Retrospectiva coral

Final de Ano é sempre um momento de reflexão. Mesmo ciente da dificuldade (ou impossibilidade) de, em poucas palavras, resumir os pontos positivos e negativos de 2009, resolvi, em frases, fazer um “Retrospecto Santa 2009”. De uma forma geral, o ano de 2009 foi decepcionante em termos de futebol. Claro que tivemos avanços, principalmente se compararmos com 2007 e 2008. Mas, tomando-se por base o nosso potencial e os anos de comparação, mais um ano se passa com a frustrante sensação de que muito pouco foi feito. Na parte administrativa, a melhoria também seguiu os mesmos passos, ou seja, foi mínima. Entretanto, a chegada de um novo dirigente (que parece disposto a causar uma mudança de atitude no Clube) aliado ao fato de 2010 ser um ano político e do apoio incondicional da torcida coral, servem para renovar minhas esperanças em um 2010 promissor. E que venha 2010. E que o Santa tenha dias melhores. Melhor de 2009: Torcida do Santa Cruz. Pior de 2009: Ficar em entre os piores times da série D. Maior emoção (Futebol): Jogo contra o Sport no Arruda. Maior tristeza (Futebol): Jogo contra o CSA no Arruda, que desclassificou o Santa na Série D. Melhor jogo: Santa x Sport, no Arruda. Jogo marcante: CSA x Santa Cruz, pela invasão da Torcida Coral. Melhor jogador (Futebol): Marcelo Ramos e Juninho Pior jogador (Futebol): Bilica, Gonçalves, Adílson e mais 10… Maior promessa (Jogador): Natan (meio-campo) Maior decepção (Jogador): Reinaldo (atacante) Maior acerto da Administração (Futebol): Contratação de um profissional para diretor de futebol. Maior erro da Administração (Futebol): Contratação de Sérgio China. Maior acerto da Administração (Clube): Criação do Santa Fidelidade e da Loja do Clube. Maior erro da Administração (Clube): A volta dos ex-presidentes. Maior esperança (Futebol): Trabalho de Raimundo Queiroz. Maior Orgulho: Jogo do Brasil pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Parceira mais obscura: Coral Investimentos. Dirigente Fantasma: Fernando Silva. Dirigente decepção: Sidney Ayres. “Dirigente” revelação: Bartolomeu Bueno. Maior Perua: “Ramón é o novo reforço do Santa.” Anunciado oficialmente no site do Clube. Maior alegria alheia: Rebaixamento do Sport e do Náutico. Maior esperança (Administrativo) para 2010: Atualização dos salários de todos os funcionários a partir do dia 13 de janeiro. Dito pelo presidente do Clube. Frase enigmática: “Menos do que precisava e mais do que eu esperava.” Raimundo Queiroz respondendo sobre o elenco do Santa após a final da Copa Pernambuco. Maior decisão...

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Ano novo: esperança que se renova

Imagem: Loucos pelo Santa Todo final de ano é hora de fazermos um retrospecto da vida e também de renovarmos as esperanças. Nestes quesitos, mais uma vez, o futebol imita a vida. No Santa, a esperança do torcedor é muito maior do que o resgate de sua auto-estima. A torcida é apaixonadamente sem igual; já deu provas suficientes que tem grande estima pelo seu Clube e não precisa que ninguém lhe cobre mais este amor. No entanto, ela é carente de uma boa administração, de títulos. Isto, sim, é o que a torcida coral quer: o resgate de títulos! Acho que para 2010, diferente dos últimos, a confiança está depositada num profissional, até então, coadjuvante nas Republicas Independentes do Arruda, embora há vários anos o Santa Cruz possua um Diretor de Futebol. Foi assim na época de Mirinda, Jonas, Zé Neves, FBC e tantos outros. Sendo que, desta feita, parece que a situação é um pouco diferente. Explico: qualquer mudança de ambiente de trabalho leva certo tempo para o trabalhador se adaptar ao novo ambiente. Uns conseguem mais rapidamente, outros demoram mais.  Raimundo Queiroz, nosso atual Diretor, preferiu acelerar este processo. Sua presença física é constante dentro do Clube e não apenas dentro da sua sala de trabalho. Ele sabe que para ter sucesso no seu trabalho é preciso estar além das quatro paredes. É só ir a um treino dos juniores, sub-20, sub-17, às reuniões do fórum e outras atividades dentro do Clube, como a confraternização de Natal dos funcionários do Clube, que iremos encontrá-lo. Uns podem achar que não é função do diretor, no entanto, não podem negar que o conhecimento geral do funcionamento do Clube é passo primordial para um bom ambiente e o sucesso de sua atividade. Raimundo Queiroz, que teve a sua vida profissional em Goiás, tem a chance de fazer sucesso aqui. Depois de uma saída pouco amistosa de sua terra natal, nada melhor do que pegar um clube falido e fazê-lo ressuscitar. Claro, desde que lhe dêem condições para tal. No Arruda, ele sabe que encontrará inúmeras dificuldades, mas também muito apoio. Sua trajetória de vida mostra que a dificuldade não é problema, indicando que a sua inteligência e audácia caminham lado a lado. Suas primeiras contratações no Santa Cruz (jogadores do Porto) lembraram às contratações de Araújo, Josué e Marquinhos pelo ex-diretor do Goiás. Às vezes Raimundo é incompreendido (“… menos...

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Bi-campeão

Foto: Revista Placar A torcida do Santa Cruz se acostumou a valorizar, de sobremaneira, as conquistar mais difíceis. Claro, se todas as conquistas precisam ser valorizadas, imagine as mais dramáticas. Afora isso, tem o fato de que nos últimos trinta anos, raríssimas foram as conquistas que não vieram na base do sofrimento. Foi assim em 1983, na emocionante final contra o Náutico; nos campeonatos de 1986 e 1987 em plena Ilha do Retiro; na final, com direito a prorrogação, de 1990; no épico campeonato de 1993; e, no campeonato brasileiro de 1999. Até aí, nada de anormal. Mas, é importante que o torcedor do Santa Cruz saiba valorizar todas as conquistas, independentemente da emoção do último jogo. Pois, muitas vezes, a conquista “menos difícil” é resultado de um planejamento bem feito. Já escrevi alguns textos falando das conquistas memoráveis e me dei conta que todas elas tinham o viés de dramaticidade. Então, desta feita, resolvi mudar. Vou falar de uma conquista que poucos comentam. Vou escrever sobre o nosso BI-Campeonato. Mas, falar o quê se sobramos desde o início? – Ora, enaltecer as nossas virtudes. Quem sabe sirva de lição para os míopes de plantão. Desde o início do campeonato éramos superiores aos nossos adversários. A base formada no anterior foi o nosso maior trunfo. O Náutico e o Sport nunca foram rivais a nossa altura, embora tivessem um bom time. A nossa zaga foi uma das melhores que o Santa Cruz já formou, fazendo frente às zagas formadas à época do penta-campeonato. Falar dos nossos atacantes era falar de gols. Só para se ter uma idéia, no final do campeonato, para cada gol que o vice-campeão marcou, nós marcamos 1,9. Ou seja, quase o dobro. Acho que na história do Campeonato Pernambucano nenhum time teve um saldo de gols tão invejável quanto o nosso: 111. Vencemos todos os três turnos disputados, algo raro de acontecer em Pernambuco. Ainda mais porque tivemos o privilégio de enfrentar nossos maiores rivais nas finais dos respectivos turnos, e, ganhamos todas. Éramos tão poderosos que, neste ano, dava-nos o luxo de pagar o segundo maior salário a um treinador da América Latina. Neste mesmo ano ganhamos da CBF o título de Fita Azul do Brasil. Nós tínhamos mais de 15 mil sócios em dia e nossa sede-social (piscina, bares) registrava uma movimentação de 1.000 sócios por final de semana. Revelávamos e/ou formávamos jogadores com...

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O casal 10 do Arruda

Imagem: É gol do Santa O Santa Cruz sempre teve fama de bons artilheiros. Quem conhece um pouco da sua história, já ouviu falar de Tará, Ramon, Nunes e tantos outros. Por lá, também passaram grandes decepções. Jogadores em fim de carreira que vieram com fama nacional e/ou internacional, no intuito de apenas “conhecer” a praia de Boa Viagem. Foi isso que pensei quando o Santa Cruz anunciou a contratação de um “velho” centroavante, que estava jogando em um time sem expressão. Não acredito! – pensava comigo mesmo. Porém, como o mundo da voltas, e, no mundo do futebol as voltas são mais rápidas ainda, este jogador, em especial, chamou minha atenção. Porque dele, eu não esperava nada. Já era ídolo em outras cores tricolores e viria para o Arruda apenas para se “aposentar”; como tantos outros já fizeram. Aos poucos fui percebendo que a situação não era bem assim. Estava enganado. A idade mais avançada que os demais era, na verdade, um privilégio. Ele não precisava correr como um garoto. Jogava em pé, esguio. Levantava a mão e a bola lhe encontrava. Quando vinha rasteira, chutava com a direita ou esquerda. Quando via por cima, o goleiro tinha que buscá-la dentro do gol. No Arruda, ele também deixou sua marca. Artilheiro nato, fez gol de tudo que é jeito. Jogou metade do campeonato pernambucano e fez 22 gols, sendo o artilheiro isolado. Hoje, ouvi dizer que ele passa por dificuldades financeiras e motoras. Prefiro pensar da mesma forma como pensei anteriormente: não acredito! Afinal, o mundo dá voltas e no futebol as voltas são mais rápidas ainda. Assim como foi em 1993. Em plena final do campeonato, o centroavante resolveu jogar deitado e foi expulso ainda no primeiro tempo. Logo ele que, em pé, resolvia todas as partidas. Talvez, porque não quisesse reinar absoluto, dando chance para Célio fazer o gol da vitória e também escrever seu nome na história do Clube. Lembro-me de lances mágicos; dos gols em clássicos; de dribles desconcertantes; Nas dificuldades que enfrentava, sempre encontrava uma solução. Não importava se o time era fraco e o adversário era mais qualificado. Soube que no último domingo ele foi reverenciado mais uma vez no Maracanã. Sempre quando falo dos artilheiros do Arruda, faço referência ao seu nome. Hoje, sei que ele passa a maior parte do tempo sentado, infelizmente, devido a uma doença degenerativa. Eu, quando...

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E tudo passa?!

Dependendo da ótica de cada leitor, o título do artigo traz uma afirmação ou um questionamento. Os mais otimistas irão ver a exclamação no final do título. Os pessimistas preferirão observar a interrogação. E, possivelmente, os mais realistas ficarão na dúvida. Enquanto tudo não passa… Com mais de um ano de mandato a cumprir como Presidente do Santa Cruz, Fernando Bezerra Coelho já dá declarações sobre seu possível afastamento do Clube. O motivo, claro, é político. Nada que assuste mais nenhum tricolor. Embora, desta vez, ninguém será pego de surpresa; afinal, a política partidária sempre esteve acima do Santa Cruz. FBC passará, como tantos outros já passaram… Enquanto tudo não passa… O Presidente de honra do Conselho Deliberativo – sim, criou-se esta nova denominação para aquele que, infelizmente, não pode assumir o cargo para o qual foi eleito – já se lançou candidato. Disse que esperava ser indicado pelo atual Presidente do Clube, mas, caso não fosse, poderia “bater chapa”. Gozando de alto prestígio pela sua presença física no Clube, o desembargador Bartolomeu Bueno tem mais do que legitimada sua candidatura, haja vista, também, a escassez de quadros no Mais Querido. Depois de vários anos sem freqüentar o Arruda, Bartolomeu Bueno parece ter o sentimento de amor e sofrimento alinhado com a massa coral. É capaz de provocar o entusiasmo do santacruzense ao evocar o espírito de James Thorpe, como fez durante sua posse em 2008, e também de incredulidade e inquietação ao afirmar ser contra a retirada das estrelas impostas no nosso escudo e de opinar que o técnico para o próximo ano do Santa deveria ser o treinador da Copa Pernambuco. Enquanto tudo não passa… Integrantes da maior torcida organizada do Clube provocaram mais uma cena, no mínimo, constrangedora. Exigiram “educadamente” a saída de um Conselheiro de qualquer atividade dentro do Clube. Lamentável, mas não surpreendente. Surpreende sim a nota que eu li da providência tomada no site oficial do Clube: “(…) o presidente do Conselho Deliberativo, Roberto Arraes, sugeriu que esses encontros não ocorram mais dentro da sede do Arruda (…)”. – Sim, a nota se preocupou em afirmar que o local das reuniões deveria ser alterado. Ou seja, culpa da bala, não de quem apertou o gatilho. Enquanto tudo não passa… O novo treinador será anunciado pelo Twitter do Secretário do Estado, candidato ao Senado e Presidente do Santa Cruz. Esta deve ter sido a...

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Arena Coral, por Pernambuco.

O animal de estimação do Governo de Pernambuco Sim, eu defendo a Arena Coral. Por razões tão óbvias que qualquer engenheiro, economista, administrador ou, simplesmente, um torcedor saberia dizer na ponta da língua. Digo isto porque a construção de um novo estádio, numa área distante do centro da cidade, será muito oneroso para nós, contribuintes e apaixonados por futebol. Com o dinheiro aplicado, e com responsabilidade, seria possível criar a Arena Coral e reformar os outros dois estádios (os Aflitos e a Ilha); similar ao que os portugueses fizeram na Eurocopa. O benefício seria para os três Clubes – se esta for a questão primordial. Fico impressionado quando vejo o montante ganho pelos principais times do mundo com a exploração do seu estádio. Para mim, ir a um estádio é ponto obrigatório de visita em qualquer cidade do mundo. Estádios de futebol, para mim, é similar a ir ao Shopping, como o é para a minha mulher; não me canso de olhar e de gastar. Mas a questão primordial vai mais além do que uma questão de gosto. Com a criação deste novo estádio, muito provavelmente, Santa Cruz, Náutico e Sport serão obrigados a jogarem boa parte de seus clássicos no novo estádio. Isto me parece óbvio, visto que o “elefante branco” (cidade da copa) terá que abrir alguns jogos senão “vai ficar branco antes do tempo”. Alguns podem argumentar que a conta de manutenção do “elefante branco” ficará a cargo da empresa que vencer a licitação. No entanto, muito dificilmente, conseguirão “decifrar as cláusulas” dessa licitação. De repente aparecerá uma nova Lei dizendo que os clássicos terão que se realizar em estádios que tenham capacidade de abrigar 500 carros no estacionamento, ou virá a Polícita Militar dizer que não conseguirá garantir a segurança do torcedor em estádios localizados no centro da cidade… etc… Digo isto porque me parece óbvio imaginar que a sustentabilidade econômica deste projeto estaria vinculada a Santa Cruz, Náutico, Sport, Seleção Brasileira …. jogos de futebol. Duvido muito que o “elefante branco” sobreviva com shows, teatros, shopping e outras coisas do tipo. Como se, em Recife, o problema fosse a falta de tais opções. E, não bastará os clubes se revoltarem e dizerem que não jogam lá. Todos sabem que a forma de administração dos clubes pernambucanos acaba deixando-os reféns do Estado. Neste modelo “europeu” que adotamos, o Campeonato Pernambucano, de apenas três meses, não é rentável. Graças ao...

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