Navegar é preciso

Montagem: Dimas Lins O navio de bandeira coral que trará o velho marujo Dimas Lins   Hoje é um dia de despedidas na família Lins. Por isso, peço licença aos demais tricolores para ser intimista. Mais uma vez. Jonas, um velho marinheiro que esteve mais da metade de sua vida longe de casa e após uma passagem de trinta dias na capital pernambucana, levantará âncora e deixará a terra natal. Seguirá novamente o seu destino.   Vai embora depois de rever muitas coisas. É bem verdade que deixou de participar do nosso carnaval e de assistir a encenação da paixão de Cristo, em Nova Jerusalém. Aliás, sequer verá a paixão dirigida pelo Reverendo Tse-Tsé, sacerdote ateu, cujas cartas são publicadas no Blog dos Perrusi. Fui convidado para interpretar (?) o papel de Dimas, o ladrão. Aproveito aqui para abrir um parêntese. O convite não veio pelo talento, afinal eu só precisarei ser pregado na cruz. Acredito que fui convidado pela fato de já me encontrar na cruz por ser torcedor do clube do Santo Nome, como diria Artur. Isso pode tornar a cena mais real. Entretanto, a encenação me traz duas preocupações: a primeira é que, pela falta de recursos para os efeitos especiais, o sangue usado na crucificação pode ser real, ou seja, o meu mesmo; e a segunda será a frustração de ver a galera tomando umas e outras ao pé da cruz, enquanto eu estiver sendo crucificado ao lado de JC. Afinal, não quero ser pego para Cristo, já que sou um dos ladrões. Fecho o parêntese.   Mais eis que me distraio e, como sempre, fujo do assunto. Falava da partida de um irmão tricolor nesta madrugada e que sequer viu o seu time jogar, enquanto esteve aqui. Falha minha e dos demais irmãos. Murilo eu até que nem culpo tanto, pois ele mesmo tem fraquejado e não tem ido aos jogos do Mais Querido, a contragosto dos demais membros da família. Bem, pelo menos continua pagando a mensalidade em dia, pois aí seria o caso de atitudes mais severas pelo clã dos Lins.   Mas voltando ao marinheiro, talvez tenha sido melhor ele ir embora sem ver tanto sofrimento em campos corais. Afinal, não gostaria de me sentir culpado se algo acontecesse ao coração do velho marujo. Mesmo assim, em parte a missão foi cumprida. Pois na última quinta-feira consegui levá-lo ao Arruda para matar a saudade dos tempos...

Leia Mais

Histórias de uma família tricolor

 Foto: Lenira Macedo    Dimas e Jonas ainda em São Paulo: reencontro 26 anos depois Dimas Lins   Esta história é baseada em fatos reais e outros nem tanto. Mesmo assim, quaisquer semelhanças com nomes, pessoas ou times não serão meras coincidências.   Hoje tem jogo do Santa e eu iria aproveitar a oportunidade para chamar meu irmão, de férias com a esposa aqui em Recife, para ir comigo. Jonas, o irmão, esteve ausente da cidade há mais de 26 anos. Aos 17 anos, ingressou na marinha de guerra, porque achava papai durão. Acreditava que na marinha sua vida não seria tão dura e, anos depois, mandou avisar que tinha razão. Meio cético, ainda acho que a marinha de guerra era mais difícil de encarar do que papai.   Jonas fixou residência no Rio desde então e, seis anos atrás, mudou-se para São Paulo, quando se casou com a paulista Silvia. Sua última passagem por Recife foi no início da década de oitenta. Neste meio tempo, muita coisa mudou. A cidade cresceu aos olhos dele e poucas são as coisas que mantém os traços originais, como a velha rua Padre Floriano, aquela mesma do Galo da Madrugada, onde crescemos e fomos criados por entre as mais ricas formas de expressão cultural do nosso carnaval. Em visita ao velho bairro, Jonas ainda pôde ver que o antigo Beco do Veado (o nome deriva do ungulado da família dos cervídeos e não do mamífero bípede de trejeitos efeminados ou pusilânimes) mantém uma pequena escultura do animal pendurada em uma de suas esquinas, como há trinta anos atrás. Aposentado, o velho marinheiro ainda acalenta o sonho de viver novamente em Recife, cidade que nunca esqueceu.   Quanta mundança de lá para cá. Tanto assim que o vivente até deixou de beber. Mas algo manteve-se intacto, inquebrantável: a paixão pelo Santa Cruz. Mesmo passando a maior parte de sua vida no Rio, Jonas não se deixou levar pela sedução dos clubes cariocas. Um bom exemplo para paraibanos e alagoanos. Três anos atrás (Jonas diz que a cronologia dos fatos remete à mais de dez anos), prometi lhe enviar uma camisa oficial do Santa Cruz. Finalmente, no final do ano passado, quando estive em São Paulo, paguei a dívida contraída, entregando a camisa coral.   Mas volto ao cerne da questão. Eu iria aproveitar a oportunidade, notem o tempo verbal da ação, para convidá-lo a ir ao jogo comigo. Dois fatores, me fizeram desistir. O...

Leia Mais

Ser ou não ser, eis a questão

Shakespeare: fonte de inspiração para o futebol Dimas Lins   O poeta e dramaturgo inglês William Shakespeare é considerado por muitos literatos o maior escritor da língua inglesa de todos os tempos. Até hoje, seus textos são revisitados pelo teatro, cinema e televisão. Shakespeare deixou diversas obras importantes como O Mercador de Veneza, Sonho de Uma Noite de Verão, Romeu e Julieta, Macbeth, Rei Lear e Otelo.   Mas é em Hamlet que o Torcedor Coral foi buscar inspiração para discutir as questões do futebol tricolor. Na peça shakespereana, o príncipe Hamlet recebe a visita do fantasma de seu pai que revela que sua morte não foi acidental. O rei Hamlet, o pai, aponta o culpado, o irmão Cláudio, e pede vingança ao príncipe. Muitos atos depois, o príncipe Hamlet ao contemplar o suicídio cita uma das frases mais célebres do autor: “ser ou não ser, eis a questão”.   O “ser ou não ser” levantado pelo Torcedor Coral aborda a questão da profissionalização do futebol tricolor. O departamento ainda sofre com práticas antigas e já superadas que ainda teimam em sobreviver em estruturas arcaicas do futebol brasileiro. O Santa Cruz não é exceção à esta realidade.   Recentemente, algumas mudanças ocorreram no departamento de futebol e foram alvo de comentários positivos deste blog. Na ocasião, discutíamos a habilidade política do presidente em promover mudanças sem causar rupturas aparentes ao convívio de tricolores que apoiaram a diretoria na primeira hora. Na ocasião, a habilidade premente do presidente tricolor estava em discussão. Agora, mais uma vez, Edinho precisa mostrar habilidade e vontade para revolucionar o futebol.   Para instigar esta mudança, o Torcedor Coral aborda um outro lado da questão: a profissionalização do departamento. É preciso mudar a realidade do futebol coral com a pesquisa e adoção de soluções funcionais que deram certo em outros clubes, inclusive do exterior, para acabar de vez com contratações equivocadas e apostas em jogadores que, no final das contas, não tinham nada a acrescentar ao Santa Cruz. A solução do departamento de futebol passa, no mínimo, pela utilização de profissionais da área que possam pensar o futebol coral tanto para o momento atual, quanto para o futuro.   O futebol é carro-chefe do clube e, atualmente, o calcanhar de Aquiles da nova diretoria. Contratações equivocadas como a do zagueiro Alex Pinho, e manutenção no elenco do atacante Fabrício Ceará foram alguns dos erros cometidos. Em minha humilde opinião,...

Leia Mais

A ebulição dos projetos no Santa Cruz

Foto: Coralnet Diretoria discute projetos para o Santa Cruz Dimas Lins   Aos poucos, os grandes projetos começam a dar o ar de sua graça pelas bandas das Repúblicas Independentes do Arruda. No último dia 23, a Coralnet divulgou o resultado da reunião entre a diretoria tricolor e representantes do grupo Votorantim e Máximo. Como resultado, uma mini-reforma que pretende aparelhar o Arruda para receber um dos jogos das eliminatórias de 2010, da Copa América de 2011 e, de quebra, poderá nos impulsionar a receber os investimentos necessários para sermos o representante de Pernambuco nos jogos da copa de 2014.   Com a Máximo, o Santa pretende instalar, no meio do setor de arquibancadas superiores, que fica em frente às sociais, um placar eletrônico idêntico ao do Mineirão. Em troca, o Santa disponibilizará prismas para a empresa.   Com a Votorantim o projeto é mais ousado e envolve uma nova área de estacionamento, colocação de assentos em todas as arquibancadas, reformas dos banheiros, novo piso, entre outros.   Não bastasse, o Santa Cruz poderá fechar convênio com a Prefeitura de Recife ou o Governo do Estado, para ceder à área do Centro de Treinamento Waldomiro Silva, na Avenida Beberibe, para construções de casas populares. Em troca, o Santa Cruz receberá um terreno na periferia da cidade para construir um novo CT. Já existe, inclusive, um projeto elaborado pelo arquiteto tricolor Reginaldo Esteves, que contará com três campos oficiais, alojamento, centro médico e fisiológico.   A diretoria coral mostra que não está parada e que, aos poucos, o Santa vai entrando nos eixos e, tudo isso, em menos de quatro meses de gestão. As idéias e os projetos continuam em ebulição no Arruda.   Foto: Coralnet Foto: Coralnet Ilustração do placar eletrônico Planta do novo Centro de Treinamento O Torcedor Coral aproveita a oportunidade para dizer que já está confirmada a entrevista com o presidente Édson Nogueira, que deverá ocorrer na próxima semana e será publicada no dia 03 de abril, data em o nosso blog fará quatro meses de...

Leia Mais

O difícil caminho à profissionalização

Dimas Lins Uma das promessas da diretoria coral ao assumir o Santa Cruz foi a profissionalização do clube. Após quase quatro meses de gestão, houve avanços, mas o caminho até a profissionalização é longo e cheio de obstáculos. E, de fato, até aqui não tem sido fácil.   Há aproximadamente um mês atrás, o Santa viveu oito dias que abalaram o Arruda, onde tudo de ruim aconteceu de uma vez só. Foram notícias de penhora das torres de iluminação, das cadeiras cativas, de perda de mando de campo e risco iminente de prisão do presidente por não recolhimento de dívidas trabalhistas. Naquela ocasião, o nível de preocupação e estresse dos tricolores subiram a patamares talvez nunca antes alcançados. Não bastasse tudo isso, em campo o time apresentava um futebol fraco e apanhava de todo mundo. De lá para cá, em ritmo lento, é verdade, as coisas vêm evoluindo.   Mesmo não fazendo partidas primorosas, o time vem tentando dar esperanças ao torcedor de que há boas perspectivas no elenco. Em outras palavras, a equipe saiu da UTI e nos deixa na expectativa de que finalmente irá recuperar a saúde. O temor de rebaixamento para a segunda divisão do pernambucano e terceira do brasileiro, aos poucos – muito aos poucos, também é verdade – vem dando lugar a retomada da esperança. Mas o caminho da profissionalização vem mesmo do lado de fora dos gramados.   O clube aos poucos vem fazendo algumas parcerias que possam impulsionar ou, ao menos, dar um mínimo de sustentação às modificações necessárias a um processo de profissionalização. A confirmação de que o Arruda será palco de um dos jogos da seleção brasileira válido pelas eliminatórias da copa do mundo de 2010 vem contribuir para esse processo.   Já está em andamento a negociação de parcerias com a Votorantim e a Máximo, do ramo de cereais, para melhorias do estádio e aquisição de um placar eletrônico, sonho antigo da nação coral.   O Santa Cruz ainda está longe da profissionalização, pois o clube que ainda faz vaquinhas com torcedores mais abonados, está longe de ser profissional. Entretanto, é preciso separar o momento. O recuo no número de sócios é um dos fatores preponderantes para a adoções de práticas antigas pelos dirigentes do clube. Infelizmente, não se faz nada sem dinheiro. Entretanto, é inegável o caminho escolhido pela diretoria. Discussões com empresas de fast foods e do ramo de supermercado nos mostram o...

Leia Mais

Primeiros meses do presidente

Dimas Lins   Enfim, ganhamos. Apesar de todas as dificuldades, ganhamos. Ao menos, teoricamente, os jogadores terão mais tranqüilidade para trabalhar o restante do campeonato e se preparar para a Série B. Por isso, acredito que esta é uma boa hora para reflexão.   Há algum tempo, tenho tentado voltar minhas atenções para outras coisas do clube que não estejam atreladas apenas aos resultados e as resenhas dos jogos. Por isso mesmo, tantos outros temas foram tratados aqui, desde a criação deste blog. No próximo dia 03 de abril, o Torcedor Coral estará fazendo quatro meses de existência e pretende marcar esta data com uma publicação especial.   Para tanto, hoje iniciamos os contatos com Álvaro Claudino, Assessor de Imprensa do Santa Cruz, a fim de agendar uma entrevista com o presidente Édson Nogueira. O objetivo seria permitir que o presidente fizesse uma avaliação dos seus primeiros meses de gestão. A entrevista ainda não está confirmada, mas acreditamos que, pela filosofia desta administração em manter as portas abertas aos torcedores, será apenas uma questão de encontrar a melhor data para sua realização. Na próxima quinta-feira, Álvaro estará nos dando a resposta.   A divulgação deste texto, antes mesmo da confirmação do presidente, tem uma razão de ser. O Torcedor Coral, caso se confirme à entrevista, gostaria de contar com a colaboração dos nossos missivistas na sugestão de temas para abordar com o presidente. Assim, nós prepararemos uma pauta de questões e nela pretendemos incluir tópicos levantados pelos leitores. O Torcedor Coral não se comprometerá em abordar todas as questões levantadas pelos leitores, mas fará uma seleção daquelas que julgar mais relevantes e que estejam em consonância com o propósito da entrevista. Os temas sugeridos pelos leitores poderão ser enviados para o e-mail torcedorcoral@oi.com.br.   Apesar da pouca idade e experiência, o Torcedor Coral vem se esforçando para trazer à mesa questões relevantes para serem debatidas pela torcida tricolor e, desta forma, tentar, ainda que modestamente, contribuir com o engrandecimento do clube, bem como no estreitamento da relação entre dirigentes e torcedores.   Contamos com a colaboração de...

Leia Mais
119 de 129...1020...118119120...