Mais uma vitória

Pintura: Suplício por alívio (Munch) Vencemos mais uma, ontem. Mantém-se a chama e a fé de que podemos ainda conquistar o segundo turno. Mas para que tal conquista aconteça, julgo que fica a expectativa quanto aos reforços a serem contratados ainda para o Estadual. Ao longo de nossa história já vencemos mais de um campeonato sem possuir o melhor time, e às vezes até com um time ruim. Mas não convém ser amigo de milagres. Por mais que alguns considerem que não podemos assistir à racionalidade no futebol, cumpre insistir que o Íbis jamais ganhou um troféu de campeão. A atual diretoria conserva sua enorme coerência e, profissionalmente, trata de reforçar a equipe. Para soerguer o clube temos de ser ganhadores e para isso temos de qualificar mais o plantel. Já chegaram Marcos Tamandaré, Alexandre, Fagner e especula-se sobre mais um zagueiro e um meia. Está certíssima a gestão de futebol! Insistir que o time não é fraco e está pronto para decisões importantes (decisões que no atual contexto põe em jogo a forma pela qual sobreviverá o Santa) seria ter uma visão equivocada; a avaliação, no meu entender, está correta. E continuo a acreditar no trabalho de Márcio Bittencourt e Ruas Capella. Do jogo de ontem poucos pontos merecem destaque. Começamos arrasadores, poderíamos ter feito, sem exagero, três gols antes de quinze minutos. Depois cedemos muito espaço para o Porto, para desespero de nosso treinador. Com o segundo gol e meio de campo bem congestionado, matamos o jogo. A partida de Pedro Henrique foi mais uma vez medíocre. Não pode ser titular no Santa Cruz. Elder, acaso não melhore e muito, poderia reforçar o Náutico ou o Sport. Uma nulidade abissal! Gostaria de ter visto mais em ação o Daniel Horst, cuja cabeleira me faria inveja quando tinha meus 14 anos. Precisamos desesperadamente de um meia. E precisamos desesperadamente de Marcelo Ramos! Enquanto ele não se recondiciona, ao menos tenhamos de volta Gobatto e Roger. No mais é torcer bastante contra o Central, próximo jogo. Lá em Caruaru o troço promete ser difícil. E esperar a volta dos titulares e a chegada e regularização dos reforços. Comenta-se que o meia contratado é um tal de Xuxa. Confesso: nunca o vi mais gordo. Mais pondero que seja melhor que Willian e Elder. Vamos lá. Quarta-feira é outra batalha. Melhoremos, pois com esse time, como diria o personagem da burlesca...

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Acho que estou ficando velho

Pintura: Tempestade, óleo sobre tela, de Guilherme Faria Sou de um tempo em que íamos a um jogo do Santa contra um time pequeno para assistir ao desenrolar de um drama com roteiro previsível: retranca feroz do pequeno para evitar tomar uma goleada. Não raro essa tática não funcionava e presenciei diversas goleadas. Os tempos são outros, dirão alguns; o futebol mudou, não há mais times inocentes, falarão outros. É verdade, é verdade… O jogo de ontem contra o Sete de Setembro foi mais uma prova. A partida foi melancólica. Ruim de doer. O Santa marcava o Sete em seu campo defensivo, o que possibilitou ao time visitante  ter maior posse de bola durante vários momentos da partida. Não pressionava, não marcava sob pressão. Fechou-se em copas, tática do garrafão, “precavido”. “Os tempos são outros…” Mas o problema é que o brioso time da Suíça pernambucana é horrível! Daí estabeleceu-se um circo de horripilâncias. Nossa torcida – definitivamente heroica, agregando-se numa soma superior a 12 mil espectadores, lógico, impacientava-se. Então, como é usual em qualquer torcida, elege um atleta para Cristo. Ontem o eleito foi Hélder. O coitado jogou tão mal quanto qualquer outro… Azar o dele. Todo mundo tem seu dia de bode expiatório. E choveu maldições e xingamentos contra o time. Pessoas até então tranqüilas revelaram-se agitadores incendiários. Diminhas, nosso Dimas Lins, por exemplo, que envergava no braço uma espécie de relógio gigante, um equipamento dos mais modernos, o qual toca rádio, TV e mesmo DVD, caríssimo, adquirido em uma de suas viagens a New York, estava indomável. Revoltado contra a atuação de Pedro Henrique, quase arremessa o suntuoso material na cabeça do atacante. Foi contido pelos demais membros do clã, que em uníssono pediram calma e lembraram do risco de perdermos algum mando de campo. Se a partida já estava uma droga, estragando a noite repleta de expectativas e esperanças, faltava chover. Pois eis que desaba um dilúvio capaz de submergir 10 Noéis e suas arcas… Por outro lado, evitou-se que algum desavisado dormisse. Ninguém dorme sob uma tormenta daquelas. De repente clarões rasgam o espaço. Relâmpagos e raios enfurecidos. Ao meu lado um homem comenta: “Uma porra dessas não cai na cabeça de Gobato, esse miserável”. A raiva era grande, logo se percebia. Um outro camarada, ouvindo esse primeiro, emendou: “Cai nada. Uma cabeça de formiga dessas… A cabeça do cara é do tamanho de...

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