Encolheu ou peneirou?

Foto: Santa e Atlético-GO, de autor desconhecido O Estádio José do Rego Maciel tem uma estrutura física de dar inveja aos engenheiros e arquitetos. No entanto, tem alguns mistérios sobrenaturais. Explico: o estádio tem a incrível capacidade de estender ou encolher em questão de dias. Quando se assiste a um jogo de futebol com 1 mil pagantes, tem-se a impressão que não existe ninguém mais além de você assistindo ao jogo. É a sensação de vazio que o conhecido Mundão do Arruda lhe proporciona. Mas o inverso também ocorre e, pior, com mais freqüência. Quando se assiste a um jogo com 40 mil pessoas (como foi o jogo contra o Atlético-GO) tem-se a certeza que o Estádio diminuiu. Há aproximadamente um ano, houve um jogo das Eliminatórias da Copa do Mundo. O Mundão do Arruda estava impecável e comportou cerca de 55 mil pessoas sentadas; e olhe que ainda cabiam mais. Para mim, esta é uma prova inconteste de que, apesar da flexibilidade do estádio, sua capacidade é relativamente conhecida. Sei que neste mesmo estádio já houve registros de mais de 95 mil pessoas no duelo Brasil x Argentina. Eu estava lá e neste dia consegui ver a diferença entre um estádio cheio e um estádio lotado. Mas isto não vem ao caso, visto que as regras do jogo e as leis de defesa do consumidor eram outras. Voltando ao jogo contra o Atlético-GO na última semana, foi uma surpresa geral quando foi anunciado o público e a renda do jogo. Rádios, jornais e o próprio clube de forma oficial anunciaram uma renda de R$ 338.390,00 para um público de 39.239 pessoas. A desconfiança foi imediata. Estava mais do que cristalino que algo estava errado. Logo começaram a surgir desconfianças em relação à capacidade do estádio e/ou ao controle da renda, pois todos sabem que a evasão de renda é um dos problemas no Brasil. Lembro-me de um artigo publicado no Acerto de Contas (leia aqui) em que o autor foi muito crítico em relação a estes fatos, afinal, todos sabem que quanto mais se arrecada, maiores serão os encargos a pagar. Depois, a publicação do borderô oficial no site da CBF apresentou um acréscimo de R$ 50 mil, passando a renda para R$ 388.390,00, mais condizente com a realidade. Embora ainda cause consternação aceitar um preço médio de ingresso inferior a R$ 10,00 quando o menor valor cobrado...

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Um pouco de história

 Placa comemorativa no Parker’s Piece. Créditos: BBC Perguntar para um brasileiro, apaixonado por futebol, o nome do país que inventou o futebol e o nome da pessoa que introduziu o esporte no nosso país não chega a ser uma questão tão difícil de ser respondida, embora talvez não seja uma resposta correta. Da mesma forma que perguntar para um brasileiro, do meio acadêmico, o que representa a cidade de Cambridge para o meio científico. Também, outra questão relativamente fácil de ser respondida. Afinal, é na Inglaterra, do inglês Charles Miller, berço do futebol para a maioria dos brasileiros, que está situada a cidade de Cambridge, conhecida por sua Universidade com mais de 800 anos de história. Todavia, o que as duas perguntas têm em comum, poucos apaixonados pelo futebol e raros acadêmicos conseguirão responder. Embora os relatos de garotos brincando com algo mais parecido com uma bola remontam aos idos de 300 A.C., na China (berço do futebol, segundo a FIFA), foi em Cambridge, mais precisamente no Parker’s Piece (localizado no centro de Cambridge) que um grupo de jovens alunos teve a idéia de elaborar um conjunto definitivo de regras  em 1848. Possivelmente, só a partir de então, pôde-se organizar a brincadeira e dar-lhe um nome: futebol. Em seguida, cópias das regras foram fixadas para as árvores ao redor do parque que rapidamente se tornou o lugar preferido para a brincadeira. O chamado “Regulamento de Cambridge” logo passou a ser adotado por muitos dos times da região e aceito pela Associação de Futebol (1863); tendo o seu primeiro jogo, disputado com as novas regras, no local do batismo: Parker’s Piece. De uma forma bem resumida, no novo regulamento, era proibido “golpear, dar uma rasteira no adversário e manusear a bola”. Segundo escritos da época, as novas regras foram criadas visando o triunfo da “habilidade sobre força”. Lá no Parker’s Piece fixou-se uma placa comemorativa com a seguinte mensagem: Aqui no Parker’s Piece, em 1800, os estudantes estabeleceram um conjunto comum de regras de futebol, enfatizando habilidades acima da força, que proibiu de pegar a bola e manuseá-la. A Regras de Cambridge definem, desde 1863, as regras de Futebol. Depois das Regras de Cambridge, o futebol se modificou a tal ponto que o país, que cultua sua rica história, seus heróis e suas rainhas e “inventou” o esporte mais praticado no mundo, não consegue se destacar entre os melhores. Das Copas do...

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Devaneios e realidade

Tem certos momentos da vida que você tem que se afastar um pouco. Faz bem. Como estou fora do país, acompanhar o Santinha é uma operação sem igual. A diferença de fuso horário atrapalha e muito, afora que temos que nos contentar com as transmissões um tanto quanto parciais. Pois, ontem, eu resolvi fazer diferente. Simplesmente, não vi o jogo. Fui dormir! Estava confiante, principalmente quando vi a escalação de Dado. Após o jogo contra o Sport fiquei muito preocupado com a leitura pós-jogo do nosso treinador. Mas, Dado é inteligente e ontem mais uma vez deu provas disso. Ciente da fragilidade da zaga, fez o óbvio e colocou mais um marcador no meio-de-campo. Pronto, agora seria superação versus favoritismo. Dormi um sono como poucos. Nem o frio de zero grau me fez acordar. Sonhei, sonhei. Foram horas de devaneios. Finalmente acordei. Apreensivo, fiquei com receio de trocar meus sonhos pela realidade. A primeira missão foi escolher o site que iria me dar a notícia. Depois de sempre entrar nos sites errados, desta vez, fiz o dever de casa. Resolvi acessar o Torcedor Coral de primeira. A segunda missão foi escolher como iria saber do resultado. Ler as mensagens em ordem cronológica ou pular direto para a última. Resolvi adotar a primeira. E adivinha quem me deu a notícia? – Meu amigo Geó. Isso mesmo, o nobre poeta, o homem que come doce-de-leite como formiga, que adora colocar água no feijão, foi o mensageiro da esperança. Foi quem primeiro escreveu a palavra “vitória” e meus olhos enxergaram rapidamente que os devaneios podem virar realidade. Eu li sobre a vitória. Eu vi os gols do jogo no link ao lado, no site do Torcedor Coral. Eu também me emocionei. Deve ter sido lindo, como a nossa história. Emocionante, com um pingo de sofrimento. Revigorante, para aqueles que duvidam. Santo, para aqueles que amam o Santa. Vamos em frente. Vamos mudar a história recente. Porque mostramos que queremos ir além dos planejamentos de passar da primeira fase da Copa do Brasil e de chegar em terceiro lugar no Pernambucano. Porque não queremos ter apenas uma torcida de primeira. Queremos vencer os times de primeira e, para isso, temos que estar na primeira divisão, nosso lugar. Precisamos que os jogadores, diretores e torcedores, juntos, transformem nossos sonhos em realidade. Afinal, quando se sonha junto, torna-se realidade. Não precisamos ter medo da realidade....

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O cupido da paixão

Ninguém é mais Santa Cruz do que ninguém! Muitas vezes, os mais ‘apaixonados’ são os que menos enxergam. Outras vezes são os ‘racionais’ que não deixam o sentimento invadir sua alma. Sem dúvida, é um grande dilema para todos nós ser Santa Cruz de forma apaixonada e racional ao mesmo tempo. É preciso ter muito controle emocional para não deixar envolver-se. Às vezes somos levados a nos apaixonar graças aos nossos pais e amigos; outras vezes, sozinhos, descobrimos o amor à primeira vista. Como no futebol, o sentimento de amor está fortemente associado ao da paixão. Surge, então, o sentimento incontrolável da exigência, da reciprocidade, da posse e do ciúme. Agora, imagine quando esta paixão não é correspondida. É aí que vem a decepção e com ela, muitas vezes, a separação. E não cabe a ninguém julgar esta decisão, pois é impossível medir o sentimento de alguém, seja de amor, seja de tristeza. Afinal, ninguém é mais Santa Cruz do que ninguém! Foi isso o que aconteceu com várias pessoas que eu conheci nessa “vida de Santa Cruz”. Lembro bem, no final dos anos noventa, a presença de dois tricolores ilustres. Um deles é Murilo Lins e o outro é Newton Neto. Apaixonados pelo Santa Cruz, foram voluntários em prol do erguimento do Mais Querido. O primeiro, no Conselho Deliberativo, e o segundo através do primeiro site “oficial” sobre o Santa Cruz que eu tenho notícia. A esses se somam os irmãos Leleu e Picapau. Tricolores de sangue, filhos de pais que não gozam de amor pelo clube das três cores, foram figuras marcantes em momentos especiais do Santa Cruz ao meu lado. Acrescente-se ainda Ivan Patriota, Fábio Martorano, Márcio do Crato, Geraldo Magela e tantos outros apaixonados pelo Santa Cruz. Hoje, eu não vejo mais esses amigos no Arruda. Obviamente, sei que outros fatores, profissionais e/ou familiares, os impediram de comparecer aos jogos em alguns momentos. Mas não tenho dúvidas que, em muitos casos, o Santa Cruz não retribuiu ao amor que eles sentiam pelo clube. E assim muitos foram embora decepcionados com as direções irresponsáveis que tivemos. Não podemos julgá-los, afinal, ninguém é mais Santa Cruz do que ninguém. E ninguém é capaz de julgar o sentimento dos outros. Todavia, o Santa Cruz continua vivo e, infelizmente, mais carente. Não podemos deixar que isso ocorra com outros amigos. Sei que a paixão desses tricolores está guardada, esperando...

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Presente e Futuro

Virei um torcedor de rádio. Na verdade, com a modernidade do mundo, “virei um torcedor de internet”. Como estou fora do país, acompanhar o Santa Cruz tem sido uma tarefa difícil. Quando os jogos são transmitidos ao vivo pela TV eu consigo acompanhar diretamente através da internet com um pequeno delay. Já aqueles em que a transmissão ocorre somente pelo rádio, fico apenas com o áudio. Falando sobre o futebol atual, está claro que o time tem muitas limitações, haja vista a disputa acirrada com a Cabense e o Central para se manter vivo e conseguir disputar a fatídica série D. Mas, como o prazo de inscrições para o estadual já se encerrou, resta-nos torcer pelo time que temos no momento. É, neste contexto, que a vitória de ontem foi fundamental. Vencemos um adversário direto pela vaga da série D e marcamos posição no G-4. Este é o primeiro passo. Não adianta ficar pensando em título de campeonato pernambucano agora. Vamos ser realistas. Primeiro, temos que consolidar a nossa vaga para a Série D e depois nos classificar entre os quatro primeiros. Aí sim, como já disse anteriormente, tentar virar a zebra coral. Tudo passo a passo. Alerto para o fato de que é neste momento de dificuldades que as fragilidades aparecem mais, que os jogadores ficam mais expostos. Durante essa fase final do campeonato, veremos aqueles que têm condições de seguir adiante nessa batalha tão penosa de soerguimento do Mais Querido. Pelo que venho tentando observar, que o time está criando uma identidade. Óbvio que esta identidade está longe de ser a idealizada por mim, mas ao menos já existe um esboço razoável de um time. Afora isto, houve uma melhoria da qualidade técnica de alguns jogadores. Ao que me parece, as chegadas de Brasão, Dedé e Tutti foram muito benvindas. Somem-se, ainda, as possíveis volta de Natan (cadê ele?), Guego, Tiago Laranjeiras e do futebol de Jackson e Élvis. Poderemos ter um meio-de-campo razoável para a Série D. A zaga e a lateral esquerda, sem dúvida, são os setores que vão precisar de maior atenção. Estou gostando da mentalidade de Dado Cavalcanti. Tenho até me surpreendido pela forma com a qual o grupo está aceitando sua liderança. Apesar da sua inexperiência, venho percebendo que o treinador está tentando dar um “choque de responsabilidade” nos jogadores. Afinal, é preciso que eles saibam um pouco do significado da camisa que...

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E dá-lhe, dá-lhe

O Santa Cruz não seu deu ao respeito. Os adversários estão vendo o Santa Cruz pequeno porque o próprio Clube não impõe o respeito que deveria impor, esquecendo que somente a tradição não é capaz de amendontrar mais ninguém. Não bastasse o Presidente da F.P.F. dar a entender que o Santa Cruz só seria campeão se “recebesse a taça” de mão beijada dado à fragilidade do time, em seguida vem o comentário do presidente do Sport de que nós não vamos nos classificar entre os quatro primeiros. Esta é a forma que eles nos vêem nos dias de hoje. E nós, o que fizemos? – Nada. Ninguém da direção do Santa Cruz foi capaz de rebater aos argumentos, simplesmente porque os que formam o corpo diretivo do Santa Cruz, hoje, tornaram-se pequenos para a grandeza do nosso Clube. Embora tenha certeza que grande parte da torcida ficou revoltada, a verdade é que não somos bem representados há anos. Infelizmente temos que aceitar, sem, contudo, nos conformar. Somos conscientes que elegemos um presidente que, na verdade, é um Secretário. Que elegemos um vice-presidente que, na verdade, é um Vice-Secretário. Que contratamos um diretor de futebol que, na verdade, ainda não foi capaz de perceber a grandeza do Santa Cruz. E, por fim, que temos um presidente do Conselho Deliberativo que … (e nós temos?) … Alterando o rumo da prosa, sem mudar o objetivo, eis que, de repente, sem eu esperar, o time começa a dar sinais de vontade. O time é fraco, é limitado e, para mim, este time que aí está corre sérios riscos de ficar fora do G4, o que dirá de ter sucesso na série D. Consegue empatar com o pior time que eu já vi do Santa. Mas, pelo menos, este time não está mais se apequenando. O treinador (que jamais seria o meu treinador neste momento difícil que o clube atravessa) está se agigantando. Suas palavras, ainda inexperientes, demonstram uma vontade imensa de vencer. Ele não cansa de afirmar que o Santa Cruz deve ter sempre como objetivo vencer. Pois ele, mais do que ninguém, sabe da importância profissional que este cargo representará para sua vida futura. Sou da tese de que treinador ganha jogo. No último domingo, o Botafogo-RJ e o Palmeiras-SP foram provas disso. Mas, também pode perder jogo. É só lembrarmos a disputa da série D no ano passado. No entanto,...

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