Enquanto isso, na Várzea…

Imagem da Várzea por satélite Não fui ao jogo domingo. Assisti em casa, pela TV. Motivo: Dimas e Artur me excluíram do mais importante programa dominical, os jogos do Santinha. Quando consegui localizá-los pelo celular, já estavam entrando no Arruda… Já haviam enchido a cara. E mais: iam para as cadeiras. Não tenho recursos para ir às cadeiras. Magoado pela exclusão dos amigos, decidi ver o jogo em casa. Tinha certeza que iríamos ganhar o jogo. Tinha até um placar na cabeça: 2 x 0 (Quase!). A barbie é muito fraquinha. Por outro lado, desde que Dado assumiu, o Santa vem jogando futebol. Não é nenhuma seleção, mas é um time organizado, que joga com garra e pra vencer. Cheguei a escrever ontem de manhã para alguns amigos, dizendo: “Vamos vencer”. Por isso, quando resolvi ficar em casa, sabia que ia perder a apoteose que é, sempre, uma vitória coral no mundão. Decepção aumentada em relação aos amigos… Mas ser tricolor é padecer no paraíso. Ver o jogo pela TV teve seu lado bom. O primeiro aspecto positivo foi escutar o coitado do Rembrandt Júnior sendo obrigado a gritar quatro gols do Santinha! Os três últimos, gols para ficar na memória pernambucana. O coitado gritava como se estivesse ganindo, um som estranho, engasgado: um grito de afogado já cheio de água do mar! É isso, um grito de afogado submergindo. O segundo e mais importante aspecto, confirmar que a Várzea, e em especial a Brasilit, onde moro, é tricolor “em peso”. A cada gol, sobretudo no segundo tempo, uma explosão no bairro. Aqui e lá, dos becos, se ouviam os gritos: “É Brasão, porra!”. Quando a coisa foi eliminada da Libertadores, já havia presenciado uma festa aqui no bairro, o grande grito de glória e alívio. Mas, me perguntava, será que não é a soma da massa coral com as barbies? Será que a torcida tricolor é tão grande aqui na vizinhança? Toda essa dúvida se deve ao fato de morar aqui há cerca de um ano. Ontem a prova foi retumbante! No terceiro bairro mais populoso do Recife – a bucólica e esquecida Várzea – a torcida tricolor coral santacruzense mata a pau. Durante toda a noite reinou aquela paz gostosa que vem após as grandes vitórias. A Várzea apaziguada! Um retrato, em fatia, do que era a paz e alegria geral da nação coral. Daí me lembrei...

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Uma opinião diferente

Nota da redação: Este texto foi escrito no dia 16/12/2009. Tenho sido, aqui no TC, uma voz solitária a favor da negociação envolvendo o Santa e a Arena Capibaribe. Sei que é difícil argumentar contra a multidão, mas tentarei ao menos expor uma opinião diferente daqueles que negam a possibilidade do Santa Cruz encampar o projeto em São Lourenço. Penso que a questão envolve dois aspectos: 1. Qual a melhor proposta para Pernambuco: a Arena Coral ou a Arena Capibaribe? 2. Caso a Arena Capibaribe seja a opção escolhida, qual deve ser nossa atuação? Para a primeira questão respondo: a Arena Coral é o melhor projeto. Por uma série de aspectos que já estão bastante conhecidos, tais como valor total de implementação, benefícios para o Recife etc. Toda a polêmica concentra-se no segundo ponto. Há uma parcela expressiva da torcida que se nega a discutir qualquer proposta, se nega a “abandonar” o estádio do Arruda, a ir assistir jogos em São Lourenço e por aí vai…. É aqui que danço valsa em compasso quaternário. Em minha opinião, a decisão pela construção da Arena Capibaribe já está tomada e consolidada, ou seja, não haverá “plano B”. Mas, a despeito desta decisão, o consórcio público-privado precisa muito dos clubes. Aqui radica o “x” da essência do espaço onde se dará a negociação. O Santa depende mais da Arena Capibaribe, ou o consórcio depende mais do tricolor? É claro que o consórcio é mais dependente e isso nos dá um bom ponto de partida para a negociação! Como em qualquer negociação, a primeira proposta do Governo está longe de nos contemplar. Porém, podemos e devemos apresentar uma contraproposta que nos seja vantajosa, que nos traga viabilidade financeira contínua, que nos transforme de um clube falido para um com sólida base de recursos. No tropel das informações que caracteriza o nosso mundo alguns pontos possíveis de negociação foram adiantados: assunção de parte do passivo do clube; construção de um CT; valor de bilheteria mínimo garantido; diminuição do número de jogos obrigatórios em São Lourenço; vantagens comerciais na exploração da Arena. É por aí que devemos argumentar e pleitear. Some-se a isso o fato de que nosso atual patrimônio na Av. Beberibe (sede, estádio, terreno) não será alienado. Poderemos explorá-lo também. Há de se fazer um estudo técnico, em resumo, e elaborar uma contraproposta que mude a face do clube. Sendo assim, questiona-se: por...

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O que fazer?

Pelo rodízio de textos aqui no TC, o de ontem caberia a Paulo Aguiar. Mas Paulinho não conseguiu. Paulinho é um homem sensível e demasiadamente apaixonado pelo Santa Cruz. Acabou me ligando nesta manhã, e com voz embargada me suplicou “Geó, depois dessa derrota não tenho condições de escrever. Por favor, amigo, me cobre…” Malgrado a escolha infeliz do verbo, jamais deixaria de socorrer ao amigo e companheiro. Aqui estou eu. Todavia confesso que estou atônito, apoplético. Sem contar os passos e questionando o vazio, não paro de perguntar: “O que fazer?” O que fazer, meu Deus do céu?! Quem foi, como eu e Paulo, e tantos outros tricolores, até Aracaju, não merecia um primeiro tempo daquele. O que há com Sérgio china? Será que ele não vê que o esquema de jogo utilizado por ele é excessivamente acorvadado? Depois, repete-se a triste ironia. Os jogadores da base não servem para ser titulares. Não são efetivados como titulares. Mas quando o time me joga o tempo mais bisonho de todas as eras terrenas, e perde de 1 X 0, põe Miller e Gilberto. Tinham tudo para jogar mal. Mas não jogaram. Pelo contrário, com a entrada deles e a ordem para sufocar o adversário, o honroso Sergipe não viu mais a cor da bola na segunda etapa… Só que perdemos. Não somos mais líderes. Conseguimos colocar uma enorme interrogação na cabeça de nossa torcida. Instalou-se um sentimento de desconfiança generalizado – um macarthismo tricolor. Vários são aqueles que pedem a cabeça do técnico, o nosso João Baptista da ocasião. Eu mesmo, ontem, já descansado da viagem, resolvi ligar para o nosso competente ouvidor. Disquei o número, resoluto. Enquanto chamava, como de costume em momentos decisivos como aquele, antecipei mentalmente a conversa: – Alô! – É o senhor ouvidor? – Sim, é ele. – Seu ouvidor, aqui é um sócio, sou Josias. Vocês da diretoria não vão fazer nada? O time deixando de jogar, o treinador errando mais do que analista econômico, e vocês vão ficar parados? – O que você sugere, caro Josias? – A demissão do técnico, ora bolas! – E quem contrataríamos para substituí-lo? – Ora, poderíamos trazer… Tem aquele.. Claro que não temos condições de trazer algum de série A, evidentemente… Então… – Sim? Antes que a ligação fosse concluída, desliguei meu celular. Fiquei desconsolado. Nenhum nome me veio à cabeça, nenhuma solução. Sentei-me no sofá...

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Ontem

Não dá para dizer que foi um desastre. Mas também está longe a chance de dizer que foi um espetáculo. Algumas coisas positivas, porém muitas negativas ainda. A torcida, como sempre, é o aspecto positivo mais forte. Para mim é difícil descrever a torcida do Santa, traduzir em texto seu comportamento, encadear palavras em uma prosa que lhe reflita. Exprimir algo sobre a nossa torcida, só posso tentar fazê-lo em poemas, já que, evidentemente, há verdades que apenas a poesia alcança. Após o jogo, vagando pela Encruzilhada, entrei num bar e encontrei Samarone – não sei se ele irá se lembrar… seu estado inspirava cuidados. E, já na primeira cerveja, concluímos: o que estamos fazendo é uma resistência cultural. A torcida do Santa hoje é uma afirmação constante de resistência cultural. Sobre o jogo, dizer o quê? Jogamos mais uma vez com 12 volantes. Ou foram 13? Não sei; só sei que era volante para danar! Talvez China seja um incompreendido, como todo gênio. Talvez.  Sua inovação tática revolucionária parece prever um time apenas de volantes – Anízio, que assistiu a um dos treinos desta semana (e que ontem conseguiu a proeza de comer 1 quilo (1 Kg) num self-service onde almoçamos antes de ir ao Arruda) nos revelou que China chegou a testar, inclusive, a saída de Gustavo; teria substituído o goleiro por Leandro Bitton… China parece também desmascarar uma afirmação tida como óbvia nos nossos dias: os laterais, aliás os alas, são fundamentais no futebol moderno. China não gosta de obviedades e quer um time sem laterais. Podemos, assim, refletir: de fato, para que servem os laterais? Eles são um tipo de jogador que fica ali do lado, quase saindo de dentro do campo, correndo pra lá e pra cá, sem função tática significativa. Então, morte à figura dos laterais! Foi o que fez ontem o nosso estimado treinador. Temos de dar tempo ao tempo, já dizia o sábio. O tempo é parceiro da verdade. Talvez China esteja certo. Por que não? Rogo aos céus que assim seja. Por fim, considero que devemos ser ponderados. O apoio ao time deve ser maciço e constante. Não podemos nos desesperar. Quando perdíamos por 2 X 0, Perrusi e Dimas gritavam a plenos pulmões pela demissão do treinador e num coro satânico, bradavam “Givanildo!” Givanildo!”. Calma, calma. Temos de ter calma durante a partida… No tocante a superstições, penso que...

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Corrida volante

Pintura: Êxito prestigioso, de Sante Scaldaferri Não poderia haver melhor começo. Vitória. E vitória incontestável: 3 X 0! Mais do que isso: mais de 4 mil tricolores corais povoaram as arquibancadas do estádio Rei Pelé, segundo cálculos do setor de arrecadação. De fato, a torcida coral foi hegemônica, superou a torcida alagoana em Maceió. Mas, caso fosse apenas mais um espetáculo da torcida conjugado com uma apresentação pífia do time, não serviria para nada. Já passou da hora do Santa voltar a ser reconhecido e temido não apenas pelo apoio inigualável de sua massa, como ainda pela força da equipe, dos seus jogadores, e das bolas na rede adversária. Após o amistoso no Arruda contra o 12 de Campina Grande, estávamos quase todos temerosos do nosso destino na quartona. O Santa havia desandado no segundo tempo daquele jogo, Gustavo falhado mais do que a burocracia do senado, Parral tremera mais que Artur Perrusi diante de uma barata voadora e o que se apresentou ali não era animador… A escalação de Sérgio China contemplava mais volante do que gente, fato que desencadeou calorosos debates aqui no TC. Pois é, amigos, pois é. Só sei que a despeito do fraco amistoso, da desconfiança geral e de um time cheio de volantes, metemos uma lapada fora de casa – coisa rara nesses últimos anos. E o esquadrão mostrou valentia, raça, empenho. Foi guerreiro. Anunciou a todos que seremos a corrida volante dessa quarta divisão. Todos os demais participantes serão tratados como bando de cangaceiros, foras-da-lei, fora da ordem. Ontem foram três tiros certeiros! Para quem aventou a possibilidade dos atletas estarem contra nosso treinador, ficou marcada ontem a disciplina tática coral, o dedo do treinador no posicionamento do time dentro de campo. No primeiro gol, sobretudo, a comemoração se fez junto ao banco de reservas, com a regra três e a comissão técnica. Tal problema, portanto, parece não existir. Falar em gol, o segundo gol foi uma beleza! Jogada de Juninho (drible da vaca no marcador), cruzamento perfeito, e arremate de primeira de Reinaldo. Foi o gol mais bonito do jogo. E Gustavo? O goleiro arretou-se. Fez defesas difíceis e, para completar a obra, pegou pênalti. O homem estava virado… Pelo que vi em campo, destaco Gustavo, Alexandre Oliveira, Juninho e Thiago Laranjeiras – enquanto esteve no jogo. Foi uma festa! Todo o dia foi uma festa! A força do clube emociona....

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O lado escuro da nossa força

Quando a história começou a vazar, confesso, não acreditei. Parecia algo escalafobético demais, mais que teoria da conspiração. Em verdade, me senti em uma nova Matrix. Porém, já não era apenas um nem dois jornalistas que diziam; conhecidos com acesso privilegiado à informações ratificavam. E a notícia estourou como uma bomba. Após a constatação absoluta do fato, pus-me a refletir. Concretamente tudo foi muito estranho! Estávamos na Série B, com algum elenco e tínhamos o Arruda. De repente, num piscar de olhos, série D e o Colosso interditado. Depois de alguns meses da catastrófica queda na era diminutiva, um jogo importantíssimo da seleção brasileira e a reorganização administrativa do Santa… Tudo agora começava a fazer sentido. No entanto uma pergunta me obsedava: quem foi o responsável por tal acordo? E será que o mesmo foi benéfico – ou será – para nós no futuro? Uma dado é certo: nossa relação com a CBF melhorou e melhorará. Teremos ainda a oportunidade de bradar aos quatro ventos que somos os campeões de tudo (nada de Internacional…) até o nosso centenário. Mas quem fez o acordo? Sabe-se que o dr. Ricardo Teixeira chegou-se sorrateiro e propôs: “Preciso criar uma quarta divisão aqui no país. Todos os grandes países do futebol já a possuem. Só que no começo ela será deficitária e eu preciso de um time de massa, com a maior torcida do Norte/Nordeste, um clube forte, com nome nacional para eu poder legitimar a nova série…”. Esse time escolhido, claro, foi o glorioso Santa Cruz! E devido a todas as nossas qualidades fomos parar na quarta divisão. Que acontecimento mais contraditório! Um paradoxo infinito! Justamente por sermos o clube de maior potencial fora do eixo Rio-São Paulo fomos os escolhidos para viabilizar a famigerada série D! O futebol, sabemos todos, muitas vezes é decidido fora das quatro linhas. Mas sinceramente não julgava que as negociações chegassem a esse ponto. Quando tive consciência de todo o ocorrido me pareceu que o destino foi injusto conosco. Talvez fosse melhor se a nossa torcida não fosse tão gigantesca. Melhor seria que essa mesma torcida não fosse tão fiel. Seria melhor que, ao invés de um estádio, tivéssemos um campinho qualquer, como os nossos adversários aqui no estado. Acaso o nome Santa Cruz não fosse tão forte no âmbito nacional. Talvez não houvesse acordo. Por que toda a nossa força e pujança viraram contra nós?...

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