Fênix

Fênix

O título aí em cima bem poderia estar relacionado à expectativa de nossa torcida com o desempenho do Santa Cruz nesta Série C. A chegada de Vica, a primeira vitória fora de casa, o grande desempenho de André Dias, é inegável dizer, nos animaram a todos. Entretanto, nossos olhos, neste instante, voltam para os nossos umbigos. Vamos combinar: está uma chatice acessar o Torcedor Coral. O site, quando não sai do ar, está lento de doer. Esta semana mesmo, essa lerdeza crônica impediu a publicação de, pelo menos, três artigos: dois de nossos cronistas e um do tricolor Fábio Vieira, que gentilmente nos enviou através da nossa página de contato. O TC, faço mea maxima culpa, está um troço difícil de ler e ruim de publicar. Por isso, de joelhos e com a cabeça voltada para o oriente, peço perdão. Essa lentidão irritante vem desde o momento que tive a infeliz ideia de mudar de servidor. No antigo, eu era feliz e não sabia. Passamos um ano e meio, retornamos às nossas origens, mas algo se perdeu, algo se quebrou. E logo agora, que o TC se renova e passa a atuar também na área de vídeos, onde Perrusi e eu atacamos de apresentador em um programa de opinião, debates e bom humor, numa produção de baixo custo, baixa qualidade e baixo nível. Contudo, se a nossa lerdeza é visível, a causa é incerta. Algo estranhamente indetectável está elevando o uso da memória do nosso servidor às alturas e fazendo o site ter um desempenho mais sofrível do que o Santa Cruz nas mãos de Sandro Barbosa. Investigamos à exaustão, mas não logramos êxito. Como um médico que, incapaz de descobrir a causa da doença de um paciente, dá o diagnóstico genérico de virose, atribuo a invasão em nosso site de algum malwere. E só uma hipótese, mas não restou nenhuma outra. Por isso, tomei uma decisão drástica. O TC será o mesmo, mas vai mudar. Difícil explicar aparente disparidade e contradição, mas tentarei. Semana passada, concluí a reconstrução do layout do nosso site. Não haverá alteração no visual, mas a técnica empregada na edição permitirá fazer atualizações de maneira bem mais simples, enquanto antes era necessário, praticamente, reconstruir tudo. A atualização permitirá a correção de erros no desenvolvimento do layout e nos ajudará no combate as pragas da internet. Porém, reconstruir o layout é importante, mas não é...

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Fogo de palha

Fogo de palha

Durou apenas uma partida o empenho dos jogadores corais por Sandro Barbosa. Bastou um jogo fora de casa para derrubar a esperança, ínfima, bom que se diga, de que a goleada aplicada contra o Treze/PB representaria uma nova postura do Santa Cruz na Série C. A derrota para o Luverdense, além de vergonhosa, evidencia que pelas bandas do Arruda tudo não passou de fogo de palha. Sandro não conseguiu explicar a derrota. Nem poderia. A lógica por trás do jogo, tudo indica, foge ao conhecimento técnico do treinador. Contudo, Sandro Barbosa está isento de culpa. Desde que pediu demissão, ele deixou de ser responsável pelo fracasso do time na Série C. Ao suplicar por sua permanência, o presidente e os diretores de futebol trouxeram para si todo o peso do destino do clube na competição. Agora é de suas responsabilidades quem o técnico escala, por quem substitui, o esquema tático que utiliza e todo o resto de tentativas inúteis que saia do banco de reservas. Antônio Luiz Neto considera que a torcida age sempre pela emoção, enquanto a diretoria tem por obrigação se balizar pela razão. Se desse ouvido aos apelos dos torcedores, insiste na mesma tecla o presidente, jamais o Santa seria bicampeão, pois Zé Teodoro certamente não teria resistido à tanta pressão. Credita ele, dessa forma, sabedoria e paciência aos dirigentes e afobação e insensatez à torcida coral. O presidente analisa a questão apenas pelo aspecto positivo. Esquece ele, por exemplo, de mencionar que a insistência de sua diretoria em manter Zé Teodoro na Série C do ano passado, quando até os mais cegos e benevolentes enxergavam que a cobra se arrastava para o brejo, custou a permanência do Santa na cozinha do futebol brasileiro. Esquece ainda que a manutenção de um treinador é justificável em algumas situações, noutras não. A situação atual do Santa Cruz na Série C não justifica nem sugere a permanência de Sandro Barbosa à frente do comando técnico. A torcida coral é inteligente e já percebeu isso e não costuma tapar o sol com a peneira. O torcedor sabe quando algo não vai bem. Não posso dizer o mesmo do presidente. Encasquetou que o segredo do negócio é manter o treinador custe o que custar. A torcida, ao contrário, só aceita a manutenção do técnico se enxergar perspectiva e consistência, que sobravam no Santa de Martelotte e são profundamente escassas no time...

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Sinal dos céus

Sinal dos céus

Sou um torcedor de bosta, incapaz, ainda que torça pelo clube místico do Santo Nome, de ler os sinais enviados dos céus. Ainda que caíssem do alto sapos, cobras e lagartos, lerdo e incrédulo, viraria meus olhos para cima e perguntaria, como um iletrado nas artes do sobrenatural: “Dizei explicitamente o que quereis, que esses sapos, cobras e lagartos atrapalham meu raciocínio!”. Pois bem. Ontem, na porta do estádio, perdi meu ingresso. Um torcedor versado nos assuntos do imponderável já teria dado no pé, ao contrário de mim, que dei a volta para comprar outro bilhete. Artur, por exemplo, àquela altura, teria picado a mula. E só não o fez, porque ele mesmo já havia ultrapassado a catraca. Suspeito que não me alertou para não ter que assistir ao jogo sozinho. Bem feito! Presenciou a partida mais bisonha dos últimos tempos. O que foi aquilo, afinal?! Está certo que Sandro não é treinador e provou isso ao desorganizar taticamente, em pouquíssimo tempo, um time bem armado pelo traíra Martelotte. Ainda assim, nada justifica aquela sonolência, como se os jogadores tivessem batido uma feijoada antes do jogo. Há algo de muito estranho no reino dos suricatos. Sandro é um caso à parte em estranheza. Boleiro, é viciado em dar férias aos jogadores durante a temporada. Foi assim como auxiliar técnico do inominável Zé Teodoro (bate na madeira três vezes!), foi assim recentemente durante a Copa das Confederações. Incapaz de colocar em campo suas melhores peças, sequer cogitou dar oportunidade aos recém-contratados Panda e Dedé ou colocar Everton Senna no lugar do inclassificável Leandro Souza. Caça-Rato voltou aos seus gloriosos tempos de inutilidade, mas se mantém intocável no ataque. Assim como eu na leitura dos sinais, lerda também é a diretoria coral, que costuma enxergar o óbvio apenas quando a cobra já foi para o brejo. Ainda me pergunto atônito como surgiu a tentadora ideia de contratar Sandro Barbosa. — Como a gente pode sacanear a torcida hoje, hein?! Hein?! — Contrata Sandro Barbosa, já que não querem Teodoro. E caíram na risada. Poucos dias antes de bater o martelo, escutei de um diretor que o Santa manteria a linha de contratar um técnico moderno com fome de vencer na vida. Não sei o que aconteceu nesse meio tempo, mas fizeram o oposto. Trouxeram um cara que aprende futebol na TV e que jamais pensou em treinar um time profissionalmente. Há...

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O Grande Irmão

O Grande Irmão

Ando com uma mania lascada de perseguição, desde que soube que os brasileiros estão entre os maiores alvos da espionagem americana. O negócio é tão sério que se comenta por aí que não há limites na bisbilhotice do Tio Sam. Marivalda, minha vizinha, por exemplo, desconfia que são os gringos que mantêm os olhos espichados sobre a piscina de sua casa sempre que ela resolve tomar banho de sol como veio ao mundo. Sua tese se baseia nas vozes febris que se ouvem das janelas e varandas dos prédios ao redor. São dizeres em inglês, como Oh, yeah! Oh, yeah! e outras ignomínias que, certamente, são palavras cifradas, códigos de espionagem ultra-secreta, sabe-se lá com que interesses maledicentes. Não posso negar o desencadeamento lógico de seu raciocínio, mas desconfio que, neste caso, os americanos são inocentes, dado o grande número na vizinhança de adolescentes espinhudos e portadores de binóculos. Não acredite em tudo. É preciso separar o joio do trigo, mas, na dúvida, dou alguns conselhos para se tornar invisível aos olhos do Grande Irmão: (1) envie e-mails que contenham apenas leseiras inofensivas; (2) tenha certeza que não está sendo grampeado ao dar aquele telefonema indiscreto às duas da manhã (sua mulher pode ser informada pela CIA de suas atividades noturnas, se você já foi, algum dia, ainda que por mera curiosidade, a uma reunião do partido comunista, mesmo que hoje seja fã incondicional de Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo); (3) não comente sobre globalização e o tratado de Kyoto nas redes sociais, tampouco que o Euro vale mais do que o Dólar; (4) tente evitar elogios à pujança econômica da China ou aos médicos cubanos; (5) jamais, em tempo algum, use a palavra terrorismo, ainda que seja para qualificar a sacanagem premeditada de sua mulher ao apontar para a pia cheia de pratos poucos minutos antes de você sair de casa para assistir a um jogo do Santa Cruz; (6) não converse nada além do trivial nos aplicativos de bate-papo, prefira tratar de assuntos banais, como as chuvas avassaladoras no Recife e o nosso trânsito caótico. Pode comentar também sobre a mais nova derrota do Náutico, aquele clube que pensa ser dono de uma arena; e, principalmente, (7) cuidado para não expor publicamente sua intimidade na internet. Caiu na rede, é peixe… Morto, bom que se diga. Outro dia mesmo, fui advertido por meu médico para agir com...

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De volta ao batente

De volta ao batente

Não foi planejado, mas a parada do futebol local em razão da Copa das Confederações provocou férias voluntárias no Torcedor Coral. Por mais que alguns, por devoção ao Santa Cruz, considerem que não há vida interessante fora do Arruda, penso o contrário. Tirar o olho do próprio umbigo é salutar para aprender, crescer e espairecer. Espero que esta competição, inclusive, tenha ensinado alguma lição para todos nós e, especialmente, para o Santa Cruz. A Copa das Confederações foi importante para o país dentro e, principalmente, fora dos campos. O título incontestável diante da Espanha, indiscutivelmente a melhor seleção do planeta, abre melhores perspectivas para a Copa do Mundo, embora não possa criar a ilusão que de que agora somos a equipe a ser batida. Um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Talvez a soberba, típica de rubro-negros e agora alvirrubros, tenha cegado os espanhóis. Não deixemos que esse ufanismo tome conta de nós. Acredito no trabalho antes da celebração, não no contrário. Do lado de fora dos gramados, uma lição de cidadania. Houve manifestações para todos os gostos. O povo brasileiro ignorou os partidos, as lideranças políticas, as instituições e a mídia e fez um protesto sem intermediários, não apenas contra a corrupção, como querem alguns, mas contra todo o sistema. Nossos vícios não estão apenas no meio político, com a corrupção secular correndo solta, mas contra os serviços públicos com educação e saúde, por exemplo, e, ainda as concessões ao setor privado com os transportes de má qualidade, as ruas engarrafadas, as estradas esburacadas, os gastos superfaturados das obras de infra-estrutura, as administrações terceirizadas dos estádios, onde é proibido à iniciativa privada correr os riscos inerentes ao capitalismo que levam ao lucro ou prejuízo, típico de quem explora qualquer atividade econômica, a cartolagem nociva ao futebol, simbolizada por Marin, e, por fim, a mídia brasileira, cuja parcialidade na cobertura dos acontecimentos políticos do país a fez ser expulsa sistematicamente das manifestações. O brasileiro aprendeu a se comunicar pela internet e o sistema foi posto em cheque. Não sobrou ninguém. Tudo está ruim, tudo precisa ser mudado. Eis o recado que vem das ruas. Baderneiros e bandidos são casos de polícia. O resto é o pleno exercício da democracia. Quem sabe, não daremos uma lição ao mundo e esta Copa seja um divisor de águas e acabe com a prática ignóbil onde o país-sede arca com todos...

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Da lama ao caos

Da lama ao caos

“Os estádios estão quase prontos, só falta construir um país em torno deles”, de um torcedor, na seção de comentários do artigo Manifestantes ateiam fogo em frente ao estádio Mané Garrincha, do site da ESPN Brasil. Tradicionalmente, como site de torcida, o Torcedor Coral busca tratar apenas dos assuntos relativos ao Santa Cruz. E embora seja raro, pela relevância do tema ou simplesmente por não estarmos alheios ao mundo em nosso redor, em algumas situações é imprescindível nos afastar deles. A Copa das Confederações é um desses casos, porque ela expõe, de maneira inequívoca, as nossas mazelas para o mundo. Por isso, escrevo agora, não apenas como um torcedor do Santa Cruz, mas como cidadão brasileiro, que sente diariamente os reveses dessa Cidade, desse Estado, deste País. A chegada das seleções uruguaia e espanhola ao Recife tem mostrado, antes mesmo do início da Copa das Confederações, o nosso despreparo para sediar uma competição internacional de médio ou grande porte. Debaixo de muita chuva, o que vimos até aqui foram muitas reclamações, todas procedentes, bom que se diga, que convergem para o mesmo ponto: a falta de infra-estrutura. De Óscar Tabárez, técnico da seleção uruguaia, passando pelo zagueiro Diego Lugano, com repercussão instantânea na mídia nacional e internacional, as reclamações vieram de todos os lados e desnudou os problemas de nossa cidade aos olhos do mundo como uma fratura exposta. Trânsito caótico, buracos por todos os lados, campos sem condições de treinamento e até mesmo de comunicações, já que a internet do CT do Náutico não resistiu a setenta jornalistas, brasileiros e estrangeiros, que acompanhavam a Espanha. O jornalista Juan Castro do portal Marca, que acompanha a seleção espanhola em terras brasileiras, publicou em seu blog, o El espía de la Roja, que a desorganização não é um sentimento isolado e tem desgastado equipes e a imprensa internacional e conclui que, após o grande crescimento econômico do país, esperava mais. Esperava um Brasil mais moderno, mais crescido e melhor organizado para a Copa. O jornalista brasileiro Thiago Arantes em seu Diário das Confederações – BR, de Brasil, do portal ESPN Brasil, em poucos dias na cidade, fez uma observação que todo recifense já sabe, mas parece imperceptível apenas para os governantes, sejam eles de qualquer esfera de poder. “Recife, uma das cidades mais importantes do Brasil, (…) com o povo mais cativante deste país, a cidade de um estádio de R$...

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