Triângulo das Bermudas

A coisa mais certa a se fazer nesse momento por parte do Santa é questionar juridicamente esse absurdo que é a série D. Acho curioso, e um tanto triste, que alguns tricolores discordem, fazendo o jogo de certa imprensa rubro-negra, alegando que tal contestação jurídica é “apelar para o tapetão, ou “virada de mesa”. Mas vejamos alguns fatos. Jogamos a série B, já na gestão do diminutivo, com duas possibilidades: ou voltaríamos à série A, ou cairíamos para a série C. Exato? E, guiados por essa informação e esse regulamento, a torcida compareceu aos jogos, comprou ingresso, acompanhou o certame; assim como, tendo por referência tal lógica que dirigia o campeonato brasileiro há alguns anos, a diretoria fez seu planejamento, suas contratações, investimentos. Isso tudo se deu, pessoal, no ano de 2007. Como sabemos, O Mais Querido caiu para a terceirona. Essa queda já era um castigo duríssimo! Mas o que aconteceu? No ano subseqüente, em 2008, a poucos dias do início da Terceira Divisão, a CBF decide criar a quarta divisão. O limbo dos limbos! Um buraco negro! Um triângulo das Bermudas do futebol nacional! E criou essa tal de série d da forma mais bizarra possível. Pois, de fato, todos os clubes que, teoricamente estariam na série c deste ano (2008), começaram o campeonato sem pertencer à divisão alguma! Fizeram com que o Santa caísse da série B para o nada. Apenas quem conseguisse escapar das duas primeiras fases poderia se considerar da série C, para os outros restou a necessidade de mediante a disputa estadual alcançar o nada… Mas, pergunta alguém mais ligado: “e o regulamento da série B de 2007 que garantia que meu time jogasse a C caso fosse rebaixado, foi rasgado?” “Quer dizer que meu dinheiro, minha torcida, não valeram de nada?” A resposta é sim. Conseguiram absurdamente fazer com que o Santa caísse, repito, da segunda divisão para o nada… Pelo regulamento a série C teria 64 clubes esse ano. Mas na verdade não foi isso o que aconteceu. 16 se garantiram na série C do ano que vem, 04 vão ascender à B e 44 ficaram, a princípio, fora do brasileiro!  Esse é o caso da Santa. Terá de garantir sua participação pelo índice que obterá no estadual do ano que vem. Quando a CBF quis mudar o regulamento da série A, diminuir de 24 para 20 clubes participantes, o fez...

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O momento do Santa Cruz

Compareci na quinta ao lançamento da chapa Aliança Coral. As impressões foram as melhores possíveis. Chamam a atenção nesse grupo postulante a assumir o clube, a qualidade do projeto de gestão e o compromisso com princípios fundamentais para o soerguimento do Tricolor. A mim, tais qualidades não foram uma surpresa. Conheço os integrantes do grupo e sei de seu esforço de anos na reflexão sobre os problemas e soluções para o Santa Cruz. Isto é, a Aliança Coral tem projeto, e este é um excelente projeto – viável e exeqüível. Outro aspecto importante é a consciência da necessidade de se alcançar uma composição com os diversos grupos de oposição. O presente do nosso clube clama por uma ampla mobilização de nossa torcida e de nossos sócios, e pela união daqueles que estão decididos a modernizar o Santa Cruz, profissionalizá-lo, afastar àqueles que se utilizam dele para se promover e galgar postos políticos. Precisamos unir todos os que desejam uma ruptura radical com essas últimas décadas marcadas pelo erro do amadorismo, personalismo, uso eleitoreiro do clube. Não se trata aqui de desonrar pessoas. Sei que muitas delas agiram de boa-fé, com as melhores das intenções. Cito aqui os nomes de Raimundo Moura e Edelson Barbosa, como exemplos. Mas a forma de governar e gerir o clube foi sempre obsoleta, ultrapassada. O futebol atual não perdoa falta de profissionalismo. E estamos sentindo isso na carne, a custa de diversos vexames e episódios que deslustram o nosso Tricolor. Mas nada está perdido, O Santa não morreu. Os planos da Aliança Coral, grupo capitaneado por Fred Arruda, são uma prova disso: ações de curto, médio e longo prazo, que passam pela geração de receitas, gestão do passivo, qualificação da marca Santa Cruz, campanha de sócios, recuperação patrimonial, maneiras de captar recursos com o patrimônio, prioridade nas divisões de base. Visão empresarial, empreendedora e, não menos importante, democrática. Um clube que volte a escutar seus torcedores, seus sócios, seus conselheiros, sua imensa legião de aficionados.  É gratificante saber da existência de muita gente séria, que ama o Santa, disposta a ajudar. Alguns sendo lançados por seus grupos como candidatos a presidente: Fernando Veloso, Felipe do Rego Barros, Ramon. Apenas me parece que o momento é de Fred Arruda. Por quê? Porque é a liderança de um amplo movimento, renovador, possuidor de um sólido e consistente projeto; porque tem acumulada uma profunda reflexão coletiva sobre...

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É de arrastão

Foto: Diogo Trimetal/Efeito: Dimas Lins Antes de começar a Série C, pensava comigo: o Santa vai se classificar para a 2º divisão facilmente. Não há clubes em condições de assustar. Há dificuldades? Sem dúvida! Mas nada intransponível. Poderia, o caminho, ser facilitado? Claro! Tivemos bastante tempo para fazer um time, mas na última quarta ganhamos um jogo no qual houve quatro estréias! Ou seja, estamos montando o time em meio à competição. Mas não há de ser nada. As conseqüências dessa campanha vitoriosa serão duas. Uma, a mais clara, o desafogo de sair da “terceirona”, o estancar do vexame; novo fôlego financeiro, etc. A outra, a repetição de algo recorrente nas últimas décadas: a despeito da desorganização administrativa, da incompetência, do amadorismo, o clube ganha título, consegue vitórias importantes e traz o perdão, por parte da torcida, de todos os erros cometidos pelos dirigentes (basta não esquecer a célebre frase do diminutivo, “Com três vitórias a torcida esquece isso tudo…”). Isto é, as vitórias em campo realimentam a continuidade do desastre gerencial. Tomara essa minha cabeça cismada esteja errada quanto à segunda conseqüência! Podemos ser ainda muito maiores se esses que hoje comandam o clube voltem à condição de torcedores. Mas a Série C começou. E trouxe espetáculos memoráveis para a história do Santa protagonizados pela torcida. A invasão a Campina Grande que provocou alvoroço na pequena cidade – um vendedor de cerveja, próximo ao estádio, me falou assim: “Trabalho aqui há vinte anos. Nunca vi uma torcida tão grande. Alguém pagou vocês para virem?”. Num jogo fraco tecnicamente, deixamos escapar a chance de pontuar. Porém esse fato ficou como um detalhe. O extraordinário foi a mobilização da massa, superar a torcida adversária em número na sua própria casa! Isso é para poucos, amizade. Pouquíssimos! Dia 09, outra festa. Não só a presença maciça, mas a gana, o grito continuado, a emoção que se espalha por quilômetros. Não há quem resista. Dentro de campo vencemos por 3 X 0. Fora a goleada foi muito maior. Daí, à certeza de que passaremos pelo inferno da terceirona se juntou a convicção de que vai ser de arrastão. É a tração dessa multidão tricolor que vai nos tirar do atoleiro. Não que duvidasse do apoio da torcida, mas não me canso de me impressionar com ela. É força que se supera. Sempre! E faz rir dos institutos de pesquisa… Perdoai, senhor, eles...

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A abolição esperada

Flagrante: registro da negativa do juiz à liminar do diminutivo O Santa terá, na próxima terça, mais uma chance de reencontrar o caminho correto, o caminho das vitórias e do fortalecimento do clube. Nesse dia será realizada a Assembléia Geral, cujo objetivo é o afastamento do Presidente do Executivo, o senhor Édson Nogueira. Há quem tenha medo do processo. Não é o meu caso, digo de antemão. Os motivos elencados por aqueles que ainda não se mobilizaram plenamente para este embate são basicamente três: 1. A proximidade da terceira divisão. Esta justificativa, analisada à luz da razão, me parece levar a um comportamento oposto: o engajamento apaixonado na destituição do diminutivo! Pois se há uma coisa que essa gestão já provou é que é absolutamente incompetente no futebol. Iniciar a série C com Nogueira e seus colaboradores é pedir para continuar sendo humilhados, é começar sabendo-nos perdedores. 2. A desconfiança com a oposição. Esta justificativa é justa, sob certa medida. O afastamento do presidente não é o fim absoluto, é o meio para começarmos uma grande mobilização da torcida. É justa, pois em última instância repousa sobre uma verdade cristalina: “desconfie de quem tem poder”.  E é por isso que todo mandatário de poder deve ser controlado, fiscalizado. O afastamento de Nogueira não outorga carta branca da torcida para o seu atual vice. Não há salvadores da pátria! Mas, por outro lado, tal justificativa não pode ser um elixir paralisante. A desconfiança com os homens públicos não pode nos levar à omissão, à abstenção ou ao imobilismo. É na participação ativa, na luta com seus acertos e seus erros que crescemos. E o atual momento é dramático! É crítico. Nele, certo que não cabe inocências (acharmos, por exemplo, que estamos a galgar o paraíso), mas tampouco cabe covardia ou ambigüidades. O momento clama por mudança já! 3. A “certeza” da ineficácia do ato. Esta é, definitivamente, a justificativa mais fraca para os céticos. Ora, como sabermos disso antecipadamente? Escrevo estas linhas, amigos, sob o influxo da grande notícia do dia: o Juiz da 29º Vara Civil, José Junior Florentino dos Santos Mendonça, negou liminar a Nogueira, mantendo a Assembléia Geral para o próximo dia 13. Ou seja, vencemos a primeira batalha nessa trincheira! Como entidade de direito privado, o que é um clube senão a vontade de seus sócios? Quando estes, por razões estatutárias, pugnam pelo afastamento de seu...

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Quem será contra nós?

Josias de Paula Jr. A articulação de Édson Nogueira em torno de um grupo de pessoas, a fim de compor uma nova direção para o restante de sua gestão, parece-me dizer muita coisa. A principal delas: ele, de fato, não está só. E esse fato será de fundamental importância para a sua permanência. E aqui, agora, exponho logo minha opinião: não tenho esperanças de um afastamento de Nogueira. A rede de apoio a Nogueira se forma por motivos variados. Mas a principal delas é a busca desesperada por reaver dinheiro investido no clube. Alexandre Ferrer – a maior decepção dessa má gestão atual – é o maior exemplo nesse sentido. Porém, há outros. Senão, como explicar o comportamento de algumas pessoas? Exemplo de Constantino Barbosa. Constantino, porventura bastante inconstante, o qual é chamado por alguns de Tininho, foi visto várias vezes desancando o atual presidente. Foi visto, por exemplo, numa manifestação de torcedores no aeroporto da cidade a esbravejar contra todos, com os pulmões quase a saltar pela boca, sua sorte sendo os bons caninos que possui. Pois é, hoje Constantino vai às rádios e acusa a oposição de irresponsável e de ser formada por aventureiros. Há casos mais complexos, nos quais as reais motivações para uma aliança com Édson Nogueira brotam de uma concepção similar de clube. Por isso o retorno de Romerito Jatobá, da família Neves. E mais: a aproximação de figuras como Antônio Luiz Neto e Tonico Oliveira. Com esses dois últimos freqüentei, recentemente, reuniões onde se buscava articular um grupo coerente de oposição, calcado em projeto moderno e, portanto diametralmente contrário ao atual presidente. Ao que parece, as reuniões para esses senhores e a construção de um novo projeto foram nonadas. O conjunto dos últimos acontecimentos me fez refletir e concluir que há muita chance de ser urdido um grande pacto no clube. Pacto consignado pelos velhos cardeais, os donos do clube. Se há uma coisa que essa atual gestão comprovou é: o clube nunca foi, e até agora não é, da torcida, da massa, dos sócios. Sempre foi um comitê de “beneméritos”, “abnegados”, “baluartes”. Sua história política é um sinal fortíssimo disso, com a quase ausência de renovação de quadros, a perpetuação das mesmas famílias, eleições marcadas pela suspeição e falta de transparência, etc. Tal elite às vezes teve competência. Às vezes, a distância de nosso maior rival para nós em número de títulos...

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Uma flor nasceu na rua

Fechado, escuro, vazio. Como o olhar de um morto. Como o coração de um tirano. Assim está agora o Santa Cruz – o time “dos pretos”, “dos carvoeiros”, da “mundiça”, do povo. Desde sua apaixonada origem em 1914, isso jamais acontecera: o clube fecha suas portas para a torcida. O desejo de poder do “dono” do Santa, o diminuto faraó de presépio, fá-lo escrever a mais sombria página da história do Mais Querido. O eufemismo hipócrita: “recesso administrativo”. E assim, a reunião do Conselho Deliberativo, reunião estatutária que deve ocorrer às primeiras terças-feiras de cada mês, é brutalmente impedida. Do lado de fora, nas calçadas da Avenida Beberibe, incrédulos, sócios, conselheiros, torcedores e beneméritos. Todos barrados em sua própria casa. Os que passam de bicicleta, ônibus, a pés, de carro expressam sua revolta com a situação. Exigem que o clube volte a ser de quem é de direito: da imensa torcida coral. As manifestações são unânimes e desesperadas, teme-se a morte do Santa: “Deixem de usar o clube como trampolim político! Deixem o clube àqueles que o amam! Respeitem o Santa Cruz!”. Mas, onde está o presidente do Conselho Deliberativo? Não apareceu. O empresário-presidente, patrocinador da crônica esportiva de Pernambuco, pactua com o “dono”. Não cumpre com suas obrigações e foge ao convívio democrático. Aquele responsável por zelar pelo cumprimento do estatuto, rasga-o. E a seus pares conselheiros reserva portões e cadeados. Dois homens fecham o clube das multidões. Pouco lhes importa o sentimento da torcida. Segue-se a luta pela abertura do clube, pelo respeito ao seu estatuto. Juntam-se nela a totalidade da torcida, a ampla maioria dos sócios, dos conselheiros e dos beneméritos. Em verdade, todos os desportistas e homens de bem. E especula-se, quem está ao lado de Édson-Férrer? Quem está ao lado da minoria opaca e desdenhosa, que se julga acima da história, da tradição, e da glória do clube mais popular do estado? Servem a que interesses? Nós, torcedores, sócios, conselheiros que exprimimos o clamor público por mudança imediata, objetivando democracia, profissionalização e transparência, estamos aqui na rua. Proibidos de entrar nas Repúblicas Independentes do Arruda. Ficamos do lado de fora, no asfalto da Avenida Beberibe. No meio do caminho. No meio do caminho, como uma pedra? Ah! Isso não! Pois do asfalto nasce o novo, que com sua aparição afastará o velho: o escuro, o fechado, o vazio. Por dever de justiça, o futuro...

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