De olho na base

Sempre fui um entusiasta defensor da valorização do trabalho feito nas divisões de base como o principal caminho para tirar o nosso Santa da situação em que se encontra. Revelar é preciso, para que possamos montar times fortes, conquistar títulos e sanear as contas do clube. Sim. Tudo isso é possível com um trabalho bem feito na base. Quem acompanha o Torcedor Coral a mais tempo, sabe que eu já apontei alguns exemplos de clubes europeus que fazem um trabalho excepcional na busca e renovação de talentos (como o Sevilha da Espanha). Dessa vez, o olhar é para os maiores clubes do país e de como eles tratam as suas divisões de base. Obviamente, não existe um único modelo, mas ao se observar as diferentes metodologias um fato se destaca: não existe mais espaço para amadorismo. Na busca por novos talentos, os jovens são submetidos a testes físicos, técnicos e psicológicos. Em alguns casos, é até considerado o histórico familiar. O início de todo esse trabalho ainda tem no olheiro a sua figura principal. A forma de o clube lidar com esses profissionais é que tem apresentado novidades. O Grêmio, por exemplo, tem um programa de licenciamento para Olheiros. Ao invés de receber salários, o profissional recebe um percentual em caso de venda do jogador. Esse percentual varia conforme a idade em que o atleta é levado ao clube. O site do Grêmio conta com informações de todos os seus olheiros (foto, telefone celular e área de atuação). O Vitória da Bahia possui seis olheiros contratados, com carteira assinada, que passam o ano viajando e procurando jovens de 10 anos em diante. Hoje, 96 atletas moram em alojamentos dos clubes. Isso gera um gasto de cerca de R$ 200 mil por mês. O Internacional-RS tem um sistema mais complexo, com testes sazonais em diversas regiões do país e um departamento exclusivo de avaliação técnica. Os garotos pré-selecionados participam de uma bateria de exames de quatro dias, o que dá mais tempo do garoto mostrar o seu talento e capacidade. O Santos resolveu apostar em uma franquia de escolinhas (Projeto Meninos da Vila). Hoje são 13 unidades espalhadas pelo país e quando algum jovem se destaca é enviado a Santos para um período de testes. O Palmeiras possui o Green Talent, programa que organiza todo o departamento de base do clube, a partir do trabalho de olheiros. São seis profissionais...

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Se a moda pega

Montagem: Dimas Lins Aconteceu na República Tcheca no primeiro semestre do corrente ano. A Diretoria do Mladá Boleslav se revoltou depois da derrota do time para o lanterna da competição (SIAD Most) por 2 a 1. E resolveram tomar algumas atitudes: A primeira foi multar o elenco em 35% dos seus vencimentos. Até aí, nenhuma grande novidade (pelo fato da multa em si, porque multar um elenco todo, eu nunca vi por aqui em Terra Brasilis). A novidade maior foi o que foi feito com o dinheiro arrecadado com a multa. Como você, leitor do Torcedor Coral, é um leitor diferenciado e informado, sabe que na Europa predominam a venda de Carnês de Ingresso para toda a temporada. Com isso, o clube consegue antecipar renda, prever a demanda de público em determinada partida e até estabelecer um programa especial com o torcedor, oferecendo vantagens e tendo um histórico de cada torcedor, já que ele tem um cadastro e sua entrada (sempre numerada) fica registrada. Isso dá margem a um relacionamento estreito, e é um prato cheio para um bom departamento de Marketing (mas isso é pra um outro artigo). Após a vexatória derrota para o lanterna, a Diretoria resolveu recompensar a torcida! Como assim a torcida? Mas não é a torcida quem tem que ajudar e apoiar o time? Não é a torcida quem deve sustentar o clube financeiramente? Todos esses questionamentos devem estar passando agora pela sua cabeça, prezado leitor. A relação Clube/Torcida tem que ser uma relação de reciprocidade, e não uma relação Sanguessuga. A diretoria do Clube Tcheco resolveu que todos os torcedores que estavam no estádio na derrota para o lanterna, ganhariam um ingresso gratuito para o próximo jogo. Surreal? Tem mais! Nas 2 partidas seguintes fora de casa, os torcedores tiveram transporte e ingressos custeados pela multa dos atletas. Loucura? Alguns podem achar. Eu prefiro acreditar que é um cuidado gigantesco com o maior patrimônio que um clube pode ter: seus torcedores. É importante  um clube cuidar do seu estádio? Claro que é. É Fundamental o clube montar bons times, contratar bons jogadores? Sem dúvida. Mas para quem o clube cuida do estádio e contrata jogadores? Se tudo é para a torcida, porque não tratá-la de melhor forma? Porque não tentar uma relação de ganha-ganha, onde o Santa possui torcedores fiéis, que comparecem e vivem o dia-a-dia do clube e em contra partida, são...

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Desabafo

     Escrever sobre o Santa Cruz Futebol Clube tem sido um martírio. Como escrever sobre o Santa sem nos tornarmos repetitivos? Denunciar o cabeção? Fizemos. Alertar a todos sobre a existência de canalhas e tolinhos inconseqüentes e incompetentes? Fizemos. Reclamar do time meia-boca que montamos para o campeonato? Idem. No dia 4 de Julho alertei para o absurdo do preço do ingresso e do desrespeito com a torcida no artigo Quanto vale o show. No mês de Maio, reclamei e alertei sobre a destruição da marca do clube (veja aqui). Como numa previsão do que ocorreria no futuro, o editor-mor colocou o escudo do clube sem cores, algo o que a “grande” CHAMPS fez com nosso escudo, transformando o branco em cinza. Em Abril, mostrei a mobilização que estava acontecendo num gigante europeu, o Ajax da Holanda (clique aqui). A importância que eles voltaram a dar as suas excelentes categorias de base e a revelação de jovens jogadores como a solução para o clube. Em Fevereiro, escrevi que tínhamos um treinador depois de quase um ano! (veja aqui). Todos alertamos, reclamamos, chiamos… Artur, Dimas, Paulo, Geó, Maneca, Ana… Se houvesse alguém de bom senso na diretoria, com boa vontade, poderia dar uma olhadinha aqui no blog. Tem sugestões, boas idéias, recomendações, conselhos… E não só nos textos. Nos comentários também. Temos uma audiência diferenciada e privilegiada, capaz de debater e sugerir mudanças e soluções ao nosso Santa. Mas a arrogância e a ignorância dos que comandam não permitiria tal ato. Estou de saco cheio! Tento pensar em alguma coisa boa para escrever, mas não acho. O que dizer que ainda não tenha sido dito? Tento me animar, mas não consigo. Algo de positivo? Nada. Estou farto de ter de esperar por um milagre para salvar o futebol do clube. Saturado da incompetência e indiferença vindo de diretores e ex-diretores. Cansado de campanhas que pedem dinheiro “por amor ao Santa” ou as que dizem que quem contribui é “um verdadeiro tricolor”. Já escrevi isso antes e vou repetir: o Santa Cruz vive uma relação promíscua e interesseira com a sua torcida. Há muito não existe uma relação de troca. A única coisa boa que me vem à mente em se tratando de Santa Cruz é observar o contador nosso blog. Faltam menos de quatro meses para o infeliz sair do poder. Estou de saco...

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Quanto vale o show?

Será nosso primeiro jogo em casa na famigerada série C. Mais uma vez, montamos um time meia-boca, formado às pressas e sem um critério definido para contratações. Nossa principal fonte de “reforços” foi o Treze. Já perdemos a primeira e precisamos nos recuperar de qualquer forma em casa. Precisamos do estádio cheio e a diretoria estipula o preço dos ingressos: Arquibancada – R$ 20,00 Sócio, Geral e Estudante – R$ 10,00 Criança até 12 anos – R$ 5,00 Alguém está de brincadeira! Preços de série A, time de série C e Diretoria de série Z! Todo mundo está cansado de saber e conhecer que o poder aquisitivo da massa coral é o menor dentre os clubes da capital. O Programa “Cambistas com a Nota” ajuda, mas, por razões esdrúxulas, ficam na sua maioria na mão dos famigerados vendedores. Qual razão levaria a incompetente diretoria a definir esses preços? Me vem à cabeça duas possibilidades: 1) Eles sabem que o time é muito ruim, e querem garantir uma boa renda logo nas primeiras rodadas, tentando acumular algum caixa para o decorrer do ano. Já que o desastre é certo, tentam amenizar a situação financeira que virá. Alguns devem ter dinheiro lá dentro, então essa possibilidade é sinistra. 2) Eles sabem da paixão do torcedor coral. Sabem que a torcida fará qualquer esforço para ajudar o clube. Sabem que a torcida se sacrificará. E já que a torcida está disposta a se sacrificar, por que não dar um tiro de misericórdia cobrando um ingresso caro? Eu nunca entendi a lógica desse tipo de estratégia de se cobrar um preço de ingresso caro. Não seria muito mais rentável ter 20 mil tricolores pagando R$ 5,00 do que 5 mil torcedores pagando R$ 20,00? Não seria mais gente se associando, consumindo nos bares, comprando na lojinha? Se fôssemos reclamar do preço dos ingressos aos tolinhos e a diretoria, logo responderiam: – A situação do clube é difícil! – A série C é um torneio deficitário! – Estamos encontrando dificuldades em contratar! E aí eu pergunto: Foi a torcida quem colocou o clube na série C? Eles realmente achavam que seria diferente? E mais uma vez querem que a torcida pague a conta da incompetência e do descaso. Até quando? Até quando, em nome do amor, da paixão pelo clube e pela sua história, a torcida pagará essa conta? Até quando vamos continuar aceitando...

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Uma Marca Destruída

  Uns falam que a imagem é tudo. Outros discordam, afirmando que o que importa mesmo é o conteúdo. A sabedoria popular sentencia que “não se julga um livro pela capa”. Quando tratamos de pessoas, isso sem dúvida é uma verdade incontestável. Mas mesmo as pessoas não podem ou não devem descuidar das suas imagens. Afinal, a sociedade de forma geral é movida por boas imagens. Imagens esquisitas ou distorcidas são logo escanteadas. Mas e quando a imagem a ser analisada é a de um produto ou serviço? Alguém aí compra produtos com as embalagens amassadas, arranhadas ou contrata um serviço de uma empresa suja, desorganizada e sem estrutura? Duvido muito. Por isso, empresas costumam ter o maior cuidado com seus produtos e serviços. Precisam ter suas marcas “limpas” para que possam comercializá-las com todo seu potencial. Criar uma marca forte e gerenciá-la de forma profissional, como se fosse um produto. Segundo vários especialistas em Marketing, esse é um dos componentes fundamentais para atrair pessoas. Se alguém não reparou, estou falando do Santa Cruz Futebol Clube. Mais que um time de futebol. Mais que um clube. Uma MARCA. Pensando e observando o Santa Cruz por essa ótica, percebemos mais uma vez como foi maltratada a marca tricolor nos últimos anos. Na década de 70, éramos conhecidos como o “Terror do Nordeste”, nosso manto apareceu na capa da revista de maior circulação do País, estávamos consolidando um nome, uma marca em todo país. Não vou me ater aos desmandos que ocorreram nos anos posteriores. Todos nós já sabemos de cabo a rabo. Corrupção, truculência, incompetência, amadorismo, dentre outras características foram associadas a nossa marca. Ou seja, uma propaganda negativa assombrosa. Salários atrasados, jogadores espancados, um estádio caindo aos pedaços, um clube que não tem nem energia. Esse é nosso legado. Estou tocando nesse tema, pois estava assistindo a partida entre Curitiba x Palmeiras, pela TV Bandeirantes, quando o “ex-narrador em atividade” Luciano do Valle proferiu uma pérola ao vivo para todo Brasil: “Esse Carlinhos Paraíba realmente é um excelente jogador. E tem uma história complicada. Saiu do Santa Cruz, onde passava fome e não recebia salários, mas decidiu mudar. Enquanto outros permanecem na mesma situação”. Qualquer instituição séria, que tenha um mínimo de cuidado com a sua marca, já teria se pronunciado quanto a algo desse tipo.  Mas nossa marca quase não existe mais, é apenas associada a coisas ruins....

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O Exemplo que vem da Holanda

Continuo a minha série de artigos, observando o que acontece mundo afora no planeta bola e tentando aprender e enxergar como as idéias e atitudes poderiam se aplicar ao nosso Santa Cruz. Posso estar perdendo meu tempo, já que os que estão no poder não costumam aceitar sugestões de meros torcedores. A maioria deles se acha auto-suficiente no quesito administração do futebol. Deve ser por isso que chegamos ao estado atual… Nessa série de Artigos, já tive a oportunidade de pegar um exemplo da Espanha e outro da França. Quem tiver interesse, basta clicar nos links contidos neste parágrafo e ler. Dessa vez, o exemplo a ser observado é o do outrora poderoso Ajax. É, Outrora. O Time vem acumulando fracassos há dez anos. Não vence o campeonato holandês há quatro. Fora os vexames que tem dado nas copas européias. Alguma atitude precisava ser tomada. E eles não ficaram esperando aparecer um salvador da pátria. Foi convocado um comitê, composto por nove pessoas (todas com credibilidade, competência e conhecimento do clube) que ficou responsável por estudar o funcionamento interno do Ajax por 3 meses, avaliando documentos e entrevistando pessoas ligadas ao clube. Esse trabalho gerou um estudo com avaliações e recomendações, que mostraram que a estrutura do Ajax estava com problemas, e isso se refletia nos resultados dentro de campo. O Relatório apontou falhas no organograma e sugeriu a necessidade de uma separação mais clara entre a direção do clube e o comando do futebol. A estrutura recomendada foi de ter um “Homem do Futebol” como diretor seguindo plenamente a linha de raciocínio do técnico escolhido. Trabalhando juntos. O Estudo reconheceu a já famosa e exaltada qualidade nos trabalhos de base do Ajax na revelação de novos talentos e sugere que a estrutura seja mantida. Porém, faz uma observação. Considerou alguns técnicos da base incompetentes. Não adianta ter jovens promissores se não há quem os façam progredir e evoluir. É uma barreira ao invés de uma ajuda. O Relatório alerta para o fato de jogadores medianos, vindos de outros clubes, tirarem espaço das revelações do Ajax. E fez uma observação que eu transcrevo literalmente aqui: “A maioria dos jogadores do elenco profissional tem de ter passado pelas categorias de base. O Ajax só deveria comprar jogadores que sejam jovens e promissores ou que tenham qualidade a ponto de elevar o nível do time”. O Relatório também cobra do Ájax uma...

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