A terrível entressafra

Esta distância que vivenciamos da equipe e dos jogos do Santinha é de lascar! É uma expectativa sem fim. E mais, todo o sofrimento, toda a espera desaguará na… triste e pífia série D. Oh! Édson Nogueira, de onde vieste, para que viste, que praga fizemos que te merecemos? Nesse vai-não-vai pululam teorias, esperanças lúdicas e vaticínios macabros. Oscilamos entre o otimismo utópico e o pessimismo catastrófico. Será que Sérgio China dará certo? Será que o time é competitivo? Será que se fortalecerá no mata-mata? São questões que vêm sendo respondidas de modo apaixonado, como convém a todo bom tricolor. Estou, certamente, entre os otimistas. Acho que acertamos na contratação do técnico e de alguns jogadores que se destacaram no pernambucano. Uma boa base foi mantida – a defesa está praticamente intocada.  Teremos tempo suficiente para ajustarmos os ponteiros, pois as mudanças na comissão técnica foram feitas com muita antecedência. Enfim, embora saibamos que não será como nadar em piscina de criança, também não há nada que indique que teremos de atravessar um Canal do Boqueirão. Mas, cadê os nossos jogadores em ação? Cadê a rede balançando após o chute de nosso centroavante? Saudades do Arruda em festa! Condenar um clube de massas como o Santa a passar dois meses sem jogar é tortura digna de Guantánamo. Ainda bem que teremos, ao menos, alguns amistosos. Os primeiros terão de ser longe do Arruda, por força dos preparativos do jogo da seleção brasileira. Mas eles virão. Daí surge uma vontade imensa de saber todos os detalhes sobre o andamento dos projetos do tricolor. Sem jogos para discutir, a atenção volta-se inteira para a gestão. Quando será o anúncio oficial da construção do nosso Centro de Treinamento? Como anda a adesão para o nosso fantástico Santa Fidelidade? A imprensa, evidentemente, não ajuda. Dia desses resolvi escutar as resenhas esportivas. Escutei o noticiário do Mais Querido nas duas principais emissoras de rádio de nossa gloriosa capital. Qual a minha surpresa e desacerto a ouvir em uma delas que o Santa havia perdido os direitos federativos de Márcio Barros, por falta de pagamento do FGTS e não assinatura de sua carteira profissional; sintonizo na segunda e… escuto: “A direção tricolor e Márcio Barros entraram em acordo e o mesmo vai sair do Santa de forma amigável…”. Desisti. Fiquei mais desinformado do que estava antes de ouvir. Na “rede”, o sítio oficial é de...

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Os desafios e o gol de placa

A agenda da discussão do Santa nos últimos dias passa pelo debate quanto ao planejamento no futebol e as dificuldades financeiras. Para muitos tricolores a saída de alguns atletas do elenco, somadas às partidas de Capella de Bittencourt, gerou forte apreensão. Será que iremos começar do zero novamente? Que planejamento é esse que muda a cada campeonato? Por que contratar Sérgio China como técnico, sendo tão inexperiente? China é uma aposta, e agora é hora para apostas? Essas questões povoam as mentes e as conversas de nossa torcida. Gostaria de propor algumas reflexões sobre elas. Sobre jogadores – Talvez minha opinião seja minoritária entre a torcida. Com pouco recurso em caixa, acho que estamos fazendo o mais acertado. Precisamos ter um grupo de atletas comprometidos, que queiram e necessitem construir sua carreira e reputação profissional. Em tese, o perfil desse “novo” elenco me agrada mais que aquele que jogou o pernambucano. Neto Maranhão, Fabinho Vitória, Juninho, Aleandro são jogadores jovens, os quais já mostraram boas qualidades. São “apostas”, sem dúvida. Mas o são na mesma medida em que foram Gobatto, Willian e outros. E possuem uma vantagem: têm vontade de jogar no Santa e aparecer para o futebol. Outro ponto: ficou uma boa base do time montado por Bittencourt. Parral, Tamandaré, Gustavo, Sandro, Leandro Camilo, Alexandre Oliveira é uma boa espinha dorsal! E, por fim, mas não menos importante, os garotos que vieram dos juniores. Tenho muita esperança e expectativa em Thomas Anderson, Gilberto, Yuri, Miler e Tiago Henrique. São nosso patrimônio e acho que merecem chances na equipe. Sobre o treinador – Antes de tudo, não sou daqueles que não enxergam qualquer valor em Márcio Bittencourt. A maioria dos tricolores reconhece o seu trabalho. Organizou minimamente um time, em muito pouco tempo. Porém, nossa campanha no estadual não foi assim… digamos, inquestionável. Levamos lapada de Porto, Central e não conseguimos vencer o Acadêmica de Vitória de Santo Antão. Não vencemos nenhum clássico e chegamos longe, mas muito longe mesmo do campeão. Márcio também demonstrou uma instabilidade emocional preocupante no jogo contra o Americano, sendo um dos grandes responsáveis por nossa eliminação precoce na Copa do Brasil. Ou seja, não é o pior dos técnicos, mas não é nada de excepcional… Já Sérgio China é, como dizem muitos, uma “aposta”. Essa afirmação, só ela, já merece uma crônica à parte. O que em futebol, como um jogo que é...

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Um patrimônio de jogadores

Quero começar dizendo o seguinte: concordo com FBC no que se refere à avaliação de nosso desempenho no Pernambucano: “Não ficamos satisfeitos com o desempenho no Pernambucano, ficamos em terceiro, 17 pontos atrás do Sport, dez do Náutico. O Santa Cruz é um clube grande, tem obrigação de ser campeão, de voltar à Série A”, disse, para em seguida continuar: “Estamos longe do ideal e por isso precisamos mexer no time, não entendo por que alguns jogadores não gostaram. É normal fazer uma avaliação para decidir pela manutenção de alguns e pela saída de outros”, disse (Coralnet). Nossa campanha foi fraca e sou daqueles que acham que o padrão de comparação não pode ser os últimos campeonatos, quando chegamos em sétimo, oitavo, sei lá. Nosso referencial deve ser nossa história e essa diz que temos de brigar por títulos. Sempre. Por isso ainda, seguindo a lógica do raciocínio, sou a favor das mudanças no elenco. Mais: não admito que jogadores do nível que temos fiquem “botando banca”. Acho absurda a discussão difundida pela imprensa sobre a propriedade ou impropriedade da atitude do presidente, quando o mesmo chamou parte do elenco para uma conversa. E daí? O clube chama quem ele quiser. Quem não foi chamado, aguarde sua vez. E se não interessar ao clube, adeus. Tem o direito de receber o que lhe é devido e só. Acho covarde e inaceitável, por exemplo, o ato de Marcelo Ramos que, após rescindir e acertar com o Ipatinga, saiu dizendo-se chateado com “aquele dia” e colocando a torcida contra FBC. Hoje, já são quatro jogadores que foram embora: Marcelo Ramos, Wagner, Zuba e Thiago Matias. Para mim aconteceu o melhor. O único dentre eles que merece algum destaque é Ramos. Mas é velho demais para se investir muito nele, sobretudo em nossa condição atual. Quanto aos outros, Zuba e Wagner são fracos e Matias é mediano. Os dois primeiros, era obrigação nossa demitir. O último é facilmente substituível. Pelo que acabei de dizer sobre Ramos, desvio para o que de fato quero argumentar. O Santa precisa urgentemente entender que patrimônio não se restringe apenas a concreto, gramado, cadeiras, refletores, etc. Parte fundamental do patrimônio de um clube de futebol é a “posse” de jogadores. Temos de começar a ter nosso elenco. A forma de conseguir isso é revelando jogadores e atletas ainda desconhecidos. Some-se uma política criteriosa de multas rescisórias. E,...

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A paciência e a perfeição

Conheço Perrusi. Além de meu amigo, é meu psiquiatra informal. Mas como tal, nessa relação de amizade-e-terapêutica, expõe-se. Logo, sei quais são suas intenções ao escrever seus dois últimos artigos aqui no TC. E, em geral, concordo com as mesmas. Mas julgo que valha a pena comentar um pouquinho suas idéias; é o que pretendo nas linhas que seguem. Artur fala, primeiro, antes do jogo com o Porto, em paciência; após o massacre, em esquecimento. O que pretende é abordar qual estado de espírito deve nortear a alma tricolor na atual tentativa de ressurreição. Pois bem, o que acho? Acho que a paciência é muito importante, mas tem limites. E o esquecimento, bom… Esqueçamo-lo, por enquanto. Antes de tudo quero deixar bem claro: tirar o Santa da cova em que está metido exige, requer, impõe… Paciência. Mas essa palavrinha pode suscitar atitudes bem díspares. Falando de maneira mais direta: há um grande risco na paciência que é tornar-se passividade! Aliás, é bom lembrar que a origem latina da palavra (sempre o lado culto do TC) é padecer. Ser paciente é ser sábio em relação ao tempo, não atropelar prazos, não forçar a noite antes do fim da tarde. Mas esperar por esperar, sem marcos temporários, esperar imóvel, impassivelmente, é uma puta perda de tempo. Assim, o que devemos fazer sempre é, enquanto esperamos, agir corretamente, adequadamente, para que nosso objeto de desejo, nosso objetivo seja alcançado o mais breve. Não sou, repito, e não defendo os apressadinhos. Não me juntarei àqueles que querem o Tricolor Coral campeão mundial já amanhã. Mas discordo quando se fala em “o tempo da crítica vai chegar”. O tempo da crítica nunca pode ser suspenso! Senão daremos asas, dentes e garras à burrice, esse apostolado dos passivos e interesseiros. Devemos ser pacientes com a situação do Santa, mas sempre ungidos de certa inquietação, monitorando criticamente os desvios de caminho, ou seja, agindo da melhor forma para apressar, na medida do possível, nosso objetivo: um Santa vencedor, hegemônico e forte. Confio no trabalho que está sendo realizado no futebol na gestão FBC, o Messias do Beberibe. Entretanto, algumas questões devem ser levantadas. Exemplos: por que tentar montar um time apenas de volantes (no jogo contra o Porto chegamos a ter cinco atuando!)? Por que alijar, sobretudo nesse início de temporada, quando os contratados estão visivelmente fora de forma, praticamente a totalidade dos garotos da base...

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A boataria, o Conselho e FBC

Parece que já está claro, para a maioria da torcida, que um dos grandes obstáculos do momento é derrotar a desinformação da imprensa esportiva de Pernambuco. Unha e carne com antigos e nefastos personagens da decrépita cartolagem coral. Mais do que denúncia, é preciso ações. Comentando o texto de Fred Dias – A cartilha, o quarto poder e o profissionalismo, publicado aqui no TC -, relatei fato ocorrido semanas atrás por iniciativa da Rádio Clube. Depois de dias seguidos martelando a idéia da necessidade de um “diretor interno” (e aqui me aproveito do comentário ao texto anterior, de Artur Perrusi; comentário número 17, de Geraldo Tricolor da Iputinga), na resenha do meio dia, uns tais de Roberto Nascimento e José Gustavo tiveram a ousadia de propor uma enquete por telefone, a fim de saber qual o melhor nome para ocupar o cargo que “controlaria” as ações de Capella e Bittencourt. Quais nomes sugeridos pelos digníssimos seguradores de microfone? Zé Neves, Romerito e Mirinda! Preciso dizer mais alguma coisa? Preciso dizer a quem interessa uma campanha visando alterar a estrutura organizativa do futebol do Santa, estrutura profissional montada pela atual administração? Não, não preciso. Sabemos todos a quem interessa. Esse tipo de denúncia cada um de nós terá um exemplo. É bom e importante dividi-las. Mas passemos a outro ponto. Sabemos também que esse comportamento da imprensa faz parte de suas relações com antigas figurinhas carimbadas, “eternos abnegados”, “grandes lideranças”, “homens com grandes folhas de serviços prestadas ao clube” etc, etc… Devemos nos indagar: de quem é a responsabilidade do afastamento dessas figurinhas do Santa Cruz? De quem é a responsabilidade pelo fortalecimento do movimento de renovação, profissionalização e modernização do clube? FBC? A resposta é NÃO! Que FBC tem sua parcela de responsabilidade; enorme parcela de responsabilidade, claro que sim. Mas não podemos nem devemos nos eximir dessa tarefa. Desde a eleição que pôs no poder o diminutivo, emergiu no Santa uma mobilização democrática, unindo expressiva parcela da torcida, a qual se comunica através de vários sítios da Internet e que convive festejando na sede do clube, em confraternizações, excursões etc. Tal mobilização democrática objetiva o fim dos interesses escusos no clube. E é essa mobilização, da qual fazemos parte, que deve se intensificar, se organizar ainda mais e banir os maus tricolores do Arruda. Somos nós, por um complexo de articulações que não cabe discutir agora, que somos...

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O recomeço

Merecíamos. Após a catástrofe da passagem de Edinho pelo clube, merecíamos um alento. E ele veio sob o signo de uma promessa. A promessa de um novo começo, uma nova etapa, uma nova vida. Ao final de um ano que estava a nos obrigar a pensar no pior, eis que brota a esperança, e a promessa vai encorpando, ganhando carne, ossos, veia, sangue e sonhos. E o Santa Cruz, sobre a terra arrasada por diminutivos, volta a semear sementes de grandeza. Profissionaliza-se. A gestão de futebol, amador e profissional, começa a ser feita de forma responsável, planejada, criteriosa. Nada de arroubos ridículos (“Nosso treinador será Evaristo de Macedo. E ele trabalhará de graça”!) nem dependência de eternos “abnegados e beneméritos” – ou seus netos, sobrinhos, filhos, amantes, agregados… Um clube devolvido à sua torcida, seus sócios, seus conselheiros. O patrimônio garantido. Depois de anos de descaso, a preservação. Mais! A valorização e incremento. Todo o estádio renovado: pintura, gramado, torres de iluminação, fachada, sistema de drenagem e de irrigação etc. O Santa volta ter um dos melhores estádios do país. No nível regional a dianteira que colocamos sobre os adversários é imensa, colossal. E, com isso, o Santa se credencia mais do que nunca a, no ano de seu centenário, ter o Arrudão como sede da Copa do Mundo. Não pode haver dúvidas: se Recife receber jogos do mundial, o local terá de ser o Arruda. É ele o maior, e é ele que tem em suas cercanias o maior investimento previsto no PAC para melhoramentos urbanísticos – critério fundamental, segundo o governo federal. Nesse fim de ano, amigos e amigas tricolores, época natural de fazer balanços, repensar caminhos, projetar desejos, reatualizar expectativas, podemos já sentir a chegada de melhores dias. A Cobra Coral parece, de fato, se reconciliar com seu destino de grandeza. E antevemos os sorrisos nas arquibancadas, e a festa nos bairros pobres da cidade, a multidão tricolor alegre e orgulhosa. Todos nós somos parceiros dessa empreitada. E temos o dever de ir a campo, de manter atualizada a mensalidade de sócio, de contribuir o mais que possível no dia-a-dia do clube, de sermos o abre-alas da esperança, os discípulos das boas novas. Tenho certeza de que todos faremos o nosso papel. Colheremos, em breve, os frutos dessa nova semeadura. Para dizer de outra forma, tomando emprestadas as palavras de um camarada com quem dividi o...

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