Não vamos perder o foco, é beber e correr para o abraço

Não vamos perder o foco, é beber e correr para o abraço

Dias das mães. O costume sempre me leva a casa de Dona Rosário, no IPSEP. Foi lá onde nasci, exatamente no primeiro quarto da casa. Minha mãe é daquelas que fica feliz quando vê a casa cheia, a mesa farta, a criançada fazendo bagunça e os adultos fazendo farra. “E o povo ainda quer que eu vá morar em apartamento”, ela diz nessas horas. Começamos os trabalhos por volta do meio-dia. Por causa das chuvas, não deu para tomar os aperitivos debaixo da frondosa mangueira que tem no quintal. Ficamos na garagem.  Entre um gole e um tira-gosto, entre uma conversa e outra, o papo era sobre o jogo. Seu Geraldo, meu pai, com seus 75 anos de estrada, já tem vivência suficiente para falar sobre futebol. Dono de bar e mercearia, nos anos 50-60, ele cansou de vender Ron Montilla a jogadores de futebol no bairro do Pina. Viu o Brasil ganhar todas as copas. Vibrou com o Santa Cruz de Ramon, Nunes, Mazinho e outros. Quando alguém comenta sobre jogador cachaceiro, ele afirma: “isso é coisa antiga. Já ganhei muito dinheiro em cima do Sport. Quando eles venciam, iam beber na minha barraca. Quando apanhava, também”. Desde o começo do dia meu pai mostrava tranquilidade. “O Santa Cruz perde hoje não”, ele vaticinava categoricamente. Na rua, o clima era muito mais de futebol do que de dias das mães. Duas casas depois da nossa, bandeiras nas cores preto, branco e encarnado. “Aqui são onze filhos, somente um torce pelo Sport”, me disse D. Efigênia, a matriarca da família. Bandeiras vermelhas e pretas enfeitavam a casa que fica ao lado da residência da simpática dona Efigênia. “Ei mago. Tás fazendo o que aqui, tu não é rubro-negro?”, eu perguntei. “Tou comendo churrasco e tomando uma”, respondeu Everaldo dando uma enorme gargalhada. Sim, peitando essa idiotice de se encarar futebol como guerra e de ver torcedor do outro time como inimigo, na nossa rua as torcidas adversárias convivem numa boa sem precisar de cordão para separá-las. A verdade é que eu andei desconfiado. Tranquilo, mas desconfiado. “E aí, Rafa, a gente ganha hoje?”, eu perguntei ao garoto gente boa, peladeiro dos bons, que várias vezes levei para entrar como mascote do Santa. “Ganha!”, o antigo Rafinha respondeu sem titubear. “Ei Heitor, o Santinha vai ganhar?”. “Vai”, falou meu sobrinho de cinco anos. “De quanto?”. “Vais ser de dois”. Fui...

Leia Mais

Quanto vale?

Quanto vale?

Não vi nenhum lance do jogo entre a barbie e a leoa. Preferi ficar tomando umas e fazendo um forrozinho. Ao final da partida, saboreando uma skol e revivendo a saudosa Sanfona Coral, cantamos assim, numa paródia da música adocica do rei da lambada, Beto Barbosa: “Levou pica, o timbu. Levou pica. Levou pica, o timbu. Lá nos Aflitos. Tá que tá, que tá gostoso, Ficando muito legal….” Já chegando em casa, vejo uma mensagem no celular, enviada por meu amigo Edgar Assis, um dos tricolores corais santacruzenses das bandas do Arruda mais invocado que eu conheço. A mensagem era: quanto vale um hexa? Fiquei matutando essa questão. Minha proposta seria simples, “vocês me garantem três folhas de pagamento e um jogo amistoso de entrega de faixas, com o time de vocês jogando de cor-de-rosa, ok?” E aí rapaziada dos comentários, quanto vale um...

Leia Mais

Confusões a parte, quem tem medo de cagar não come!

Confusões a parte, quem tem medo de cagar não come!

Neste momento, estou exatamente sentado e digitando um texto. No momento que você ler, é muito provável que eu não esteja mais na frente de um micro-computador, mas é quase certo que eu esteja totalmente confuso. Afinal, não sei se é melhor pegar o Boi Leão na semi-final ou na final. A verdade é que saí do jogo contra o time dos Acadêmicos de Santo Antão, emputecido. Fui ao Arruda crente que juntaríamos mais um vitória. Eu e mais uma multidão de pais que montam suas estratégias para encaminhar os herdeiros no mundo tricolor coral santacruzense das bandas do Arruda. Ao meu redor estavam Gabriel, Heitor, Letícia, Maria, Ana Julia e outros anjos corais. Levei minha filhota, convidamos uma coleguinha dela, que na sua santa inocência torce pelo time da barbie, levando a sério esta história que o náutico é time de boneca, enfim, preparei o terreno para alimentar o sangue coral nas veias da criançada. “Ana Julia, tu vai adorar. Lá tem tudo que a gente gosta. Pipoca, sorvete, salgadinho….”, foi assim que Mariá falou dentro do carro. Ainda bem que elas estão apenas com quatro anos e não sabem direito o que é ataque, nem o que é defesa. Daí as pirralhas saíram do Arruda felizes. No mundo delas, ganhamos o jogo por 2 a 1. E, ainda fomos comemorar o triunfo. – Meninas, vamos comemorar a vitória do Santa, comendo uma pizza. Vocês querem? – Ueba!!! Quero papai. Mas tem que ser pizzaria que tenha brinquedo! Foi o que salvou a noite de ontem. Tomar um chopp e comer pizza. Bem que eu queria ser um anjo. Por onde eu passei, os comentários eram sobre a derrota, ou melhor, sobre a forma como fomos derrotados. “Isso só dá moral para o adversário!”. Foi a frase que mais ouvi depois da partida. Todos que encontrei após a lapada que levamos, levantaram a suspeita de o nosso treinador ter mandado facilitar as coisas. O motivo: não enfrentarmos os burros-negros na semifinal. Se é verdade, eu não sei. Certo é que, mesmo sabendo as inúmeras limitações do nosso Santa Cruz, não tenho medo de enfrentar ninguém. E se tivesse medo, não demonstraria nunca. E se o treinador estiver com medo, pode pedir para cagar e sair, porque lugar de frouxo é na casa da barbie. A única verdade é que para certos jogadores que hoje estão no Santa Cruz...

Leia Mais

O mesmo filme de sempre

O mesmo filme de sempre

Existe um ditado no futebol que diz assim: futebol é uma caixinha de surpresas. O caso de Gilberto confirma essa máxima. Como diria Ivonaldo, “Gilberto chegou aqui puxando uma cachorra magra!” Um jogador que era odiado pela torcida, em pouco tempo se tornou um artilheiro. Virou produto principal da prateleira do seu procurador, empresário ou coisa parecida e partiu para um suposto futuro melhor. Vindo das bandas de Sergipe, este jogador chegou ao Santa Cruz ainda na desastrosa gestão de Edinho, trazido pelos diretores de futebol daquela famigerada época. Nunca conseguiu se afirmar, foi emprestado ao Vera Cruz, fez um bocado de gols, voltou pro Santa e, de repente, transformou-se no nosso grande goleador. Aos poucos estava se tornando um novo ídolo. Eis que Gilberto passa no clube, pega seu material e vai embora. Há décadas que esse filme se repete no nosso clube. Assim como se repete a farra dos cambistas, a inércia do Teatro Deliberativo, o mal-trato com os sócios, etc e tal. Num passe de mágica, os poucos atletas jovens do nosso clube pegam a estrada em busca de um futuro melhor, deixando miseráveis tostões para o clube da torcida mais apaixonada do Brasil. Apaixonada e cega, como deve ser um autêntico apaixonado. Fico aqui tentando imaginar o que passa na cabeça dos nossos dirigentes. Eles vão à imprensa para dar suas justificativas, e claro, nunca dirão que houve um vacilo. Que erraram por não acreditarem na possibilidade do atleta ir embora. Que não sabiam que o empresário do jogador era um mala. É sempre assim, no clube ninguém tem culpa. Nós, os apaixonados, partimos logo para crucificar o miserável do procurador, o jogador que é tabacudo ou a imprensa que faz o oba-oba e joga contra nós. Para mim são os menos culpados. Nestas horas, nós, os apaixonados, nos tornamos advogados especialistas em direito esportivo, em busca de fundamentos na legislação que alimentem a nossa esperança de ver o jogador voltar. Nestas horas, a paixão não deixa pensar na possibilidade da diretoria estar fazendo pixotada. Nestas horas, sinto falta de uma oposição forte no nosso clube. Uma oposição responsável que não apareça apenas nas épocas de eleições. Sim, uma oposição que não desça do palanque quando o processo eleitoral se acaba e que saiba se comportar como deve ser uma verdadeira oposição. Sinto falta também de um Conselho Deliberativo atuante, mas aí é querer demais...

Leia Mais

Textículo

Textículo

Recebi um e-mail do Editor-Mor perguntando se algum de nós que escrevemos aqui no Torcedor Coral tinha texto para publicar. Pensei em escrever algo sobre nosso exímio ponta-direita Landu. Seus dribles desconcertantes e seus cruzamentos precisos. Meu lado calejado me cutucou e sugeriu umas linhas sobre o bizarro Mário Lúcio e o súbito desaparecimento de Diego Biro. Mas aí, eis que abro minha caixa de mensagens e vejo a resposta de um dos escribas aqui do TC.  “Rapaz, to lascado. Estamos em pleno ciclo do OP. Tenho três plenárias por semana até o fim do mês que vem”, assim escreveu Bosquinho. Bastou isso para eu cair na real. Orçamento participativo. Lembrei da época em que meu irmão mobilizava os cidadãos para buscar melhorias pro nosso bairro. Conseguimos calçar rua e fazer uma praça. Participar era a palavra. Pelo que me falou semana passada um amigo que é conselheiro colaborador, a participação  dele no Conselho Deliberativo tem sido apenas em dar dinheiro para o nosso querido Santa Cruz. “Reunião?! Tem porra nenhuma!”, falou meu amigo com um sorriso amarelo no canto da boca. Pois é, amigos! Nosso Conselho continua o mesmo. E o clube vai sendo tocado pela inspiração, boa vontade e resolução de quem está a frente do executivo. Quando vejo as notícias de que a Traffic vem aí, fico me perguntando: 1. Quem vai analisar se o contrato com a Traffic é bom? 2. Quem vai fiscalizar o cumprimento do contrato? 3. Essa tal campanha de sócios presta? 4. A parceria, ou seja lá o que for, com a Traffic vai passar pelo crivo de quem? Bom, vou fugir aos padrões do Blog, no que se refere ao tamanho do texto. Vou parar por aqui. Murro em ponta de faca dói e o que vale são os três...

Leia Mais

As previsões de Pai Kuzé

 Gerrá da Zabumba, publicação simultânea com o Blog do Santinha O babalorixá Pai Kuzé de Oxum é tricolor desde novinho. Ele costuma dizer que mesmo em outras vidas, já torcia pelo Santa Cruz. Descobri a existência de Pai Kuzé de Oxum através de minha amiga Nádia, freqüentadora do terreiro do babalorixá. Nádia fez a gentileza de me levar para conversar e ver as previsões do Pai Kuzé, que apesar de ser apaixonado pelo Santinha, não gosta de fazer trabalhos para ajudar o mais querido. Segundo ele, não é correto trabalhar em causa própria, “os orixás não gostam”, afirmou. Ele disse que todo final de ano joga seus búzios para ver o futuro do Santa Cruz. “Meu querido, fiquei doente quando os búzios me disseram que o meu Santa ia cair para terceira divisão e não pude fazer nada”, confessou o babalorixá coral. Entre uns goles de uma aguardente temperada com ervas e de umas boas baforadas, ele jogou os búzios e fez suas previsões. De cara eu quis saber sobre o Pernambucano 2008. Pai Kuzé fechou os olhos, tomou uma lapada, prendeu a respiração e jogou os búzios. “Meu querido, o Santa Cruz vai fazer uma campanha melhor do que no ano de 2007. Vejo o tempo um pouco nublado no começo do Estadual, mas depois das festas de momo, o sol começa a brilhar lá pras bandas do Arruda. Alguém vai se machucar. O Santa poderá ganhar um clássico”, disse Pai Kuzé, mostrando muita certeza nas previsões. Suando muito, o babalorixá deu um gemido forte e jogou de novo os búzios. Deu um grito fino: “Copa do Brasillll!!!!”, suspirou e disse: “hummm! Querido! Aí não é fácil. Não é fáciiilllll!!! O Santa parece que carrega um peso quando vai jogar a Copa do Brasil. É um carrego grande. Mas, talvez este ano, ele chegue um pouco mais adiante do que na última versão desta Copa”, disse ele bastante convicto. Meu amigos, quando falei de Série C, Pai Kuzé virou de vez um quartinho da temperada, falou umas palavras que não entendi, segurou a testa, fechou os olhos e jogou as conchas. O babalorixá botou pra suar e eu pra gelar. “E aí?”, eu perguntei. Ele fez um movimento circular na cabeça e previu, “apesar da falta de experiência em terceira divisão o Santa Cruz pode chegar à fase final. Meu querido, o começo vai ser atrapalhado e muito...

Leia Mais