Até segunda ordem

Até segunda ordem

Fui pra Caruaru sem medo de engarrafamento e certo que o Santa Cruz ganharia o jogo. Na quinta-feira, falei categoricamente para uma barbie natural de Caruaru que o Santa não perdia para o Porto. Era mais fácil o náutico apanhar na ilha da fantasia. Só não esperava ver a vitória do Santa se consolidar de maneira tão fácil já nos três primeiros minutos. Também não imaginava assistir ao time perder tantos gols. Memo e Renatinho jogaram muito. Wesley andou em campo. Enfim, uma vitória tranqüila e o passaporte carimbado para as finais. Entretanto, o que mais se comentou antes, durante e depois do jogo foi sobre essa idiotice de marcarem a partida de volta contra o grêmio de Caruaru, numa segunda-feira à noite. “Oxi, essas miséria pensa que a gente não trabalha, é?”, de um torcedor com sotaque agrestino, subindo para arquibancada. “Eu é que não vou!”, disse um rapaz, durante o intervalo. “Só pra concorrer com a pelada da segunda à noite”, falou Samarone, momentos antes da partida começar. “Só quem não conhece futebol pra aceitar um negócio desse!”, comentaram na fila do ingresso. “Pra fuder mais ainda, o time vai perder um dia pra se preparar para final”, eu afirmei dentro da Van na ida para Capital do Agreste. “Toda vez é assim, Bode rouco bota no rabo do Santa Cruz e só quem reclama é a torcida. A diretoria aceita caladinha”, disse o nosso preparador fígado Stênio, com as mãos fechadas, mexendo a cintura pra frente e pra trás, como se estivesse trepando. “Essa diretoria é muito burra”, analisou um magro que estava na arquibancada. “Pra quem é do interior, jogo na segunda de noite, não existe. Ninguém vai”, de um cara que estava mijando debaixo da arquibancada. Bom, foi por aí a discussão sobre o jogo transferido do domingo pra segunda. Confesso que vi poucas notícias sobre esse assunto. Meu feriado foi de vinho, peixe, churrasco e cerveja. Nada de rádio, jornal e televisão. Pelo que me falaram ontem, a federação argumentou que a polícia não tem efetivo suficiente para cuidar das duas partidas ao mesmo tempo. Ora, e por que não se lembraram disto quando fizeram a tabela? Afinal, normalmente, dos quarto finalistas, três são da capital. Além disso, essa questão do policiamento não é novidade para ninguém. Tenho a opinião que o certo era a tabela prever anteriormente qual o jogo que seria...

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Quem é o burro?

Quem é o burro?

A melhor frase que eu ouvi ao final do jogo contra o Central foi de um sujeito magro, trajando bermuda e uma camisa do Santa Cruz comprada no mercado paralelo. Ele estava poucos degraus acima de mim. “Se eu soubesse que o goleiro era esse fresco, eu não tinha vindo pro jogo”. Fiz o sinal de legal pra ele e respondi: “eu também, camarada”. Meus amigos, fazia tempo que eu não via um goleiro tão ruim jogando no nosso Santa Cruz. Esse rapaz bem que podia fazer um curso profissionalizante e tentar um emprego em Suape ou ir ser corretor de imóveis aqui no Recife. Mas há um porém nessa história. O goleiro Zuba não botou o revolver na cabeça dos cartolas do Santa e o obrigaram a contratá-lo. Saber quem foi o responsável por sua volta para o tricolor do Arruda é a grande questão para mim. Digo isto porque sou da teoria que o jogador não tem culpa de ser chamado para defender um time. Na contratação de um atleta estão envolvidos o empresário, os cartolas e o treinador. O empresário tem a função de vender a mercadoria. Dirigentes e treinador são os compradores. Pois bem, quem inventou de trazer Zuba de volta? Até que ponto Zé Teodoro teve que aceitar esse pacote? Confesso que ontem ao ouvir a torcida gritar o famoso “ei Zuba, vai tomar no cu”, eu tentei puxar um “ei responsável pela contratação de Zuba, vai tomar no cu”, mas não consegui encaixar a frase na melodia. Penso que se esse rapaz, o tal André Zuba, tivesse atuado contra o Sport, a gente não teria sentido o sabor da vitória. É muito provável que a história seria outra. Já passou da hora de mandarem esse goleiro de pelada ir procurar outro emprego. Não é possível que o terceiro goleiro seja pior. Se for, os responsáveis pela aquisição deveriam ter os nomes estampados num outdoor dizendo mais ou menos assim: fulano, sicrano, beltrano, vocês são burros, é? Agora, meus senhores, assim como a vitória contra o Sport não pode encobrir nossas deficiências, a fraca atuação do goleiro Zuba não deve esconder dois fatos: a lambança de Zé Teodoro ao resolver entrar contra o Central com o time armado num 3-5-2 e a ruindade de algumas peças. Não sei o que deu em Zé Teodoro para querer dar uma de cientista. Quando não se tem...

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