A derrota esperada

A derrota esperada

A semana começou com um jogador procurando a imprensa para falar dos salários atrasados. Logo, as notícias estampavam "Santa Cruz deve 2 meses de salários a jogadores e 7 meses a funcionários".

Leia Mais

Lá no fundo do coração

O Santa Cruz Futebol Clube tem novo presidente, e este tem uma série de (opa: série de não é a mesma coisa de série D) problemas (agora sim, série D) insolúveis para resolver. Aposto que cada leitor, neste momento, pode pensar em pelo menos três prioridades. Eu sou menos exigente. Eu só quero mesmo que meu time vença. Vença os jogos, vença os campeonatos, vença aposta, vença. Como ele irá vencer, de quanto ele irá vencer, quem fará parte do time vencedor, nada disso me importa de verdade. Tudo o que eu quero é que o time vença, o time ganhe, que eu não precise mais ficar explicando toda a história do Santa Cruz a cada vez que um mineiro desavisado me pergunte para qual time eu torço. Eu simplesmente não agüento mais! Desculpem, mas aí surgiu a necessidade de abrir um parêntesis para contar uma história verídica relacionada à última frase. Desde maio eu andava de namorico com um ex-jogador do Fluminense. Homem, você sabe como é que é: para conquistar diz até que a sogra é um doce. Depois… Bem. No dia em que nos conhecemos, já fui alertando que era do Santa Cruz. Ele só fez um comentário: “Ah, o tricolor pernambucano? Conheço… Tá numa situação difícil, né?”. “É”, respondi consternada, para logo, logo, aplicar a intimação: “mas não quero falar disso, ok?”. Beleza, não se falou mais no assunto. Até o final do mês passado. Perto das eleições, eu com os nervos à flor da pele, vou namorar um pouquinho para aliviar o estresse. Cerveja vai, cerveja vem, o cara vem me falar do Santa Cruz. Ex-jogador, sabe como é, acompanha tudo de futebol. Ele sabia toda a trágica história do nosso time nos últimos anos miúdos. Tudo: da A para a B, da B para o inferno, do inferno para o limbo da puta que pariu. Ele não tirou onda nenhuma, simplesmente repassou toda a história para mim. Foi o suficiente para eu dar o apito de encerramento da partida. Acabou, já era, e o resultado ficou no zero a zero. Ele não tinha direito de me falar aquelas verdades todas, pôxa vida. Homem quando inventa de falar verdade só dá em merda. Voltando. Eu já disse aqui que queria um presidente honesto, um presidente que respeitasse a torcida, que alterasse o estatuto, que fosse empreendedor, e por aí vai. Querer mesmo, eu queria...

Leia Mais

A quinta carta

Os Meninos estão muito preocupados com a próxima eleição para presidência do Mais Querido. Preocupados demais. Sei que eles têm razão, sei o quanto é importante que a gente não tenha mais coisinhas miúdas arrasando aos poucos com nosso ideal. Sei de tudo isso, mas juro que não consigo ficar insone, por mais que eu tente (embora confesse nunca ter tentado). Sou uma mulher incrédula, é isso. O único salvador da Pátria em quem eu acreditei foi reeleito com meu voto, e taí até hoje para provar a quem quer que seja que não existem salvadores da Pátria. A Pátria que se resolva por si só. No entanto, estou muito preocupada com os Meninos. Vivendo no meio político há pelo menos 15 anos, o que eu concluí foi que eu não tenho mais direito de ser inocente, de declarar que fui iludida, essas coisas. Só que futebol é diferente. Futebol vive mesmo de ilusão (já que a gente não tem gol mesmo), vive de expectativa, de torcida, de paixão (alguns títulos também não vão mal nesse cardápio, mas tudo bem). Como gosto muito dos Meninos, juntei toda a minha incredulidade e minhas moedas, lotei o carro de amigas encalhadas, tomei coragem e fui. Segui a rota natural dos desesperados, busquei explicações e soluções no sobrenatural. Já havia tentado antes no catolicismo e na umbanda, e nenhum deles ofereceu uma resposta clara. Apelei para o biscoitinho da sorte chinês e tudo o que ele me revelou foi que “a coragem é uma virtude; a felicidade, uma meta; dinheiro é tudo, e o resto é bobagem” – enigma que eu não consegui decifrar diante da minha singela pergunta: “O que será do futuro do meu santinha?”. Ah, preciso confessar (ai, que vergonha!) que também apelei para a “sorte do dia” do Orkut. Fiz a pergunta (sempre a mesma, acerca do futuro do tri-tri-tricolor), acessei minha página e li, horrorizada, o vaticínio: “Visitantes recentes: Dena & Jurandi, Alberto Pereira, Ivonete Nogueira, Milton Junior, O CHACAL* euripedes, lelo e flavia arôxa. Sorte de hoje: A vontade das pessoas é a melhor das leis” (Orkut, 05h13 da matina de 17/09/2008). Estou enrolando, enrolando, mas a verdade é que procurei uma taróloga. É isso mesmo. A mulher era tão boa nisso que cobrava R$ 50,00, mas depois que leu as quatro primeiras cartas, previu logo a minha dura realidade de torcedora e me cobrou apenas...

Leia Mais

Oração a Santo Antônio

Meu Sant´Antonim, Que até hoje num me atendeu Larga de tua besteira E faz uns favô pra eu Desde sempre te tenho preso Virado com os pé pra riba Pendurado na bananeira Que é pra apressar tua lida Num quero mais marido Que o outro que tu arranjô Além de feio e manco Num era bom torcedô Inda agora tenho medo De te pedir outro favô Mas é caso de desespero Por isso, lá vou: Meu Sant´Antonim querido Dessa vez num pode errá Porque se fizé merda Os tricolor vai te apanhá Eles já tão cansado E querendo se vingá Do fio d´uma que rincha Que só veio atrapaiá Por isso, santinho, tome tento E faz favô de escutá Presta bem atenção Pru mode num se enganá Tô quereno um homem honesto Pra pudê administrá Com honra e com lisura Pro nosso time ganhá Pulá da C pra B Agora é o principá Não deixe, santinho querido, Nosso prano faiá Que caia dinheiro do céu Mas não nessa gestão Que num sô besta de dá milho Pra nenhum galinho ladrão Que alguma empresa decente Queira nos patrociná Bancando nossa camisa E as pendênça salariá E por fim, meu santinho, Se num fô abusá, Eu queria que um certo sujeito Fosse tomar láááá… do lado de lá. Não é pedir muito, Sant´Antonim, Você há de concordá Afinal, sou Santa Cruz, Tô acostumada a ganhá E agora esse sofrimento Que querem nos imputá Tá é deixando emputecida A Grande Torcida Coral A maior de todas elas A que merece respeito A que enche estádio Mesmo insatisfeito Por isso, Sant´Antonim Trate de nos atendê Senão, eu logo lhe aviso, Até santo você vai deixá de...

Leia Mais

Zona Brasileira de Futebol – ZBF

Claro que a dor é de quem sente, e nós, torcedores do Santinha, temos dor demais para sentir, o que às vezes faz com que a gente deixe de reparar na dor dos outros. É, porque tem torcedor sofrendo de tudo o que é lado pelas decisões administrativas de seus cartolas. Os conchavos estão cada vez mais descarados, e o desrespeito às torcidas chega a pontos escabrosos. O futebol brasileiro está uma verdadeira zona. O achincalhe que ocorre no Santinha é um exemplo: desgoverno e desrespeito são a marca de uma administração que a gente está penando para botar para fora antes que o pior, que a gente nem imagina que um dia pudesse acontecer com o time, aconteça. E, aliás, perdi a referência do que é pior. Antes era cair da primeira divisão. Depois era ver os oponentes na primeira enquanto a gente tava na segunda. Agora é o medo de cair para a Série D. Se aqui em Minas tiram onda da minha cara quando eu digo que sou torcedora do Santa, imagino o que vocês sofrem aí na terrinha. É pra se lascar. É, mas hoje eu não quero falar só da gente não. Talvez em busca de consolo, talvez por pura constatação, quero lembrar a vocês que há outros torcedores humilhados por este Brasil. Catei algumas histórias absurdas que saíram na imprensa no último mês. Elas demonstram que, se você não é do grupo dos 13, pode ser chamado de Geni, pois todo mundo te escracha, te usa e depois joga pedra. Na boa. Vamos aos “exemplos”. – No dia 03/05, pela Série A2 do Campeonato Paulista, jogavam Oeste e Mogi. Com o resultado de um outro jogo que estava acontecendo, entre o Sorocaba e o São Bento, Oeste e Mogi se classificariam caso empatassem em zero. E adivinha? Foi exatamente o que aconteceu. Na saída do vestiário, chegando ao campo para o segundo tempo, os dois técnicos se abraçavam e caminhavam claramente felizes com a resolução do empate. A Band filmava tudo. Em campo, os jogadores paravam a bola para conversar – os adversários! Num lance errado, eis que o juiz é obrigado a marcar um escanteio. E um técnico abre os braços e reclama para o técnico do outro time: “ô, tá maluco? O que o seu jogador quer?”. E a resposta: “Foi mal, desculpa, isso não vai acontecer de novo!”. E a...

Leia Mais

Passarinho que come pedra…

Vi que o presidentezinho gosta de frases de efeito. Usou uma delas no último dia 24, nunca vi poste mijar em cachorro. De fato, é o cachorro que mija no poste, sem que o pobre do poste possa fazer nada contra isso. Triste sina, a do poste. Como eu também gosto de frases de efeito, neste artigo resolvi usar e abusar delas mesmo sabendo de cor e salteado o restante do ditado que é título do artigo. Mas a esperança é a última que morre, e torço para não ser alvo de maus humores pequenos – se é que me entendem. Não adiantou muita coisa, para mim, saber que o time melhorou na reta final do campeonato, no último suspiro. Pode ser que alguém tenha ficado feliz, e concordo que é melhor melhorar um pouco agora do que nunca, mas sou mesmo exigente. O time tem que melhorar muito para eu deixar de reclamar. Atualmente, a única coisa que me conforta é pensar que a comédia é a tragédia depois que o tempo passou. Estou certa de que um dia, numa Quinta Santa da vida, o desespero que o torcedor coral sente hoje será tema de piada, algo assim como a gafe do João Pinto: o meu clube estava à beira do precipício, mas tomou a decisão correta: deu um passo à frente. Um pensamento muito mais simpático a nós, torcedores, do que esta sensação de que a direção do clube vem levando ao pé da letra o histriônico Zagalo, que afirmou que não precisamos da torcida quando estamos ganhando. A direção do Santa supera a idiotice de Zagalo ao maltratar os torcedores mesmo agora, nessa fase ruim. Difícil de explicar. Falar mal do presidentezinho parece que virou o segundo esporte predileto da torcida, e é claro que pode ser que exista alguém no mundo que ache isso um exagero (o homem, afinal de contas, não é filho de chocadeira). Mas eu me defendo citando H.L. Mencken: pode ser pecado pensar mal dos outros. Mas raramente será engano. Sublinho o “raramente”. Ninguém é obrigado a postular cargo algum, mas já que quis e que venceu, agora agüente. Agüente as críticas, as pressões, as esculhambações e tudo o mais que houver em conseqüência dos seus péssimos atos. Já que quis ser presidente, leve a missão a sério ou então pede pra sair. Concordo com Ambrose quando diz que o dicionário...

Leia Mais
1 de 212