Quem será contra nós?

Josias de Paula Jr. A articulação de Édson Nogueira em torno de um grupo de pessoas, a fim de compor uma nova direção para o restante de sua gestão, parece-me dizer muita coisa. A principal delas: ele, de fato, não está só. E esse fato será de fundamental importância para a sua permanência. E aqui, agora, exponho logo minha opinião: não tenho esperanças de um afastamento de Nogueira. A rede de apoio a Nogueira se forma por motivos variados. Mas a principal delas é a busca desesperada por reaver dinheiro investido no clube. Alexandre Ferrer – a maior decepção dessa má gestão atual – é o maior exemplo nesse sentido. Porém, há outros. Senão, como explicar o comportamento de algumas pessoas? Exemplo de Constantino Barbosa. Constantino, porventura bastante inconstante, o qual é chamado por alguns de Tininho, foi visto várias vezes desancando o atual presidente. Foi visto, por exemplo, numa manifestação de torcedores no aeroporto da cidade a esbravejar contra todos, com os pulmões quase a saltar pela boca, sua sorte sendo os bons caninos que possui. Pois é, hoje Constantino vai às rádios e acusa a oposição de irresponsável e de ser formada por aventureiros. Há casos mais complexos, nos quais as reais motivações para uma aliança com Édson Nogueira brotam de uma concepção similar de clube. Por isso o retorno de Romerito Jatobá, da família Neves. E mais: a aproximação de figuras como Antônio Luiz Neto e Tonico Oliveira. Com esses dois últimos freqüentei, recentemente, reuniões onde se buscava articular um grupo coerente de oposição, calcado em projeto moderno e, portanto diametralmente contrário ao atual presidente. Ao que parece, as reuniões para esses senhores e a construção de um novo projeto foram nonadas. O conjunto dos últimos acontecimentos me fez refletir e concluir que há muita chance de ser urdido um grande pacto no clube. Pacto consignado pelos velhos cardeais, os donos do clube. Se há uma coisa que essa atual gestão comprovou é: o clube nunca foi, e até agora não é, da torcida, da massa, dos sócios. Sempre foi um comitê de “beneméritos”, “abnegados”, “baluartes”. Sua história política é um sinal fortíssimo disso, com a quase ausência de renovação de quadros, a perpetuação das mesmas famílias, eleições marcadas pela suspeição e falta de transparência, etc. Tal elite às vezes teve competência. Às vezes, a distância de nosso maior rival para nós em número de títulos...

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Uma flor nasceu na rua

Fechado, escuro, vazio. Como o olhar de um morto. Como o coração de um tirano. Assim está agora o Santa Cruz – o time “dos pretos”, “dos carvoeiros”, da “mundiça”, do povo. Desde sua apaixonada origem em 1914, isso jamais acontecera: o clube fecha suas portas para a torcida. O desejo de poder do “dono” do Santa, o diminuto faraó de presépio, fá-lo escrever a mais sombria página da história do Mais Querido. O eufemismo hipócrita: “recesso administrativo”. E assim, a reunião do Conselho Deliberativo, reunião estatutária que deve ocorrer às primeiras terças-feiras de cada mês, é brutalmente impedida. Do lado de fora, nas calçadas da Avenida Beberibe, incrédulos, sócios, conselheiros, torcedores e beneméritos. Todos barrados em sua própria casa. Os que passam de bicicleta, ônibus, a pés, de carro expressam sua revolta com a situação. Exigem que o clube volte a ser de quem é de direito: da imensa torcida coral. As manifestações são unânimes e desesperadas, teme-se a morte do Santa: “Deixem de usar o clube como trampolim político! Deixem o clube àqueles que o amam! Respeitem o Santa Cruz!”. Mas, onde está o presidente do Conselho Deliberativo? Não apareceu. O empresário-presidente, patrocinador da crônica esportiva de Pernambuco, pactua com o “dono”. Não cumpre com suas obrigações e foge ao convívio democrático. Aquele responsável por zelar pelo cumprimento do estatuto, rasga-o. E a seus pares conselheiros reserva portões e cadeados. Dois homens fecham o clube das multidões. Pouco lhes importa o sentimento da torcida. Segue-se a luta pela abertura do clube, pelo respeito ao seu estatuto. Juntam-se nela a totalidade da torcida, a ampla maioria dos sócios, dos conselheiros e dos beneméritos. Em verdade, todos os desportistas e homens de bem. E especula-se, quem está ao lado de Édson-Férrer? Quem está ao lado da minoria opaca e desdenhosa, que se julga acima da história, da tradição, e da glória do clube mais popular do estado? Servem a que interesses? Nós, torcedores, sócios, conselheiros que exprimimos o clamor público por mudança imediata, objetivando democracia, profissionalização e transparência, estamos aqui na rua. Proibidos de entrar nas Repúblicas Independentes do Arruda. Ficamos do lado de fora, no asfalto da Avenida Beberibe. No meio do caminho. No meio do caminho, como uma pedra? Ah! Isso não! Pois do asfalto nasce o novo, que com sua aparição afastará o velho: o escuro, o fechado, o vazio. Por dever de justiça, o futuro...

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