Virando a casaca

Amigos, tenho que confessar, sou obrigado. Recentemente eu virei casaca. Não tenho nenhum problema em admitir. Futebol não vive só de derrotas e não tem amor que aguente tanta bordoada. É claro que essa decisão não foi tomada de supetão. Não, de forma nenhuma. Na verdade a decisão de virar a casaca sequer foi tomada. Foi algo que foi acontecendo e, de repente, eu já me vi torcendo fervorosamente para outro clube. Como se fosse o mais fanático dos torcedores. É preciso reconhecer também que eu já nutria alguma simpatia por este novo clube. Entretanto, só me dei conta disso, realmente, semana passada. O caso eu conto como o caso foi Quando cheguei à Espanha, na verdade antes de ir morar lá, eu me declarava um torcedor do Real Bétis Balompié. Não tenho a menor idéia de quando nasceu a simpatia pelo Bétis, mas sei perfeitamente quais foram os motivos. Fazendo uma comparação besta, o Bétis, acredito, é uma versão espanhola do Santa Cruz. Bem, uma versão um tanto melhorada, é verdade. É um dos clubes mais populares da Espanha, o 5º em preferência, ficando atrás apenas de Real Madrid, Barcelona, Valência e Atlhetic de Bilbao, nesta ordem. A torcida do Bétis, além de ser grande é tão apaixonada como a da sua versão brasileira, ou seja, os béticos são tão doidos como nós tricolores. Além da grandeza da torcida, há outras características que aproximam os dois times. O Bétis é de Sevilha, capital da Andaluzia e uma das regiões mais pobres e discriminadas da Espanha. Em segundo lugar, o arqui-rival do clube verde e branco é o Sevilla, que, da mesma forma que o nosso principal rival, tem uma mania de grandeza desgraçada. O famoso come queijo de coalho e arrota queijo do reino. Tudo bem que o Sevilla está no seu melhor momento histórico e deve andar provando uns queijinhos melhores, mas a essência é a mesma. Portanto, também não é preciso dizer que, além de bético, virei um antisevillista convicto. O problema, amigos, é que o Bétis também resolveu copiar o Santa Cruz nos resultados. O clube espanhol, na temporada passada, andou perdendo pra gato e cachorro. Como no futebol quem perde se lasca, a esquadra andaluza acabou rebaixada. Tudo bem que ainda é o primeiro rebaixamento, mas se algo não mudar politicamente ali dentro, pode ser o primeiro de muitos. Nem adianta discutir, o diagnóstico...

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Da série recordar é viver

Arte: Rubem Junior, Santa Desde 1914 Amigos, enquanto os bons momentos não voltam, aproveito a deixa de Dimas, que já pegou o rebote de uma jogada de Paulinho, da sexta passada, faço a linha saudosista e sigo a série recordar é viver. O texto foi baseado numa história que eu já havia contado num blog que eu criei em 2005, chamado “Monumentais Histórias Tricolores”. Como ninguém, absolutamente ninguém, leu aquele blog, o texto, apesar de não ser totalmente novo, pode ser considerado inédito. Aproveito a deixa também para homenagear um dos personagens que aparecem no texto, no fim do texto, pra não haver confusão de tios. É um tio meu que está bem doente, internado há mais de três meses num hospital da cidade. Ontem ele foi novamente transferido para a UTI. Assim, utilizo o texto como uma forma de lhe mandar um grande abraço. Era 18 de dezembro de 1983. Um domingo de muito sol no Recife. Era também aniversário de um primo meu, acho que ele completaria 4 ou 5 anos. Estávamos em Tamandaré de férias. Na sexta-feira anterior, meu pai tinha ido a Barreiros fazer a feira e voltou com três camisetas tricolores. Tinha, então, 9 anos e me lembro muito bem daquele dia. Estava deitado com meu irmão mais velho na rede quando meu pai chegou, jogou as camisas em cima de gente e disse: – Vamos ao jogo domingo, o Santinha será Tri-super-campeão. Quase não acreditei. Seria a primeira final de campeonato que eu iria ver no Arruda. Meu pai passou a nos contar como foram os outros dois títulos e nos explicou o que significava um Super-campeonato. Sabe como é que é, né? É preciso sedimentar bem determinadas escolhas. No sábado acordamos cedo e fomos para Recife. Passamos o dia visitando alguns parentes. Mais que um programa de índio, aquelas visitas eram um verdadeiro projeto FUNAI, como diria Henfil. Eu queria mesmo era ir pro jogo. Enfim chegou o domingo, dia do jogo. Porém, ainda tivemos que ir visitar um tio que estava muito doente. Não sei se ele era tricolor, penso que sim. Aquela visita durou umas 10 horas, o tempo não passava de jeito nenhum. Lembro apenas de entrar todo orgulhoso no hospital Português, com o peito estufado em três cores. Quando ainda caminhávamos pelo corredor, um velhinho – acho que algum paciente da ala de psiquiatria – disse que o...

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Pingos nos “is”

Depois de uma série de textos pessimistas e enlouquecidos, daqueles que só nos jogam pra baixo, acho que chegou a hora de virarmos de uma vez essa página. Choveram críticas ao nosso presidente depois do anúncio das mudanças administrativas que serão levadas a cabo no nosso amado Clube. A meu ver, todas injustas. Não vou aqui detalhar as novidades, pois creio que todo tricolor já sabe o que ficou decidido e quais as nossas prioridades para a próxima encarnação. Vou apenas colocar os pingos nos “is” e desmistificar essa história absurda de Lado Escuro da Força. Diferente dos companheiros deste maravilhoso Blog, eu penso que o nosso presidente fez uma jogada de mestre. Aliás, mesmo que a jogada não fosse de mestre, temos que reconhecer que foi uma jogada de mestre. O conselho consultivo cala duas bocas de um único murro. Cala a boca dos que o criticavam por não promover a união de todos os tricolores, com um conselho; e cala a boca também dos pessimistas de plantão, incapazes de reconhecer os diversos serviços prestados ao clube – falarei sobre isso adiante – pelos nossos ex-dirigentes, com o consultivo. Como estamos carecas de saber, a nossa diretoria de futebol esse ano foi bastante inexperiente. Nosso presidente, entretanto, não errou. Se ele errou, não foi culpa dele. Todos sabemos que, apesar do regime ser presidencialista, quem errou feio mesmo foi a diretoria. Devemos dar a césar o que é de césar, o nosso fiasco na dificílima série D não foi culpa do FBC. Como já disse, a culpa foi da inexperiência. Pois bem, dada a inexperiência da nossa diretoria de futebol, FBC foi obrigado a trazer as velhas lideranças de volta, sem guardar rancores do passado mirando apenas o futuro. Temos que seguir em frente. O precipício está logo aí. Alguns companheiros, no entanto, deram chiliques com essa notícia. São uns desagregadores. Amigos, vamos deixar essa frescura de LEF de lado. Precisamos de união. Temos que reconhecer os grandes serviços prestados por estes grandes tricolores. São verdadeiros amantes do clube. Clube e dirigentes são como se fosse uma coisa só. Um único corpo, uma só alma, um só coração, a mesma roupa. Não podemos deixar de levar em consideração a experiência administrativa, futebolística e “extra-campística” dos grandes tricolores que tão bem comandaram o clube nos últimos anos. Qual o tricolor que não se lembra quando o glorioso Zé Neves...

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Prioridades

Amigos, a fase de seca é dura, como é duro torcer para o Santa Cruz ultimamente. Mudamos a piada, nóis até goza, mas nois sofre! E como sofre! O momento, entretanto, não é para brincadeiras e vou falar sério. Vamos lá. Na falta do que fazer para preencher o vazio deixado pelo Mais Querido e na tentativa desesperada de fazer rapidamente o luto pela nossa desclassificação “prematuramente prematura” da tradicionalíssima série d, passei as últimas semanas apenas lendo os comentários dos diversos blogues corais. Tive até vontade de comentar algo, mas fiquei com preguiça. Sabe como é que é, né? Nessa fase de luto tudo é muito estranho. Muito estranho mesmo. Imaginem, nem site de sacanagem tive vontade de visitar. Fiquei sem palavras e quem me conhece sabe bem o grau da enfermidade quando fico sem palavras. Mas o papo é sério e vamos lá de novo, desta vez na voz de Noite Ilustrada: “reconhece a queda e não desanima, levanta sacode a poeira e dá a volta por cima.” Dos trocentos comentários que li, vários tocavam no mesmo ponto: quem deve ser o novo técnico coral. Vários nomes foram sugeridos, alguns interessantes, outros nem tanto. Adianto que não tenho a menor idéia sobre o melhor nome para treinar O Mais Querido. Sei apenas o perfil do treinador que desejo. Quero um treinador ao estilo Guardiola. Jovem, que sabe motivar um grupo e, principalmente, porque aposta na base. Hoje em dia, há basicamente duas maneiras de se formar um time de futebol. Carteira x canteira, como dizem os espanhóis. Em outras palavras, ou você compra, ou você forma. Este ano, essas duas maneiras estão bem visualizadas nas duas principais equipes da terra da paella. Enquanto o Madrid abriu a carteira para comprar alguns dos melhores jogadores do mundo, o Barça deixou claro que seguirá apostando na base. Uma entrevista de Guardiola, essa semana, foi emblemática. Ele disse que se o clube não puder contratar jogador que faça a diferença, ele prefere que não contratem ninguém, pois aposta na base. Aliás, recentemente, na disputa pelo troféu Joan Gamper, contra o Manchester City, uma partida simbólica para a equipe catalã, Guardiola escalou quase a equipe b. Não ganhou, mas teve a certeza que poderá contar com alguns jogadores da casa durante a temporada que apenas começou. Vários jornalistas reclamaram da atitude do treinador. Eu penso que ele tinha razão, afinal, na...

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O Pagão de meu pai

Desde que consigo argumentar sobre futebol com meu velho pai, ouço-o endeusar Maradona. Para ele, o argentino é insuperável. Meu velho não cansa de repetir: “Tudo o que Pelé fez com duas pernas, cabeça, tronco e membros, Maradona fez apenas com a perna esquerda.” Tem uma certa lógica, mas não concordo, até porque Pelé foi mais completo. Para mim, Pelé foi o melhor e pronto. Ponto! A verdade é que sempre me doeu os ouvidos de tanto meu pai falar del Pibe. “Pelé nunca ganhou uma copa sozinho. Em 86, só deu Dom Diego”, segue a ladainha. Comecei a acompanhar copas do mundo a partir do mundial da Espanha. Lembro-me muito bem de meu velho falando que a seleção de 82 só tinha “armandinho” (designação para jogadores de meio campo que só criavam, mas não finalizavam). Era pura maldade com aquele time, que até hoje não sai da minha cabeça. Notava uma certa raiva no velho. Em 86, era o time dos armandinhos envelhecidos. “Se no auge da forma perdemos, imagina agora”, dizia. Quatro anos mais tarde veio a famigerada copa da Itália, com o mais famigerado ainda Lazzaroni (esse sujeito deveria ser banido do futebol) e aquela seleção retrancada, jogando um “catenaccio” de primeira qualidade. Não deu outra, perdeu. Onde já se viu uma seleção brasileira jogar à italiana? Mesmo assim, quase saio no tapa com o velho. Não agüentei sua perturbação no meu juízo por causa daquela jogada genial de Maradona e o passe pro Caniggia nos mandar de volta pra casa. Estados Unidos 94, o mesmo “catenaccio”, mas dessa vez ganhamos. Tínhamos Romário para fazer a diferença. Ao notar que minha mãe estava feliz, sobretudo pelos filhos poderem finalmente comemorar um título mundial da seleção, meu pai não perdeu a chance de provocar e emendou: “Com um time desses, era melhor ter perdido”. Não lhe dou razão, mas não guardo muito afeto por aquela seleção. Em 98, foi aquela coisa de amarelar pra cá, amarelar pra lá. Nike, Adidas, etc. Concordei com ele, ainda que com ódio mortal dos franceses. Chegou 2002, nessa copa, estranhamente ele torceu pelo Brasil. Eu nunca havia visto meu pai torcer pela seleção. O que teria acontecido? A resposta é simples. Naquele time havia Rivaldo. Criado no tricolor, colocado pra fora por pressão da torcida, mas tricolor de verdade. Rivaldo vinha sendo esculachado pela imprensa, sobretudo a do sudeste, capitaneada por...

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Uma plantação de abobrinhas

Por culpa da entressafra do Santinha, vou aproveitar a deixa de Artur e seguir na mesma linha do seu texto. Aliás, o texto dele rende umas quinze teses sobre futebol. Aqui, entretanto, vou abordar apenas a questão do jogo bonito e seu arqui-rival futebol de resultados. Vou defender a idéia de que o verdadeiro futebol brasileiro está vivo e ganhando títulos. Antes de começar, e para que fique bem clara a minha preferência nesse tabuleiro, digo de cara que a única equipe no mundo que tem permissão divina para ganhar jogando na retranca (ou com gol de mão, impedido e aos 50 minutos de segundo tempo) é o Santa Cruz. O resto, para conquistar a minha importantíssima admiração, tem que jogar, ou pelo menos tentar jogar um futebol bonito e de ataque. No meu time dos sonhos volante brucutu joga de gandula. Da mesma forma que o nobre psiquiatra de intermares, não entendo o porquê da incompatibilidade de beleza e resultado no futebol. Algumas vezes penso que essa idiotice nasceu da inveja que Parreira e Zagallo tinham do Telê. Inveja pelo carinho com que aquela Seleção de 82 é lembrada até hoje. Zagallo, verdade seja dita, que foi muito importante em 70, e Parreira chegaram a gritar aos quatro ventos e a quarenta e quatro microfones que o time de 82 era uma porcaria porque perdeu. Tudo para justificar o feio, porém bem jogado, futebol de 94. Aqui cabe um esclarecimento: jogar bem não é necessariamente jogar bonito. O time de 94 jogou bem, feio como a cara do Parreira, mas jogou bem. O engraçado, é que dos cinco títulos mundiais que temos, em três ganhamos jogando um belíssimo futebol de resultados, e que resultados! 5×2 na Suécia; 3×1 na Tchecoslováquia e 4×1 na Itália. Ganhamos uma jogando mais ou menos bonito, 2002. Em 94 ganhamos de 0x0, numa das finais mais enfadonhas da história do futebol. Nem vou falar em Lazaroni por aqui. Seria uma baita covardia. Mas vamos pra frente. Diferente de Artur, entretanto, não dou essa batalha por perdida. Acredito que o futebol força não venceu. Recuso-me a deixar cair a minha ficha com a cara do Dunga. Aliás, a minha ficha tem a cara abusada do Luis Aragonés, o Telê Santana do país do flamenco, do azeite e da paella. Portanto, nobre psiquiatra, não se preocupe com os sub-25. Eles não sabem o que dizem,...

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