Dilema

Dilema

Ontem à noite, perto das dez, aproveitei o silêncio das crianças, que mergulharam em sono profundo, para ligar a TV e assistir ao jogo do Santa Cruz. Não fui ao Arruda na última partida, menos pelo protesto – que considerei inteligente, apesar dos efeitos econômicos perversos – e mais por compromissos sociais. Por isso, sentia uma alegre curiosidade para ver, por assim dizer, o novo futebol do Santa Cruz. Escrevo estas palavras em destaque, porque alimentei as minhas expectativas à pão e água, pois considero o futebol coral uma fonte inesgotável de insatisfação nesses últimos vinte anos, com raras exceções. Dessa maneira, minha curiosidade se reservava apenas ao direito de avaliar se a postura da equipe assumida contra o Petrolina viera para ficar ou se, ao contrário, não passava de chuva de verão provocada pelo protesto da torcida. Mantida a expectativa sob o cabresto, abri uma cerveja para relaxar, coisa que não é possível fazer em um estádio de futebol, porque os homens que fazem as leis para os torcedores certamente não vão a campo para saber onde reside a violência. Só precisei de alguns minutos para perceber que o futebol apresentado contra o Petrolina havia ficado em Recife. O Ypiranga, ao menos no início da partida, jogava melhor e, pasmem, Ludemar, atacante com passagem sofrível pelo Santa Cruz no ano passado, chegava com perigo e tinha boas oportunidades de gol. O time coral se limitou a fazer o de sempre: jogar sem objetividade e também sem demonstrar um entrosamento aceitável. De quebra, uma falha capital da arbitragem, que anulou um gol legítimo de Dênis Marques ao marcar impedimento nos acréscimos, e a repetição de críticas de Zé Teodoro à diretoria coral,  principalmente através de seu alvo predileto, Albertino dos Anjos, diretor de futebol e representante do clube na FPF. A reincidência das críticas públicas de Zé Teodoro ancora-se na impunidade de seus atos, o que faz o Santa Cruz parecer um clube sem comando, graças à falta de ação de seus dirigentes. Contudo, o jogo de ontem especificamente não é o foco de minhas palavras e, portanto, não tenho a intenção em me alongar ao tratar de assuntos como desrespeito profissional, esquemas táticos, pegada, qualidade técnica ou do técnico. O cerne deste artigo reside ainda no primeiro parágrafo: a postura da equipe no jogo contra o Petrolina veio para ficar ou não passa apenas de chuva de verão?...

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Ausência

Ausência

O Torcedor Coral esteve à deriva desde o último fim de semana. Paulo Aguiar viajou e deixou uma mensagem em meu e-mail, que só tive a oportunidade de ler ontem à noite. Artur Perrusi está na fase final de seu tratado O impacto moral da diarreia na vida social das tartarugas marinhas de Intermares. Nosso Professor Farias está envolvido numa reflexão epistemológica, ontológica, metafísica e ética a respeito das oscilações do plano tático aplicado por Zé Teodoro. Lisieux de Holanda, desde meados de fevereiro, desapareceu do mapa. Antes de partir, deixou um recado na porta de nossa redação, onde  acusava cansaço e afirmava que, com a enorme quantidade de comentários, se tivesse que aplicar rigorosamente todas as regras de moderação, sequer teria tempo para dormir. Mandei um recado de volta, através de Dumbo, nosso pombo-correio, que dormir não é preciso, moderar é preciso. Quanto a mim, entrei em crise com o meu computador pouco antes do carnaval e ainda não ficamos de bem, resultado de uma paralisia geral com travamentos sistemáticos, que tornou impossível iniciar o sistema operacional. Há suspeitas gravíssimas que o problema, dessa vez, tenha sido o HD. Sei que não é da conta nem do interesse de ninguém, mas ando tão furioso com o Windows e seus aplicativos que pretendo, até o fim do ano, por termo à minha relação com a Microsoft e partir para outra plataforma, mais segura  e confiável e, portanto, menos problemática. Como nada do que é bom é barato, preciso de um tempo para me capitalizar. Assim, se houver alguém que me deva uma grana, a hora de pagar é essa. Infelizmente, o tempo passou e não foi possível escrever as minhas impressões sobre o protesto da torcida tricolor no último jogo contra o Petrolina. Por isso, escrevo este texto, poucas horas antes do desafio de hoje à noite sem qualquer propósito, a não  ser para justificar a nossa ausência. Ainda que eu não tenha recebido de volta o meu computador, espero publicar alguma coisa amanhã, se tudo der certo, após a vitória contra o Ypiranga. Torço apenas para que o Santa mantenha o ritmo e que o jogo passado seja um divisor de água no futebol...

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Assobia, Pardal

Assobia, Pardal

Renatinho é titular. Léo é titular. Éverton Sena, mesmo tendo deficiências, está jogando mais do que os atuais zagueiros do Santa. Natan, se não fosse de vidro, seria titular indiscutível. Memo é o dono da posição. Simples, para qualquer torcedor coral, difícil para um pardal. Todos prata-da-casa. A pressão da torcida foi bem feita. Público de Ilha do Retiro no Mundão do Arruda, a Inferno minguada, e o patrocinador master do Clube, a torcida, arretada com o blá-blá-blá falado pelo presidente ALN e por Zé Teodoro. Torcedor não é besta, vê que o planejamento no futebol foi mal feito para 2012 e que o seu treinador roubou o cargo do seu Presidente. A vitória de hoje foi do Torcedor do Santa Cruz ! 6 x 0, a maior goleada do Campeonato Pernambucano de 2012 até o momento. Até Memo fez gol. Óbvio que o time ainda precisa de reforços, mas a base montada é essa. Agora sim, podemos discutir se Renatinho joga melhor na lateral esquerda ou na meia, se Léo deve jogar de segundo-volante ou um meia mais recuado. Enfim, esse sim, é um trabalho para ser feito por quem está dia-a-dia no clube, treinando os jogadores. Já as invenções, vamos deixar para os cientistas. Um domingo tranquilo tranquilo para o Torcedor Coral. Assobiam os passarinhos. Até mesmo o Pardal do Arruda....

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Entrevista com o Professor Pardal

Entrevista com o Professor Pardal

O Torcedor Coral sempre teve um desejo incontrolável de ficar à beira do campo e também de participar das entrevistas coletivas, a fim de estudar a conduta de jogadores e treinador, na tentativa de buscar, através de pesquisa comprovadamente científica, compreender as razões de uma vitória ou de uma derrota. Não seria interessante descobrir, através de perguntas sinceras, por exemplo, o que motivaria um treinador a escolher essa ou aquela escalação, o esquema tático e as substituições? Não seria oportuno analisar o desempenho de uns e de outro, jogadores e técnico, e responder questões relevantes do futebol, ainda mais em tempos tão esquisitos como o que vivemos, de planos táticos ininteligíveis e escalações sem nexo, onde cem entre cem torcedores não fazem a menor ideia aonde o treinador quer chegar? Infelizmente, enquanto a mídia esportiva institucionalizada recebe lanchinho à beira do gramado, durante os treinamentos, aos blogues não são permitidas participações tão próximas do departamento de futebol. Cansados de esperar uma autorização que nunca virá, o Torcedor Coral convidou o repórter esportivo, Paulo Bocão, formados nas ruas, nos bares e nos clubes de fofoca, para furar esse bloqueio e conseguir, custe o que custar, acesso a essa turma graúda. Sua primeira missão foi conseguir uma entrevista exclusiva com o técnico coral, a quem ele, como todo torcedor, chama carinhosamente de Professor Pardal. De tocaia na saída do estacionamento do Arruda, Paulo Bocão bloqueou o veículo do treinador com um carrinho de mão utilizado na reforma de sua garagem, que agora terá banheiro privativo e sala de chá, e conseguiu essa entrevista exclusiva. Paulo Bocão – Professor, o senhor fez algum teste psicotécnico para ser treinador do Santa Cruz? Professor Pardal – Claro que não. Por que a pergunta? Paulo Bocão – É que suas escalações, substituições e esquemas táticos não fazem sentido nenhum. Professor Pardal – Tudo isso faz parte de um planejamento estratégico que o senhor, por não ter formação no futebol, não tem condições de compreender. Paulo Bocão – É por causa desse planejamento estratégico que os jogadores tiveram quase dois meses de férias? Professor Pardal – Sim. Está provado que o repouso é necessário para a recuperação física do jogador. Paulo Bocão – Não é por isso que esse time é descansado demais em campo, não? Professor Pardal – Pretendo deixar o time ainda mais relaxado com uso de outros meios avançados da medicina esportiva. Quero...

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Pois Zé

Pois Zé

Errar é humano, permanecer no erro não. Zé Teodoro chegou para o Santa Cruz no momento mais delicado da história do Clube. E porque não dizer, também sua como treinador. O Santa mergulhado numa série D e Zé Teodoro dispensado de um clube da série C. Zé Teodoro fez uma revolução no Arruda. Colocou os pratas-de-casa para jogar, descobriu jogadores desconhecidos da massa coral e montou um time limitado, mas eficiente. Ganhou o Campeonato Pernambucano com méritos. Quando chegou a série D, começou um novo discurso. “O Santa Cruz vai jogar como favorito”, dizia o treinador. Vários jogadores chegaram para suprir a lacuna de dois atacantes que saíram. Pronto, foi o suficiente para o torcedor coral não saber mais qual o time do Santa Cruz. Jogadores como Bismarck e Jéfferson Maranhão que mudavam a dinâmica do jogo iam para o banco de reservas em detrimento da maior descoberta dos últimos anos: Flávio Caça-Rato. Resultado: Cada jogo uma escalação diferente (ou seria invenção?). Subimos, no sufoco, e levando duas lapadas para o Tupi-MG. Ufa! Em 2012, manteve-se a base do time. Quase 10 jogadores foram contratados, dentre eles os dispensados pelo Fortaleza (Bala e Luciano Henrique). Com mais opções para montar seu time, Zé Teodoro se perde novamente. Resultado: cada jogo um time diferente (ou seria invenção?). O Santa Cruz hoje é o 5o. na classificação geral do Pernambucano atrás de Salgueiro e Petrolina, dentre outros. É claro que o campeonato ainda não acabou, mas essa colocação do Santa após a 1ª fase é um vexame. Quem escutou a escalação do clássico já sabia que não poderia vir “coisa boa”. Memo jogando atrás dos zagueiros (3-5-2), Bala jogando na cabeça-de-área e Caça-Rato no ataque. Foi demais, digna do chamado “professor pardal”. Após goles e goles de cerveja eu fico me perguntando: Qual o time titular do Santa? Ninguém sabe. E o pior, nem o treinador. Porque Renatinho é banco em um time como o Santa Cruz? Porque Léo é banco para jogadores como Chicão? O que faz Caça-Rato ser titular desse time? A resposta é mais do que óbvia. Porque o treinador é Zé Teodoro. Tá na hora de mudar, Zé. Pois Zé … Entrevista Pós-Jogo Duas frases marcantes de Zé Teodoro na entrevista após o jogo: 1. Tirei Bala e Caça-Rato no intervalo por causa do juiz. (Isso mesmo, por causa do Juiz, disse o treinador); 2. Não vou ganhar...

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Cobra Venenosa

Cobra Venenosa

“Eu olhei o lance por mais de dez vezes, liguei para os dois presidentes e pedi a opinião deles. O do Santa acha que não foi, enquanto o do Náutico acha que foi. Então se há a dúvida não existe porque questionar a decisão do árbitro, afinal ele estava próximo ao lance.” Evandro Carvalho, Presidente da FPF, sobre a penalidade que só ele e o presidente do Náutico não viram. Por que Evandro Carvalho não liga para Márcio Braga (ex-presidente do Flamengo) e pergunta quem é o campeão brasileiro de 1987? “ Alguém sabe quanto foi o jogo do co-irmão na Ilha do Mangue? Não? – Pergunta lá no posto Ypiranga.” De um Jornalista, replicando um comentário feito no twitter. “ O Salgueiro arrancou uma importante vitória contra o Náutico, de virada, por 3 a 2, com gol bastante polêmico nos acréscimos. O gol da vitória nasceu de uma falta inexistente.” Do Blog do Torcedor sobre o jogo de ontem, Salgueiro x Náutico, e a suposta falta inexistente. Será que o Presidente da FPF também vai ligar para o Presidente do Salgueiro e perguntar se o gol foi legítimo? “Alguém sentiu falta de caça-rato? E de Branquinho, quem sentirá?.” Discussão unilateral entre Nó Cego e Odivaldo, o famoso mudinho do Arruda, após a estreia de gala do atacante e candidato a artilheiro, Denis Marques, o DM-9, que estava sem jogar há um ano e meio e não oito meses, como informou o Santa...

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