A vida no limbo e outras bobagens

O papa acabou com o limbo. Massa, mas tem algo errado nessa estória. Se as criancinhas pagãs estão livres deste castigo, o mesmo não vale para as criancinhas, adultos e anciãos (cada vez mais velhos) torcedores do clube do Santo Nome. Talvez mais uma contradição da Santa Madre Igreja. A vida é assim, o que fazer? Por que cargas d’água a nossa vocação é sofrer? Ando cansado, de saco cheio, pra ser exato, de não comemorar. Ou melhor, de comemorar apenas antes de cada partida. Tem gente que culpa a Inferno Coral, por causa do nome, pela nossa situação. Proponho então a mudança para Limbo Coral, pois do céu ainda estamos bem longe. O limbo era lindo, tudo era festa, sem penas nem purificações. Apenas Deus não olhava, não olha, nem quer saber. Bento XVI acabou com ele. Disse que tudo não passava de uma hipótese, que as criancinhas pagãs vão para o céu. As criancinhas de Michael Jackson têm direito ao céu. As nossas criancinhas vão para o inferno da série D. Novamente vamos comemorar por antecipação. Tomara que Ricardo Teixeira, o verdadeiro deus do futebol brasileiro, não diga que o buraco, quer dizer, o inferno, é mais embaixo e crie uma série E. A vida no limbo é assim, não é o céu, nem o inferno. Há lugar para alegrias, mas não há a presença de Deus. Não há a glória. A glória somos nós mesmos. “Deus! Ó Deus! Onde estás que não respondes?” Bobagens, meu filho. Bobagens. Ontem tive uma depressão danada. Vi Rovérsio fazer um partidaço contra o Real Madrid de Kaká e Cristiano Ronaldo. Quarta, não vi ninguém capaz de segurar, de ganhar aquela bola na cabeça de Carlinhos Bala. Que diabos! Outro dia éramos formadores de zagueiros, hoje… Ganhar o pernambucano era importante para o nosso ego. Entendo, e até defendi que nossa prioridade era a vaga e, principalmente, formar uma boa base para a série D. Conseguimos, é verdade, mas precisamos de um título urgentemente. Falta humor, ganhar gera bom humor para quem vence. Que urucubaca danada é essa?! Racionalizando, podemos dizer que temos – tínhamos ou tivemos apenas contra o Botafogo – uma boa equipe. Bem armada e que sabia o que queria. Parece que temos um técnico. Confesso que ainda estou chateado com o que aconteceu quarta-feira. Não pela derrota, pois perder um clássico é normal, faz parte. O danado...

Leia Mais

Delírios

Antes, para meus leitores fiéis, uns versos do Chico Buarque. “Pensou que eu não vinha mais, pensou Cansou de esperar por mim Acenda o refletor Apure o tamborim Aqui é o meu lugar Eu vim…” A citação não é gratuita. Comemoro duas voltas. Ao Torcedor Coral, depois de algum tempo, e, principalmente, ao Arruda, minha casa mais querida. Por opção e algumas imposições, desde a malfadada partida contra o CSA, ano passado, eu não voltava ao Mundão. O que importa, porém, é que o bom filho a casa torna. Voltei ao Arruda contra o Botafogo e gostei do que vi. Mas vamos ao que interessa. Sou doido. Isso não é novidade pra ninguém. Meu psiquiatra, o Dr. Perrusi, já perdeu qualquer esperança de fazer-me voltar(?!) ao normal(?!?!). Não há Rivotril com coca-cola que dê jeito. Já usei todas as drogas e nada. Necas de pitibiriba. Entre as minhas doidices, há uma que adoro. É um dos meus remédios prediletos para a insônia. O outro é assistir a “Um lugar chamado Nothing Hill”. Penso que eu sou o bonitão do Hugh Grant e a Julia Roberts, milionária, está caidinha por mim. “Seus problemas acabaram!” Bem, voltemos. Quando vou dormir e o sono não vem, começo a delirar. No mais das vezes, penso que sou um craque. Tal qual Galeano nos seus sonhos, penso que sou o melhor do mundo de todos os tempos. Nos meus sonhos, sou uma mistura de Garricha, Pelé, Maradona, Messi, Van Basten, Romário, etc. Jogo pelo Santa Cruz e não abro nem para um trem. Semana passada, coincidentemente após a partida contra o Botafogo, houve uma noite dessas. Cheguei em João Pessoa com a adrenalina ainda lá em cima, por causa do jogo. Maria estava em Brasília. Eu estava só em casa e precisava acordar cedo no dia seguinte. Tomei um banho e fui para o quarto, liguei o ar-condicionado no mais forte possível e tentei dormir. Não consegui. Zapeei uns canais e nada de Julia Roberts. Desliguei a TV e tomei um alprazolam com suco de maracujá e chá de camomila. O sono não veio, mas deu barato. Deixei minha cabeça viajar. O problema é que de tanto sonhar que sou um craque, já não tenho mais criatividade para imaginar meus golaços. Assim, desta vez, resolvi delirar no extra-campo. Pois bem, era uma entrevista coletiva depois de mais uma grande atuação. O repórter pergunta sobre...

Leia Mais

Virando a casaca

Amigos, tenho que confessar, sou obrigado. Recentemente eu virei casaca. Não tenho nenhum problema em admitir. Futebol não vive só de derrotas e não tem amor que aguente tanta bordoada. É claro que essa decisão não foi tomada de supetão. Não, de forma nenhuma. Na verdade a decisão de virar a casaca sequer foi tomada. Foi algo que foi acontecendo e, de repente, eu já me vi torcendo fervorosamente para outro clube. Como se fosse o mais fanático dos torcedores. É preciso reconhecer também que eu já nutria alguma simpatia por este novo clube. Entretanto, só me dei conta disso, realmente, semana passada. O caso eu conto como o caso foi Quando cheguei à Espanha, na verdade antes de ir morar lá, eu me declarava um torcedor do Real Bétis Balompié. Não tenho a menor idéia de quando nasceu a simpatia pelo Bétis, mas sei perfeitamente quais foram os motivos. Fazendo uma comparação besta, o Bétis, acredito, é uma versão espanhola do Santa Cruz. Bem, uma versão um tanto melhorada, é verdade. É um dos clubes mais populares da Espanha, o 5º em preferência, ficando atrás apenas de Real Madrid, Barcelona, Valência e Atlhetic de Bilbao, nesta ordem. A torcida do Bétis, além de ser grande é tão apaixonada como a da sua versão brasileira, ou seja, os béticos são tão doidos como nós tricolores. Além da grandeza da torcida, há outras características que aproximam os dois times. O Bétis é de Sevilha, capital da Andaluzia e uma das regiões mais pobres e discriminadas da Espanha. Em segundo lugar, o arqui-rival do clube verde e branco é o Sevilla, que, da mesma forma que o nosso principal rival, tem uma mania de grandeza desgraçada. O famoso come queijo de coalho e arrota queijo do reino. Tudo bem que o Sevilla está no seu melhor momento histórico e deve andar provando uns queijinhos melhores, mas a essência é a mesma. Portanto, também não é preciso dizer que, além de bético, virei um antisevillista convicto. O problema, amigos, é que o Bétis também resolveu copiar o Santa Cruz nos resultados. O clube espanhol, na temporada passada, andou perdendo pra gato e cachorro. Como no futebol quem perde se lasca, a esquadra andaluza acabou rebaixada. Tudo bem que ainda é o primeiro rebaixamento, mas se algo não mudar politicamente ali dentro, pode ser o primeiro de muitos. Nem adianta discutir, o diagnóstico...

Leia Mais

Da série recordar é viver

Arte: Rubem Junior, Santa Desde 1914 Amigos, enquanto os bons momentos não voltam, aproveito a deixa de Dimas, que já pegou o rebote de uma jogada de Paulinho, da sexta passada, faço a linha saudosista e sigo a série recordar é viver. O texto foi baseado numa história que eu já havia contado num blog que eu criei em 2005, chamado “Monumentais Histórias Tricolores”. Como ninguém, absolutamente ninguém, leu aquele blog, o texto, apesar de não ser totalmente novo, pode ser considerado inédito. Aproveito a deixa também para homenagear um dos personagens que aparecem no texto, no fim do texto, pra não haver confusão de tios. É um tio meu que está bem doente, internado há mais de três meses num hospital da cidade. Ontem ele foi novamente transferido para a UTI. Assim, utilizo o texto como uma forma de lhe mandar um grande abraço. Era 18 de dezembro de 1983. Um domingo de muito sol no Recife. Era também aniversário de um primo meu, acho que ele completaria 4 ou 5 anos. Estávamos em Tamandaré de férias. Na sexta-feira anterior, meu pai tinha ido a Barreiros fazer a feira e voltou com três camisetas tricolores. Tinha, então, 9 anos e me lembro muito bem daquele dia. Estava deitado com meu irmão mais velho na rede quando meu pai chegou, jogou as camisas em cima de gente e disse: – Vamos ao jogo domingo, o Santinha será Tri-super-campeão. Quase não acreditei. Seria a primeira final de campeonato que eu iria ver no Arruda. Meu pai passou a nos contar como foram os outros dois títulos e nos explicou o que significava um Super-campeonato. Sabe como é que é, né? É preciso sedimentar bem determinadas escolhas. No sábado acordamos cedo e fomos para Recife. Passamos o dia visitando alguns parentes. Mais que um programa de índio, aquelas visitas eram um verdadeiro projeto FUNAI, como diria Henfil. Eu queria mesmo era ir pro jogo. Enfim chegou o domingo, dia do jogo. Porém, ainda tivemos que ir visitar um tio que estava muito doente. Não sei se ele era tricolor, penso que sim. Aquela visita durou umas 10 horas, o tempo não passava de jeito nenhum. Lembro apenas de entrar todo orgulhoso no hospital Português, com o peito estufado em três cores. Quando ainda caminhávamos pelo corredor, um velhinho – acho que algum paciente da ala de psiquiatria – disse que o...

Leia Mais

Pingos nos “is”

Depois de uma série de textos pessimistas e enlouquecidos, daqueles que só nos jogam pra baixo, acho que chegou a hora de virarmos de uma vez essa página. Choveram críticas ao nosso presidente depois do anúncio das mudanças administrativas que serão levadas a cabo no nosso amado Clube. A meu ver, todas injustas. Não vou aqui detalhar as novidades, pois creio que todo tricolor já sabe o que ficou decidido e quais as nossas prioridades para a próxima encarnação. Vou apenas colocar os pingos nos “is” e desmistificar essa história absurda de Lado Escuro da Força. Diferente dos companheiros deste maravilhoso Blog, eu penso que o nosso presidente fez uma jogada de mestre. Aliás, mesmo que a jogada não fosse de mestre, temos que reconhecer que foi uma jogada de mestre. O conselho consultivo cala duas bocas de um único murro. Cala a boca dos que o criticavam por não promover a união de todos os tricolores, com um conselho; e cala a boca também dos pessimistas de plantão, incapazes de reconhecer os diversos serviços prestados ao clube – falarei sobre isso adiante – pelos nossos ex-dirigentes, com o consultivo. Como estamos carecas de saber, a nossa diretoria de futebol esse ano foi bastante inexperiente. Nosso presidente, entretanto, não errou. Se ele errou, não foi culpa dele. Todos sabemos que, apesar do regime ser presidencialista, quem errou feio mesmo foi a diretoria. Devemos dar a césar o que é de césar, o nosso fiasco na dificílima série D não foi culpa do FBC. Como já disse, a culpa foi da inexperiência. Pois bem, dada a inexperiência da nossa diretoria de futebol, FBC foi obrigado a trazer as velhas lideranças de volta, sem guardar rancores do passado mirando apenas o futuro. Temos que seguir em frente. O precipício está logo aí. Alguns companheiros, no entanto, deram chiliques com essa notícia. São uns desagregadores. Amigos, vamos deixar essa frescura de LEF de lado. Precisamos de união. Temos que reconhecer os grandes serviços prestados por estes grandes tricolores. São verdadeiros amantes do clube. Clube e dirigentes são como se fosse uma coisa só. Um único corpo, uma só alma, um só coração, a mesma roupa. Não podemos deixar de levar em consideração a experiência administrativa, futebolística e “extra-campística” dos grandes tricolores que tão bem comandaram o clube nos últimos anos. Qual o tricolor que não se lembra quando o glorioso Zé Neves...

Leia Mais

Prioridades

Amigos, a fase de seca é dura, como é duro torcer para o Santa Cruz ultimamente. Mudamos a piada, nóis até goza, mas nois sofre! E como sofre! O momento, entretanto, não é para brincadeiras e vou falar sério. Vamos lá. Na falta do que fazer para preencher o vazio deixado pelo Mais Querido e na tentativa desesperada de fazer rapidamente o luto pela nossa desclassificação “prematuramente prematura” da tradicionalíssima série d, passei as últimas semanas apenas lendo os comentários dos diversos blogues corais. Tive até vontade de comentar algo, mas fiquei com preguiça. Sabe como é que é, né? Nessa fase de luto tudo é muito estranho. Muito estranho mesmo. Imaginem, nem site de sacanagem tive vontade de visitar. Fiquei sem palavras e quem me conhece sabe bem o grau da enfermidade quando fico sem palavras. Mas o papo é sério e vamos lá de novo, desta vez na voz de Noite Ilustrada: “reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima.” Dos trocentos comentários que li, vários tocavam no mesmo ponto: quem deve ser o novo técnico coral. Vários nomes foram sugeridos, alguns interessantes, outros nem tanto. Adianto que não tenho a menor idéia sobre o melhor nome para treinar O Mais Querido. Sei apenas o perfil do treinador que desejo. Quero um treinador ao estilo Guardiola. Jovem, que sabe motivar um grupo e, principalmente, porque aposta na base. Hoje em dia, há basicamente duas maneiras de se formar um time de futebol. Carteira x canteira, como dizem os espanhóis. Em outras palavras, ou você compra, ou você forma. Este ano, essas duas maneiras estão bem visualizadas nas duas principais equipes da terra da paella. Enquanto o Madrid abriu a carteira para comprar alguns dos melhores jogadores do mundo, o Barça deixou claro que seguirá apostando na base. Uma entrevista de Guardiola, essa semana, foi emblemática. Ele disse que se o clube não puder contratar jogador que faça a diferença, ele prefere que não contratem ninguém, pois aposta na base. Aliás, recentemente, na disputa pelo troféu Joan Gamper, contra o Manchester City, uma partida simbólica para a equipe catalã, Guardiola escalou quase a equipe b. Não ganhou, mas teve a certeza que poderá contar com alguns jogadores da casa durante a temporada que apenas começou. Vários jornalistas reclamaram da atitude do treinador. Eu penso que ele tinha razão, afinal, na...

Leia Mais
2 de 4123...