Oxente, Aqui é Santa Cruz!

Oxente, Aqui é Santa Cruz!

    Em tempo de acirramento de ânimos, diz a voz da sabedoria que é necessário ser comedido com as palavras. Porém, não avisaram isto para o Técnico do Vasco, Joel Santana. Assim, supostamente, num misto de “poliglotismo” que misturava “portunglês” e futurismo ele teria deitado falação aos seus jogadores, avisando que, em se tratando de Santa Cruz, tinha a se salvar sua grandiosa torcida, porém, o time não ganhava de ninguém. Esqueceu-se que aqui era Nordeste e estaria em Pernambuco berço de várias lutas libertárias, portanto, terra de um povo ungido pelo espírito guerreiro. Nesse clima, sem mais delongas, ao se apresentar no campo de jogo, a equipe tricolor tratou logo de mostrar, dentro da Arena, que naquele tapete das “mil e uma noites” a contenda não seria fácil para os “sudestinos”. Os atletas foram instados a provarem para si mesmos que a pecha que lhes fora imposta era apenas mito. Apesar de Canindé ter afirmado em entrevista que não tocara no assunto com seus jogadores, por certo, neste mundo globalizado, cheio de redes e zap zap, a informação lhes chegou aos ouvidos. A resposta foi persistência do começo ao fim. O resultado foi uma vitória singular. Numa coisa concordo com Joel: a torcida coral é mesmo grandiosa e marcou presença na Arena Pernambuco como o terceiro melhor público daquela praça esportiva, só perdendo para seleções. O grito da torcida desorganizada, bagunçado ecoou por todos os lados, fez barulho, instigou. Enfrentou a arapuca de uma logística ilógica, com todas as dificuldades inerentes a quem é e se faz grande; ultrapassou os limites da paciência e alcançou o ponto mais alto da ansiedade, pois nem sentar o povo conseguia, mesmo havendo lugar para todos e todas. Por fim, um brado uníssono se ouviu: Ah! É Pernambuco! Ah! É Pernambuco. O bom disso tudo, no meu humilde entendimento, é que a equipe do Santa Cruz precisou ser fustigada de fora para acordar para a realidade, pois, por dentro do clube, de acordo com informações correntes, a ideia é que não vale a pena voltar à série A, neste ano. É como se pudéssemos nos dar ao luxo de perder oportunidades, de deixar o bonde do acesso passar batido. Convém lembrar que quando se pensa pequeno o esforço para alcançar as baixas metas é sempre menor do que o necessário para se obter o mínimo. Neste caso, é grande o risco...

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Desorganizando posso me organizar

Disse Chico Science: “Que eu desorganizando posso me organizar”. No último sábado à noite, estava eu sozinha, no meu quarto, tentando arrumar a enorme bagunça do meu guarda-roupas. Sabe como é: durante a semana tem trabalho, trânsito, estresse e cansaço; algum dia eu tinha que parar. Quem me conhece de perto sabe que cada situação ocorrida ao meu redor me lembra de alguma música. Desta vez, me veio à memória a canção Da lama ao caos do inesquecível santacruzense Chico Science. Lá estava eu cantarolando e atentei que logo seria hora de começar o filme Terra em transe, na TV Cultura. Liguei o aparelho de televisão. Agora, eu tinha uma organização de roupa em curso, uma música na cabeça e o ouvido a escutar os diálogos do filme de Glauber Rocha, aparentemente maçante. Daqui a pouco estava tudo misturado no juízo: roupas, música e filme e, além de tudo, o Santa Cruz. Lá pelas tantas, me chamou a atenção a fala da personagem principal do filme, Paulo Martins. Ele bradava: “Isto é o Povo! um imbecil, um analfabeto, um despolitizado”. Nisso surge um dos pobres desorganizados tentando falar alguma coisa e é impedido pelo cano de um revólver do então candidato orador, ou seja, na trama, quem tentou se insurgir foi barrado pela força. Coitado do povo. Desliguei-me um pouco do clima de cinema e passei ao devaneio; queria encontrar um nexo que ligasse toda aquela situação dramatizada à torcida do Santa Cruz, composta em sua maioria por uma massa apaixonada, mas desorganizada. Estaria eu delirando? Lembrei-me de Perrusi. Pensei: se eu suspeitar que sim, recorro a ele para me medicar. Povo, desorganização, despolitização, tudo isto girava no meu pensamento. Seria o time das três cores tão desrespeitado por certos árbitros de futebol, por conta da nossa desorganização? Seria a falta de uma política do cotidiano a orientar o nosso fazer quando o assunto fosse a defesa do Santa Cruz? Inclinei-me a responder “sim”. Seria a torcida coral tão desconsiderada por alguns dirigentes em função de sua ingenuidade ao acreditar, sempre, que tudo pode dar certo? Inclinei-me, também, a responder “sim”. Vivemos, no Arruda, uma pseudodemocracia na qual, a cada eleição interna, acredita-se que a massa coral será ouvida pelos eleitos e isto nunca acontece. Não queria, como o poeta de Terra em transe, sentir a falência da crença na energia libertadora do povo. Foi aí que viajei definitivamente...

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O Santa Cruz e as contradições visíveis

Nascido há 100 anos, com uma visão de futuro avançada e hoje considerada politicamente correta, o Santa Cruz abrigou desde sempre a diferença e a diversidade, com potencial extraordinário para agregar a solidariedade de seus simpatizantes, que foram construindo tijolo a tijolo, com a participação de abnegados de todas as classes sociais, não apenas o patrimônio físico localizado no bairro do Arruda, mas, principalmente, um grande patrimônio humano, espalhado no mundo inteiro, representado por seus apaixonados seguidores. Torcer pelo mais querido é certeza de se ter opinião própria e de não se deixar influenciar por modismos ou imposições culturais internas e externas e isto se nota desde cedo, nas crianças que escolhem o Tricolor do Recife como clube do coração. Considerando este contexto profícuo, acreditava-se que a imensa massa coral pudesse, enfim, viver um ano de grandes realizações do ponto de vista estrutural, desportivo e comercial, no entanto, o que se tem apresentado aos aficionados são contradições, muitas. Para evidenciar tais contradições, gosto de salientar, baseio-me em sinais e indicadores externos, comentários de torcedores que estão de alguma forma mais perto das entranhas do clube, notícias da imprensa esportiva, comunicação não verbal dos protagonistas do fazer futebolístico da agremiação, dentre outros aspectos. Não esqueçamos a capacidade que o clima organizacional que permeia o Santa Cruz tem para influenciar o moral dos torcedores, cada vez mais ressabiados com os altos e baixos da equipe de futebol, alma e essência da razão de ser santacruzense. Comecemos, então, a análise pela contradição da própria torcida, visceral como é de se esperar. Observam-se as mesmas vozes que antes clamaram pela vinda do treinador Vica, hoje berrarem por sua saída, sendo que ele é apenas uma parte do todo que precisa ser entendido. Façamos um exercício de se colocar no lugar do outro. Como nos sentiríamos se recebêssemos uma missão para realizar uma tarefa grandiosa sem receber condições materiais para fazê-lo? Qual seria o sentimento que nos assaltaria se estivéssemos numa empresa onde o apoio efetivo para o exercício da liderança não pudesse ser concretizado? E se os nossos subordinados, por acaso, fizessem “greve branca” para comprometer os resultados a serem alcançados só para nos tirar do lugar de autoridade? E se houvesse no ar mensagem subliminar que induzisse a pensar que vencer todas as competições não seria prioridade, pois as cotas de vitórias deveriam ser repartidas entre adversários? E se; se e se?...

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No futebol nada é impossível

Quando pensei em escrever um texto, logo fugi da ideia de fazê-lo imaginando nos nossos jogadores, torcedores, etc., pois fico decepcionada quando vejo os adversários jogando exatamente da maneira que idealizo. Coincidência? Pelo sim, pelo não, melhor não arriscar mais. Então, resolvi falar do oponente, pois se alguém quiser aproveitar alguma coisa dos escritos já terá valido a pena tê-lo feito. Não duvido nada que o Lisca, de repente, quem sabe, não use as informações aqui postadas para abater o Sport da próxima vez que se encontrarem, uma vez que o Santa Cruz, até agora, parece incógnito.  Não é ruim que o time coral esteja sob a sombra da dúvida, pois sem conseguir passar confiança aos seus patrocinadores (a torcida), quem sabe, resolva tomar um choque de realidade analisando o que perderá se deixar escapar a classificação. Afinal, no futebol, nada é impossível. O clube da ilha, por sua vez, é muito cristalino em alguns aspectos e muito escorregadio noutros, senão vejamos: A transparência do Sport está na arrogância de grande parte de seus dirigentes e torcedores, mal que facilmente escorrega para dentro das quatro linhas e contagia muitos jogadores. Eles se consideram melhores do que todo mundo e adoram, principalmente, derrotar o Santa Cruz, clube que historicamente não treme, nem se curva diante de sua soberba. Dentro e fora de campo humilham, não medem as palavras para ofender e se puderem aniquilar os que não compartilham de suas ideias, eles o fazem, sem nenhum problema de consciência. No gramado a prepotência se faz notar na maneira como eles tratam os árbitros. Gritam, apontam o dedo em seus narizes, brigam com eles, os desrespeitam, jogam a bola no chão para protestarem contra a marcação de alguma falta, apesar de saberem que, simbolicamente, este gesto significa agredir o juiz. Tudo isto com a certeza absoluta de que não serão punidos. E não são mesmo. Os jogadores, ano após ano, parecem ser escolhidos a dedo pela capacidade que demonstram no sentido de machucar os adversários. Certas partidas assumem o formato de peleja desleal com golpes de luta livre tais como: tesouras nas pernas, pisadas nos pés, que provocam lesões graves, pois o pé fica preso e o jogador em movimento rompe os ligamentos do joelho. Cabeçadas criminosas e cotoveladas são distribuídas (Renatinho que o diga), enquanto o árbitro dá as costas e o olhar indiferente do comentarista de arbitragem da TV,...

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Morder ou ser mordido

  Em quase todas as áreas de atuação humana, algum dia, chega-se a um ponto no qual é preciso seguir caminhos alternativos, por em prática ações diferentes das que foram planejadas, tomar decisões, fazer comparações, enfim, escolher. No processo de escolha geralmente se tem dois lados, algumas vezes, mais de dois. “Ser ou não ser”; partir ou ficar; prosseguir ou parar, etc., no futebol não é diferente. Neste âmbito o mote é morder ou ser mordido, pois o esporte mais popular do planeta não deixa margem para a mesmice e foge de todos os padrões estabelecidos nos desportos de alto rendimento, inclusive, no campo trabalhista, onde ocorrem arbitrariedades do tipo: não pagamento de salários e prêmios; dispensas injustas, exclusão, esquecimento das conquistas, dentre outros aspectos. Apesar dessas e de outras dificuldades, inerentes ao contexto futebolístico, muitas vezes percebe-se, dentro do campo de jogo, verdadeiras histórias de superação, característica do caráter resiliente da maioria dos atletas. É assim que, nas disputas, testemunhamos surpreendentes resultados tais como: equipes mais estruturadas (material e financeiramente) perdendo para aquelas consideradas menos estruturadas; garra e vontade superando técnica; estratégia e tática sendo suplantadas por criatividade, versatilidade, entre outros aspectos. Alguns boleiros sonham com a mudança de status social, outros almejam a fama, mas a maioria, de fato, tenta sobreviver no complexo mundo do futebol onde, de modo geral, os salários são ínfimos e os exageros são minoria. Feitas estas considerações, reporto-me às competições ora em curso no calendário semestral do nosso clube, o Santa Cruz. A Copa do Nordeste, relevante para nós enquanto busca de afirmação regional e o campeonato pernambucano, questão de honra, pela busca do tetra campeonato. Tanto numa como na outra verificamos na postura dos postulantes uma espécie de empenho pessoal de cada atleta, no sentido de obter êxito naquilo que foi proposto. Aí não tem como deixar a dúvida se estabelecer; ou se morde ou então se é mordido, usando a linguagem popular daqueles que colocam a faca nos dentes e partem em busca de suas conquistas. Não se nota excepcionais diferenças entre “grande” ou “pequeno”. O que se vê são equipes acreditando até o apito final do árbitro. Cabe a nós torcedores (por que não?) alertar nossos jogadores sobre a importância dos resultados positivos destas competições e seus impactos posteriores. Com as vitórias por certo virão, também, a atualização de salários (não deveria ser assim) por conta das rendas, a...

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É festa!

Parte 1 Dezembro é tempo de rememorar a trajetória de Jesus Cristo na terra e de comemorar a família e as amizades construídas ao longo do caminho da vida. Dezembro também é mês de celebrar o aniversário do Blog mais diverso do mundo, no entorno do nome do Santa Cruz, o Torcedor Coral. Assim, com tanta coisa boa junta e misturada, o fato não poderia passar em branco neste importante período. Então, ficou decidido que a comemoração da equipe responsável pelo Blog seria, novamente, no meio da mata atlântica. Quem sabe receberíamos mais uma vez a visita da convidada mais ilustre – a cobra coral. Durante a semana preparatória, Toy era o mais ansioso. Todo dia olhava para o céu, resmungava quando ele vertia pingos de chuva. Pedia, todo dia, que eu olhasse a previsão meteorológica para saber se ia chover no sábado 21. O negócio estava tão sério que cheguei a pensar em TOC, mas logo percebi que se tratava da popular síndrome do peru. Ele morreu três dias antes, com medo da chuva. Dimas ficou de fazer os contatos com os demais companheiros. Paulinho se apressou em confirmar presença. Perrusi anunciou presença todo animado com a perspectiva de por aqui encontrar não apenas a cobra coral, mas uma anaconda coral. Eu prometi fazer o bolo comemorativo. Expectativas no ar. Chegou o grande dia. Devido ao tamanho do quintal não seria possível chamar a grande massa de irmãos tricolores como gostaríamos, mas por certo brindaríamos a todos e todas que participam das nossas rodas de conversa virtuais. Ducaldo foi o único que respeitou o horário marcado. Chegou exatamente às 11h30. Os demais vieram atrasados. Durante o trajeto até a mata, Murilo comentava com o taxista que estavam se dirigindo à casa da ex-psicóloga do Santa Cruz, que agora estava atendendo os participantes do TC, que tinham ficado com os parafusos trocados, nestes longos anos de limbo do mais querido. Enfim reunida, a cúpula do TC iniciou os trabalhos. A reunião mais informal e bagunçada de todos os tempos. A senha para os convivas entrarem na festa era apresentar cerveja ou petiscos; a feijoada estava garantida pelos anfitriões. Imagino que o povo só pensava em beber, pois as cervejas não paravam de chegar. Tantas que algumas foram parar na geladeira da casa, enquanto outras foram espalhadas, estrategicamente, pelo quintal em isopor e baldes de gelo. A manguaça correu solta...

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