Faro de gol

Foto: Coralnet Marcelo Ramos: faro de gol Pulei na arquibancada, pulei. Gritei um grito louco daqueles que só grita quem tem a sorte de testemunhar o faro de gol de um artilheiro. Ele, impecável, consciente; eu, vibrante, maravilhado. Vi, num daqueles belos gols, a bola entrar caprichosa, dando falsas esperanças ao goleiro. Era como se dissesse ao arqueiro em tom de galhofa “prenda-me, se for capaz!”. A bola talvez – digo talvez, por incapaz que sou de saber o que se passa no pensamento de uma bola – agisse com imodéstia. Embora também não soubesse o que se passava na cabeça do artilheiro, dado que nunca percebi em mim, durante todos esses anos, o dom da telepatia, imaginei-o agindo como um matemático, medindo distâncias e calculando força, jeito e direção. Artilheiro que é artilheiro conhece bem o seu ofício e sabe que entre as suas virtudes deve estar o respeito ao adversário. Ele deixa para nós, torcedores apaixonados, os gracejos necessários ao cultivo da rivalidade, dentro – claro está – do bom viver e conviver, que essa coisa de violência é mesmo falta do que fazer. Artilheiro que é artilheiro respeita o adversário fazendo o que veio a campo fazer. E se falo em respeito, percebo agora que desrespeito o tempo, a cronologia das coisas, pois segui diretamente para o derradeiro gol da partida, deixando para trás os que lhe antecederam. E assim o fiz não foi por desprezo ou desmerecimento, mas por ansiedade. No primeiro, a oportunidade, o sentido de colocação, a calma necessária e o toque preciso. Impreciso apenas o gesto do assistente, insistente que foi em tentar prejudicar nosso esquadrão, assinalando impedimento contrário e oposto à razão, assim como o foi o árbitro, tão arbitrário em suas ações durante toda a partida, exceto – felizmente – na marcação deste impedimento grotesco. No segundo, outra pintura. Um obra de arte, um quadro de Da Vinci. “Passa pra mim, passa pra mim, que eu sei o que faço!”. Note que nas palavras do artilheiro – embora pareça que há, mas garanto que não – inexistem sinais de arrogância ou presunção de superioridade. Quando disse ao companheiro “… eu sei o que faço!”, quis dizer apenas que, como goleador, seu ofício é saber chutar, assim como é saber passar a bola para quem sabe chutar o ofício do armador. Enfim, está provado, pois, que cada um fez o que...

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Acendam o refletor

Não sei dos nossos leitores quem já teve a curiosidade de ler o TC News, a nova seção de notícias do Torcedor Coral, que se encontra aí ao lado. Lendo-a, é fácil perceber a quantidade de informações interessantes que saltam Arruda afora. Com esta seção, o nosso blog pretende valorizar o clube e a nossa torcida. Serão pequenas notas, mas de grande importância para nós, torcedores corais, que tem fome de saber tudo o que passa no Santa Cruz. Não temos a intenção de nos tornar um site de notícias, é claro. Afinal, não somos repórteres ou jornalistas, mas apenas penetras e bicões com uma caneta na mão. Além do mais, em nosso espaço, buscamos valorizar a palavra através da crônica, do artigo, da análise, dos comentários. Variamos do escracho à poesia – que Drummond não nos leia lá de cima! Mesmo assim, queremos contribuir, à nossa maneira, com a divulgação de notícias capturadas diretamente do clube, sem intermediários. Mas volto à abordagem do primeiro parágrafo deste artigo, pois me senti inclinado a olhar o que orbita em torno de uma delas. Depois da goleada de nove a zero contra o Central, o Santa assumiu a liderança do campeonato de Juniores diante do Salgueiro, no sertão pernambucano, na última quarta-feira. No Sub-20, parece que já estamos nos cascos e, embora ainda seja cedo para dizer, teremos boas condições de brigar pelo campeonato. Esta notícia em especial nos remete, obviamente, às divisões de base do clube. É incrível, mas pouca gente sabe o que acontece por lá. Formadas pelo Futsal e Futebol de Campo, as divisões de base nunca estiveram na mira dos holofotes, apesar das alegrias que já nos deu e continua nos dando. Talvez isso ocorra, porque os olhos da torcida estejam sempre voltados para o futebol profissional. Talvez. Mas creio que o que falta mesmo é divulgação. Faltava. Com a mudança de gestão, foi criada a Coordenação de Comunicação da Base, que fará um link entre o Departamento de Comunicação do clube e, óbvio ululante, a base. Ela terá como objetivo a divulgação do que acontece em todas as categorias de campo e futebol de salão. Com isso, além de corrigir uma injustiça histórica, valorizaremos nossos atletas e nossas comissões técnicas. Uma das ações principais da Comunicação é a criação de um site da base. nesta primeira fase, o site será desenvolvido em parceria com a Coralnet....

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A torcida mais apaixonada do Brasil

Dizem que a paixão não pode ser medida. Dizem também que ela não pode ser definida ou determinada com certeza e precisão. Para os cientistas, a paixão se caracteriza por uma liberação contínua de neurotransmissores, como a dopamina e a noradrenalina. Para os poetas, a paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma e age como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar*. Para os amantes, é um gosto muito vivo, um apetite carnal, um desejo insaciado. Diante de tantos conceitos, atrevo-me a pedir um instante. Peço que fiquem em silêncio cientistas, poetas e amantes para eu que vos fale agora da paixão incomparável, do amor demais, do movimento impetuoso da alma, que dá viço e vida a todos nós, tricolores apaixonados, loucamente apaixonados. Pois só quem sente a paixão em sua essência sabe de fato que ela não se mede nem se define. E embora seja assim, sua intangibilidade pode ser tocada nas ruas, praças e cidades. É possível senti-la onde quer que esteja um torcedor do Santa Cruz. Essa paixão transcende o apego a coisas materiais e se iguala à benquerença de uma mãe para um filho, de um irmão para outro ou de um marido para sua esposa. A paixão de nossa torcida não é mero capricho, muito menos é fugaz. Ao contrário, ela é o amor, caloroso e permanente, em estado latente. Somente é possível dimensionar a devoção de milhões quando um clube atravessa momentos tão adversos quanto o nosso. Quando o amor cresce na derrota, distinguem-se os que amam verdadeiramente dos demais torcedores. Transforma-se um clube em República e uma nação de tricolores num país. E é no ardor de tantas batalhas, quando tudo parece perdido, que nossa torcida mostra que um filho seu não foge à luta. Com o gramado vazio, a arquibancada foi tomada por tricolores, que acompanharam diariamente os trabalhos de recuperação do Arruda, como se fosse um jogo do seu time. Na ponta da língua, cada um que esteve lá sabia de cor a escalação dos operários que trabalharam neste período de reconstrução. No dia da reinauguração do estádio, dezenas de tricolores se ofereceram como colaboradores para organizar os eventos e festividades. Artistas, empresários, servidores públicos, trabalhadores autônomos, assalariados e desempregados se uniram para colocar de pé um gigante adormecido. Por tudo isso, por cada pequeno gesto, de significado incomensurável, é que somos...

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Volta ao lar

Arte: Dimas Lins Meu coração ficou em festa Minha alma sorriu contente Junto comigo um mar de gente Um povo humilde que alegria empresta Veio velho, moço e criança Havia negros, pardos e brancos Foram tantos abraços e sorrisos francos Que uma nação se acendeu de esperança Num guardanapo escrevi um poema Enquanto um homem recitava Neruda Tanta homenagem recebeu o Arruda Que até o gramado cheirava à alfazema Nando Cordel fez um verso alumbrado O Véio Mangaba se apresentou com esmero Canibal do Devotos com um ódio sincero Getúlio cantou mais um frevo rasgado Bacamarteiros davam tiros para o ar Enquanto o povo na arquibancada aplaudia Os fogos transformaram a noite em dia E um imenso clarão fez o Arruda brilhar Voltei para casa com uma certeza inconteste Pois atinei quando vi o Arruda mais moço Lembrei que ontem estava no fundo do poço E agora levanta o Terror do Nordeste ————————————————–*————————————————— Santa Bowl Manoel Valença Lá para o lado dos states, os gringos inventaram um tal de super Bowl, que nada mais é do que a final do campeonato de futebol americano deles. Esse evento é esperado e especulado durante todo o ano, e, detém quase todos os recordes de audiência da televisão americana. O evento é composto por um show num palco montado no próprio estádio e depois disso, pelo jogo em si, sempre cercado de tensão, ansiedade e nervosismo e, antes que eu me esqueça, sempre os estádios estão impecáveis e lotados. Não sou muito fã de americanos, mas, os sobrinhos do Tio Sam sabem mesmo como fazer um show, como vender um espetáculo. Por tudo isso, eu imaginei nosso jogo contra o Central como sendo o Santa Bowl. Exatamente como eles, estávamos com o estádio cheio, tínhamos um palco montado para os shows, jogo cercado de tensão, estádio impecável, destaque na programação nacional de dois canais abertos e um fechado, enfim, quase tudo igual, a única diferença é que o Super Bowl é uma final, o Santa Bowl foi o começo de tudo. Não há palavras para nos descrever. Vi meu pai chorando 45 minutos seguidos por amor ao Santa, dei umas cinco lapadas na cara de minha esposa para ir ao jogo recém-operado da venta e garanto que muitos outros tiveram outras histórias de sacrifício simplesmente para não perder a festa. Nós, torcedores do Santa Cruz, merecíamos um novo verbo nos dicionários da...

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De volta ao Arruda

FBC na apresentação do Arruda reformado A convite do clube, estive ontem no Arruda para participar da coletiva de imprensa convocada pelo presidente Fernando Bezerra Coelho, que teve como objetivo a apresentação, em primeira mão, do estádio reformado e pronto para sua reinauguração neste domingo no jogo contra o Central. O convite, enviado pela Caderno 1 – assessoria de imprensa do Santa Cruz – é o reconhecimento de uma nova ordem: a força da internet. Também é o reconhecimento de que grande parte dos formadores de opinião de nossa torcida orbita em torno dos blogues e sites, como o Torcedor Coral, já que os meios tradicionais de informações são vistos com desconfiança pelos torcedores. Mas nem tudo é perfeito. Embora formalmente convidados, Artur Perrusi e eu fomos barrados na entrada por um segurança. Não fomos os únicos. Foram também barrados os enviados da Coralnet e do Loucos pelo Santa. Apesar disso, o funcionário do clube agiu com exatidão, já que havia recebido ordens para deixar passar apenas quem apresentasse credenciais da imprensa. Tratava-se do primeiro evento com a nossa participação e é compreensível que nem tudo ocorra perfeitamente. A Caderno 1 garantiu que corrigirá as falhas. Desfeito o equívoco, entramos. No caminho, li os escritos “Loucos pelo Santa: o site oficial do torcedor coral” na camisa de Fábio, representante do site de mesmo nome, e protestei. Afinal, o site oficial do torcedor coral é o próprio Torcedor Coral, a Casa dos Frios dos blogues sobre o Santa Cruz. Brincadeiras à parte com o amigo Fábio, chegamos ao gramado, onde já se encontrava toda a diretoria e os repórteres esportivos. Conheço os gramados de futebol como qualquer outro torcedor e a minha opinião não tem nenhuma relevância. Mesmo assim, fiquei com a impressão que o nosso ainda precisava de um pouco mais de tempo para que a bola rolasse redonda. Talvez até amanhã, quem sabe, já esteja tudo em ordem. Aguardei com paciência que o presidente encerrasse uma das várias entrevistas e lhe fiz algumas perguntas. Antes de falar da coletiva, abro um parêntese para contar um fato inusitado. Minutos antes, Perrusi e eu fazíamos uma entrevista exclusiva com José Augusto de Paula, presidente da Comissão Patrimonial, quando a minha máquina fotográfica, que é a filmadora oficial do blog, apresentou um problema insolúvel com o cartão de memória. Por força do destino, a entrevista teve de ser interrompida e ficamos...

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Epitáfio

Dimas da Fonseca Lins, tricolor, 42 anos, partiu envolto numa bandeira preta, branca e vermelha, eterna companheira. Deixa saudade de esposa, filha, mãe, irmãos, tios, sobrinhos, primos e amigos. Morto de feliz, foi para Caruaru assistir ao jogo do Santa Cruz, seu clube do coração. Retornará em breve. Se tudo der certo, com a vitória na...

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