Depois de botões, camisas

Não costumo comprar as camisas oficiais do Santa Cruz. Quer dizer, não costumo comprar as camisas oficiais atuais. Não falo exclusivamente das da Pênalty. Na verdade, sempre compro o modelo anterior ao que o clube está usando. A razão é muito simples. Nunca me sobram 100 pilas para comprar a camisa. Aliás, discordo do presidente, 100 reais é muito caro para uma camisa, ainda que seja a camisa do seu clube amado. Até entendo que é dinheiro que entra pro clube e tal, mas a verdade é que eu preciso comer e ir aos jogos, ainda que de vez em quando. Pra ser mais sincero, não gosto desses tecidos ultra-modernos. Prefiro uma boa e velha camisa de algodão. Tenho a maior inveja de Joãozinho, que vai pro Arruda com uma camisa de listras verticais, bem antiga, acho que dos anos 70. A propósito, aí vai uma sugestão. É possível fazer uma camisa oficial de algodão? Pode ser um modelo mais simples, inclusive. Só comprei a camisa da hora uma vez. Foi no dia 26 de novembro de 2005. Antes da partida contra a Portuguesa. Naquele dia, estava possesso. Parecia que eu havia cheirado todas as linhas existentes no mundo. (Papai, sinto informar, mas seu filho é um drogado. Eu gosto de drogas pesadas, sou viciado em Santa Cruz Futebol Clube). Enfim, naquele dia tava o cão. Saí de João Pessoa umas 10 da manhã, em companhia de um amigo que gosta de brincar de Barbie (era o dono do carro) e nossas respectivas senhoras, que odeiam futebol. Durante toda a viagem, minha preocupação era apenas uma: será que a lojinha do clube aceita cartão de crédito? E se aceita, em quantas vezes divide? Pois bem, chegamos ao Recife e fomos almoçar, não lembro onde. Acho que num restaurante da Madalena. Talvez João da carne de sol. Comi pouco, estava aperreado. Não me preocupava a partida, andava apertado com as contas e sabia que se chegasse em casa com uma camisa oficial, ia rolar uma discussão. Minha proprietária não entenderia aquele ato como um investimento, mas como um mero gasto desnecessário. Quem conhece a dileta senhora sabe do que falo. Enfim, a pergunta continuava martelando a minha cabeça. Será que a lojinha do clube aceita cartão de crédito? E se aceita, em quantas vezes divide? Comemos e fomos em direção aos jogos. As garotas me deixaram em frente à Tamarineira...

Leia Mais

Cá com meus botões

Arte sobre foto: Dimas Lins Logo de cara vou dizendo que meus botões não são os mesmos botões de Artur, e são. Aproveito, pero no mucho, a linha de passe entre Artur, Betinho e Chico Buarque para escrever esse texto. Ao ouvir, essa semana, pela enésima vez o tricolor Chico Buarque – que já deve estar rouco – repetir a história do dia em que jogou com seus botões, pensei no Santa Cruz. A primeira pergunta que me veio à cabeça foi: quem foram os meus botões? Depois, quem são os nossos botões? A resposta da primeira já foi antecipada nos comentários do texto anterior. Tive botões com tudo que é nome, os únicos fixos eram os goleiros Luis Neto e Birigui. Jogavam os dois. É a minha contra-máxima, se craque joga até no gol, goleiro craque joga até na linha. O pero no mucho veio na terça passada, depois da sagrada pelada semanal. No caminho de volta pra casa, o papo comigo é sempre o mesmo. Toda semana aparece um novo interlocutor futebolístico. A primeira pergunta sempre é a mesma, de qual equipe é a minha camisa. Alguns confundem com a do São Paulo, nos dias em que vou com a branca. Repito sem cansar, e quase cansado, a mesma história. Começo explicando que o time se chama Santa Cruz. Diante da própria ignorância, me perguntam se está na primeira divisão. Resignado, respondo que estamos na série d. Eles então concluem que é uma equipe de pueblecito, que é como os espanhóis chamam as pequenas cidades. Respondo que não, que é de uma cidade gigante e caótica, se comparada às cidades espanholas. Ganho fôlego, falo um pouco sobre Recife e volto ao Santa Cruz. Digo que é um clube tradicional, que durante muitos anos era um dos mais temidos do Brasil. Eles estranham, não entendem. Comento das gestões passadas e sigo dizendo que temos um estádio para 100 mil pessoas e que, mesmo na série d, temos uma média de 30 mil pessoas por partida. Digo que nossa Torcida é melhor e mais apaixonada que a do Boca e a do Liverpool juntas. Então dou o golpe final: – O Santa Cruz é a equipe de Rivaldo. – Siiiiii???!!! Perguntam-me incrédulos. – Sim, de Rivaldo. Confirmo. Digo até que tenho uma camisa que foi de Rivaldo, de uma de suas primeiras partidas como profissional. Bem, ainda não tenho...

Leia Mais

Santa Cruz Futebol e Cultura

Amigos, confesso que ando cansado, sem muito saco pra escrever. Aliás, para escrever sobre futebol tem que ter alegria e, convenhamos, alegria tem sido artigo de luxo nas bandas do Arruda ultimamente. Fico aqui dando voltas na frente do computador, buscando alguma idéia e nada… estou na mais profunda seca! Outro dia, conversando com Dimas sobre a situação do mais querido, chegamos à conclusão de que do mato do Santinha não sai nem mato, quem dirá coelho. Taí, achei o mote! Essa semana, sobretudo no dia seguinte à derrota frente ao esquadrão do Icasa, se falou muito em refundação do Santa Cruz. Alguns comentários postados no Blog do Santinha, além de alguns artigos publicados pela imprensa pernambucana tocaram no assunto. Não sei se falavam no sentido figurado ou não. Mas não importa. Resolvi também entrar também nessa jogada e passar a defender a refundação como única forma de sobrevivência digna do Mais Querido. Digo sobrevivência digna, porque acredito que possamos reverter essa situação e conseguir a nossa tão sonhada manutenção na série C. Aliás, todo torcedor é um crédulo por natureza. Se eu mesmo fui fiscal do Sarney – fazia questão de ir ao supermercado com minha tabela na mão só para conferir o preço do iogurte de morango – imagina se não acredito que podemos ganhar do Icasa, Campinense e Salgueiro? Mas vamos em frente. Gostei muito do texto do Roberto Vieira, aí embaixo, mas tô cansado de perder quase sempre ou de comemorar empate heróico contra o campinense, com todo respeito que a equipe paraibana merece. “O amor cresce na derrota”, ele disse, mas eu digo que o amor também cansa da derrota de sempre. Quero preferir, nem que seja uma vez na vida, Pelé a Garrincha. O Brasil que deu certo frente ao Brasil que morreu pobre, porém amado. Ou, como diria Caetano, “queria querer gritar setecentas mil vezes como são lindos os burgueses”, melhor, quero ser Burguês! Quero ganhar título e dinheiro. Esqueçam a balela do meu último texto. Não quero me vangloriar de ter a torcida mais fiel. Podem me chamar de torcedor de resultados, pois quero resultados mesmo. Viva a lógica instrumental! Mas deixando de devaneios e voltando ao tema principal, não acredito que possamos voltar a ser o que fomos. Acho que o Santa Cruz Futebol Clube é um doente terminal e duvido que o Dr. House* seja capaz de dar jeito....

Leia Mais

Corrente, esse é um time que vai pra frente

Encontrei um amigo tricolor na saída do trabalho e ele veio feliz da vida comentar que o Torcedor Coral assumiu o primeiro lugar entre os blogues esportivos pernambucanos no ranking da Technorati, segundo o Acerto de Contas. – Quer dizer que agora vocês têm mais acessos do que o Blog do Santinha? – Er… Bem… Ainda não. Mas olha que os caras já estão ficando preocupados! – Ah! E o que significa então esse ranking, hein? Tive dificuldade em explicar de forma simples o seu significado. A melhor forma que encontrei foi essa. – Camarada, o ranking da Technorati mede o cinismo! Somos agora o blog esportivo mais cínico de Pernambuco! – Puxa! É isso aí. Agora é só manter a liderança. E liderança se mantém trazendo mais cínicos para o blog. Há tempos o Torcedor Coral tornou-se um blog nacional, pois espalhou correspondentes nas praças esportivas – e em outros locais – mais importantes do país, como a Praça de Casa Forte, a praia de Intermares, na Paraíba, e um sítio em Varginha, Minas Gerais. Aliás, a escolha de Varginha foi estratégica. Lá, pretendemos construir a nossa base para um contato imediato do terceiro grau com extraterrestres. A idéia é, no futuro, levar o nome do Santinha para todas as galáxias. Seremos os verdadeiros galácticos! Mas, antes do universo, é preciso conquistar o mundo. Para entender melhor o processo de modernização que atravessa o Santa Cruz, era necessário fincar raízes no velho continente, pois lá certamente se encontram os clubes que tanto inspiram a diretoria coral. E foi isso o que fizemos. O Torcedor Coral tornou-se um blog altamente internacional com a contratação do nosso correspondente Bosquímano, que passa a transmitir informações e opiniões controversas diretamente da Espanha. O contrato de Bosquímano foi fechado semana passada e teve grande repercussão na imprensa espanhola, além de afetar a bolsa de valores de Intermares. A negociação foi conturbada, pois o nosso correspondente exigia salário em Euro ao invés de Merreca, a moeda oficial do Torcedor Coral. Outro ponto polêmico foi a liberdade de imprensa. Bosquímano lutou pelo direito de defender o presidente do Santa Cruz, nem que fosse apenas de sacanagem. Democraticamente, concedemos a autorização, desde que o autor, em seus artigos, se referisse ao presidente do clube como cabeção. Finalmente, todos os impasses foram resolvidos com a chegada de seu procurador ao Brasil, que assinou o contrato sob o efeito...

Leia Mais
3 de 3123