O mesmo filme de sempre

O mesmo filme de sempre

Existe um ditado no futebol que diz assim: futebol é uma caixinha de surpresas. O caso de Gilberto confirma essa máxima. Como diria Ivonaldo, “Gilberto chegou aqui puxando uma cachorra magra!” Um jogador que era odiado pela torcida, em pouco tempo se tornou um artilheiro. Virou produto principal da prateleira do seu procurador, empresário ou coisa parecida e partiu para um suposto futuro melhor. Vindo das bandas de Sergipe, este jogador chegou ao Santa Cruz ainda na desastrosa gestão de Edinho, trazido pelos diretores de futebol daquela famigerada época. Nunca conseguiu se afirmar, foi emprestado ao Vera Cruz, fez um bocado de gols, voltou pro Santa e, de repente, transformou-se no nosso grande goleador. Aos poucos estava se tornando um novo ídolo. Eis que Gilberto passa no clube, pega seu material e vai embora. Há décadas que esse filme se repete no nosso clube. Assim como se repete a farra dos cambistas, a inércia do Teatro Deliberativo, o mal-trato com os sócios, etc e tal. Num passe de mágica, os poucos atletas jovens do nosso clube pegam a estrada em busca de um futuro melhor, deixando miseráveis tostões para o clube da torcida mais apaixonada do Brasil. Apaixonada e cega, como deve ser um autêntico apaixonado. Fico aqui tentando imaginar o que passa na cabeça dos nossos dirigentes. Eles vão à imprensa para dar suas justificativas, e claro, nunca dirão que houve um vacilo. Que erraram por não acreditarem na possibilidade do atleta ir embora. Que não sabiam que o empresário do jogador era um mala. É sempre assim, no clube ninguém tem culpa. Nós, os apaixonados, partimos logo para crucificar o miserável do procurador, o jogador que é tabacudo ou a imprensa que faz o oba-oba e joga contra nós. Para mim são os menos culpados. Nestas horas, nós, os apaixonados, nos tornamos advogados especialistas em direito esportivo, em busca de fundamentos na legislação que alimentem a nossa esperança de ver o jogador voltar. Nestas horas, a paixão não deixa pensar na possibilidade da diretoria estar fazendo pixotada. Nestas horas, sinto falta de uma oposição forte no nosso clube. Uma oposição responsável que não apareça apenas nas épocas de eleições. Sim, uma oposição que não desça do palanque quando o processo eleitoral se acaba e que saiba se comportar como deve ser uma verdadeira oposição. Sinto falta também de um Conselho Deliberativo atuante, mas aí é querer demais...

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Preliminares de domingo

Preliminares de domingo

Texto indicado para maiores de 18 anos. Já falei por aqui que toda quarta-feira dou umas aulinhas de futebol. É na nossa pelada semanal, a qual é recheada de tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda. No grupo que é formado por uns vinte e cinco peladeiros, o Santa Cruz tem em torno de dezoito representantes. A barbie tem um. Depois dos gols, discussões, lapadas e reclamações, o bom é a resenha. Futebol, política e sexo fazem parte do bate-papo regado a suco, cerveja, uísque e tira-gosto. Ontem a mesa estava cheia. Cinco do Santa, dois da leoa e um barbiano. As televisões transmitiam o jogo do Náutico. – Estou torcendo pelo Bangu! – deixei claro. – Ei, Rafa! Tás torcendo por quem? – eu provoquei. – Pelo Bangu, é claro. Rafael é torcedor da coisa. Assim como eu, Rafael entende que a grande rivalidade do futebol pernambucano é entre Santa Cruz e Sport. Defendemos a tese que o Náutico não devia disputar futebol profissional, pois entendemos que futebol é coisa pra homem. – Vocês não são pernambucanos, não? Temos que torcer por Pernambuco! – politizou o alvirosa. – Quem torce por Pernambuco é Eduardo Campos! – alguém falou. Mas amigos, a prosa ficou boa quando o assunto pendeu para o lado erótico. Perguntaram a João como tinha sido o carnaval dele. A resposta veio curta e objetiva: “foi ruim, não comi ninguém”. O cidadão barbiano fez o seguinte comentário: “eu me lasquei. Brinquei o carnaval com minha namorada e a família dela”. – Então companheiro, você perdeu de comer muita buça. Eu dei um drible na mulha, fui pro Galo da Madruga sozinho. Dei duas trepadas da boa! – falou Chico. Chico é dos nossos. Torce pelo mais-querido. Coma a voz mansa, ele tem a mania de resumir algumas palavras. Buceta é buça. Mulher é mulha. Tesão é teza. E por aí vai. Na sua filosofia, ele afirma categoricamente que o mundo é movido por sexo. Quando a conversa está muito polêmica, ele usa uma frase que nos leva a reflexão. “Companheiros, o mundo se resume a duas coisas: uma rola e uma buceta!”. O garçom chega com alguns petiscos. Queijo coalho, cebola na brasa, toscana de bode e meio espeto de coração. – cebola é bom, mas dá um bafo danado! – disse o alvirrubro. – é bom pra soltar bufa! – disse João. – companheiro, cebola...

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Textículo

Textículo

Recebi um e-mail do Editor-Mor perguntando se algum de nós que escrevemos aqui no Torcedor Coral tinha texto para publicar. Pensei em escrever algo sobre nosso exímio ponta-direita Landu. Seus dribles desconcertantes e seus cruzamentos precisos. Meu lado calejado me cutucou e sugeriu umas linhas sobre o bizarro Mário Lúcio e o súbito desaparecimento de Diego Biro. Mas aí, eis que abro minha caixa de mensagens e vejo a resposta de um dos escribas aqui do TC.  “Rapaz, to lascado. Estamos em pleno ciclo do OP. Tenho três plenárias por semana até o fim do mês que vem”, assim escreveu Bosquinho. Bastou isso para eu cair na real. Orçamento participativo. Lembrei da época em que meu irmão mobilizava os cidadãos para buscar melhorias pro nosso bairro. Conseguimos calçar rua e fazer uma praça. Participar era a palavra. Pelo que me falou semana passada um amigo que é conselheiro colaborador, a participação  dele no Conselho Deliberativo tem sido apenas em dar dinheiro para o nosso querido Santa Cruz. “Reunião?! Tem porra nenhuma!”, falou meu amigo com um sorriso amarelo no canto da boca. Pois é, amigos! Nosso Conselho continua o mesmo. E o clube vai sendo tocado pela inspiração, boa vontade e resolução de quem está a frente do executivo. Quando vejo as notícias de que a Traffic vem aí, fico me perguntando: 1. Quem vai analisar se o contrato com a Traffic é bom? 2. Quem vai fiscalizar o cumprimento do contrato? 3. Essa tal campanha de sócios presta? 4. A parceria, ou seja lá o que for, com a Traffic vai passar pelo crivo de quem? Bom, vou fugir aos padrões do Blog, no que se refere ao tamanho do texto. Vou parar por aqui. Murro em ponta de faca dói e o que vale são os três...

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Quem é o burro?

Quem é o burro?

A melhor frase que eu ouvi ao final do jogo contra o Central foi de um sujeito magro, trajando bermuda e uma camisa do Santa Cruz comprada no mercado paralelo. Ele estava poucos degraus acima de mim. “Se eu soubesse que o goleiro era esse fresco, eu não tinha vindo pro jogo”. Fiz o sinal de legal pra ele e respondi: “eu também, camarada”. Meus amigos, fazia tempo que eu não via um goleiro tão ruim jogando no nosso Santa Cruz. Esse rapaz bem que podia fazer um curso profissionalizante e tentar um emprego em Suape ou ir ser corretor de imóveis aqui no Recife. Mas há um porém nessa história. O goleiro Zuba não botou o revolver na cabeça dos cartolas do Santa e o obrigaram a contratá-lo. Saber quem foi o responsável por sua volta para o tricolor do Arruda é a grande questão para mim. Digo isto porque sou da teoria que o jogador não tem culpa de ser chamado para defender um time. Na contratação de um atleta estão envolvidos o empresário, os cartolas e o treinador. O empresário tem a função de vender a mercadoria. Dirigentes e treinador são os compradores. Pois bem, quem inventou de trazer Zuba de volta? Até que ponto Zé Teodoro teve que aceitar esse pacote? Confesso que ontem ao ouvir a torcida gritar o famoso “ei Zuba, vai tomar no cu”, eu tentei puxar um “ei responsável pela contratação de Zuba, vai tomar no cu”, mas não consegui encaixar a frase na melodia. Penso que se esse rapaz, o tal André Zuba, tivesse atuado contra o Sport, a gente não teria sentido o sabor da vitória. É muito provável que a história seria outra. Já passou da hora de mandarem esse goleiro de pelada ir procurar outro emprego. Não é possível que o terceiro goleiro seja pior. Se for, os responsáveis pela aquisição deveriam ter os nomes estampados num outdoor dizendo mais ou menos assim: fulano, sicrano, beltrano, vocês são burros, é? Agora, meus senhores, assim como a vitória contra o Sport não pode encobrir nossas deficiências, a fraca atuação do goleiro Zuba não deve esconder dois fatos: a lambança de Zé Teodoro ao resolver entrar contra o Central com o time armado num 3-5-2 e a ruindade de algumas peças. Não sei o que deu em Zé Teodoro para querer dar uma de cientista. Quando não se tem...

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Theófilo e a mulher do rubro-negro – Final

Theófilo e a mulher do rubro-negro – Final

Leitura indicada para maiores de 18 anos. Valquiria colocou uma música de Roberto Carlos no som do carro, “Falando sério”. – Eu sou fã de Roberto Carlos. – ela disse. – Eu também, Valquiria. Tenho um mp3 com várias músicas do Rei. – Jura? – Juro! – Ah, eu quero ver. – Amanhã eu levo. – Eu quero ver hoje. – disse Valquíria pegando na perna do tricolor. Foram direto para o apartamento de Theófilo. De um lado, um misto de ansiedade e nervosismo. Do outro lado o “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro…”. Era a cabeça de Theófilo naquele momento. Desceram do carro e subiram as escadas até o terceiro andar. Theófilo estava confuso, não sabia se Valquiria queria apenas ouvir o mp3 de Roberto ou se estava disposta a chifrar Agnaldo. Cada gesto dela, cada palavra, cada suspiro, o deixava louco. Aquela bunda, suas pernas, sua boca, seus peitos, era tudo o que ele queria. Entraram no apê. Valquiria pediu para ir ao banheiro. – Fique à vontade. Segunda porta à direita. – ele disse. Colocou o mp3 de Roberto Carlos. “Vou cavalgar por toda noite, por uma estrada colorida…” e esperou Valquíria voltar do banheiro. Valquiria adorou. – Essa música é perfeita. – ela disse. – Quer beber alguma coisa? – Hummm!!! Quero. Você tem cerveja? Ele tinha, mas disse que não tinha. Queria vê-la tomando algo mais forte. Ofereceu uísque ou vodka. – Quero vodka. Tem fanta?” – Fanta não. Tem tanjal. – Pode ser. Deixou Valquiria ouvindo música e foi buscar a bebida. Aproveitou e foi ao seu quarto. Toda mulher pede para conhecer o apartamento. Deu uma arrumada rápida e espalhou algumas cuecas pelo ambiente. Voltou para sala. Preparou a dose de vodka com tanjal. A música que rolava era “debaixo dos caracóis, dos seus cabelos, …”. – Não! Eu não acredito. Você tem Gilliard? – ela disse quando viu o cd da coleção Pérolas. – Eu quero ouvir essa música! – disse ela apontando para última faixa. “Pouco a pouco, foi que eu pude perceber, que gostar é diferente de querer…”. Valquiria virou o resto da dose de vodka e disse: “quero dançar!”. Na sua frente, no seu apartamento, a mulher de um rubro-negro o convida para dançar. Somente os dois. Tomando vodka com tanjal. Ouvindo Gilliard. Theófilo lembrou do falecido pai. Ele agarrou Valquiria e dançaram ao som de “…aquela...

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Theófilo e a mulher do rubro-negro – Capítulo I

Theófilo e a mulher do rubro-negro – Capítulo I

Leitura indicada para maiores de 18 anos. Aos sete anos de idade, Theófilo começou a freqüentar o José do Rego Maciel. O primeiro jogo foi contra o time da ilha do retiro. Uma época onde ainda se vendia cerveja dentro do estádio e o uso do cinto de segurança não era obrigatório. Naquela primeira partida, onde Theófilo debutava no cimento do mundão do Arruda, um grito de guerra ficou marcado no seu juízo: “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro só fode com tricolor! Ô, ô! Ô, ô!” Meio atabacado ainda, o pequeno Theófilo não entendia direito do que se tratava. Não compreendia o significado do verbo foder (ou fuder?!), mas voltou pra casa cantarolando a musiquinha. Foi crescendo e indo ao estádio. Nos jogos contra o time da leoa, a linda música o alegrava. O velho pai se orgulhava de ver o garoto curtindo a tiração de onda. Certa vez, a torcida começou a entoar a melodia. Theófilo pegou no pinto e ficou mostrando para torcida do chié. Ganhou um cachorro-quente e um guaraná de um amigo do seu pai. Com uns catorze anos de idade, depois de uma vitória sobre a leoa, gol de Luis Carlos, o garoto está ali no meio da massa coral puxando o “mulher de rubro-negro, só fode com tricolor”. Naquele dia, ele chegou em casa e tocou uma punheta gemendo a melodia maravilhosa. Matou Aurídes, a Audinha. Audinha era gostosíssima. Negra, coxuda e uns peitos tipo cuscuz. Era casada com um motorista de ônibus e vizinha de Theófilo. Por muito tempo, esse era o seu costume. O Santa Cruz dava uma lapada na leoa, ele matava Audinha na punheta. Trepar com a mulher de um rubro-negro virou sua fantasia e seu desejo. O tempo passou. Theófilo foi trabalhar no departamento pessoal de um famosa loja do Recife. Conheceu Valquiria. Telefonista, loirinha, baixinha, cabelo na cintura. Peituda e dona de uma bunda linda. Numa festa de confraternização ele descobriu que ela era casada com um burro-negro. Era ele ver Valquiria e a música surgia ao seu ouvido. “ô, ô, ô, ô! mulher de rubro-negro só fode com tricolor! Ô, ô! Ô, ô!” Bate-papo pelo menseger, lanche no final do expediente, troca de e-mails e piadinhas sacanas. Passaram a almoçar juntos. Em pouco o nobre Theófilo estava pegando carona com Valquíria. Numa dessas caronas, ela estava encantadora. Com um vestido acima do joelho. Naquele dia,...

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