O despreparo da Polícia e do Santa Cruz

O despreparo da Polícia e do Santa Cruz

  Relato de Santana Moura, ontem, na Sede do Santa Cruz FC Estávamos no térreo do sede, ao redor da charanga, todo mundo cantando, numa paz, numa alegria. De repente no portão lateral que dá acesso ao bar, uma invasão absolutamente inapropriada. Era a torcida JOVEM DO SPORT que entrou no recinto com seu grito de guerra e batendo em todo mundo aleatoriamente, sem razão, sem sentido. Foi um corre corre infeliz. Minha nora grávida e eu tentávamos nos esconder atrás de algum pilar, enquanto alguns poucos torcedores enfrentavam os bandidos. De repente, nada mais absurdo do que a cavalaria entrar naquele recinto e os policiais correrem atrás de nós, torcedores comuns. Aí o pânico foi maior, pois aquele local jamais deveria ter sido invadido por cavalos e policiais despreparados que ao invés de prender os meliante foram pra cima de torcedores comuns.Membros da inferno coral não estavam por perto, se estivessem teria sido uma carnificina, pois eles não admitiriam tamanha aberração. Agora, a pergunta, de quem é a culpa? 1) A presidência do Santa Cruz que insiste em dar uma de boazinha para equipes visitantes, que ficam em lugares privilegiados, enquanto os sócios e demais torcedores ficam na dureza do cimento. Eles entraram ali´porque iam para as cadeiras. ESTÁ ERRADO. APRENDEU PRESIDENTE? 2) POLICIAIS DESPREPARADOS QUE ao invés de prender os invasores tentaram atropelar, com cavalos, mulheres, crianças e grávidas que estavam dentro de sua casa. 3) A segurança do Santa Cruz que, algum tempo atrás, bateu em torcedores corais, não conseguiu perceber que a torcida do Internacional na verdade era a torcida do SPORT. Depois ficam pedindo paz nos estádios; como se pode ter paz com bandidos invadindo sua casa e você tendo que se defender como pode? Onde estava o juizado do torcedor? Porque os bandidos não foram presos? Não foi a torcida do Santa quem provocou, não foi. Eu vi e não gostei do que vi. Leia mais sobre sobre essa fatídica noite de terror e despreparo no blog Acerto de Contas e no Loucos Pelo Santa...

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Atitude é tudo!

Atitude é tudo!

Pensei em pegar o gancho de Dimas Lins e continuar falando de justiça e injustiça no futebol, mas discorrer sobre este tema, no âmbito deste esporte, seria o mesmo que arrazoar sobre o imponderável.  Nesse domínio, qualquer resultado não pode ser considerado surpresa. Observem o que aconteceu com o Ypiranga na sua primeira partida decisiva contra o Sport. A “Máquina de Costura” foi literalmente abandonada por seus dirigentes à beira da estrada, quando estava pronta para produzir sua melhor peça e, assim, adentrar no glamoroso salão da final do campeonato. Situação muito clara para quem conhece as sinuosidades dos bastidores futebolísticos, condição previsível, quando o adversário é o de sempre. O outro exemplo a que vou me reportar para demonstrar o dinamismo do futebol é o embate ocorrido entre o prestigioso Barcelona e o não menos poderoso Bayern de Munique, que aplicou uma sonora goleada no time espanhol, demonstrando que fama não assusta, camisa não espanta, pressão não assombra e estrela sozinha não faz verão. O que vale mesmo é a tomada de decisão coletiva para conduzir as ações, mantendo a concentração nos objetivos. Isto se chama atitude. Do lado de cá do Atlântico torço para que o Santa Cruz se transforme, cada vez mais, no time de atitude que temos testemunhado. Convém dar poucos ouvidos aos comentários capciosos de parte da mídia; à instigação de rivalidade que termina por incentivar a violência dentro e fora de campo; ao poder daquele que tem como decidir quem fica e quem sai, apenas mostrando um pedaço de papel amarelo ou vermelho. Nenhum destes obstáculos pode ser considerado intransponível se o grupo se fechar em torno de si, para conquistar o que merece. É assim que eu imagino o nosso Santinha diante do Náutico. Altivo, garboso, simples e humilde. Sem grito de olé, por um lado, sem bumbum na parede por outro. Focado, atento, guerreiro. A atitude que o técnico Marcelo Martellote tem demonstrado, ao expor a equipe e o esquema com os quais vai jogar, sem rodeios, sem brincadeira de esconde-esconde nem subterfúgios tem fortalecido os atletas. Isto é louvável. É como ratificar sua confiança nos jogadores, acreditar que os mesmos se garantem e são capazes de resolver a parada dentro de campo, independentemente, das bordoadas que os adversários sempre aplicam, sob a vista grossa de alguns árbitros. Isso levanta a autoestima, faz o grupo acreditar no possível e deixar de...

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Jogo limpo ou sujo?

Jogo limpo ou sujo?

De início tinha pensado em falar sobre fair play, no bom português, jogo limpo, conceito que deveria nortear todo e qualquer esporte, inclusive o futebol. Mas, são tantas as reflexões que tenho feito, ultimamente, que nem sei se conseguirei me manter coerente com o tema que escolhi e muito menos imagino se os nossos amigos blogueiros teriam interesse em ler coisas deste tipo, mas, enfim, liberdade é o nome das atividades que exercemos num Blog de Opinião! Então vamos ao tema. Em tese, o que seria jogo limpo? Dentre muitas outras definições, poder-se-ia considerá-lo como sendo a atitude desportiva que visa, sobretudo, o respeito próprio e o respeito ao outro, no âmbito das regras para a prática esportiva escolhida, tendo como norteadores princípios éticos universais como a justiça. Tal é sua importância para o esporte praticado que, para o atleta, o conceito não deveria ser apenas um comportamento, mas uma maneira de pensar. Deveríamos oportunizar a aprendizagem da ética desde a base. Ribeiro e Puga (2004) referem que o desporto pode ser considerado como “uma atividade que, quando exercida de maneira leal, permite ao indivíduo conhecer-se melhor, exprimir-se e realizar-se; desenvolver-se plenamente, adquirir uma arte e demonstrar as suas capacidades”. Em outras palavras, levaria a expressar exatamente aquilo que construiu; o que treinou; o que aprendeu sem usar de subterfúgios, drogas, subornos, corrupção ou outras coisas que depõem contra a ética humana – o jogo limpo. Mas…, é isto mesmo que vemos nas diversas práticas desportivas? E no futebol? Falemos de jogo limpo no futebol, nosso esporte mais popular, por onde transitam crianças, jovens e adultos e que deveria nos trazer muitas lições de vida, superação, cooperação e tantos outros valores cuja lista não seria possível discorrer, aqui, neste curto espaço de expressão. Ao contrário do que deveria ser – o esporte da maioria – tem sido a maior vítima do jogo sujo. Ano após ano, vem sendo vilipendiado, esculachado por alguns dirigentes, treinadores, jogadores, árbitros, certos setores da imprensa e um grande número de torcedores também. A lógica do capitalismo tomou conta definitivamente deste esporte. O futebol se transformou muito rapidamente num jogo de interesses pessoais, comerciais, políticos, midiáticos, numa tendência alienada e alienante, da qual nos recusamos a participar. Por isto nos indignamos quando sabemos histórias de lugares comprados dentro de uma equipe, até na seleção canarinha; injuriamo-nos quando vemos certos árbitros rasgando as regras do jogo,...

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Comentários de arquibancada

Comentários de arquibancada

Durante as lacunas sentimentais que o Santa me proporciona fico me lembrando de músicas. Uma delas é a nossa cara. Duvida? Então, confira Sol de Primavera, com Beto Guedes. Aplicando a poesia da música à torcida coral eu repetiria que: “Já choramos muito; muitos se perderam no caminho; mesmo assim não custa inventar uma nova canção, que venha nos trazer sol de primavera”, como diz o músico. Porém,“quando fevereiro chegar saudade já não mata a gente…”, quem sabe? Haveremos de reencontrar o bom futebol de outrora, como reclamava Sr. Orlando, um senhor bem velhinho que se sentou junto de nós, no último jogo do Arruda, debulhando a escalação do time da época de Cuíca. Agora, pelo menos, dá pra tirar onda com os vexames e os comentários, neste verão esturricado de um futebol que dá calo nos olhos, como disse um torcedor que estava no nosso entorno. Ele ficou de costas para o campo, naquela melancolia. Comecei a ouvir, um a um, os comentários que iam surgindo na dureza daquele cimento. A dor de coluna não me animava a ficar de pé, muito menos o time. Burocrática, a equipe santacruzense lembrava-me os operários de uma fábrica que desenvolvem um trabalho penoso por obrigação e necessidade, estando ali no batente todos os dias para repetir movimentos desprovidos de alma e de sentido. Esta era a impressão que se tinha dos jogadores que vestiam a camisa do Santa, naquela tarde. Percebi que o meu sentimento era compartilhado por muitos. Deixei o jogo pra lá e abri os ouvidos às vozes que soavam inconformadas. Sr. Orlando (uns oitenta e poucos anos, acho), sentado ao meu lado, insistia em me ignorar. Dirigia a palavra ao meu marido (uma cadeira depois da minha) que nem sequer estava ouvindo o que ele dizia. Fiquei impressionada; era como se eu não existisse. Fui desdenhada, talvez por ser mulher e de outra geração diferente da dele, em que as figuras femininas só conheciam as atividades domésticas e o cuidado com os maridos. Sr. Orlando falava com Toy e era eu quem balançava a cabeça, pro “homi” não ficar no vácuo. Toy não tirava os olhos do campo e sequer sabia que aquele senhor conversava com ele. Danei-me a rir por dentro e coloquei a mão no seu ombro perguntando-lhe o nome. Só assim ele viu que eu estava ali. Na hora dos escanteios eu o observava. Sua...

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Faz de conta

Faz de conta

A maioria dos textos que escrevo tem sempre como alvo a torcida do Santa Cruz. Aliás, foi esta torcida que me trouxe a paixão pelo clube e, por obra e graça de Aline Moura que me denunciou no blogdosantinha, há três anos (clique aqui). Não posso mais fugir da minha condição de torcedora. Contudo, não abdiquei de continuar opinando visando o bem comum dos tricolores. Grande parte das pessoas tem uma opinião equivocada sobre o que é ser torcedor ou torcedora. Muito pensam que para este segmento de apaixonados só o coração funciona; outros imaginam que é o fígado; alguns acreditam que é o sobrenatural quem comanda as relações entre torcedores e clube do coração; de minha parte, considero que se pode unir coração e razão para construir uma relação unificadora capaz de superar qualquer adversidade. Pois bem, usando este binômio razão-coração resolvi escrever este texto, numa tremenda operação de “faz de conta”, me imaginando no Arruda, portões fechados, naturalmente, para não atrapalhar a concentração (rs rs rs), às 5 horas da tarde, sentada no gramado com as pernas cruzadas, tipo meditação de Ioga, com os jogadores em volta para uma roda de conversa ao estilo Paulo Freire, na tentativa de contextualizar este momento singular, onde o time depende muito de si mesmo para ultrapassar a atual fase e alcançar a próxima etapa da competição. Falaríamos sobre os homens e meninos que lá se encontrassem; os porquês de cada um jogar futebol, o significado de fazer parte de um clube grandioso como o Santa Cruz, com a torcida mais apaixonada do Brasil, de seus anseios e esperanças naquele grupo. Ouviria as respostas e dentre elas, por certo, alguém alegaria que está ali porque deseja consolidar seu nome não apenas na galeria dos craques corais, mas também abrir uma perspectiva de futuro no cenário nacional, porque o Santa sempre foi e sempre será uma vitrine para os bons jogadores, em todos os tempos. Algum deles falaria que tem o propósito de construir uma vida melhor para os familiares, especialmente a mãe que apoiou a iniciativa de se tornar jogador de futebol; outros afirmariam que gostam da profissão. Haveria espaço para todas as falas e a diversidade seria tanta que passaríamos quase uma hora somente sorvendo os relatos pessoais, as experiências de vida e a importância de cada um dos sonhos daquelas pessoas para a construção do objetivo maior do grupo:...

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1999, um ano que não acabou

1999, um ano que não acabou

O título desta crônica imita o título de um livro (1968 o ano que não terminou), ele tratava de tema bem diferente do que relatarei neste texto, pois se referia a um ano cruel, marcado por lutas libertárias contra ditaduras ao redor do mundo. Já o ano de 1999, para mim, nunca terminou porque permanece vivo e presente em minha lembrança como se fosse hoje. Um ano inteiramente protagonizado por um time de guerreiros, cujos atores inscreveram seus nomes na gloriosa história do Santa Cruz. Na época o tricolor do Arruda já se encontrava há 11 anos na segunda divisão e o caminho “de volta para o lugar de onde nunca deveria ter saído” se mostrava difícil. Alguém lá dentro do clube se lembrou de mim, por conta da experiência pioneira de 1983 (ano em que fomos tri-super-campões) e o presidente me chamou para uma conversa. Perguntou se, como Psicóloga, eu poderia ajudar. De pronto, ouvi inúmeras pessoas a me prevenirem: “jogador de futebol não gosta de conversa”, “jogador de futebol não gosta de psicóloga”, jogador de futebol isso e aquilo. Caso eu não tivesse feito ouvido de mercador, teria dado meia volta ali mesmo. Muita ideia falsa e preconcebida; subestimavam os atletas. Porém, como não se pode ajudar a quem não quer ser ajudado, resolvi falar com eles e, além disso, indaguei se acreditavam que poderiam cumprir a missão que lhes fora confiada – subir de divisão. Como resposta apenas os olhinhos brilhando, expectativa, energia boa, dava pra sentir no ar; toda vez que isto acontece, fico arrepiada. Estava tomada a minha decisão, caminharia junto com o grupo. Na sequência do trabalho, a minha primeira fala teve o objetivo de quebrar o clima de temor que tomava conta do time quando jogava no Arruda. Medo das vaias, dos comentários, do desempenho insuficiente, da derrota, tudo porque a torcida era grandiosa e exigente. Minha tarefa era reverter o quadro de ansiedade e fortalecer os laços entre a torcedores e o time e vice-versa. Não vou dizer aqui o que conversávamos, porque os nossos adversários estão sempre lendo e aprendendo com nossos escritos, mas a tarefa foi levada a termo com sucesso. Eu sempre dizia para os jogadores que não tínhamos que ficar divulgando nossas estratégias, porque numa batalha devíamos manter segredo sobre nossas armas e assim, a cada partida, havia uma arma (jogador) diferente a decidir. A responsabilidade deixou...

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