Sobre confeiteiros, farinha y otras cositas más

Sobre confeiteiros, farinha y otras cositas más

Esses dias, numa conversa no grupo do WhatsApp do Torcedor Coral discutíamos sobre qual era nossa principal peça: o elenco ou o técnico? Uns diziam ser o treinador, outros o elenco. Durante a conversa, Santana Moura fez a seguinte provocação: por melhor que seja o confeiteiro, sem boa farinha não há um bom bolo.

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Bobagens de um observador míope

Bobagens de um observador míope

Bem amigos do Torcedor Coral, desde a heroica conquista do acesso à série A que não escrevia neste espaço, de modo que não pretendo usar a partida contra o Bahia como mote para este texto. A ideia é escrever sobre o que ando percebendo nesse começo de ano do Clube do Santo Nome. Impressões, bobagens, viagens... coisa que qualquer torcedor que se preze costuma fazer.

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O Sr. sabe lá o que é Santa Cruz?

O Sr. sabe lá o que é Santa Cruz?

Dando uma olhada nas redes sociais, buscando a repercussão do Título do Santinha, não foi incomum encontrar vários comentários dos nossos irmãos bicolores diminuindo nossa conquista. Fazendo graça com ela e conosco. Foram coisas do tipo: “Série C? Que merda! Sou elite!” ou “Os banguelos (mundiça) estão em festa”, ou ainda “Hoje não haverá crimes no Recife”. Enfim, toda sorte de humor do mais alto padrão Danilo Gentile de ser. Perdoai-vos, ó Pai, eles não sabem o que dizem! Não sabem mesmo. Um dos bicolores, cujos simpatizantes costumam abrir a boca pra gritar “Eu sou elite!” é o mesmo que repete o mantra, numa tola tentativa de acreditar em si mesmo, que é campeão brasileiro de 87. O curioso é que esta mesma elite a qual ele diz pertencer, esta mesma elite, é a que lhe põe o dedo na cara e mostra a verdade incontestável. O verdadeiro campeão é outro bicolor, o carioca. Pouco importa o que a credibilíssima CBF diga. O mundo sabe a verdade! O outro bicolor, coitado, vive de um tal hexa do passado. Sua maior glória é ser um clube de brancos e riquinhos da gloriosa aristocracia recifense. Seu mais importante título é o de ser o último clube do país a aceitar jogadores negros. Como cantava Cazuza, eu uma das suas piores canções, “são caboclos querendo ser ingleses”! O que eles não entendem, nem nunca vão entender, é que nós não precisamos de nenhum título pra provar nossa grandeza. Não precisamos da tal razão instrumental criada pelo mercado que usa como medida a quantidade em ouro, neste caso troféu, que cada um tem. Nós não precisamos ter nada. Nós somos poesia, eles são como bandas de forró de plástico. A nossa grandeza é simplesmente existir. A nossa grandeza reside na atrevimento daqueles garotos pobres e pretos, proibidos de entrar nos clubes ingleses do Recife, que ousaram criar um clube de futebol diferente de tudo o que era permitido nas altas rodas. A nossa maior grandeza é a capacidade de chorar e de sorrir mostrando todos os dentes. Os que existem e os que faltam! A nossa grandeza é a nossa própria história. Nós somos o que eles mais temem. Somos o povo! Pretos, pobres, desdentados, dos morros, das favelas, das empregadas domésticas… Somos o clube da inclusão social. Foi graças a nossa história que não acabamos. Eles, se tivessem passado pelo que nós...

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A volta do regresso

A volta do regresso

Era o dia seguinte ao bi campeonato e eu estava ensinando os sons dos animais a Vicente, meu filho. – Como é que a vaquinha faz? – Moooommmmm; – E o carneirinho? – Bééééééé; – O cachorrinho? – Au! Au! Au! – E o leão? – Hummm, eheeeee, uheeeeeeee… De repente, toca o telefone. Era Dimas. Quem já falou com o nosso editor-mor sabe o quanto o sujeito é educado, além de inteligente, de escrever melhor do que ninguém, enfim, todo mundo sabe o quanto o editor-mor é genial, por assim dizer. Mas, como eu ia dizendo, ele, estranhamente sequer deu bom dia, nem perguntou se eu tava de ressaca da vitória. Nada! Nem bem eu disse alô, veio a lapada: – Hora da verdade: você ainda pretende escrever para o TC? – Ehhhh, um minutinho – respondi. Desliguei o telefone antes que pudesse respirar. Parei, pensei e escutei uma voz diabólica: – Você é um homem ou um prato de papa, rapaz? – Veja bem, senhora voz, é que ando sem saber sobre o que escrever, sem muita criatividade e além do mais o Santinha ultimamente… – O Santinha ultimamente foi bi campeão pernambucano, carai! Ganhou da coisa dentro do chiqueiro, reabriu a casa dos festejos! – É, é verdade, senhora voz, e ainda saiu da série D – complementei. – Então, você é um homem ou um bago de jaca? – Tá, tá, tá certo. Vou pensar. Diminhas, que não estava muito paciente, dois dias depois resolveu usar um meio mais eficaz e enviou-me um e-mail curto e grosso. Hora da verdade: você ainda pretende escrever para o TC? Liguei para o meu psiquiatra, Dr. Perrusi, marquei uma hora extra e comecei a falar desesperado sobre o que significa escrever sobre o Santa Cruz, da importância, da minha falta de criatividade, que tinha perdido o bom humor… – Deixa de frescura rapaz! Tás parecendo uma Barbie! – esbravejou Dr. Perrusi. Você tá querendo me ensinar a importância do Santinha? Esqueceu que eu sou e Editor-Minor do TC, foi? Deixe logo de viadagem e volte a escrever! Tomei coragem, respirei fundo e respondi o e-mail de uma tacada: Quero e pretendo. Não tenho mais desculpas para não escrever. O Santinha foi bi-campeão, cacete! Se o Santa pode ganhar, por que eu não posso escrever? Isso eu me pergunto desde domingo depois do jogo. Enfim, o problema é que,...

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O jogo que eu não vi

O jogo que eu não vi

…Ou abobrinhas sobre a “Mala Suerte” Os espanhóis nunca utilizam o termo azar, ou quase nunca, em meus três anos na terra do flamenco, nunca ouvi alguém pronunciar as fatídicas quatro letrinhas. Eles preferem mala suerte. Se não economizam nas letras, também não dão sopa para o az… enfim, deixa pra lá. O certo é que vivemos um tempo de discussão sobre o tema, discussões tão fortes e sérias que levaram o Blog do Santinha à solução final. Mas isso é uma outra história. A história que quero contar é a seguinte: nasci na década de 70, primeira metade, na maternidade São Marcos, ao lado do chiqueiro. Cresci escutando que, no dia em que vim ao mundo, metemos 4 na cachorra de peruca ali, no campinho ao lado. Se isto é fato, eu não sei, mas como tenho medo de que alguém vá pesquisar, prefiro ocultar a data. Não se deve matar os sonhos de uma criança. Nunca morei em Recife, por isso não sou um freqüentador assíduo do Arruda. Entretanto, durante muitos anos, todas as vezes que fui ao Mundão, e não foram poucas, nunca perdi. No máximo um empate, como na minha estréia, em 70 e algo contra o Central. Minha primeira derrota só viria anos mais tarde, acho que 84 ou 85. Ainda assim, durante um bom tempo, dava pra contar na mão esquerda de Lula as derrotas que presenciei. Em finais, entretanto, mantive a boa sorte por muito mais tempo. Vi os títulos de 78, 79, 83, 86 e 87, 90, 93, quando ninguém mais esperava, e 95. Um belo dia, trombo num corredor da UFPB com outro doido varrido pelo Santa. Artur Perrusi é o ateu mais místico que conheço quando se trata de futebol. Lembro que foi um aluno do cabra, amigo meu, quem nos apresentou. – Ei, vocês dois se conhecem? – não! – Pois deveriam. – Por que? – Por causa do Santa Cruz. – Você é tricolor? – Claro. Menos de uma semana, já fomos a um jogo. Santa e Barbie em plena segunda feira. De quebra, ainda levamos Geó, o poeta do apocalipse. Vencemos de virada, com direito a chilique de Kuki. Pronto, tava feito, juntamos a fome com a vontade de comer. Perrusi, recém exilado em João Pessoa só precisava de companhia para ir os jogos de meio de semana, eu só precisava da carona. Geó, só precisava...

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O golpe dentro do golpe

Nota do autor: Aproveitando a deixa de Dimas, no texto anterior, vou tentar aqui explicar sob que circunstâncias findou-se o Nordestão, e como surgiu o atual sistema de divisão de cotas do futebol brasileiro. Parte do texto foi adaptada de uma grande reportagem que fiz como projeto de conclusão de curso de Comunicação Social. Artur Perrusi foi da banca, quer dizer, do Lobby que me aprovou e deve lembrar algo. Em uma entrevista recente, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Melo afirmou que o golpe militar foi um mal necessário. Cabe aqui um primeiro parêntese, como é possível um “guardião da constituição” defender um golpe militar contra um governo constitucionalmente legítimo? Fecha parênteses. Bem, parafraseando o douto juiz, sou obrigado a afirmar que a formação do clube dos 13 e, conseqüentemente, a disputa da Copa União também foram um mal necessário. Naquele momento, vale lembrar, o campeonato brasileiro era uma verdadeira casa de mãe Joana. Não havia critérios desportivos claros para definir sequer o número de clubes participantes, por exemplo. Havia, sim, o critério político. Quem nunca escutou – ou leu – a expressão: “aonde a Arena vai mal, uma equipe no nacional”? Em resumo, o campeonato brasileiro de futebol desde a sua criação foi utilizado, sobretudo, como instrumento de troca de favores dos dirigentes de turno. A verdade é que o Campeonato Brasileiro era uma bagunça extremamente deficitária. Era preciso uma mudança radical em nome da sobrevivência dos próprios clubes. Tenho dúvidas se a intenção realmente foi essa, mas foi nesse contexto que nasceu o clube dos 13. A ruptura proposta pela entidade era fundamental naquele momento. O resto da história a gente já conhece. A ruptura foi um faz de conta, a CBF seguiu mandando, aumentou disparidade financeira entre os clubes, sendo os grandes sempre beneficiados, etc., etc., etc. O importante, entretanto, é que aquele momento significou a primeira vez em que os clubes brasileiros tentaram formar uma liga independente da CBF. Alguns anos depois, as ligas voltaram à moda. Basicamente após o sucesso da Liga do Nordeste, até hoje o campeonato mais organizado e rentável que existiu neste país. A propósito, não confundir o Campeonato com a Copa do Nordeste. O que me refiro como modelo foi disputado apenas em duas edições, nos anos 2001 e 2002 e o Bahia ganhou ambas. Só para refrescar a memória, a Associação de Clubes de Futebol do...

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