A boataria, o Conselho e FBC

Parece que já está claro, para a maioria da torcida, que um dos grandes obstáculos do momento é derrotar a desinformação da imprensa esportiva de Pernambuco. Unha e carne com antigos e nefastos personagens da decrépita cartolagem coral. Mais do que denúncia, é preciso ações. Comentando o texto de Fred Dias – A cartilha, o quarto poder e o profissionalismo, publicado aqui no TC -, relatei fato ocorrido semanas atrás por iniciativa da Rádio Clube. Depois de dias seguidos martelando a idéia da necessidade de um “diretor interno” (e aqui me aproveito do comentário ao texto anterior, de Artur Perrusi; comentário número 17, de Geraldo Tricolor da Iputinga), na resenha do meio dia, uns tais de Roberto Nascimento e José Gustavo tiveram a ousadia de propor uma enquete por telefone, a fim de saber qual o melhor nome para ocupar o cargo que “controlaria” as ações de Capella e Bittencourt. Quais nomes sugeridos pelos digníssimos seguradores de microfone? Zé Neves, Romerito e Mirinda! Preciso dizer mais alguma coisa? Preciso dizer a quem interessa uma campanha visando alterar a estrutura organizativa do futebol do Santa, estrutura profissional montada pela atual administração? Não, não preciso. Sabemos todos a quem interessa. Esse tipo de denúncia cada um de nós terá um exemplo. É bom e importante dividi-las. Mas passemos a outro ponto. Sabemos também que esse comportamento da imprensa faz parte de suas relações com antigas figurinhas carimbadas, “eternos abnegados”, “grandes lideranças”, “homens com grandes folhas de serviços prestadas ao clube” etc, etc… Devemos nos indagar: de quem é a responsabilidade do afastamento dessas figurinhas do Santa Cruz? De quem é a responsabilidade pelo fortalecimento do movimento de renovação, profissionalização e modernização do clube? FBC? A resposta é NÃO! Que FBC tem sua parcela de responsabilidade; enorme parcela de responsabilidade, claro que sim. Mas não podemos nem devemos nos eximir dessa tarefa. Desde a eleição que pôs no poder o diminutivo, emergiu no Santa uma mobilização democrática, unindo expressiva parcela da torcida, a qual se comunica através de vários sítios da Internet e que convive festejando na sede do clube, em confraternizações, excursões etc. Tal mobilização democrática objetiva o fim dos interesses escusos no clube. E é essa mobilização, da qual fazemos parte, que deve se intensificar, se organizar ainda mais e banir os maus tricolores do Arruda. Somos nós, por um complexo de articulações que não cabe discutir agora, que somos...

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O recomeço

Merecíamos. Após a catástrofe da passagem de Edinho pelo clube, merecíamos um alento. E ele veio sob o signo de uma promessa. A promessa de um novo começo, uma nova etapa, uma nova vida. Ao final de um ano que estava a nos obrigar a pensar no pior, eis que brota a esperança, e a promessa vai encorpando, ganhando carne, ossos, veia, sangue e sonhos. E o Santa Cruz, sobre a terra arrasada por diminutivos, volta a semear sementes de grandeza. Profissionaliza-se. A gestão de futebol, amador e profissional, começa a ser feita de forma responsável, planejada, criteriosa. Nada de arroubos ridículos (“Nosso treinador será Evaristo de Macedo. E ele trabalhará de graça”!) nem dependência de eternos “abnegados e beneméritos” – ou seus netos, sobrinhos, filhos, amantes, agregados… Um clube devolvido à sua torcida, seus sócios, seus conselheiros. O patrimônio garantido. Depois de anos de descaso, a preservação. Mais! A valorização e incremento. Todo o estádio renovado: pintura, gramado, torres de iluminação, fachada, sistema de drenagem e de irrigação etc. O Santa volta ter um dos melhores estádios do país. No nível regional a dianteira que colocamos sobre os adversários é imensa, colossal. E, com isso, o Santa se credencia mais do que nunca a, no ano de seu centenário, ter o Arrudão como sede da Copa do Mundo. Não pode haver dúvidas: se Recife receber jogos do mundial, o local terá de ser o Arruda. É ele o maior, e é ele que tem em suas cercanias o maior investimento previsto no PAC para melhoramentos urbanísticos – critério fundamental, segundo o governo federal. Nesse fim de ano, amigos e amigas tricolores, época natural de fazer balanços, repensar caminhos, projetar desejos, reatualizar expectativas, podemos já sentir a chegada de melhores dias. A Cobra Coral parece, de fato, se reconciliar com seu destino de grandeza. E antevemos os sorrisos nas arquibancadas, e a festa nos bairros pobres da cidade, a multidão tricolor alegre e orgulhosa. Todos nós somos parceiros dessa empreitada. E temos o dever de ir a campo, de manter atualizada a mensalidade de sócio, de contribuir o mais que possível no dia-a-dia do clube, de sermos o abre-alas da esperança, os discípulos das boas novas. Tenho certeza de que todos faremos o nosso papel. Colheremos, em breve, os frutos dessa nova semeadura. Para dizer de outra forma, tomando emprestadas as palavras de um camarada com quem dividi o...

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Triângulo das Bermudas

A coisa mais certa a se fazer nesse momento por parte do Santa é questionar juridicamente esse absurdo que é a série D. Acho curioso, e um tanto triste, que alguns tricolores discordem, fazendo o jogo de certa imprensa rubro-negra, alegando que tal contestação jurídica é “apelar para o tapetão, ou “virada de mesa”. Mas vejamos alguns fatos. Jogamos a série B, já na gestão do diminutivo, com duas possibilidades: ou voltaríamos à série A, ou cairíamos para a série C. Exato? E, guiados por essa informação e esse regulamento, a torcida compareceu aos jogos, comprou ingresso, acompanhou o certame; assim como, tendo por referência tal lógica que dirigia o campeonato brasileiro há alguns anos, a diretoria fez seu planejamento, suas contratações, investimentos. Isso tudo se deu, pessoal, no ano de 2007. Como sabemos, O Mais Querido caiu para a terceirona. Essa queda já era um castigo duríssimo! Mas o que aconteceu? No ano subseqüente, em 2008, a poucos dias do início da Terceira Divisão, a CBF decide criar a quarta divisão. O limbo dos limbos! Um buraco negro! Um triângulo das Bermudas do futebol nacional! E criou essa tal de série d da forma mais bizarra possível. Pois, de fato, todos os clubes que, teoricamente estariam na série c deste ano (2008), começaram o campeonato sem pertencer à divisão alguma! Fizeram com que o Santa caísse da série B para o nada. Apenas quem conseguisse escapar das duas primeiras fases poderia se considerar da série C, para os outros restou a necessidade de mediante a disputa estadual alcançar o nada… Mas, pergunta alguém mais ligado: “e o regulamento da série B de 2007 que garantia que meu time jogasse a C caso fosse rebaixado, foi rasgado?” “Quer dizer que meu dinheiro, minha torcida, não valeram de nada?” A resposta é sim. Conseguiram absurdamente fazer com que o Santa caísse, repito, da segunda divisão para o nada… Pelo regulamento a série C teria 64 clubes esse ano. Mas na verdade não foi isso o que aconteceu. 16 se garantiram na série C do ano que vem, 04 vão ascender à B e 44 ficaram, a princípio, fora do brasileiro!  Esse é o caso da Santa. Terá de garantir sua participação pelo índice que obterá no estadual do ano que vem. Quando a CBF quis mudar o regulamento da série A, diminuir de 24 para 20 clubes participantes, o fez...

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O momento do Santa Cruz

Compareci na quinta ao lançamento da chapa Aliança Coral. As impressões foram as melhores possíveis. Chamam a atenção nesse grupo postulante a assumir o clube, a qualidade do projeto de gestão e o compromisso com princípios fundamentais para o soerguimento do Tricolor. A mim, tais qualidades não foram uma surpresa. Conheço os integrantes do grupo e sei de seu esforço de anos na reflexão sobre os problemas e soluções para o Santa Cruz. Isto é, a Aliança Coral tem projeto, e este é um excelente projeto – viável e exeqüível. Outro aspecto importante é a consciência da necessidade de se alcançar uma composição com os diversos grupos de oposição. O presente do nosso clube clama por uma ampla mobilização de nossa torcida e de nossos sócios, e pela união daqueles que estão decididos a modernizar o Santa Cruz, profissionalizá-lo, afastar àqueles que se utilizam dele para se promover e galgar postos políticos. Precisamos unir todos os que desejam uma ruptura radical com essas últimas décadas marcadas pelo erro do amadorismo, personalismo, uso eleitoreiro do clube. Não se trata aqui de desonrar pessoas. Sei que muitas delas agiram de boa-fé, com as melhores das intenções. Cito aqui os nomes de Raimundo Moura e Edelson Barbosa, como exemplos. Mas a forma de governar e gerir o clube foi sempre obsoleta, ultrapassada. O futebol atual não perdoa falta de profissionalismo. E estamos sentindo isso na carne, a custa de diversos vexames e episódios que deslustram o nosso Tricolor. Mas nada está perdido, O Santa não morreu. Os planos da Aliança Coral, grupo capitaneado por Fred Arruda, são uma prova disso: ações de curto, médio e longo prazo, que passam pela geração de receitas, gestão do passivo, qualificação da marca Santa Cruz, campanha de sócios, recuperação patrimonial, maneiras de captar recursos com o patrimônio, prioridade nas divisões de base. Visão empresarial, empreendedora e, não menos importante, democrática. Um clube que volte a escutar seus torcedores, seus sócios, seus conselheiros, sua imensa legião de aficionados.  É gratificante saber da existência de muita gente séria, que ama o Santa, disposta a ajudar. Alguns sendo lançados por seus grupos como candidatos a presidente: Fernando Veloso, Felipe do Rego Barros, Ramon. Apenas me parece que o momento é de Fred Arruda. Por quê? Porque é a liderança de um amplo movimento, renovador, possuidor de um sólido e consistente projeto; porque tem acumulada uma profunda reflexão coletiva sobre...

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É de arrastão

Foto: Diogo Trimetal/Efeito: Dimas Lins Antes de começar a Série C, pensava comigo: o Santa vai se classificar para a 2º divisão facilmente. Não há clubes em condições de assustar. Há dificuldades? Sem dúvida! Mas nada intransponível. Poderia, o caminho, ser facilitado? Claro! Tivemos bastante tempo para fazer um time, mas na última quarta ganhamos um jogo no qual houve quatro estréias! Ou seja, estamos montando o time em meio à competição. Mas não há de ser nada. As conseqüências dessa campanha vitoriosa serão duas. Uma, a mais clara, o desafogo de sair da “terceirona”, o estancar do vexame; novo fôlego financeiro, etc. A outra, a repetição de algo recorrente nas últimas décadas: a despeito da desorganização administrativa, da incompetência, do amadorismo, o clube ganha título, consegue vitórias importantes e traz o perdão, por parte da torcida, de todos os erros cometidos pelos dirigentes (basta não esquecer a célebre frase do diminutivo, “Com três vitórias a torcida esquece isso tudo…”). Isto é, as vitórias em campo realimentam a continuidade do desastre gerencial. Tomara essa minha cabeça cismada esteja errada quanto à segunda conseqüência! Podemos ser ainda muito maiores se esses que hoje comandam o clube voltem à condição de torcedores. Mas a Série C começou. E trouxe espetáculos memoráveis para a história do Santa protagonizados pela torcida. A invasão a Campina Grande que provocou alvoroço na pequena cidade – um vendedor de cerveja, próximo ao estádio, me falou assim: “Trabalho aqui há vinte anos. Nunca vi uma torcida tão grande. Alguém pagou vocês para virem?”. Num jogo fraco tecnicamente, deixamos escapar a chance de pontuar. Porém esse fato ficou como um detalhe. O extraordinário foi a mobilização da massa, superar a torcida adversária em número na sua própria casa! Isso é para poucos, amizade. Pouquíssimos! Dia 09, outra festa. Não só a presença maciça, mas a gana, o grito continuado, a emoção que se espalha por quilômetros. Não há quem resista. Dentro de campo vencemos por 3 X 0. Fora a goleada foi muito maior. Daí, à certeza de que passaremos pelo inferno da terceirona se juntou a convicção de que vai ser de arrastão. É a tração dessa multidão tricolor que vai nos tirar do atoleiro. Não que duvidasse do apoio da torcida, mas não me canso de me impressionar com ela. É força que se supera. Sempre! E faz rir dos institutos de pesquisa… Perdoai, senhor, eles...

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A abolição esperada

Flagrante: registro da negativa do juiz à liminar do diminutivo O Santa terá, na próxima terça, mais uma chance de reencontrar o caminho correto, o caminho das vitórias e do fortalecimento do clube. Nesse dia será realizada a Assembléia Geral, cujo objetivo é o afastamento do Presidente do Executivo, o senhor Édson Nogueira. Há quem tenha medo do processo. Não é o meu caso, digo de antemão. Os motivos elencados por aqueles que ainda não se mobilizaram plenamente para este embate são basicamente três: 1. A proximidade da terceira divisão. Esta justificativa, analisada à luz da razão, me parece levar a um comportamento oposto: o engajamento apaixonado na destituição do diminutivo! Pois se há uma coisa que essa gestão já provou é que é absolutamente incompetente no futebol. Iniciar a série C com Nogueira e seus colaboradores é pedir para continuar sendo humilhados, é começar sabendo-nos perdedores. 2. A desconfiança com a oposição. Esta justificativa é justa, sob certa medida. O afastamento do presidente não é o fim absoluto, é o meio para começarmos uma grande mobilização da torcida. É justa, pois em última instância repousa sobre uma verdade cristalina: “desconfie de quem tem poder”.  E é por isso que todo mandatário de poder deve ser controlado, fiscalizado. O afastamento de Nogueira não outorga carta branca da torcida para o seu atual vice. Não há salvadores da pátria! Mas, por outro lado, tal justificativa não pode ser um elixir paralisante. A desconfiança com os homens públicos não pode nos levar à omissão, à abstenção ou ao imobilismo. É na participação ativa, na luta com seus acertos e seus erros que crescemos. E o atual momento é dramático! É crítico. Nele, certo que não cabe inocências (acharmos, por exemplo, que estamos a galgar o paraíso), mas tampouco cabe covardia ou ambigüidades. O momento clama por mudança já! 3. A “certeza” da ineficácia do ato. Esta é, definitivamente, a justificativa mais fraca para os céticos. Ora, como sabermos disso antecipadamente? Escrevo estas linhas, amigos, sob o influxo da grande notícia do dia: o Juiz da 29º Vara Civil, José Junior Florentino dos Santos Mendonça, negou liminar a Nogueira, mantendo a Assembléia Geral para o próximo dia 13. Ou seja, vencemos a primeira batalha nessa trincheira! Como entidade de direito privado, o que é um clube senão a vontade de seus sócios? Quando estes, por razões estatutárias, pugnam pelo afastamento de seu...

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