Os “paraíbas” não torcem pelos paraibanos…

Amigos tricolores, Há algum tempo, venho cultivando o desejo de diversificar e aumentar o número de colunistas do Torcedor Coral. Ou seja, sair da turma do eu sozinho e oferecer aos leitores outros pontos de vista. Acredito sinceramente na pluralidade de opiniões, pois isto só enriquece o pensamento e o debate na comunidade tricolor. A tarefa não é das mais fáceis, afinal fora do mundo virtual – e mesmo dentro dele – temos nossas ocupações e tempo livre, nos dias de hoje, é produto raro. Mas, mesmo sabendo das dificuldades, convidei alguns tricolores para participar mais ativamente da edição do blog. Hoje, apresento um texto de Artur Perrusi, fruto desta diversificação. Nosso amigo Artur, o qual tive o prazer de conhecer pessoalmente, é tricolor fervoroso e um participativo comentarista deste e do Blog do Santinha . Artur é cronista de rara habilidade e talento e suas crônicas podem ser conferidas no Blog dos Perrusi, onde ele e outros membros do clã Perrusi tratam com muito humor o mundo político contemporâneo e revolucionam o universo literário da psicanálise. Que Sigmund Freud, aquele invejoso, não nos ouça. Esperamos que outros tricolores se juntem a nós. E que esse seja o primeiro de uma séria série de textos do nosso novo colunista. Artur, seja bem-vindo! Saudações tricolores, Dimas Lins Artur Perrusi _Qual é seu time, professor? Perguntou-me o aluno, curiosíssimo para saber sobre esse tema vital do reconhecimento humano. Diga seu clube, e pronto — não precisa de CPF, apenas o cite e saberão de sua identidade e mesmo de sua personalidade. É um signo mais poderoso do que qualquer outro da vã astrologia. Muitas vezes, pode ser uma questão de vida ou de morte. _ O Santinha… — respondi. _ O Santinha? Certo… mas, nacionalmente? Fiquei um momento em silêncio. Não entendera a pergunta. _Como nacionalmente? _ No Brasil, professor, não falo de Pernambuco. No Brasil… _No Brasil?! Sou Santinha no Brasil, no Japão, até no Congo Belga! Desta vez, foi o aluno que ficou silencioso. Olhava-me de um jeito meio estranho, como se eu fosse um ET. _No Brasil, eu torço pelo Flamengo, professor. O aluno deu um tom professoral na voz, do tipo: _será que tenho que explicar o óbvio para esse cara? Pensem numa coisa curiosa: foi assim que descobri que estava diante de um típico jovem paraibano da gema, torcedor do Flamengo, mais fanático do que o mais genuíno carioca. Certo, mantém nosso inconfundível sotaque, nossa abertura vigorosa das vogais pretônicas,...

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Sou torcedor do Santa Cruz!

Imagem: Dimas Lins Dimas Lins   Sou um torcedor passional e como tal, às vezes eu surto. E, por isso mesmo, ontem publiquei no blog um desabafo. Como disse, às vezes é bom escrever o que dá na telha, sem prudência, enquanto o sangue está fervendo, muito embora, tenha me arriscado a dar uma chance ao arrependimento. Não o fiz, entretanto me sinto agora na obrigação de fazer uma avaliação mais gélida. Com o coração menos vulcânico e a cabeça mais glacial, faço, enfim, uma réplica a mim mesmo.   O momento surreal protagonizado pelo Santa Cruz descortinou de vez as fraturas do futebol tricolor. Se alguém ainda tinha perspectiva de evolução do time, depois de ontem, não tem mais. A verdade é que a diretoria ainda não acertou o passo no carro-chefe do clube, independentemente do esforço que vem fazendo. Algo não anda bem nas Repúblicas Independentes do Arruda e, sinceramente, seja lá o que for, precisa ser mudado. O futebol profissional do clube continua amador. É nessa tecla que bato e é nela que concentro a minha crítica.   A diretoria atual assumiu o comando do Santa Cruz no dia 09 de dezembro com o apoio maciço da torcida tricolor. O torcedor apoiou a mudança porque estava cansado de gestões amadoras, para dizer o mínimo. No dia da eleição, uma multidão deslocou-se ao Arruda para votar, apoiar a oposição e inibir qualquer tentativa de mácula ao processo eleitoral. Sofremos, voto a voto, mas no final, a vitória da oposição reacendeu a esperança da nação coral. Para mim e para muitos, aquela vitória foi mais que isso. Foi o aceno de mãos tricolores para uma nova perspectiva, um futuro mais promissor. Era chegada a hora da ruptura com modelos arcaicos de administração utilizados no Santa Cruz.   Desde a posse, muita coisa mudou para melhor. Salários de jogadores e funcionários são pagos em dia e projetos pululam no Arruda. E mesmo que alguns destes projetos sejam deixados para trás, outros fincarão raízes.   O clube pode não ter dinheiro, mas há uma crise de criatividade no futebol. Em um ambiente de transformação, os resultados não são imediatos, sabemos disso. Entretanto, nem tudo de ruim que está aí, é preciso ser dito, é conseqüência do passado. Também há algo errado nas ações do presente. Não falamos de mazelas, evidentemente, mas de métodos administrativos ultrapassados que ainda norteiam a administração do...

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Não sou torcedor do América!

Vegonha na cara: de sobra na torcida coral Dimas Lins   É no calor da emoção que vos escrevo. Às vezes é bom fazer isso, escrever o que dá na telha, sem prudência, sem muito pensar e após uma derrota de matar qualquer tricolor de vergonha. De vez em quando é bom apenas botar para fora o que passa pela cabeça, mesmo que bata um arrependimento depois. Mas agora, é a minha ira que dá a diretriz das minhas palavras. E é nessa linha que eu vos digo: chega! Paciência, uma porra!   Estou puto com essa humilhação toda que o time vem impondo à torcida no campeonato pernambucano. Estou cheio de ouvir justificativas. Quero ação, não desculpas! Estou farto de um departamento de futebol incapaz de gerir o carro-chefe do clube. E, cá pra nós, cheio desse negócio de Edinho dizer que um tem mandato, que o outro está prestigiado. Prestigiado por quê? É esta a evolução que o time vem apresentando? E, por favor, me poupem desse negócio de dizer que o campeonato não valia mais nada. Valia menos para a Cabense que já estava rebaixada para a 2ª divisão do pernambucano. Lugar, aliás, que pelo futebol medíocre e ridículo que estamos jogando, merecíamos mais que qualquer um.   Cansei desse negócio de tudo ser questão financeira. Vão catar coquinho! Não sou de ferro! Esse departamento de futebol não vale aquilo que o camelo deixa no deserto.   Acordem! Edinho, ser vencedor para mim é do tipo tradicional, entende? Do tipo que vence! Edinho, como qualquer tricolor louco pelo seu time, quero que vocês acertem e se tornem uma diretoria vitoriosa como nós votamos para ser. Mas agora não abro mão de fazer o meu papel. O presidente do Santa Cruz nos disse na época da posse: “me cobrem, que eu vou cobrar da torcida!”. Pois é presidente, eu, como torcedor, estou cobrando: “Chega de humilhação!”.   Como Cláudio Machado, que deixou uma mensagem no Blog do Santinha, também estou me sentindo um torcedor do América. Por isso, transcrevo aqui sua mensagem deixada naquele blog.   O Torcedor do América F.C. João Cabral de Melo Neto   O desábito de vencer Não cria o calo da vitória; Não dá à vitória o fio cego Nem lhe cansa as molas nervosas. Guarda-a sem mofo: coisa fresca, Pele sensível, núbil, nova Ácida à língua qual cajá, Salto do sol no Cais da...

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A primeira vez que fui ao Arruda

Montagem: Dimas Lins Dimas Lins   Uma crônica universal sobre a primeira vez de uma criança em um dos maiores estádios do mundo   Tinha quase oito anos. Há tempos pedia a meu pai para me levar ao Arruda. Papai sempre dizia que me levaria da próxima vez. Ocorre que a próxima vez sempre chegava e nada acontecia. Ele não era um tricolor relapso, apenas achava que eu não agüentaria a maratona do dia e pediria para voltar pra casa mais cedo. É que ele, antes do jogo, juntava-se com os amigos e fazia o aquecimento em algum boteco no caminho para o estádio. Depois da partida, ainda parava em algum lugar para tomar outras, para comemorar a vitória ou desafogar as mágoas pela derrota. Mesmo assim, aquilo me deixava chateado. Queria tanto ver o Santa jogar, que chorava sozinho quando meu velho pai ia assistir aos jogos e me deixava em casa.   Em toda a minha curta vida, eu nunca havia tido esse prazer, só escutava os jogos pelo rádio e nada mais. Ficava em casa imaginando os dribles, os chutes, as defesas e os gols. Sequer tinha noção da grandeza das coisas do futebol coral. Como seria o Arruda? Como eram os jogadores? E a torcida? Não sabia de nada disso e, sinceramente, não adiantava alguém me dizer como era, pois essas coisas só valem quando a gente vê com os próprios olhos.   Quando meu pai chegava em casa, depois do jogo, eu logo pulava em cima dele. Queria saber todos os detalhes. Ele me colocava na cama e contava a história da partida. Desde sempre foi assim. Enquanto alguns meninos ouviam historinhas de ninar, eu ouvia as histórias do Mais Querido. E, invariavelmente, transformava tudo aquilo numa fábula. Onze cavaleiros defendendo um reino coral. O castelo tricolor protegido por um canal que abrigava seu povo, sua gente, dos inimigos. Dava vazão a minha imaginação.   Finalmente fiz oito anos e meu pai me disse para fazer um pedido, antes de apagar as velinhas do bolo.   – Qualquer coisa? – perguntei. – Qualquer uma – disse meu pai.   Nem precisei dizer o que era, ele já sabia. Enfim, chegou o primeiro domingo de jogo depois do meu aniversário. Eu estava prestes a realizar meu sonho. De tão ansioso, acordei às quatro horas da manhã. Não conseguia dormir. Não via a hora de ir ao...

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Um dia sem Diazepam

Dimas Lins   Uma boa notícia, mas que, individualmente, tem efeito financeiro insignificante. Depois de praticamente dois meses que autorizei o débito na conta da Celpe para doar um real ao Santa Cruz, finalmente o dinheiro foi descontado. Para aqueles que optaram pela doação através da conta de energia, não percam as esperanças. Numa noite chuvosa, quando você não estiver esperando, indubitavelmente o débito virá em sua conta. Não esqueçam apenas de conferir se o nome do Santa Cruz aparece na fatura como o clube beneficiário. Afinal, depois do esforço, você não vai querer entregar sua grana ao inimigo, não é?   Dito isso, vou ao assunto do dia, que é o que interessa. Alguns tricolores podem não gostar da abordagem deste texto, mas é semana santa e mando a prudência aos diabos, com perdão do trocadilho.   Exceto pelo desejo de quebrar a invencibilidade da coisa, o campeonato pernambucano chegou ao fim, mesmo com os jogos incompletos. Dessa forma, todas as atenções se voltam agora para a Série B e foi pensando nela que o presidente caiu em campo. E, sinceramente, não sei se acho isso bom ou ruim. Talvez seja bom porque o presidente assumiu as rédeas das contratações na tentativa de evitar outro apagão no futebol. De apagão já basta o caos aéreo causado pelo governo, aeronáutica, controladores de vôos e, porque não dizer, pelos equipamentos obsoletos. Talvez seja ruim, por que isso me leva a refletir sobre a real necessidade de manter dez diretores de futebol, já que é o presidente quem dá as cartas. Com todo mundo no clube voltado para o futebol, vejo o sonho de um departamento verdadeiramente profissional cada vez mais distante. Mal comparando, é como se todos os jogadores do time, inclusive o goleiro, fossem sempre atrás da bola, esteja ela onde estiver.   Como tricolor, venho torcendo fervorosamente para que a diretoria acerte o prumo e o futebol saia dessa inércia. Entretanto, por mais crédito que possamos dar à atual gestão, não posso ignorar que terminou o campeonato e a gente só levou lapada no toutiço. Tanto assim que se cada tricolor quisesse encenar a paixão de Cristo já vinha carregando a sua própria cruz.   Não sei vocês, mas vez por outra me bate uma sensação de que alguma coisa ainda não encaixou no clube. É como se o campeonato mundial de fórmula um tivesse começado e a Ferrari...

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O mito e as meias

Fotos: Dimas Lins Vai-se o mito, ficam as meias Dimas Lins   Relato fantástico protagonizado por seres que encarnam, sob forma simbólica, as forças da natureza e os aspectos gerais da condição humana; fábula; lenda; mitologia. Segundo o dicionário Houaiss, essa é a definição de mito.   Segundo relatos que surgiam por todos os lados da torcida tricolor, havia a lenda de que o sanfoneiro Chiló trazia consigo um estigma que produzia um malogro ao Santa Cruz, quando ele ia assistir a um jogo. Chiló, sanfoneiro da Sanfona Coral e tricolor arretado, já estava invocado com a pecha a ele atribuída. Era hora de mudar. Mas para entender o fim do estigma de pé-frio, necessário se faz retroceder um pouco antes do início do jogo contra o Vera Cruz.   O jogo começou no bar do Tonhão, nas proximidades da Praça da Cerveja. Encontramos-nos lá Eu, Gerrá, Ivan, o Patriota, Edward, Felipe e seu filhinho Gabriel. Por entre cervejas e petiscos, para variar, discutíamos o Santa Cruz. Víamos problemas, vislumbrávamos soluções e entornávamos o precioso líquido. Faltando trinta minutos para o início da partida, seguimos para o estádio. Não havia trânsito, não havia gente, não havia nada. Compramos os ingressos e entramos no Arruda mais vazio que já vi na vida em dia de jogo. Apenas nas sociais encontrávamos companhia diante de tanta solidão. Até filmei as arquibancadas do estádio para botar aqui no blog, mas depois desisti de postar o filme. Preferi ater-me às coisas boas.   Dirijo-me ao ponto habitual de todos os jogos e encontro a galera. Raul aproveitava para dizer que no casamento dele tinha mais gente do que no jogo de hoje. O estádio estava mesmo vazio. Tanto assim que nem a gasoseira, que fica sempre naquela área, apareceu para ganhar um trocado com a já tradicional cerveja Frevo. Nem a torcida organizada que prometeu fazer do Arruda o inferno de Dante compareceu ao jogo. Melhor assim.   Replay da vibração do pequeno coral Apita o juiz, início de jogo e o Santa joga melhor. Ivan, o Patriota, se posiciona em condições de gritar com Charles Muniz a qualquer momento, como prometera nos comentários do Blog do Santinha. Enquanto a bola dança, o tempo avança e Marquinhos Catarina chuta de fora da área para balançar as redes. Gol do Santa! O pequeno Gabriel vibra nas sociais. E Eu, que sou megalomaníaco, já começo a pensar em Tóquio.  Para minha...

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