discurso populista de que “ELE” sempre entra para vencer? Não precisamos de frases de efeito, e sim de ATITUDES de efeito.   Não estou dizendo que...

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O Exemplo que vem da França

Leonardo Jr. Eu gosto bastante de acompanhar o que acontece no “planeta bola”. Tendências, esquemas táticos, políticas de contratação, tudo isso para saber o que está acontecendo, e quem sabe sugerir algumas coisas interessante, que  possam ser úteis e aplicáveis ao nosso Santa. E um clube em particular me chamou a atenção: O Paris Saint-Germain. Para quem não sabe, o clube (que é um dos maiores da França) passou a última temporada numa crise desgraçada. Envolto em dívidas, lutou contra o rebaixamento na Ligue 1 durante toda a temporada, só conseguindo escapar nas últimas rodadas da degola. Qualquer semelhança é mera coincidência… Eis o Cenário: O PSG envolto em dívidas, repleto de medalhões no elenco que não estavam rendendo o esperado. O clube como lanterna do campeonato. Qual a primeira coisa a se fazer? Trocar de técnico, é claro (Alguém conhece alguma história parecida por aí?). Mas aí faço uma ressalva. A troca de técnico veio acompanhada de uma mudança de mentalidade. Contrataram um treinador que gostava de trabalhar com jovens talentos. De revelar jogadores. Não bastou apenas trocar um profissional. Foi preciso mudar o foco, admitir que não estava funcionando e tentar outra coisa. Ele (o treinador) chegou ao clube e adotou logo uma política de choque: colocou a maior estrela do time no banco. No lugar do medalhão (O português Pauleta), colocou um jovem valor. E funcionou. Tanto o jovem se saiu muito bem, como o medalhão voltou a brigar por uma vaga no time, pra onde retornou e marcou gols importantes ajudando o clube a se manter na primeira divisão francesa. Ou seja, além de conseguir manter o clube, ainda mostrou que existiam valores no próprio clube que poderiam ser aproveitados. Agora o clube está se preparando para a temporada 2007/08. Contratação de medalhões? Nem de longe. O Clube percebeu que a única forma de crescer nos próximos anos seria uma redução drástica nos custos, diferente de anos anteriores, onde o clube gastou o que não tinha para contratar jogadores de nome, mas que dentro de campo contribuíam muito pouco. O Clube parte para contratar jogadores jovens, que se destacaram em outras equipes francesas. Com essa política, o PSG mata dois coelhos com uma só cajadada. Reduz os valores gastos com contratações, ajudando a enxugar o déficit do clube e tem a perspectiva de lucrar no futuro com a venda desses jovens talentos. Óbvio, não? Dá pra cobrar resultados...

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Mais do mesmo

Leonardo Jr.   Caros amigos que acompanham esse blog. Quero avisar-lhes que se vocês esperam ler algo novo nesse texto podem parar por aqui. Não há novidades. As críticas são as mesmas, o futebol bisonho continua lá, e parece que nosso martírio não tem fim. A partida de terça foi horrorosa exatamente a várias outras que já vimos nesse campeonato.   Quando Dimas me convidou para ser um dos colunistas do Blog, não imaginei quão dura e árdua essa tarefa poderia ser. Estamos nos tornando chatos e repetitivos assim como nosso time. O que falar ainda de Romeu, Carlinhos, Amaral, Cláudio…? O que esperar de um meio campo que tem como principal jogador de armação Nildo? Um cara que se esconde do jogo o tempo todo… Como escrever sobre o Santa Cruz sem que seja num tom amargurado, rancoroso, com um sentimento de que poderia ser tudo diferente?   É desgastante ter que escrever toda semana sobre algo ruim, algo que não evolui. Discutir esquemas táticos, jogadores medíocres, um “professor” que nada acrescenta, contratações que vem, mas que se tudo ocorrer dentro da normalidade, fracassarão totalmente. Ou alguém acredita que Amaral, vindo da Polônia resolverá algum problema do time? E esse Jocemar (Josimar, Josafá, sei lá…) que a única alegria que deu ao tocedor do Bahia foi quando mandaram-no embora?     Quando mais precisamos (como clube) ser criativos e inventivos, mais previsíveis nos tornamos. Recorremos a soluções antiquadas, fadadas ao fracasso. Recorremos a jogadores ultrapassados, a um treinador sem qualidade e ficamos ao bel prazer da sorte ou do acaso. Torcemos como nunca para a sorte estar a nosso favor, e que o treinador e esses jogadores sejam iluminados para que um milagre ocorra. Vamos ficar torcendo para que nosso presidente deixe de ser TEIMOSO e passe a escutar pessoas de bom senso. Passe a se aconselhar com gente que ama o clube e tem capacidade para ajudá-lo.   Sinceramente não acredito nisso. Acredito num trabalho bem feito, bem planejado, com objetivos e metas traçadas. O improviso pode ser até um meio, mas não podemos viver dele. Mas não vou desistir. Vou continuar indo a campo, vou continuar pagando a minha mensalidade de sócio. Vou continuar utilizando o Blog para sugerir modelos, mudanças e tudo o que estiver ao meu alcance.   Sou Santa Cruz de corpo e alma e serei sempre de coração. Quanto maior a dificuldade,...

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A Base é essencial

Leonardo Jr.   Para se iniciar qualquer projeto, qualquer obra, o primeiro passo é verificar o terreno. Ver se o mesmo oferece condições de abrigar o que está se planejando fazer. Depois de constatada a boa condição, é preparada e planejada a base, o fundamento, que na minha opinião, é a parte mais importante do projeto. Quem já viu algum projeto de qualquer ordem dar certo, se não for sustentado por bases fortes e fundamentadas? Se em qualquer projeto uma base sólida é essencial, no Futebol então ela é vital.   Não é a toa que chamam as divisões “inferiores” (Como eu odeio esse nome…) de divisões de BASE. Elas são chamadas assim porque servem de fundamento para a vida do clube. É uma fonte de renovação, de lucro, de esperança…  Possuir a capacidade de revelar talentos ,é vislumbrar sempre o futuro de forma mais esperançosa. Afinal, com bons jogadores surgindo, teremos bons plantéis, que renderam boas vendas aos cofres do clube, que terá capital para investir e conquistar títulos, que atrairá novos torcedores… Ou seja, tudo começa na Base.   Onde foi que nos perdemos? Quando foi que deixamos de valorizar essa capacidade de poucos, que é a de revelar talentos? O que o futuro nos reserva? Basta olhar para o nosso time titular e imaginar o quanto cada um desses jogadores pode nos render, tanto financeiramente como produtivamente, dentro de campo:   Gottardi; Russo, Allan, Marcelo e Piauí. Romeu, Amaral, Carlinhos Paraíba e Marquinhos Catarina, Marco Antonio e Marcelo Ramos.   Nenhum jogador revelado em casa. Se formos estender para o nosso elenco de 30 jogadores, temos apenas 7 jogadores oriundos das nossas divisões:1 Goleiro(Bruno),2 zagueiros(Hugo e Ivson), 3 volantes (Allan, Leandro e Nego) e 1 Atacante(Thiago Almeida). O que vamos fazer com esses moleques? Eles são lançados no time principal quase sempre em fogueiras homéricas, e quando não conseguem se sair bem (o que é mais do que natural) ficam marcados pela torcida. A torcida já quer que um moleque de 18 anos já entre e resolva como um veterano. Alguém aí sabe com quantos anos Raí estourou? 26.   O Hugo é um bom exemplo de como o Santa não trata como deveria as suas revelações. É um bom zagueiro, jovem, com 1,82m e 62 Kg. Como? Isso é lá peso de zagueiro? Não sei se existe um planejamento para um fortalecimento muscular de Hugo....

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O Santa Cruz é “Blues”

 Leonardo Jr. O Blues é um estilo musical que foi forjado pelo sofrimento. Era o lamento dos Negros na América do Norte, com saudades da terra querida, sofrendo com a escravidão, e depois com perseguição e racismo. Feito este intróito, deixem-me explicar.   Na terça-feira (12/06) entrei em contato com o Editor-Mor para explicar-lhe meu sumiço, tentando evitar um desconto salarial (vejam o que o correu com o Artur).  No meio do papo, revelei a ele que não compareceria ao embate contra o escrete azulado:   – Como assim? – Perguntou o Editor-Mor. – Não Vou. Na Sexta tem o Show do Robben Ford! – Quem? – Robben Ford! Um Guitarrista de Blues! É uma oportunidade única! O cara não vem muito ao Brasil, e quem sabe se virá outra vez a Recife… – É justo. – Ponderou um compreensivo Editor-Mor. – Além do mais, o sujeito precisa ter alguma alegria na vida Léo, já que o nosso Santa…   Depois da liberação do Editor-Mor, comprei o ingresso e me organizei para ir ao Show. A empolgação de ver um dos meus guitarristas favoritos contrastava com a angústia e a expectativa do jogo do Santa. Mas encontrei uma solução: combinei com meu irmão que ele ficaria me enviando torpedos com os lances da partida. Perfeito! Ele também não foi ao jogo, pois estava trabalhando, ficaria escutando e me manteria informado.   O Show iniciaria às 21h. Retardei ao máximo a minha ida, para acompanhar o início da partida pelo rádio do carro. Nada de importante aconteceu. Cheguei ao teatro, encontrei uns amigos, bati um papo e resolvemos entrar.   Mal eu sento na cadeira, o celular acusa o recebimento de uma mensagem. Meu coração bate mais forte:   – Gol do São Caetano.   Não acreditei. Comecei a imaginar como teria ocorrido esse gol. Lembrei de Dudu e Adriano e temi por mais… A inquietação só aumentava… Algum tempo depois, recebo outra mensagem:   – Goooooooooooool do Santa! Piauí!!!!!!!!!!!!! Matador!!!!!!   Dei um pulo da cadeira. Quase gritei Gol! Um amigo que estava ao lado levou um susto! Agora sim! – Pensei com meus botões (mesmo usando uma camisa de malha). Vamos virar! Vai ser uma vitória consagradora. Mais algum tempo se passa e outra mensagem. É agora! – Pensei. Mas era uma mensagem da minha esposa. Ela perguntava alguma coisa sem muita importância, e no final do texto,...

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